
Ano 11 | nº 2703 | 04 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi mostra estabilidade em São Paulo
Indústrias avaliam reduzir ofertas de compra
A cotação do boi gordo permaneceu estável em São Paulo, segundo análise divulgada na quinta-feira (30) no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria. O aumento da oferta de boiadas foi observado nos últimos dias, e, embora não haja excesso, o cenário mais confortável permitiu o alongamento das escalas de abate e maior poder de negociação por parte dos compradores. De acordo com a Scot Consultoria, parte dos frigoríficos, após ampliar suas escalas, reduziu a atuação no mercado e passou a aguardar novos movimentos. Com menos compradores ativos, a concorrência diminuiu, ampliando o poder de barganha daqueles que permaneceram nas negociações. Nesse contexto, as indústrias avaliam a possibilidade de reduzir as ofertas de compra na próxima semana, a depender do desempenho das vendas durante o feriado e o fim de semana. Ainda conforme o levantamento, após a queda registrada no dia anterior, os negócios realizados entre a tarde de ontem e a manhã desta quinta-feira ocorreram dentro das referências atuais. As escalas de abate em São Paulo estavam, em média, para dez dias. No oeste do Maranhão, o aumento da oferta de boiadas também contribuiu para o alongamento das escalas e pressão sobre os preços. Na região, a cotação do boi gordo recuou R$ 3,00 por arroba, enquanto a da novilha caiu R$ 2,00 por arroba. Os preços da vaca permaneceram estáveis, com escalas de abate em torno de oito dias. Já no Espírito Santo, o mercado apresentou estabilidade nas cotações para todas as categorias na comparação diária, com escalas de abate em média de nove dias, segundo a Scot Consultoria.
SCOT CONSULTORIA
Mercado do boi gordo teve ritmo lento na véspera de feriado e indústrias recuaram das compras
Escalas de abate avançam em parte do país, enquanto demanda fraca e incertezas externas limitam reação dos preços
O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com movimentação reduzida, típica da véspera de feriado, e com frigoríficos mais cautelosos na compra de animais. Muitas indústrias optaram por se afastar temporariamente das negociações, avaliando estratégias para o curtíssimo prazo diante de um cenário de oferta mais confortável em algumas regiões. O alongamento das escalas de abate já é percebido em diversos estados, especialmente em Goiás e Minas Gerais, onde a qualidade das pastagens é mais limitada. Nessas regiões, a maior necessidade de venda por parte dos pecuaristas contribui para um fluxo maior de animais. Em contrapartida, no Mato Grosso e no Norte do país, onde as pastagens seguem mais vigorosas, a oferta é mais restrita e as escalas ainda são consideradas menos confortáveis para as indústrias. Este cenário também segue atento ao cenário internacional, principalmente à evolução da demanda da China e ao avanço da cota de importação do país asiático. A expectativa é de exportações mais fracas no terceiro trimestre, período que coincide com maior disponibilidade de animais confinados no Brasil, o que pode pressionar ainda mais os preços. Preços do boi gordo no Brasil: São Paulo (SP): R$ 354,33 (modalidade a prazo). Goiás (GO): R$ 339,36. Minas Gerais (MG): R$ 355,86. Mato Grosso do Sul (MS): R$ 349,43. Mato Grosso (MT): R$ 355,27. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados, refletindo um consumo mais fraco na segunda quinzena do mês. Há pouco espaço para reajustes no curto prazo, especialmente diante da perda de competitividade frente a proteínas mais baratas, como a carne de frango. O quarto dianteiro permanece em R$ 23,50 por quilo, o quarto traseiro em R$ 28,50 e a ponta de agulha em R$ 21,50.
SAFRAS NEWS
Boi/Cepea: Boi gordo se valoriza mais que vaca em 2026
A diferença entre os preços pagos pelo boi e pela vaca se ampliou em abril.
Historicamente, os valores do boi gordo operam acima dos da vaca gorda, refletindo diferenças de rendimento de carcaça, qualidade da carne e perfil de demanda. Segundo pesquisadores do Cepea, o boi, em geral, apresenta maiores acabamento e aproveitamento, o que justifica um prêmio em relação à fêmea. Já a vaca tem maior participação no mercado em momentos de descarte de matrizes, quando a oferta se amplia e as cotações caem. Em abril (parcial até o dia 28), a diferença entre os valores médios de machos e vacas negociados no estado de São Paulo está em 33,69 Reais/@, com vantagem para o macho, apontam dados do Centro de Pesquisas. Em abril de 2024 e 2025, as diferenças eram bem menores, de 17,70 e de 26,30 Reais/@, respectivamente. De acordo com o Cepea, esse resultado se deve à valorização dos machos acima da observada para as vacas, devido à oferta reduzida desses animais desde o início de 2026 e à aquecida demanda internacional pela carne de boi. Por outro lado, as fêmeas, que são destinadas principalmente ao mercado interno, apresentam uma maior oferta em relação aos machos, o que tem levado frigoríficos a ajustarem os preços pagos para completar as escalas de abate. De dezembro/25 para a parcial deste mês, enquanto a arroba do boi gordo no mercado paulista apresenta valorização nominal de 12,65%, o preço da vaca registra alta menos intensa, de 7,5%.
CEPEA
Mercado do boi ajusta preços após máximas
No mercado externo, as exportações seguem em ritmo robusto
O mercado pecuário atravessa um momento de ajuste, com sinais de acomodação nos preços após um período de valorização expressiva. De acordo com a StoneX, o cenário recente reflete uma reavaliação das expectativas, diante de mudanças no ritmo de negociação e maior avanço das escalas de abate. Ao longo da semana, o mercado físico registrou recuos em diversas praças, embora os preços ainda permaneçam em patamares elevados. Esse movimento ocorre em paralelo à ampliação das escalas de abate, que avançaram de forma generalizada e indicam maior conforto por parte da indústria no curto prazo. Esse ambiente reduz a urgência nas compras e contribui para a pressão observada sobre as cotações. No segmento de reposição, o comportamento segue distinto, com manutenção de firmeza nos preços. Mato Grosso do Sul continua em destaque, com ágios relevantes sendo sustentados, o que evidencia a demanda consistente por animais jovens e a continuidade do ciclo produtivo. No mercado externo, as exportações seguem em ritmo robusto, com volumes elevados embarcados e preços médios sustentados. Esse desempenho reforça a presença da demanda internacional como um dos principais pilares de sustentação do setor, mesmo diante da acomodação observada no mercado doméstico. Na B3, os contratos futuros passaram por ajustes ao longo do período. O vencimento de abril recuou para a faixa entre R$ 358 e R$ 362 por arroba, enquanto houve ampliação do spread ao longo da curva. Esse movimento sinaliza maior cautela dos agentes em relação às expectativas futuras, refletindo incertezas quanto à continuidade dos preços em níveis recordes.
AGROLINK
Carne de vaca velha conquista o campo e a alta gastronomia
Inspirada em criações europeias, produção avança em propriedades do Brasil
O Brasil se tornou o maior exportador mundial de carne bovina graças aos esforços para atender à exigência de seu maior cliente, a China, de só comprar produto proveniente de animais abatidos com dois a três anos, menos propensos a enfermidades neurológicas. Mas nos círculos da alta gastronomia, é a carne de vacas velhas, não jovens, que vem conquistando elogios – e mais pedidos. A história da carne de vaca velha no Brasil começou há cerca de seis anos com o engenheiro agrônomo Roberto Barcellos, respeitado por consultorias para produção de carne de alta qualidade. Inspirado no documentário Steak (R)evolution, Barcellos visitou o aclamado Bodega El Capricho, de José Gordón, na Espanha. “Passei dois dias lá. Ele produz uma carne de animais de 2 mil quilos, acima de dez anos de idade, o contrário de tudo o que entendemos como qualidade no Brasil. É uma iguaria, suculenta, com sabor”, conta ele ao Valor. Mas, se na Espanha criadores usavam os animais no cotidiano e os abatiam no fim de sua vida, após anos de deposição de gordura que proporcionava sabor, aqui o rebanho era abatido jovem, com carne macia, mas menos sabor. “Dificilmente teríamos um produto como aquele”. De volta ao Brasil, Barcellos resolveu fazer um teste com 20 animais da raça Braford, de oito anos, que passaram por um período de engorda adicional, e apresentou a carne a um pequeno grupo. “Disseram que era a melhor carne que tinham comido, queriam mais. Mas eu não ia achar outro lote daqueles. Daí surgiu a carne de vaca velha.” Enquanto os bois eram criados para abate, as vacas viviam mais, provendo gerações de bezerros. Para obter a carne desejada, diz Barcellos, o protocolo é utilizar raças taurinas – Angus, Braford, Hereford e outras -, conhecidas pela carne mais macia que a dos zebus que abastecem o mercado externo e pelo sabor amanteigado da gordura entremeada nos músculos, o tal marmoreio. Uma das primeiras a trabalhar para obter a tal carne foi a Fazenda das Marrecas, do grupo Aeme, em Água Doce (SC). Desde 1994, o grupo desenvolvia um rebanho de bezerros da raça Angus com foco em carne de qualidade. O proprietário, Amaury Maciel, sabia que era preciso olhar para as mães, ou seja, cuidar das pastagens e selecionar as melhores vacas para futuras reproduções. “O olho dele brilhou ao ver as vacas”, lembra Maria Rita Maciel, filha de Amaury, sobre a visita de Barcellos à fazenda em 2022. Com raça, seleção genética e manejo adequados, a propriedade só teve de implementar uma última etapa de acabamento, para obter maior cobertura de gordura da carne. Vacas com mais de seis partos passaram a ir para pastagens de alto teor nutricional por mais 40 a 90 dias, ganhando 100 a 150 quilos e chegando a até 700 quilos. Segundo Barcellos, a carne de vaca velha é 30% a 40% mais cara que a de Angus. Só não supera a da aclamada raça japonesa Wagyu, cerca de 10% superior. Parceiros dele vêm abatendo de 20 a 40 vacas velhas por mês. No país o número é maior, talvez cem, estima ele, com origens também do Paraná e Rio Grande do Sul. Ele diz que hoje outros profissionais no Brasil têm produzido carne de vaca velha usando outras práticas de manejo. Restaurantes de alto padrão observam a maior procura pelo produto de nome peculiar. Em São Paulo, a carne de vaca velha é servida no Quintal deBetti, no Assador, no Osso e no Rincón Escondido, além das butiques de carnes 4XFarms e deBetti. No Assador, rodízio do grupo Corrientes 348 inaugurado em São Paulo em 2025 que tem como dono o ex-sócio do Fogo de Chão, Jair Coser, a alcatra de vaca velha é servida no espeto. O interesse dos clientes tem levado ao aumento das compras, conta Henrique Freitas, consultor do grupo. Se a primeira leva foi de 200 quilos, hoje o Assador compra em torno de três toneladas por mês para as unidades de São Paulo e Rio de Janeiro. O fornecimento vem de um frigorífico com rebanho próprio de vacas Angus e Hereford do Uruguai. “A demanda deve crescer nos próximos anos porque o consumidor tem buscado essas experiências. A alcatra de vaca velha tem intensidade de cor, suculência e maciez ao mesmo tempo, uma potência de sabor única.” A fabricante de embutidos artesanais Pirineus, fundada pelo catalão José Ribas em 1958 em São Paulo e hoje comandada pelo irmão Angel e sobrinhos Raul e Nádia Ribas, começou há um ano e meio a produzir a cecina, carne bovina maturada, tradicional na Espanha, com carne de vaca velha. A produção, vendida na loja própria e a restaurantes, vem crescendo -hoje a Pirineus produz de 200 e 300 quilos da iguaria. “Em eventos, ainda precisamos explicar toda a história da carne de vaca velha. Mas quem conhece, fica maravilhado”, afirma Raul Ribas, da Pirineus.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar fechou abril em queda, a R$4,95, com exterior favorável e mercado avaliando Copom
O dólar fechou a quinta-feira em queda firme no Brasil, após uma sessão mais favorável ao risco no mercado externo, onde a divisa norte-americana e o petróleo registraram perdas expressivas, e com os agentes avaliando a decisão de juros do Banco Central, que na véspera promoveu o segundo corte consecutivo de 0,25 ponto da Selic, a 14,50% ao ano, mas mencionou a possibilidade de ajustar o ritmo e a extensão da flexibilização.
O dólar à vista fechou em baixa de 1,00%, aos R$4,9523. Na semana, acumulou queda de 0,94%. No mês de abril, a queda foi de 4,38%. Às 17h30, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,73% na B3, aos R$4,9935. “Tivemos o dólar perdendo no mundo e a bolsa aqui subindo, trazendo fluxo de capital para cá”, destacou Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos. Além da moeda, o petróleo também caiu, com os futuros do Brent chegando a subir até US$126,41 o barril mais cedo, mas não sustentando os ganhos e fechando em queda de US$4,02, ou 3,4%, a US$114,01. Já o petróleo dos EUA caiu US$1,81, encerrando o dia a US$105,07. Localmente, os agentes avaliaram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC que, em seu comunicado, argumentou que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente, mencionando possibilidade de ajuste do ritmo e da extensão do ciclo de “calibração” da taxa e ressaltando o distanciamento da inflação corrente da meta. O anúncio fez bancos reavaliarem suas projeções para a Selic, prevendo menos cortes na taxa, o que tende a favorecer os real. Economistas do Itaú Unibanco revisaram sua previsão para a taxa Selic em 2026 para 13,25%, de 13%, além de aumentarem suas expectativas para a inflação. O Goldman Sachs também passou a ver um risco de alta para sua previsão de Selic em 13,25% até o final de 2026, esperando que o Copom reduza a taxa em 0,25 ponto percentual na próxima reunião. Já a SulAmérica Investimentos foi além, revisando a Selic de 13% para 14% no fim do ano. No mercado local de câmbio, a sessão também foi marcada pela formação da Ptax do fim de abril. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No início da tarde, a Ptax fechou em R$4,9886 na venda.
REUTERS
Ibovespa acumula queda de 1,56% na semana e acréscimo de 0,17% em abril
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, em pregão de recuperação, mas terminou abril quase no zero a zero, após uma sequência de quedas que o distanciou da marca inédita de 200 mil que ensaiou atingir em meados do mês.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,64% no dia, a 187.771,94 pontos, mas caiu 1,56% na semana, encurtada pelo feriado do Dia do Trabalho na sexta-feira, e terminou abril com variação positiva de 0,17%, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 187.920,77 pontos. Na mínima, marcou 184.758,66 pontos. O volume financeiro somava R$20,33 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Déficit nominal se aproxima de 10% do PIBe coloca mais pressão sobre dívida pública
Indicador, que inclui gastos com juros, ficou em R$ 1,217 trilhão nos 12 meses até março
O déficit público nominal, que inclui gastos com juros, atingiu R$ 1,217 trilhão nos 12 meses até março, o equivalente a 9,41% do PIB. O resultado só não superou os dois dígitos por causa dos ganhos do Banco Central (BC) com os swaps cambiais – quando o real se valoriza, a autoridade monetária tem um lucro contábil com esses contratos. Nos 12 meses até março, esse ganho foi de R$ 97,2 bilhões, ou 0,75% do PIB, como destaca o economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero. O câmbio tem se valorizado, com o dólar oscilando na casa de R$ 5 ou menos. Um rombo nominal na casa de 10% do PIB em 12 meses é muito elevado, bem superior à média dos emergentes, que deve ficar em 6% do PIB neste ano, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Sem a contribuição financeira dos swaps, o rombo nominal teria alcançado 10,16% do PIB no período, escreve Montero. Em 2025, esse buraco ficou em 8,34% do PIB. O déficit nominal é que define a dinâmica da dívida pública. Em março, o endividamento bruto alcançou 80,1% do PIB, e deve continuar a subir – nas contas do Bradesco, vai encerrar 2026 perto de 83% do PIB, com uma alta de mais de 10 pontos percentuais do PIB em relação aos 71,7% do PIB registrados no fim de 2022. O déficit nominal é a combinação do resultado primário das contas públicas, que não inclui despesas financeiras, e dos gastos com juros. Nos 12 meses até março, os dispêndios com juros totalizaram R$ 1,080 trilhão, ou 8,35% do PIB. O déficit primário, por sua vez, ficou em R$ 137,1 bilhões, equivalente a 1,06% do PIB, um resultado 0,65 ponto percentual do PIB maior que o rombo acumulado nos 12 meses até fevereiro. Os números se referem ao setor público consolidado, que inclui União, Estados, municípios e empresas estatais não financeiras, excluindo a Petrobras. “A piora significativa do resultado primário acumulado em 12 meses é explicada pela concentração do pagamento de precatórios pelo governo federal em março, enquanto ano passado este pagamento foi concentrado em julho”, dizem os economistas do Bradesco. Em março, os gastos com precatórios (decorrentes de sentenças judiciais) atingiram R$ 68 bilhões. “Além disso, o resultado dos governos regionais ajudou na surpresa negativa em relação ao esperado, apresentando déficit primário de R$ 5,4 bilhões, pior do que o superávit de R$ 6,5 bilhões registrado em março de 2025”, afirma o banco, em relatório. O aumento do déficit primário inflou mais o rombo nominal do setor público consolidado em março, mas também houve uma elevação dos gastos com juros, influenciada pela Selic nas alturas. As despesas financeiras do setor público consolidado ficaram em R$ 118,9 bilhões no mês. Em 12 meses, os gastos com juros passaram de 8,07% do PIB em fevereiro para 8,35% do PIB em março, respondendo pela maior parte do déficit nominal. Montero ressalta que a conta de juros tem sido suavizada pelo ganho do BC com swaps cambiais. “Sem esse lucro dos derivativos, a despesa de juros nos 12 meses até março alcançaria R$ 1,118 trilhão, ou 9,1% do PIB”, escreve ele. Se houver uma desvalorização do real nos próximos meses, o BC terá perdas com os swaps cambiais, o que ampliaria os gastos com juros do setor público. Montero já vinha destacando que o resultado nominal em 12 meses iria piorar antes de voltar a melhorar. Segundo ele, o aumento recente do déficit primário se deve a pagamento de precatórios em março, mas também ao calendário de despesas discricionárias (sobre as quais o governo tem controle), emendas parlamentares e o ciclo eleitoral dos gastos de Estados, concentrados no primeiro semestre. Além disso, a Selic elevada pressiona os gastos com juros. O déficit nominal em 12 meses, nesse cenário, pode chegar a dois dígitos no segundo trimestre deste ano. Em 2026, o rombo das contas públicas nessa métrica deve ser menor do que isso, mas ainda assim deve ser alto – um pouco maior que os 8,5% do PIB apontado pelo consenso do mercado do Boletim Focus, do Banco Central (BC), avalia Montero. Uma má notícia para o resultado das contas públicas é que o espaço para a redução da Selic diminuiu. Com a alta do petróleo, devido ao conflito no Oriente Médio, os preços dos combustíveis e dos alimentos (devido ao encarecimento de fretes e fertilizantes) têm aumentado com mais força, piorando as expectativas de inflação. Com isso, o BC deverá cortar menos os juros do que se esperava antes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, segundo analistas. As projeções de que a Selic, hoje em 14,5% ao ano, pudesse encerrar 2026 em 12% a 12,5%, deram lugar a apostas de que a taxa deverá cair para 13% ou um pouco mais.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
MBRF e HPDC concluem criação de Sadia Halal com oferta de ações no radar
Avaliada em cerca de US$ 2,07 bilhões, a nova empresa engloba fábricas e centros de distribuição da MBRF na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, firmas de distribuição no Catar, Kuwait e Omã
A MBRF, maior produtora mundial de frango halal, anunciou no domingo (03/05) junto Marquinhos Molina, presidente do conselho da Sadia Halal e CEO da MBRF na Arábia Saudita com a Halal Products Development Company (HPDC) — subsidiária do fundo soberano saudita de investimento público (PIF) — a conclusão da transação que cria a Sadia Halal. Em meados de abril, órgãos antitruste já tinham dado aval à operação. Alimentos halal são produzidos conforme os preceitos da religião islâmica. A conclusão de todas as etapas necessárias à formação da empresa, quando cresce a preocupação com segurança alimentar na região, dá força à planejada abertura de capital da companhia em meados de 2027. Desde o início do conflito no Oriente Médio, empresas vêm reportando alta dos preços da carne na região, com consumidores reforçando estoques. Com novas estruturas da Sadia Halal prestes a entrar em operação, a empresa deve atuar como “hub” regional de abastecimento. “Em parceria com a HPDC, estamos construindo uma empresa baseada em qualidade, escala e confiança, capaz de atender múltiplos mercados […], contribuindo significativamente para transformação econômica do Reino”, disse em comunicado o chairman (presidente do conselho) da Sadia Halal e CEO da MBRF na Arábia Saudita, Marquinhos Molina. Avaliada em cerca de US$ 2,07 bilhões, a Sadia Halal engloba fábricas e centros de distribuição da MBRF na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, empresas de distribuição no Catar, Kuwait e Omã, além de exportações diretas de aves, bovinos e processados a clientes locais — não inclui ativos da Turquia. Com a conclusão, a MBRF passa a deter 90% de controle da Sadia Halal e a HPDC, 10%. A subsidiária saudita pretende alcançar 20% até junho de 2027, mas há expectativa de atingir os 20% no início de 2027, segundo o CEO da HPDC, Fahad bin Suliman Alnuhait. A Sadia Halal já iniciou os procedimentos para a listagem na bolsa saudita, controlada pelo grupo Tadawul. “A intenção é aumentar nossa participação para 30% a 40% antes do IPO, nos aproximar ao máximo do limite superior desse intervalo. Estamos confiantes de que o valor da Sadia Halal será significativamente mais alto no momento da listagem”, disse Alnuhait em nota. “A Sadia Halal é um investimento estratégico para a HPDC e para o Reino.” A HPDC já aportou US$ 24,3 milhões e pagará mais US$ 73,1 milhões em transação primária até 31 de dezembro. Estima-se que o consumo de alimentos halal ultrapasse US$ 1,5 trilhão até 2027. A população muçulmana, de mais de 1,9 bilhão de pessoas, cresce em média duas vezes mais rápido que a população global.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Suíno vivo acumula queda histórica de 32,8% em 2026 e atinge menor patamar da série iniciada em 2002
Consumo interno enfraquecido pressiona preços, enquanto demanda externa limita recuos mais intensos; mercado projeta possível estabilidade em maio.
As cotações do suíno vivo registraram forte retração em abril de 2026 em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, consolidando um movimento de queda acentuada observado nas últimas semanas. O cenário reflete a combinação de consumo doméstico fragilizado e ajustes no mercado, mesmo diante de uma demanda externa aquecida pela carne suína brasileira. Na região SP-5, que engloba Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, o recuo é ainda mais expressivo. Considerando valores deflacionados pelo IGP-DI de março de 2026, o suíno vivo acumula desvalorização real de 32,8% no ano (comparando a média de abril com a de dezembro de 2025). Trata-se da queda mais intensa já registrada para o período em toda a série histórica do Cepea, iniciada em 2002. Segundo pesquisadores do Cepea, embora as exportações estejam aquecidas e contribuam para reduzir a oferta interna, o consumo doméstico ainda não reagiu de forma consistente. Esse desequilíbrio tem pressionado os preços e resultado em sucessivas desvalorizações do animal vivo ao longo de 2026. No mercado atacadista de carne suína, o comportamento também foi de queda em abril, porém mais moderada. Em termos reais, com base em valores deflacionados pelo IPCA, a baixa acumulada no ano chega a 30,1%. A média da carcaça especial atingiu, inclusive, o menor patamar desde fevereiro de 2019, indicando que a pressão sobre os preços se estende por toda a cadeia produtiva, ainda que de forma menos intensa no atacado em comparação ao mercado do animal vivo. Para maio, agentes consultados pelo Cepea demonstram uma perspectiva mais otimista, apontando para possível estabilização dos preços tanto do suíno vivo quanto dos cortes de carne. Entre os fatores que podem sustentar esse movimento estão: Apesar da expectativa de melhora pontual, o desempenho do mercado interno seguirá sendo determinante para a trajetória dos preços nas próximas semanas.
CEPEA
Frango/Cepea: Poder de compra do avicultor paulista volta a subir
Após uma sequência de quatro meses de queda, o poder de compra do avicultor paulista frente aos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja, reagiu em abril.
Segundo pesquisadores do Cepea, esse movimento foi impulsionado pela interrupção das desvalorizações do frango vivo e pela retração nas cotações desses insumos. Na média da parcial de abril (até o dia 28), o quilo do frango vivo foi negociado no estado de São Paulo à média de R$ 4,44, ligeira desvalorização de 0,6% frente à de março. Apesar da leve baixa, a sequência de fortes retrações observadas nos meses anteriores perdeu a força em abril. Segundo agentes consultados pelo Cepea, houve margem para ajustes positivos apenas na primeira metade de abril, mas o movimento apresentou arrefecimento à medida que o final do mês se aproximava. Por outro lado, agentes demonstram certo alívio diante da queda mais intensa nos valores dos insumos. Desta forma, considerando-se os preços médios do animal no estado de São Paulo e os do milho na região de Campinas (SP), em abril, o avicultor consegue comprar 3,91 quilos de milho com a venda de um quilo de frango vivo, 3,5% a mais que em março, conforme apontam cálculos do Cepea. De farelo de soja, é possível ao avicultor paulista a compra de 2,54 quilos com a venda de um quilo de frango, aumento de 2,7% frente ao volume do mês passado.
CEPEA
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