CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2814 DE 08 DE OUTUBRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2814 | 08 de outubro de 2026

 

NOTÍCIAS

Alta na cotação do boi gordo e das fêmeas

Com a oferta de boiadas reduzida, as cotações subiram até R$3,00/@.

A cotação do boi gordo e da vaca gorda subiu R$2,00/@, e a da novilha e do “boi China”, R$3,00/@. Frigoríficos que não haviam comprado boiadas antecipadamente e precisaram recorrer ao mercado spot para cumprir as escalas não encontraram disponibilidade para compras abaixo da referência. A oferta de boiadas esteve reduzida, e negócios pontuais acima desse patamar, chegando a R$380,00/@, foram relatados, mas sem volume suficiente para se tornarem referência. As escalas de abate atenderam, em média, a seis dias. Na exportação de carne bovina in natura, em setembro, o Brasil exportou 195,2 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 9,3 mil toneladas, volume 35,0% menor que o de setembro de 2025. Por outro lado, a cotação média da tonelada ficou em US$6,3 mil, alta de 11,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Com os 21 dias úteis de setembro de 2026 encerrados, o volume exportado ficou 119,4 mil toneladas abaixo do registrado nos 22 dias úteis de setembro do ano passado. Em relação a agosto, a média diária de embarques caiu 0,3%, e o preço médio subiu 1,9%. Pelo segundo mês consecutivo, os Estados Unidos foram o principal destino da carne bovina brasileira, posição que a China deixou de ocupar em agosto, quando os norte-americanos lideraram os embarques. Em setembro, os Estados Unidos receberam 44,4 mil toneladas, com receita de US$263,5 milhões, o equivalente a 22,8% do volume embarcado no mês. A China recebeu 10,9 mil toneladas, com receita de US$68,3 milhões, o que corresponde a 5,6% do total. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a China comprou 187,2 mil toneladas de carne bovina in natura do Brasil, com receita de US$1,05 bilhão, o volume enviado ao país asiático em setembro de 2026 foi 94,2% menor, e a receita teve queda de 93,5%. Em 29 de setembro, a China confirmou que o Brasil atingiu 100,0% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas prevista na salvaguarda, e o volume excedente passa a pagar tarifa adicional de 55,0%. Nos Estados Unidos, passou a valer em 1º de setembro uma cota temporária de 300,0 mil toneladas de aparas magras, com imposto de US$44,00 por tonelada no lugar da alíquota regular de 26,4%. No acumulado de 2026, a China responde por 41,8% do volume exportado, e os Estados Unidos, por 13,5%.

SCOT CONSULTORIA

Preço do boi gordo sobe na maior parte do Brasil após altas em São Paulo

Exportações caíram em setembro; no atacado, carne bovina teve novo dia de aumento. Mercado enfrenta restrição da oferta de animais e um posicionamento desconfortável das escalas de abate

Depois de aumentarem no início da semana em todas as categorias de bovinos, os preços da arroba ficaram estáveis no Estado de São Paulo nesta terça-feira (6/10). No entanto, em quase todo o resto do Brasil, as cotações aumentaram, acompanhando o avanço no mercado paulista na véspera. Das 33 praças monitoradas pela Scot, 24 tiveram altas no preço do boi gordo na comparação diária. Os aumentos foram registrados em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Pará, Tocantins, Rondônia, Paraná, Santa Catarina e Acre. Nas demais nove regiões, as cotações ficaram estáveis. Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, o preço do boi gordo seguiu em R$ 367 a arroba para o pagamento em 30 dias. As cotações do “boi China”, da vaca e da novilha também não mudaram. Segundo a Scot, em São Paulo, a oferta de boiadas estava contida e os frigoríficos estavam comprando apenas o necessário para manter as escalas de abate. A ponta vendedora buscava melhores preços, mas os negócios estavam sendo fechados dentro das referências. Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, comenta que o mercado físico do boi gordo mantém viés de alta, em um ambiente ainda caracterizado pela restrição da oferta de animais e pelo posicionamento desconfortável das escalas de abate. “As programações permanecem concentradas entre cinco e sete dias úteis, mantendo os frigoríficos ativos na compra de boiadas”, explica. Em relação ao mercado externo, os dados de exportação de setembro, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam redução nos embarques mensais de carne bovina in natura na comparação anual. Foram exportadas 195.188 toneladas, enquanto em setembro de 2025 os embarques somaram 314.689 toneladas, o que representa um recuo de 35%. O volume médio diário foi de 9,294 mil toneladas, queda de 38% em relação ao mesmo mês do ano passado. Por outro lado, o preço médio pago por tonelada permaneceu em patamar elevado, em US$ 6.284,70. Em comparação com setembro do ano passado (US$ 5.617,41), houve aumento de quase 12%. No total, as exportações renderam US$ 1,226 bilhão no mês passado. A receita média diária foi de US$ 58,414 milhões, baixa de 30,6% em um ano. O mercado interno de carne bovina apresentou nova valorização na terça-feira, informa a Safras. A alta foi favorecida pela boa reposição observada na semana marcada pela entrada dos salários na economia. Segundo Iglesias, o movimento no atacado ficou concentrado no quarto traseiro, que avançou R$ 0,50 e passou a ser cotado a R$ 28,50 por quilo. O quarto dianteiro permaneceu precificado a R$ 22,00, enquanto a ponta de agulha continuou negociada a R$ 20,50 por quilo. A Safras destaca que, apesar da melhora da demanda, a principal limitação para novas altas permanece na menor competitividade da carne bovina em relação à carne de frango e aos cortes suínos, que continuam oferecendo alternativas mais acessíveis ao consumidor.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar à vista fecha em alta de 0,83%, a R$5,0156 na venda

Após o forte rali do real visto depois do primeiro turno da eleição presidencial, o dólar fechou a quarta-feira em alta no Brasil e novamente acima dos R$5, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior. 

O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,83%, a R$5,0156, depois de ter atingido na véspera a menor cotação em quase 5 meses. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,62%. Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — subia 0,60% na B3, aos R$5,0365. Nas duas sessões anteriores o dólar acumulou uma queda de 4,65%, refletindo o entusiasmo dos investidores com a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Por trás do movimento está a percepção de boa parte do mercado de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas — ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste. O fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa foi forte no dia seguinte à eleição, como destacou Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine. “O movimento reflete a percepção de que Flávio Bolsonaro teria maior disposição para enfrentar o desequilíbrio fiscal e implementar uma agenda econômica mais favorável ao mercado”, afirmou, acrescentando que a sustentação do movimento dependerá do detalhamento das propostas econômicas. Passado o primeiro impacto eleitoral, na quarta-feira o dólar exibiu ganhos no Brasil, em sintonia com o sinal positivo da moeda norte-americana ante outras divisas emergentes no exterior, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h37, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,36%, a 102,280, em uma sessão também marcada pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com exterior e eleições no foco

O Ibovespa encerrou o pregão da quarta-feira em queda, com o mercado local refletindo o ambiente negativo externo e realizando lucros depois do rali eleitoral após o primeiro turno das eleições presidenciais.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,74%, a 204.302,33 pontos, após marcar 204.176,12 na mínima e 206.877,47 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da quarta-feira somou R$57,2 bilhões antes dos ajustes finais. A bolsa brasileira acompanhou a tendência das principais praças acionárias globais, que fecharam no campo negativo diante da alta dos preços do petróleo para mais de US$100 em meio a novas tensões no Oriente Médio. O S&P 500 encerrou o dia em queda de 0,22%. Os agentes também avaliaram a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve realizada em setembro, divulgada na tarde desta quarta-feira. O documento mostrou que os formuladores de política monetária do Fed estavam divididos no mês passado quanto aos fundamentos para o aumento das taxas de juros, com “alguns participantes” considerando o aumento necessário para conter o impacto dos choques nos preços do petróleo e outros choques, enquanto um grupo via a medida como necessária para proteção contra a inflação impulsionada pela demanda. Localmente, o destaque continuou sendo o cenário eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu apoio dos partidos Novo, União e PP para o segundo turno e participa de reunião da bancada do PL. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve reunião com jovens deputados eleitos e pode participar de encontro do diretório do PT. O diretor de análises da ZERO Markets Brasil, Marcos Praça, avalia que, para os próximos dias, a expectativa é de volatilidade elevada no mercado brasileiro, com o cenário político novamente no centro das atenções. Pesquisas eleitorais podem “provocar ajustes importantes nas posições construídas desde o primeiro turno, especialmente em dólar, juros e ações domésticas mais sensíveis à percepção fiscal”, afirmou. “Depois da forte valorização recente, o mercado deverá exigir sinais mais concretos sobre alianças, propostas econômicas e capacidade de implementação de uma eventual agenda fiscal mais restritiva”, disse Praça.

REUTERS

Brasil tem fluxo cambial negativo de US$5,090 bilhões em setembro, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$5,090 bilhões em setembro, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central.

Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$7,371 bilhões em setembro. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de setembro foi positivo em US$2,281 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 28 de setembro a 2 de outubro, saíram do país US$267 milhões líquidos. O período corresponde à semana imediatamente anterior ao primeiro turno das eleições no Brasil. Nos dois primeiros dias úteis de outubro, houve entradas de US$799 milhões. No acumulado do ano até 2 de outubro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$11,500 bilhões.

REUTERS

Novos mercados puxam alta de 10,4% nas exportações brasileiras

Vendas para a Índia quase dobram no ano, Europa cresce 20% e África, América Central e Oceania ganham espaço. Total exportado chega a US$ 284,6 bilhões entre janeiro e setembro

A diversificação de destinos sustentou o crescimento das exportações brasileiras em 2026. Entre janeiro e setembro, as vendas para a Índia subiram 85,5%, para a Europa, 20,2%, para a Oceania, 20,8%, para a América Central e Caribe, 14,9%, e para a África, 9,7%. No mesmo período, os embarques para os Estados Unidos recuaram 6,5% e para a Argentina, 18,5%. O resultado ajudou a levar as exportações a US$ 284,65 bilhões no acumulado do ano, alta de 10,4% sobre 2025, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado reforça a importância da busca por novos parceiros comerciais para reduzir a exposição do país a oscilações em mercados tradicionais. “Os números mostram que o exportador brasileiro está ocupando mais espaço no mundo. Crescemos na Índia, na Europa, na África, no Oriente Médio e na América Central. Abrir e diversificar mercados é a melhor forma de proteger o Brasil de oscilações em parceiros específicos, e é nisso que a ApexBrasil vem trabalhando”, afirma o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. A balança comercial acumula superávit de US$ 62,4 bilhões no ano. A corrente de comércio, que soma exportações e importações, chegou a US$ 506,9 bilhões, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. O maior avanço proporcional entre os principais destinos foi registrado na Índia. As exportações brasileiras para o país asiático passaram de US$ 4,44 bilhões para US$ 8,23 bilhões entre janeiro e setembro, um acréscimo de US$ 3,8 bilhões. Com isso, a Índia já está entre os mercados que mais contribuíram para o crescimento das vendas externas do Brasil no ano. “O crescimento de mais de 85% nas vendas para a Índia não é por acaso. É um mercado de 1,4 bilhão de pessoas que vê o Brasil como parceiro confiável”, diz Müller. Ainda na Ásia, a China segue como principal destino das exportações brasileiras. As vendas para o país somaram US$ 84,68 bilhões no acumulado do ano, alta de 12%. Japão (+14,2%), Singapura (+12,1%) e Bangladesh (+25,8%) também ampliaram as compras de produtos brasileiros. Na Europa, o crescimento foi distribuído entre vários países. Os Países Baixos ampliaram as compras em 16,6%, a Itália em 31,7%, a Turquia em 37,3%, a Polônia em 73,5% e a Alemanha em 15,8%. Minérios de cobre, soja, ouro, petróleo e carne bovina estão entre os produtos que puxaram a alta no continente. Na África, os destaques foram o Egito, com aumento de 25,2%, e a África do Sul, com 28%. Soja, minério de ferro, milho e animais vivos lideraram o avanço na região. Na América Central e Caribe, o Panamá ampliou as compras em 47,9%, e República Dominicana, Honduras e El Salvador também registraram crescimento expressivo. No Oriente Médio, as vendas subiram para Arábia Saudita (+13,8%), Jordânia (+54,9%) e Emirados Árabes Unidos (+7,4%). Embora o acumulado do ano mostre retração nas vendas para os Estados Unidos, setembro trouxe uma recuperação. As exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 3,52 bilhões no mês, alta de 31,9% em relação a setembro de 2025. Carne bovina, aeronaves e café foram os principais responsáveis pelo resultado. No total, as exportações brasileiras alcançaram US$ 34,42 bilhões em setembro, 12,9% a mais que no mesmo mês do ano anterior, com saldo comercial positivo de US$ 7,74 bilhões. Indústria extrativa (+39,8%), indústria de transformação (+5,3%) e agropecuária (+4,8%) cresceram no período. A pauta exportadora também se ampliou no ano. Na indústria de transformação, as vendas de carne bovina cresceram 14,1%, um acréscimo de US$ 1,6 bilhão. As de carne de aves subiram 20,7%, as de farelo de soja, 21,3%, e as de óleos combustíveis, 32,6%. Em setembro, as exportações de aeronaves e partes avançaram 41,9% e as de celulose, 27,4%. Na agropecuária, soja (+14,9%), algodão (+15%), frutas (+20,9%) e animais vivos (+71,7%) se destacaram no acumulado. O petróleo bruto também teve papel relevante, com alta de 28,6% no ano.

APEX BRASIL

Faturamento da indústria cai 3,5% em agosto, aponta CNI

No acumulado entre janeiro e agosto, o faturamento das empresas industriais caiu 0,2% em relação ao mesmo período do ano passado

O faturamento da indústria de transformação recuou pelo segundo mês consecutivo. Após queda de 2,2% em julho, o índice encolheu 3,5% em agosto, revelam os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quarta-feira (7). Com o resultado, o faturamento das empresas industriais acumula retração de 0,2% nos oito primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o levantamento, as horas trabalhadas na produção caíram 1% em agosto e teve queda de 0,8% no acumulado dos oito primeiros meses do ano. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cedeu 0,6 ponto percentual, passando de 77,5% em julho para 76,9% em agosto. Ainda assim, a UCI fechou os oito primeiros meses de 2026 1,5% acima do patamar registrado de janeiro a agosto de 2025. “Entre as principais causas para esse desempenho negativo da indústria de transformação estão a elevada carga tributária, a falta ou o alto custo de insumos e matérias-primas e os juros altos, que impactam a demanda por produtos industriais e o endividamento das famílias”, afirmou Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI. O indicador que mede o emprego industrial, por sua vez, manteve a tendência de estabilidade observada há alguns meses. Apesar disso, entre janeiro e agosto deste ano, o mercado de trabalho da indústria recuou 0,5% frente a igual período de 2025. Já a massa salarial e o rendimento médio pago aos trabalhadores continuaram a trajetória de alta. A massa salarial subiu 0,5% em agosto e acumulou crescimento de 0,9% nos oito primeiros meses de 2026 na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. O rendimento médio também avançou 0,5% e, agora, acumula alta de 1,5% no período compreendido entre janeiro e agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2025.

VALOR ECONÔMICO

IGP-DI sobe 1,50% em setembro e acumula 3,80% em 12meses, informa FGV

“Aceleração do IGP-DI em setembro foi impulsionada principalmente pelos avanços dos preços ao produtor e ao consumidor”, afirmou o economista do FGV Ibre Matheus Dias 

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 1,50% em setembro, depois de avançar 0,06% em agosto, segundo informações da Fundação Getulio Vargas. Com este resultado, o índice acumula alta de 3,72% no ano e de 3,80% em 12 meses. Em setembro de 2025, o IGP-DI havia tido alta de 0,36% e acumulava elevação de 2,31% em 12 meses. O resultado ficou abaixo da mediana de 1,53% das projeções dos economistas ouvidos pelo VALOR DATA, e dentro do intervalo das projeções de 1,35% a 1,82%. No acumulado em 12 meses, a mediana era de 3,83%, com intervalo de 3,65% a 4,11%. “A aceleração do IGP-DI em setembro foi impulsionada principalmente pelos avanços dos preços ao produtor e ao consumidor. No IPA, destacou-se a alta das commodities agrícolas, além do reajuste da gasolina automotiva. No IPC, a pressão partiu sobretudo da habitação, refletindo o aumento da tarifa de eletricidade residencial após o fim dos efeitos de descontos concedidos por conta do Bônus de Itaipu, e dos alimentos in natura”, afirmou o economista do FGV Ibre Matheus Dias. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 1,95% em setembro, ante taxa de 0,10% no mês anterior. Analisando os diferentes estágios de processamento, o grupo de Bens Finais aumentou 1,53% em setembro, ante 0,07% em agosto. O índice de Bens Finais (ex), que exclui os subgrupos de alimentos in natura e combustíveis para consumo, acelerou de 0,61% em agosto para 0,78% em setembro. Já o grupo de Bens Intermediários registrou alta de 1,00% em setembro, após cair 1,66% no mês anterior. O índice de Bens Intermediários (ex), que exclui o subgrupo de combustíveis e lubrificantes para a produção, subiu 0,87%, registrando uma inversão em sua taxa em comparação à queda de 0,09%. Por fim, o estágio das Matérias-Primas Brutas subiu 2,94% em setembro, de 1,43% no mês anterior. Em setembro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 0,67%, depois de ter caído 0,37% em agosto. Entre as oito classes de despesa que compõem o índice, cinco classes de despesa exibiram aumento em suas taxas de variação: Comunicação (-2,19% para -0,02%), Habitação (-1,21% para 1,99%), Alimentação (-0,47% para 1,00%), Educação, Leitura e Recreação (-1,44% para -0,23%), e Vestuário (-0,58% para 0,30%). Em contrapartida, três classes apresentaram recuo: Despesas Diversas (3,38% para 0,08%), Transportes (0,08% para -0,04%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,27% para 0,17%). O Núcleo do IPC registrou taxa de 0,25% em setembro, abaixo do apurado no mês anterior, de 0,27%. Dos 85 itens componentes do IPC, 40 foram excluídos do cálculo do núcleo. Destes, 17 apresentaram taxas abaixo de -0,15%, linha de corte inferior, e 23 registraram variações acima de 0,44%, linha de corte superior. O Índice de Difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, ficou em 59,68%, 4,52 pontos percentuais acima do registrado em agosto, quando o índice foi de 55,16%. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,22%, ante 0,66% em agosto. Analisando os três grupos componentes do INCC, o grupo Materiais e Equipamentos recuou de 0,33% para 0,14%; o grupo Serviços reduziu de 0,18% para 0,15%; e o grupo Mão de Obra desacelerou de 1,12% para 0,32%.

VALOR ECONÔMICO 

EMPRESAS

JBS vira favorita da XP no setor de proteínas e casa vê alta de até 70%

A XP elevou a JBS à sua principal recomendação no setor de proteínas e manteve indicação de compra para as ações. A corretora estabeleceu preço-alvo de US$ 20,30, o que representa potencial de valorização de 69%, e aposta principalmente em uma recuperação do negócio de carne bovina nos Estados Unidos.

O que diz a XP A maior mudança está nos Estados Unidos. A XP projeta que a operação de carne bovina no país saia de um Ebitda negativo de US$ 226 milhões em 2026 para resultado positivo de US$ 385 milhões em 2027. O Ebitda é um indicador que ajuda a medir a geração de recursos das operações da empresa. A projeção melhorou bastante. Antes, a XP esperava que a divisão ainda tivesse Ebitda negativo de US$ 41 milhões em 2027. Agora, a corretora vê mudanças no mercado americano que podem acelerar a recuperação. O problema hoje é a falta de gado. O rebanho dos Estados Unidos diminuiu após anos de seca e custos elevados para os pecuaristas. Com menos animais disponíveis, frigoríficos como a JBS precisam pagar mais pelo gado, sem conseguir necessariamente repassar todo o aumento ao preço da carne. Isso aperta as margens. No segundo trimestre, a JBS Beef North America teve receita recorde de US$ 7,8 bilhões, mas Ebitda ajustado negativo de US$ 100 milhões, com o impacto de maiores gastos com a aquisição de cabeças. Por que pode melhorar? A indústria americana está reduzindo a capacidade de abate. Segundo a XP, foram retiradas entre 7.000 e 8.000 cabeças por dia de capacidade, após fechamento de uma fábrica da Tyson e redução de um turno em outra unidade. Menos frigoríficos disputando o mesmo gado pode reduzir os custos. A XP também cita a reabertura gradual da fronteira dos EUA com o México, que pode aumentar a disponibilidade de animais. A combinação tende a melhorar o chamado spread — a diferença, de forma simplificada, entre o custo do gado e o valor obtido com a venda da carne. A XP espera que a operação bovina americana da JBS volte a apresentar margem positiva no terceiro trimestre de 2027. Brasil ajuda enquanto EUA não melhoram A diversificação da JBS funciona como um colchão. A companhia atua em diferentes países e segmentos, como carne bovina, suína e de frango. Assim, resultados melhores em algumas operações ajudam a compensar momentos ruins em outras. O Brasil é um dos destaques. A XP aumentou em 6% sua projeção para o Ebitda da JBS Brasil em 2026 e em 19% para 2027, diante de exportações mais fortes e preços melhores no mercado doméstico. No segundo trimestre, a JBS teve receita recorde de US$ 23,9 bilhões. O número trouxe uma alta de 14% em um ano, apesar das dificuldades no bovino americano. Por que a ação pode subir 69%? A XP acredita que a recuperação ainda não está totalmente refletida nas ações. A JBS negocia a cerca de 5,5 vezes o EV/Ebitda projetado para 2027, indicador que relaciona o valor da companhia à sua geração operacional de recursos e é usado para avaliar se uma empresa está cara ou barata. Dividendos também ajudam na tese. A XP estima dividend yield de cerca de 8% — ou seja, um retorno com dividendos equivalente a aproximadamente 8% do preço da ação. Nem tudo, porém, melhorou. A XP reduziu as projeções para a operação de suínos nos Estados Unidos e para a Austrália. Para a Seara, a avaliação é que 2024 e 2025 marcaram o pico do ciclo e que as margens devem se normalizar daqui para frente.

UOL ECONOMIA

SUÍNOS & FRANGOS

Exportações de carne suína se aproximam de 1,2 milhão de toneladas no acumulado de 2026

Volume embarcado entre janeiro e setembro cresce 6,2%; em setembro, vendas totalizaram 135 mil toneladas

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) chegaram a 1,192 milhão de toneladas entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 6,2% em relação às 1,122 milhão de toneladas exportadas no mesmo período do ano passado, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). No mesmo período comparativo, a receita acumulada atingiu US$ 2,737 bilhões, avanço de 1,3% sobre os US$ 2,703 bilhões registrados no ano anterior. Considerando apenas o mês de setembro, foram embarcadas 135 mil toneladas, volume 11% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram embarcadas 151,6 mil toneladas. A receita alcançou US$ 289,3 milhões, resultado 21,5% inferior aos US$ 368,4 milhões registrados em setembro do ano passado. As Filipinas foram o principal destino da carne suína brasileira em setembro, com 25,691 mil toneladas, volume 47,7% inferior às 49,078 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025. Na sequência aparecem Japão, com 15,916 mil toneladas (+38,9%, ante 11,458 mil toneladas); Chile, com 14,431 mil toneladas (+72%, ante 8,392 mil toneladas); China, com 11,418 mil toneladas (-16,4%, ante 13,665 mil toneladas); e Vietnã, com 7,392 mil toneladas (-23,2%, ante 9,627 mil toneladas). Entre os destaques do mês também estão os embarques para a Argentina, que cresceram 73,8%, alcançando 7,312 mil toneladas; República Dominicana, com alta de 53,6%, para 2,129 mil toneladas; Peru, com avanço de 104,6%, para 1,054 mil toneladas; e África do Sul, com crescimento de 99,4%, totalizando 822 toneladas. A Malásia, mercado recentemente aberto para a carne suína brasileira, importou 1,918 mil toneladas em setembro. No levantamento das exportações por Estado, Santa Catarina manteve a liderança em setembro, com 64,479 mil toneladas, volume 11,4% inferior às 72,784 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul, com 33,779 mil toneladas (-5,5%, ante 35,763 mil toneladas); Paraná, com 22,737 mil toneladas (-10,1%, ante 25,305 mil toneladas); Mato Grosso, com 3,762 mil toneladas (-3,7%, ante 3,906 mil toneladas); e Minas Gerais, com 3,477 mil toneladas (+19,4%, ante 2,912 mil toneladas).

ABPA 

Exportações de carne de frango cresceram 3,7% em setembro

A receita chegou a US$ 984,2 milhões, aumento de 14,7% na comparação anual. De janeiro a setembro, os embarques somaram 4,421 milhões de toneladas, alta de 14% em relação ao mesmo período de 2025

As exportações brasileiras de carne de frango, incluindo produtos in natura e processados, totalizaram 500,3 mil toneladas em setembro, alta de 3,7% em relação às 482,3 mil toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A receita chegou a US$ 984,2 milhões, aumento de 14,7% ante os US$ 857,9 milhões registrados em setembro do ano passado. De janeiro a setembro, os embarques somaram 4,421 milhões de toneladas, alta de 14% em relação às 3,877 milhões de toneladas exportadas no mesmo período de 2025. A receita acumulada alcançou US$ 8,673 bilhões, aumento de 21% ante os US$ 7,166 bilhões registrados no ano anterior. Os Emirados Árabes Unidos foram o principal destino da carne de frango brasileira no mês passado, com 45,9 mil toneladas, volume 23,3% maior do que as 37,2 mil toneladas exportadas pelo Brasil no mesmo mês de 2025. Em seguida, a União Europeia recebeu 43,5 mil toneladas, que contrastam com as 3,9 mil toneladas do ano anterior. A China importou 40,9 mil toneladas, muito acima das 51 toneladas de setembro de 2025. Na sequência, ficaram Arábia Saudita, com 38,3 mil toneladas, e o Japão, com 33,6 mil toneladas no período. Segundo a ABPA, as variações nos embarques para a China e a União Europeia refletem a baixa base de comparação de setembro de 2025, quando as exportações estavam suspensas em razão do único registro de gripe aviária em uma granja comercial do Brasil. No caso da União Europeia, a entidade afirma que o resultado de setembro de 2026 inclui cargas produzidas e certificadas até 2 de setembro. Desde aquela data, as exportações brasileiras de carne de frango e outros produtos derivados de animais para a Europa estão bloqueadas em razão de exigências do bloco quanto a controles do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva. A interrupção temporária da emissão de novos certificados entrou em vigor em 3 de setembro, sem impedir o embarque de produtos que já haviam cumprido essa etapa. A antecipação de volumes por exportadores e importadores também contribuiu para reduzir os efeitos imediatos da medida. No levantamento das exportações por Estado, o Paraná manteve a liderança em setembro, com 199,7 mil toneladas, alta de 9,5% em relação as 182,3 mil toneladas exportadas no mesmo mês de 2025. Santa Catarina aparece na sequência, com 111 mil toneladas, queda de 4,8% ante as 116,7 mil toneladas anteriores. Em seguida, aparecem o Rio Grande do Sul, com 67,9 mil toneladas, São Paulo, com 28,3 mil toneladas, e Goiás, com 27,2 mil toneladas.

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Rio Grande do Sul registra caso de gripe aviária em aves de subsistência

Serviço Veterinário está realizando visitas nas 68 propriedades no raio de três quilômetros do caso registrado em Selbach (RS). Mortes de animais foram notificadas no dia 1º de outubro

Um novo caso de Influenza Aviária de Alto Patogenicidade (IAAP), conhecida como gripe aviária, em aves de subsistência foi registrado no município de Selbach, no norte do Rio Grande do Sul. O laudo foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP) na segunda-feira (5/10). Uma equipe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA) do governo gaúcho atendeu a notificação de mortalidade de animais no dia 1º de outubro, e as amostras coletadas foram enviadas ao laboratório de referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA). O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) está realizando visitas nas 68 propriedades no raio de três quilômetros do caso registrado, além de ações de educação sanitária e conscientização na comunidade.

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