CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2697 DE 23 DE ABRIL DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2697 | 23 de abril de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotações estáveis em São Paulo

Mesmo com tentativas de compra a preços menores após o feriado de Tiradentes, a oferta restrita no mercado spot sustentou a cotação da arroba do boi gordo.

De acordo com apuração da Scot Consultoria, no mercado paulista, parte dos frigoríficos conseguiu alongar as escalas de abate em razão do menor número de dias na semana, por causa do feriado de Tiradentes. Com isso, relatam os analistas da Scot, já há tentativas de compra da arroba do boi gordo a preços menores. Pelos dados da Scot, em SP, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 365/@, a vaca em R$ 335/@, a novilha em R$ 345/@ e “boi-China “em R$ 370/@ (valores brutos e com prazo). A cotação não mudou em nenhuma categoria na comparação com o dia 20 de abril. Parte dos frigoríficos sinalizou aumento pontual da oferta e já conseguiu alongar as escalas em razão do menor número de dias de abate na semana, por causa do feriado de Tiradentes. Com isso, já houve tentativas de compra da arroba do boi gordo a preços menores. Ainda assim, a oferta seguiu restrita, sobretudo para frigoríficos menores, que não tinham contratos de compra e atuavam no mercado spot, o que contribuiu para a sustentação dos preços. Parte dos compradores ainda se organizava para definir os preços de compra da semana e não havia retomado as negociações. As escalas de abate estavam, em média, para oito dias. No Mato Grosso, o mercado abriu a quarta-feira estável, sem alteração nas cotações de nenhuma categoria nas praças pecuárias do estado, na comparação feita dia a dia. Muitos frigoríficos ainda trabalhavam com escalas curtas, em meio à escassez de bovinos terminados para abate, e tinham pagado mais pela arroba. Já havia maior pressão baixista, especialmente por parte dos frigoríficos maiores, para pagar menos pela arroba bovina, mas o movimento ainda não era suficiente para a queda das referências.  A cotação da arroba do “boi China” não mudou. Em Alagoas, a cotação não mudou na comparação feita dia a dia.

SCOT CONSULTORIA

CEPEA: Boi gordo acumula alta superior a 13% no ano e lidera valorização na cadeia da pecuária

O bezerro também segue com os preços mais elevados, reflexo da oferta mais restrita de animais para reposição, avalia Cepea

Os preços ao longo da cadeia da pecuária de corte registram movimentos distintos em 2026, com destaque para a valorização mais intensa do boi gordo no acumulado do ano e uma reação recente no atacado. É o que mostram dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que analisou desde o mercado de reposição até a venda de carne. Considerando o período de janeiro até 17 de abril, o animal pronto para o abate apresentou a maior alta, de 13,32%, superando outras categorias da cadeia. Na sequência, aparece a carne bovina no atacado, com avanço de 9,00%. Já no recorte específico de abril, o comportamento muda: a carne lidera as valorizações no mês, com alta de 3,38%, seguida pelo bezerro, que acumula ganho de 2,36% no período. Apesar do avanço mais forte do boi gordo no acumulado do ano, os dados revelam diferenças importantes entre os elos da cadeia. O bezerro segue com os preços mais elevados, reflexo da oferta mais restrita de animais para reposição. Enquanto isso, boi magro e boi gordo operam em níveis intermediários. No segmento final, a carcaça casada no atacado da Grande São Paulo indica uma recomposição de margens, sinalizando melhora nas condições para o setor frigorífico. De acordo com o Cepea, esse cenário aponta para um ajuste gradual entre oferta e demanda, com pressão maior sobre os preços dos animais terminados ao longo do ano e uma reação mais recente no mercado atacadista durante abril.

CEPEA

ECONOMIA 

Dólar fecha estável ante o real com guerra no Oriente Médio no foco

O dólar fechou a quarta-feira pós-feriado no Brasil estável, novamente conduzido pelo noticiário da guerra no Oriente Médio, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, prorrogar indefinidamente o cessar-fogo com o Irã.

O dólar à vista encerrou o dia com variação negativa de apenas 0,01%, cotado aos R$4,9736, o menor valor de fechamento registrado até agora em 2026. No ano, a divisa passou a acumular queda de 9,39% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,39% na B3, aos R$4,9820. Trump anunciou a extensão do cessar-fogo pelas redes sociais, embora não estivesse claro se o Irã ou Israel, o aliado dos EUA na guerra, concordariam com a trégua. Por sua vez, o Irã capturou dois navios porta-contêineres que tentavam sair do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, depois de disparar contra eles e outra embarcação, nas primeiras apreensões iranianas desde o início da guerra. Segundo o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, um cessar-fogo completo só faria sentido se não fosse violado por bloqueio norte-americano aos portos iranianos. Neste cenário ainda turbulento no Oriente Médio, o petróleo Brent voltou a superar os US$100 o barril e o dólar sustentavam ganhos ante uma cesta de divisas fortes. “A história sobre se sai ou não um acordo entre EUA e Irã pegou para os dois lados hoje: uma hora o dólar subiu, outra ele caiu, mas sempre em margens estreitas”, comentou à tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, que vê espaço para uma queda adicional das cotações. “(Caso seja) resolvida essa guerra, a tendência é de dólar um pouco mais para baixo, porque voltará o fluxo externo, a arbitragem”, disse. Para o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, “o Brasil tem se destacado como destino de alocação em um ambiente geopolítico global incerto e fragmentado”. “Esse pano de fundo reforça nossa visão de continuidade da tendência de apreciação do real nos curto e médio prazos, mas em ritmo mais moderado”, acrescentou em análise escrita.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com ajustes e bancos entre maiores pressões

O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, reflexo de movimentos de realização de lucro e reprecificação de risco, com as ações dos bancos entre as principais pressões negativas. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,65%, a 192.888,96 pontos, após marcar 192.687,29 na mínima e 196.132,06 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$26,59 bilhões. Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, há um efeito do ajuste ao movimento dos ADRs brasileiros na véspera, quando a B3 não abriu por feriado, mas Wall Street funcionou normalmente. “Mas ele sozinho não justifica o movimento”, ponderou, acrescentando que o Ibovespa “esticou bem”, principalmente as bluechips. Mesmo com o ajuste negativo nesta sessão, o Ibovespa ainda acumula alta de 19,71% no ano. Em abril, valoriza-se 2,90%. “Parece uma correção normal, e possivelmente com algum nível de saída de estrangeiro”, acrescentou Pedroso. Números da B3 mostram saída líquida de capital externo da bolsa paulista no final da semana passada. Até o dia 15, abril registrava uma entrada líquida de R$14,6 bilhões. No acumulado até o dia 17, esse saldo passou para R$11,5 bilhões. Para o analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, a bolsa também refletiu uma reprecificação mais estrutural de risco, com o Brasil descolando do exterior e reagindo a fatores próprios, principalmente juros e percepção fiscal. Lima destacou que as ações da Petrobras acabaram funcionando como amortecedor pontual, refletindo o ciclo da commodity, mas sem força para alterar a direção do índice. “No fundo, o mercado começa a migrar de um cenário de corte de juros para um ambiente de maior cautela, com inflação mais resiliente, prêmio de risco mais alto e impacto direto sobre o crescimento.” No cenário geopolítico, as perspectivas de avanço em um acordo entre Estados Unidos e Irã continuam cercadas de incertezas. O presidente dos EUA, Donald Trump, prorrogou na terça-feira indefinidamente o cessar-fogo com o Irã para permitir que os dois países continuem as negociações de paz. Mas manteve o bloqueio ao comércio marítimo iraniano. O Irã, por sua vez, afirmou na quarta-feira que capturou dois navios porta-contêineres que tentavam sair do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. O presidente do Parlamento e importante negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse também que um cessar-fogo completo só faria sentido se não fosse violado por bloqueio norte-americano aos portos iranianos. O preço do barril do petróleo voltou a ultrapassar US$100.

REUTERS

Preços ao produtor agropecuário caíram quase 10% no primeiro trimestre

Retração só não foi mais intensa por conta da valorização da arroba bovina. Houve recuos nos preços de quase todas as principais produções agropecuárias na comparação anual

Os preços pagos aos produtores agropecuários recuaram no primeiro trimestre de 2026 em relação aos do mesmo período do ano passado. Segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) sofreu uma redução de 9,79% na comparação anual. A retração só não foi mais intensa por conta da valorização da arroba bovina, que, no primeiro trimestre de 2026, registrou média acima da registrada no mesmo período de 2025. A queda observada para o IPPA/Cepea ficou abaixo da registrada para os preços internacionais dos alimentos (baseados no FMI Food & Beverage Index), que foi de 14,29% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano passado (considerando os valores em reais). No mesmo período, as cotações industriais (segundo o IPA-OG-DI produtos industriais) caíram 2,55% e a moeda brasileira frente ao dólar (R$/US$) se valorizou 10,12%. De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário, em que o recuo dos preços domésticos foi mais moderado do que o observado no mercado internacional, evidencia a relativa resiliência dos preços internos. Adicionalmente, a valorização cambial contribui para a redução dos custos de insumos importados, enquanto a queda, ainda que mais branda, dos preços industriais favorece o controle dos custos de produção. O Cepea destaca ainda que a baixa do IPPA no primeiro trimestre de 2026 está associada às retrações observadas para os grupos Grãos (-9,85%), Cana e Café (-16,61%), Hortifrutícolas (-14%), e pecuária (-5,73%). No caso dos grãos, o índice foi influenciado pelas desvalorizações registradas quando considerados os preços do primeiro trimestre deste ano frente aos do mesmo período de 2025. As quedas foram de 14,59% para o algodão, de 39,83% para o arroz, de 15,35% para o milho, de 4,15% para a soja e de 18,24% para o trigo. Em relação às hortifrutícolas, o recuo foi influenciado pelas reduções observadas nos preços do tomate (-4,3%) e da laranja (-55,8%), já que os valores da batata e da banana subiram 5,1% e 23,1%, nesta ordem. Para a pecuária, a queda esteve atrelada aos movimentos do frango (-10,68%), dos suínos (-13,10%), do leite (-22,97%) e dos ovos (-22,2%). Em contrapartida, a arroba bovina registrou valorização, de 5,9%.

VALOR ECONÔMICO

MEIO AMBIENTE

Calor extremo está levando agronegócio ao limite, diz ONU

Para a maioria das culturas agrícolas, a produtividade começa a cair a partir dos 30°C. O estudo aponta como exemplo a seca no Brasil em 2023/24, que chegou a registrar perdas em 20% da produtividade

Ondas de calor extremo mais frequentes e intensas estão ameaçando a produção de alimentos no planeta, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira (22/4) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial (WMO). “O calor extremo está, cada vez mais, definindo as condições nas quais o agronegócio opera. Mais do que um risco climático isolado, funciona como um fator que amplia as fragilidades existentes da agricultura”, disse a secretária-geral da WMO Celeste Saulo. Para a maioria das culturas agrícolas, segundo o relatório, a produtividade começa a cair a partir dos 30°C, quando as células são enfraquecidas, afetando a distribuição de energia na planta. Na pecuária, a mortalidade para bovinos em condições de calor extremo pode chegar a 24% do rebanho. Já na produção de leite, o estudo aponta que o calor extremo já é responsável pela perda de 1% da produção leiteira mundialmente, além de afetar a qualidade do produto. Outro efeito citado pelo estudo é o risco à vida de trabalhadores no campo. A pesquisa aponta que os dias por ano muito quentes para o trabalho rural podem chegar a 250 no sul da Ásia, na África Subsaariana e partes da América do Sul e Central. Além dos efeitos diretos ao agro, a FAO e a WMO alertam para os danos indiretos, como o estresse hídrico e secas repentinas, causadas pela baixa umidade nas camadas superiores do solo. O estudo aponta como exemplo a seca no Brasil em 2023/24, que chegou a registrar perdas em 20% da produtividade enquanto as temperaturas chegaram a 7°C acima da média.

GLOBO RURAL

FRANGOS & SUÍNOS

Queda de 27,5% no preço do suíno vivo em 2026 acende alerta para crise no setor

A suinocultura de Mato Grosso enfrenta um momento de forte pressão econômica em 2026.

Levantamento realizado pela Bolsa de Suínos da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), indica uma queda expressiva no preço pago ao produtor, sem que essa redução seja percebida pelo consumidor final nos supermercados e açougues. De acordo com a Acrismat, em janeiro deste ano o quilo do suíno vivo era comercializado a R$ 8,00. Nesta semana, o valor caiu para R$ 5,80 — uma redução de 27,5%. Trata-se do menor patamar registrado desde 25 de abril de 2024, quando o preço estava em R$ 5,60 por quilo. Apesar da queda significativa tanto no preço do suíno vivo quanto da carcaça, o movimento não tem sido acompanhado pelo varejo. Segundo o setor produtivo, os preços da carne suína em supermercados e açougues permanecem elevados, o que impede que o consumidor final se beneficie da redução. Outro ponto de preocupação é o aumento dos custos de produção. Atualmente, o suinocultor mato-grossense acumula prejuízo estimado em cerca de R$ 60,00 por animal enviado para abate, o que compromete a sustentabilidade da atividade. O presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, destaca a necessidade de maior equilíbrio na cadeia produtiva e faz um apelo ao setor varejista: “Estamos observando uma queda de aproximadamente 30% no preço do suíno vivo e na carcaça, mas isso não está sendo repassado ao consumidor. É importante que o varejo acompanhe esse movimento, reduzindo os preços na ponta. Dessa forma, conseguimos estimular o consumo de carne suína e, ao mesmo tempo, amenizar os impactos enfrentados pelos produtores”, afirma. A entidade reforça que a redução no preço ao consumidor pode contribuir para o aumento da demanda, ajudando a reequilibrar o mercado e minimizar os prejuízos no campo. A Acrismat também pede apoio e conscientização dos elos da cadeia para atravessar o atual momento de crise no setor.

ACRISMAT 

Exportações sustentam mercado de frango apesar da queda nos preços

Demanda externa evita sobreoferta e mantém equilíbrio do setor no início do ano

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de março, mas manteve estabilidade apoiado pelo desempenho das exportações. A demanda externa contribuiu para absorver parte da produção e evitar pressão maior sobre o mercado interno. Em São Paulo, o frango inteiro congelado foi negociado a R$ 7 por quilo em março, recuo de 2,4% frente a fevereiro e de 17% na comparação anual. No início de abril, as cotações apresentaram reação, voltando ao patamar de R$ 7,25 por quilo. Com a queda de preços e a valorização da carne bovina, o frango ampliou sua competitividade no mercado interno. A relação de troca superou três quilos de frango por quilo de dianteiro bovino, cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do registrado nos últimos anos. Na comparação com a carne suína, que também apresentou recuo de preços, a competitividade do frango permaneceu próxima da média histórica. A relação de troca ficou em torno de 1,3 quilo de frango para cada quilo de suíno, sem alterações relevantes no período. O desempenho das exportações foi determinante para sustentar o mercado. Em março, os embarques brasileiros de carne de frango somaram 431 mil toneladas in natura. O volume representa crescimento de 5,6% na comparação anual e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar do aumento no volume exportado, o preço médio das exportações registrou queda de 2,7% frente ao mês anterior. O movimento está ligado ao redirecionamento de cargas antes destinadas ao Oriente Médio, impactado por questões logísticas e geopolíticas. O bom desempenho em destinos como Japão, China, Filipinas e África do Sul ajudou a compensar a redução nas vendas para países do Oriente Médio. A diversificação de mercados reforça a importância da demanda externa para o equilíbrio do setor. Do lado da produção, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do trimestre. Mesmo com o aumento da oferta, o avanço das exportações, que subiram 5,4% no período, evitou sinais de sobreoferta no mercado interno.

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