
Ano 11 | nº 2696 | 22 de abril de 2026
NOTÍCIAS
Estabilidade no mercado do boi gordo em São Paulo
Com parte dos frigoríficos fora das compras, a semana iniciou sem alteração nos preços.
Com parte dos frigoríficos fora das compras e com parte emendando ou antecipando o feriado de 21 de abril, a semana começou sem mudanças nos preços. Mesmo com a pouca movimentação de hoje, as ofertas vêm melhorando nas praças paulistas, o que tem possibilitado negócios abaixo da referência, mas sem volume suficiente para consolidar esse movimento. A escala de abate estava, em média, para oito dias. Na Bahia, a cotação não mudou em nenhuma das regiões. A escala de abate na região Sul estava, em média, para dez dias e, na região Oeste estava, em média, para oito dias. No mercado atacadista da carne com osso, na semana, com o mercado varejista em ritmo mais lento e os estoques abastecidos, o mercado atacadista teve pouca movimentação. Ainda assim, a menor disponibilidade de carne nas câmaras, somada à alta da cotação da arroba do boi gordo, sustentou os preços das carcaças casadas, com exceção da carcaça do boi inteiro, cuja cotação caiu. A carcaça casada do boi capão subiu 0,6%, ou R$0,15/kg. Em contrapartida, a do boi inteiro caiu 0,2%, ou R$0,05/kg. Entre as fêmeas, a carcaça casada da vaca subiu 0,9%, ou R$0,20/kg, e a da novilha subiu 1,1%, ou R$0,25/kg. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio* caiu 2,9%, ou R$0,20/kg. Já a cotação do suíno especial** caiu 2,1%, ou R$0,20/kg.
SCOT CONSULTORIA
Mercado físico do boi gordo se deparou com mudanças sutis
O analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias destaca que os frigoríficos passaram a relatar um posicionamento mais confortável em suas escalas de abate. Além disso, determinadas unidades seguem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para aquisição de boiadas no curtíssimo prazo.
“Vale destacar que a progressão da cota chinesa segue como fator essencial para a formação de tendência em 2026, com o possível esgotamento apontando para preços mais baixos em maio e no restante do terceiro trimestre”, avalia. Em termos de normas regulatórias, Iglesias ressalta que a China está cada vez mais rigorosa, com o anúncio de suspensão das compras de um frigorífico brasileiro por traços de acetato de medroxiprogesterona, fármaco veterinário proibido no gigante asiático. O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, por outro lado, não acredita que a cota brasileira de 1,1 milhão de toneladas de carne vai acabar em maio, apenas em junho. Segundo ele, outro fator que pode impactar os preços da arroba é a conjuntura da febre aftosa na China. “Por ora, não traz impactos ao mercado, mas se não tiver controle efetivo e sair do eixo, pode levar a uma revisão da pauta exportadora”, diz. Fabbri lembra que o mês de maio, tradicionalmente, costuma concentrar preços mais baixos para a arroba, independente da questão exportadora. “O mercado costuma receber o que chamamos de descarte de safra de capim, com clima pesando mais e os pecuaristas tendo que retirar boiada do pasto, então, o movimento de queda, se ocorrer, pode ser considerado relativamente natural para a época”, pontua. Mesmo com a saída da China como cliente a partir de maio ou junho, com o esgotamento da cota, Fabbri não enxerga derretimento de preços. “Vemos pouco espaço para um boi a R$ 300,00 a arroba em São Paulo, por exemplo.” O especialista da Scot ressalta que o balanço global de carne bovina está pouco confortável aos compradores em 2026. “Quanto à produção brasileira, mesmo diante da redução de abates projetada, o USDA mantém a posição de maior produtor de carne para o Brasil”, conta. Desta forma, Fabbri pondera que se a China deixar de comprar, outros destinos tendem a buscar mais a carne brasileira. “Até mesmo os potenciais fornecedores da China durante a ausência brasileira devem exportar mais e, para preencher suas demandas internas, podem comprar mais a nossa carne, caso de Argentina e Uruguai, por exemplo”. Os valores da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 16 de abril: São Paulo (Capital): R$ 370, inalterado frente ao final da semana passada; Goiás (Goiânia): R$ 360, avanço de 1,41% frente aos R$ 355 registrados no final da semana passada; Minas Gerais (Uberaba): R$ 355, aumento de 1,43% ante os R$ 350 registrados no fechamento da última semana; Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 360, sem mudanças frente ao encerramento da semana anterior; Mato Grosso (Cuiabá): R$ 365, aumento de 1,39% frente aos R$ 360 praticados no fechamento da semana passada; Rondônia (Vilhena): R$ 335, acréscimo de 1,52% perante os R$ 330 registrados no encerramento da última semana. No mercado atacadista, o mercado se deparou com preços levemente mais altos, considerando a boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês. “Como limitador para altas mais consistentes precisa ser mencionada a menor competitividade da carne bovina se comparada às proteínas concorrentes, em especial à carne de frango. O baixo poder de compra das famílias direciona o consumo para proteínas mais acessíveis”, pontua Iglesias. Quarto do dianteiro: precificado a R$ 23 por quilo na semana, aumento de 2,22% frente aos R$ 22,50 por quilo praticados no final da semana passada; Cortes do traseiro bovino: foram cotados a R$ 28 por quilo, avanço de 1,82% ante aos R$ 27,50 encerrados no final da semana passada. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 591,244 milhões em abril até o momento (7 dias úteis), com média diária de US$ 84,463 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 97,264 mil toneladas, com média diária de 13,895 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.078,70. Em relação a abril de 2025, houve alta de 39% no valor médio diário da exportação, ganho de 15,1% na quantidade média diária exportada e avanço de 20,8% no preço médio.
SAFRAS NEWS
Custo de confinamento no Sudeste em março foi menor do que no Centro-Oeste
Após apresentarem comportamento divergente em fevereiro, os custos de confinamento no Centro-Oeste e no Sudeste inverteram de direção em março e passaram a apresentar alta de 11,93% no Centro-Oeste, estimado em R$ 13,23 por cabeça por dia, enquanto no Sudeste houve queda de 3,64% no mesmo período, em R$ 12,19 por cabeça por dia, segundo o indicador ICAP, calculado pela Ponta Agro.
De acordo com a empresa, a diferença entre as duas regiões contraria o padrão observado no setor desde o início do ano. “Na comparação anual, ambas as regiões permanecem abaixo de março de 2025. O Centro-Oeste apresenta redução de 4,89%, enquanto o Sudeste registra queda mais expressiva de 8,14%”, afirma o boletim divulgado pela Ponta Agro. No Centro-Oeste, a alta dos custos foi impulsionada principalmente pelos insumos energéticos e volumosos em meio à transição entre a safra de verão e a expectativa da safrinha. Na média trimestral, a silagem de capim subiu mais de 30% e o milho grão seco 2,2%. Já no Sudeste, a maior disponibilidade de coprodutos agroindustriais contribuiu para a redução dos custos, especialmente nos grupos de energéticos e proteicos, mesmo diante da alta dos volumosos. Destaque para a queda de 15,3% no preço do sorgo e o recuo de 1,5% no preço milho. Considerando os valores apontados pelo indicador, a Ponta Agro estimou que o custo da arroba produzida no Centro-Oeste tenha ficado em R$ 192,76, com lucro de R$ 1.278,79 por cabeça no boi físico. Para o Sudeste, o custo da arroba produzida estimado ficou em R$ 193,50 e o lucro em R$ 1.267,65. A diferença de apenas R$ 0,74 no custo entre as regiões e inferior a R$ 12 no lucro calculado é apontado como um “empate técnico” pela empresa e “sinal claro de equalização da competitividade entre Centro-Oeste e Sudeste”. “A inversão levanta uma questão relevante para o setor: trata-se de um movimento pontual, associado à sazonalidade, ou o início de um novo padrão de competitividade regional? A resposta dependerá principalmente do comportamento da safrinha de milho ao longo do ano”, aponta a Ponta Agro em nota.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar à vista encerra em queda leve apesar de maior risco global
Incerteza sobre o prolongamento do cessar-fogo no Oriente Médio fez com que os agentes do mercado adotassem a cautela neste pregão
O dólar à vista encerrou em leve queda na segunda-feira, mesmo com o ambiente externo de maior aversão a risco. A incerteza sobre o prolongamento do cessar-fogo no Oriente Médio fez com que os agentes do mercado adotassem a cautela neste pregão, diante da alta de mais de 5% nos preços do petróleo, ainda que não tivesse sido observada uma postura mais rígida e defensiva, com o dólar recuando na maior parte dos mercados na parte da tarde. O movimento do real pode ser resultado da combinação de dois fatores: a baixa negociação por conta do feriado de amanhã e o equilíbrio de forças entre o maior risco global (que deveria derrubar a moeda) e a valorização do petróleo (que dá suporte à divisa). Encerrado o pregão de segunda, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,18%, a R$ 4,9741, depois de ter encostado na mínima de R$ 4,9711 e batido na máxima de R$ 4,9884. Já o euro comercial recuou 0,04%, a R$ 5,8620. No exterior, perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, oscilava -0,04%, aos 98,062 pontos. Desde o começo da sessão, o dólar teve dificuldade em estabelecer uma direção frente ao real, operando quase sempre na estabilidade. Ao longo da tarde, no entanto, a moeda americana perdeu espaço em boa parte dos mercados globais, como no Brasil. Em nota, o banco ING diz que o Brasil tem atravessado bem a crise geopolítica até agora. “Como exportador líquido de energia, seus termos de troca, na verdade, melhoraram, ao contrário das fortes quedas observadas nas moedas da Europa e da Ásia. Isso faz do real brasileiro uma das moedas preferidas do mercado entre as de alto rendimento”, afirma o chefe de mercados do banco holandês, Chris Turner. Em termos reais efetivos, a moeda brasileira ainda está barata e cerca de 40% abaixo dos níveis de 2011. “Um patamar de R$ 4,50 por dólar para o câmbio brasileiro é totalmente possível.”
VALOR ECONÔMICO
Ibovespa avança com apoio de Petrobras em meio a novas tensões no Oriente Médio
Preocupações com o fornecimento de petróleo após o novo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã impulsionaram os preços da commodity no exterior e favoreceram as petrolíferas
O Ibovespa encerrou em leve alta na segunda-feira, sustentado pela valorização das ações da Petrobras, em um pregão de maior aversão a risco nos mercados globais. As preocupações com o fornecimento de petróleo após o novo fechamento do Estreito de Ormuz impulsionaram os preços da commodity no exterior e favoreceram as petrolíferas, o que garantiu suporte ao principal índice acionário local. Assim, a bolsa brasileira subiu 0,20%, aos 196.132 pontos, depois de oscilar entre 195.282 pontos e 196.724 pontos. Os investidores também adotaram uma postura mais cautelosa antes do feriado de Tiradentes, que vai manter os mercados locais fechados. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 17,5 bilhões e na B3 foi de R$ 22,7 bilhões. No exterior, as incertezas sobre a manutenção do cessar-fogo e a possibilidade de uma nova rodada de negociações entre Washington e Teerã pressionaram os mercados americanos. Em Wall Street, o S&P 500 recuou 0,24% e o Nasdaq perdeu 0,26%, enquanto o Dow Jones encerrou estável (-0,01%). Na segunda-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que as autoridades americanas demonstram “sinais contraditórios e pouco construtivos” que transmitem a busca da “rendição do país”, além de ressaltar que “o povo iraniano não se curvará à coerção”. Já o presidente americano, Donald Trump, disse que é “altamente improvável” estender o cessar-fogo de duas semanas, que expira na quarta-feira, caso não haja um acordo antes do prazo final. A escalada das tensões no Oriente Médio elevou a volatilidade no mercado de petróleo, que voltou a incorporar prêmio geopolítico aos preços. O Brent para entrega em julho avançou 5,64%%, a US$ 95,42 por barril, e o WTI com entrega prevista para maio subiu 6,87%, a US$ 89,61 por barril. Nesse contexto, as ações de petroleiras garantiram que o Ibovespa encerrasse no campo positivo. Os papéis ordinários e preferenciais da avançaram 1,83% e 1,73%, com giro financeiro de R$ 480 milhões e R$ 1,9 bilhão, respectivamente. Na ponta positiva, a ação ON da avançou 4,35%, com volume financeiro negociado de R$ 248 milhões. Em conversas com investidores em Washington, o Citi afirma que eles seguem cautelosos, mas ainda mantêm uma visão positiva para os mercados emergentes no geral. Segundo o banco, o posicionamento dos investidores indica que a alta dos ativos de risco ainda pode continuar, embora a exposição aos emergentes permaneça abaixo do otimismo estrutural em relação a esses mercados. “O consenso das discussões entre centros de análise sobre o Irã parece ser de que o cenário caminha para uma solução negociada. No entanto, havia a percepção de que a situação ainda pode se agravar mais uma vez antes de se estabilizar”, afirmam os analistas.
VALOR ECONÔMICO
Agroindústria teve retração de 1,9% no mês de fevereiro
Indústria do segmento não-alimentício puxo para baixo desempenho geral das agroindústrias, segundo o PIMAgro
A produção da agroindústria brasileira teve retração em fevereiro, após dois meses de crescimento, em decorrência da forte queda no segmento não alimentício. O Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio (FGV Agro), recuou 1,9% no mês na comparação com fevereiro do ano passado. Segundo o FGV Agro, o resultado negativo não era esperado. O desempenho em fevereiro levou a uma queda de 0,7% no acumulado do bimestre – ainda antes da guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro. Mas, embora a produção da agroindústria tenha caído no início do ano, o resultado foi melhor do que o da indústria de transformação, cuja produção teve baixa de 2,2%. O grupo das agroindústrias não alimentícias registrou retração de 5,5%, puxada pelo desempenho da indústria de insumos, que caiu 11,5%. Esse segmento foi afetado pela redução na fabricação de intermediários para fertilizantes, adubos, defensivos, tratores e máquinas. O FGV Agro ressaltou que a expectativa é de novas contrações na produção, como consequência dos impactos do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços de vários insumos. Também houve queda da produção no segmento de têxteis em fevereiro passado, com redução de 11,1%, dada a menor fabricação de fibras, tecidos, vestuários, calçados e couro. O único segmento não alimentício que teve produção maior em fevereiro foi o de biocombustíveis, com alta de 33,5%. Já no segmento das agroindústrias alimentícias e de bebidas, a produção teve aumento de 0,9% em fevereiro. Mas, diferentemente dos meses anteriores, a indústria que puxou a alta foi a de bebidas, com incremento de 6,2%, enquanto a de alimentos caiu 0,3%. A produção da indústria de bebidas alcoólicas subiu 8,9%, e a de bebidas não alcoólicas teve um aumento de 3,3%. Nas indústrias de alimentos, houve baixa de 1,6% no segmento de origem animal, devido à queda da produção de carne bovina e de pescados. Já o segmento de alimentos de origem vegetal subiu 2,7%, com alta na produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz, na moagem de trigo e no refino de açúcar.
VALOR ECONÔMICO
Economistas elevam previsão de inflação e Selic para 2026 e 2027 no Focus
Economistas consultados pelo Banco Central elevaram suas estimativas para a inflação e para a taxa básica de juros ao fim deste ano e no próximo, mostrou a edição mais recente do Boletim Focus divulgada na segunda-feira pela autoridade monetária, que apontou um cálculo menor para a taxa de câmbio ao término de 2026 e 2027.
Os agentes veem agora a taxa básica de juros Selic terminando este ano em 13,00% ao ano e o ano seguinte em 11,00% ao ano. Na semana anterior, as expectativas eram de um juro de 12,50% e 10,50%, respectivamente. A Selic está atualmente em 14,75%. A pesquisa do Banco Central também apontou que os economistas seguem esperando um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 28 e 29 de abril, e passaram a ver uma redução de igual magnitude na reunião seguinte, em junho, ante expectativa na semana anterior de um corte de 0,50 ponto percentual. Para a inflação medida pelo IPCA, os agentes calculam agora que ela encerrará este ano em 4,80%, ante 4,71% na semana anterior, e em 3,99% no final do ano que vem, ante 3,91% uma semana atrás. A meta da inflação é de 3,00% ao ano com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que coloca a estimativa do IPCA para o final de 2026 acima do teto da meta. Os ajustes nas estimativas acontecem em meio à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, e que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, hidrovia por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo. O conflito abalou os mercados financeiros e gerou temores inflacionários ao redor do mundo. Os economistas também revisaram para baixo suas previsões da taxa de câmbio e enxergam agora um dólar cotado a R$5,30 ao final de 2026 e a R$5,35 ao final de 2027. Há uma semana as previsões eram de dólar a R$5,37 no fim deste ano e a R$5,40 ao término do próximo. O dólar encerrou a semana passada com sua menor cotação desde março de 2024, acumulando na semana uma queda de 0,53% e no ano uma baixa de 9,21%. Para o crescimento da economia, os agentes ajustaram as contas para este ano em 0,01 ponto percentual para cima, a 1,86%, e mantiveram a estimativa de crescimento de 1,80% para o ano que vem.
REUTERS
Varejo físico recua 5,4% no 1º trimestre com Carnaval e juros altos
Nordeste foi a única região com crescimento positivo, de 0,3%, enquanto Sul teve pior desempenho. Expectativa é de melhora no segundo trimestre com Páscoa, Dia das Mães e Copa do Mundo
As intenções de compra no varejo físico encerraram o primeiro trimestre de 2026 com retração de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2025. Relatório da consultoria Seed Digital mostra que os dados refletem um ambiente de consumo mais cauteloso e volátil. Apesar do forte desempenho das lojas em janeiro, quando houve um crescimento de 6,1% nas intenções de compras, impulsionadas por buscas de liquidações, em fevereiro houve uma queda expressiva de 10,2%, impactado principalmente pelo Carnaval. Em março, o varejo chegou a respirar um pouco mais, porém o mês fechou negativo em 0,7%. Segundo a Seed, o cenário é explicado por um conjunto de fatores: a persistência da taxa de juros entre 14,75% e 15%, que mantém o crédito mais restrito; e as pressões externas, com o avanço de tensões geopolíticas contribuindo para o aumento de custos logísticos e, por consequência, reduzindo o poder de compra das famílias. “Nesse contexto, o consumidor brasileiro tem adotado uma postura mais racional, priorizando compras com maior percepção de valor e respondendo com mais intensidade a estímulos promocionais”, diz a consultoria em nota. A única região com índice positivo no levantamento foi o Nordeste, com crescimento de 0,3% neste início de ano. O Sul ficou com o pior desempenho, com recuo de 15,4%, seguido pelo Sudeste (-4,7%), Centro-Oeste (-2,1%) e Norte (-0,5%). Segundo a consultoria, o resultado do Sudeste foi pressionado pela migração de tráfego dos consumidores para os canais digitais e pelo fortalecimento do Carnaval na região, além do impacto das chuvas em Minas Gerais entre fevereiro e março. Já no Centro-Oeste, o reflexo foi a acomodação dos preços das commodities agrícolas, que impactam diretamente na renda disponível das famílias. Os dados coincidem com as informações de crescimento da receita de vendas, feita pela Cielo. Em janeiro, enquanto a intenção de compra subiu 6,1%, as receitas de vendas subiram 2,1%. Em fevereiro, as receitas retraíram em 3% e, em março, subiram 0,6% —no trimestre, o crescimento das vendas retraiu 0,4%. A intenção de compra em shopping centers cresceu entre a população, com avanço de 2,6% no trimestre, porém o varejo de rua recuou 6,5%. “Esse comportamento reflete características estruturais distintas: enquanto o varejo de rua é mais dependente do fluxo orgânico e mais exposto à cautela do consumidor, os shopping centers se beneficiam de sua proposta de conveniência, lazer e experiência, além de maior capacidade de ativação comercial em momentos estratégicos, como durante o Dia do Consumidor”, diz a Seed.
FOLHA DE SP
Mesmo com safra recorde, valor da produção agropecuária cai
Após alta de 13% em 2025, receitas do setor deverão recuar para R$ 1,38 trilhão. Principais itens das lavoras somam R$ 890 bilhões, e os da pecuária, R$ 495 bi
O Brasil deverá ter safra recorde de grãos. pelo menos é o que indicam até agora os números da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar disso, as receitas obtidas no campo serão inferiores às do ano passado, conforme o Ministério da Agricultura. Crescente nos últimos anos, a produção de grãos brasileira pode chegar a 356 milhões de toneladas, segundo a Conab, e a 348 milhões, nos números do IBGE. Já o VBP (Valor Bruto de Produção) recuará para 1,38 trilhão, após ter atingido R$ 1,44 trilhão em 2025, segundo dados referentes a março. Se confirmados esses valores, após alta de 13% em 2025, as receitas deste ano caem 4%. O VBP é o resultado financeiro do setor dentro da porteira e leva em consideração cálculo de 17 dos principais produtos no setor de lavouras e de 5 no da pecuária. Os valores se referem ao volume produzido, multiplicado pelo valor de venda. Essa circulação menor de dinheiro é um mau sinal para a agropecuária. Os custos, que já estavam elevados, subiram ainda mais com a guerra no Oriente Médio. O diesel subiu e o fornecimento de fertilizantes foi interrompido na região. Custo maior e renda menor não se casam com o momento de insolvência em boa parte do setor. Além disso, os juros elevados, que afetam toda a economia brasileira, também são sintomas de pressão na agropecuária. Tanto lavouras como pecuária perdem força neste ano. Os produtos agrícolas, após alta de 11% em 2025, terão receitas 5% menores, somando R$ 890 bilhões. Além da oferta maior, devido à safra recorde, os preços continuam deprimidos no mercado externo. Poucos produtos terão aumento do VBP em 2026, e a soja, líder nacional em receitas, será um deles. Mesmo com o crescimento da safra para 179 milhões de toneladas, o aumento do valor de produção será de apenas 0,5% e virá do volume. Preços externos acomodados e dólar menos pressionado seguram receitas internas. Além da soja, outros alimentos básicos como feijão, mandioca e banana também terão aumento. O feijão, importante no dia a dia da alimentação, terá queda de 6% no volume a ser produzido e, consequentemente, aumento de preço na roça. O VBP dessa leguminosa sobe 14% neste ano. Entre as quedas no valor de produção estão café e cacau, produtos que subiram muito no ano passado e que têm preços menos pressionados agora. A safra brasileira de café deverá ser recorde, estimada pelo IBGE em 65 milhões de sacas, o que ajuda a repor os estoques mundiais. O VBP do produto, após alta de 46% no ano passado, recua 3% neste ano. Na pecuária, o aumento de preços do boi e a maior oferta de carne bovina elevam o valor total de produção para R$ 237 bilhões, 2% a mais do que no ano anterior. Os demais itens do setor —frango, suínos, leite e ovos— perdem receitas em relação às do ano passado. As estimativas do VBP feitas pelo Ministério da Agricultura deverão apresentar fortes variações até o final do ano. A previsão atual foi feita com base nos preços de janeiro a março, mas essa média vai mudar ao longo do ano. O arroz, por exemplo, começou 2026 com queda nos preços, mas está subindo, devido à menor produção. Já o café, com a confirmação da safra recorde brasileira, auxiliará em uma reposição maior dos estoques mundiais e queda nos preços.
FOLHA DE SP
FRANGOS & SUÍNOS
Custo de produção de suínos segue em queda em 2026
Tendência de queda começou em janeiro e repetiu em março, aponta levantamento da Embrapa; custo de frango se manteve estável
Em março, os custos de produção de suínos voltaram a cair, seguindo uma tendência que começou em janeiro. Já os custos de frangos de corte se mantiveram praticamente estáveis conforme o levantamento mensal da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Suínos e Aves divulgados por meio da CIAS (Central de Inteligência de Aves e Suínos). Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo passou de R$ 6,36 em fevereiro para R$ 6,30 em março – queda de 0,96%, com o ICPSuíno recuando para 360,63 pontos. No ano, o índice acumula uma diminuição de 2,71%. Na soma dos últimos 12 meses, a variação é de -1,76%. A ração, responsável por 72,22% do custo total de produção em março, baixou 0,55% no mês de março e acumula -1,96% no ano. Santa Catarina e Paraná são estados de referência nos cálculos dos ICPs (Índices de Custo de Produção) da CIAS por serem os maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas de custos para os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, fornecendo subsídios importantes para a gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos de suínos e aves de corte. Como apoio aos produtores, a Embrapa disponibiliza ferramentas gratuitas de gestão, como o aplicativo Custo Fácil, para dispositivos Android e com download pela Play Store, que gera relatórios personalizados e diferencia despesas com mão de obra familiar. No site da CIAS há também uma planilha de custos voltada à gestão de granjas integradas de suínos e frangos de corte.
EMBRAPA
Conheça a granja de suínos em MG que obteve certificação inédita de bem-estar animal
Unidade da Auma Agronegócios adota protocolo mais rigoroso, reduz perdas e busca agregar valor à produção de carne suína. Práticas de bem-estar diminuíram mortalidade de leitões, doenças e perdas ao longo do processo
A busca por padrões mais altos de bem-estar animal começa a ganhar escala na suinocultura brasileira, ainda que em ritmo inicial. Um exemplo vem de Patos de Minas (MG), onde uma granja da Auma Agronegócios se tornou a primeira do país a conquistar a certificação da Produtor do Bem, baseada em critérios mais rigorosos do que os normalmente adotados no setor. O modelo adotado pela empresa envolve mudanças estruturais no sistema produtivo. “O bem-estar animal é um conjunto de práticas que garante condições físicas, nutricionais e comportamentais adequadas, sem estresse ou sofrimento”, afirma a diretora-executiva da Auma, Lucimar Silva. Segundo ela, a estratégia faz parte de uma mudança mais ampla na forma de produzir e atender às demandas do mercado. Entre as principais alterações está a adoção do sistema conhecido como “cobre-solta”, no qual as matrizes são inseminadas e rapidamente transferidas para alojamento coletivo, diferente do padrão predominante, que mantém os animais por até 28 dias em gaiolas. Na prática, a mudança exige ajustes finos no manejo, nutrição e infraestrutura, mas traz benefícios. Segundo o gerente de produção Baltazar Vieira, a granja conseguiu reduzir perdas e melhorar indicadores zootécnicos. “Só com práticas de bem-estar, diminuímos mortalidade de leitões, doenças e perdas ao longo do processo. Isso se traduz diretamente em resultado econômico”, diz. Outro exemplo foi a retirada da ractopamina, aditivo usado para melhorar ganho de peso nos suínos. Apesar da perda inicial de eficiência, a empresa afirma que o equilíbrio veio com menor mortalidade e menos problemas sanitários. “Quando você coloca na conta o que deixa de perder, o resultado é positivo”, afirma Vieira. Além dos ganhos produtivos, a estratégia também abre espaço para diferenciação comercial. A empresa já recebe cerca de 3,5% a mais por quilo de carne em função do modelo de produção, segundo a companhia. A expectativa é avançar ainda mais com a certificação, mirando mercados mais exigentes e nichos específicos. “Existe uma mudança no comportamento do consumidor, que quer saber como o alimento foi produzido. Isso vale também para a carne”, diz Lucimar. A certificação da Produtor do Bem se diferencia por estabelecer níveis de exigência e buscar elevar o padrão do setor, afirma o diretor-executivo da entidade, José Rodolfo Ciocca. “Muitas certificações apenas chancelam o que já é feito. A nossa proposta é elevar o nível de bem-estar com critérios mais robustos e auditáveis”, diz. O protocolo limita, por exemplo, o tempo de permanência de matrizes em gaiolas e exige práticas como enriquecimento ambiental e menor densidade de animais. Hoje, a certificação tem três níveis, e a Auma foi enquadrada no primeiro que, segundo Ciocca, já está acima da média do mercado. “Mesmo o nível inicial já é mais exigente do que muitas certificações no Brasil e no exterior”, afirma. Apesar dos avanços, a adoção desse tipo de modelo ainda enfrenta barreiras. Entre elas estão o custo de adaptação, mudanças no manejo e a necessidade de capacitação das equipes. “Os principais desafios hoje são densidade de animais, manejo de matrizes e adaptação do ambiente para permitir comportamento natural”, diz Ciocca. Mesmo assim, a tendência é de avanço, puxada principalmente pelo mercado internacional. Segundo o executivo, empresas e compradores já começam a exigir padrões mais elevados, especialmente em negociações entre empresas. Segundo ele, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode acelerar esse movimento. “O Brasil tem uma oportunidade de se posicionar como fornecedor com alto padrão de bem-estar animal, algo que ganha cada vez mais relevância”, afirma. Para a Auma, o objetivo agora é ampliar esse modelo e capturar valor ao longo da cadeia, da produção ao consumidor final. “Quando você melhora o ambiente e o manejo, o resultado aparece: menos perda, mais eficiência e um produto mais valorizado”, diz Baltazar Vieira.
GLOBO RURAL
Brasil se prepara para maior produção e exportações de carne suína em 2026
Espera-se que a indústria suinícola aumente tanto a produção quanto o abate em 2026. Exportações recordes também são esperadas.
O Brasil é atualmente o quinto maior produtor de suínos do mundo. O USDA projeta que, em 2026, a produção de suínos aumentará 3,2%, alcançando 50,4 milhões de cabeças. Essa projeção baseia-se na expectativa de forte demanda externa, demanda doméstica positiva, maior disponibilidade de ração devido às safras recordes de milho e soja e na desvalorização da moeda nacional, o que torna a carne suína brasileira mais competitiva nos mercados internacionais. Após um ano de margens de lucro historicamente elevadas para os suinocultores, 2026 também é projetado como um ano lucrativo para a indústria suinícola. O setor tem ampliado a produção doméstica impulsionado pelos menores custos de produção e pelo aumento da demanda externa. Espera-se aumento no abate em 2026, alcançando 49,2 milhões de suínos, um crescimento de 3% em relação a 2025. Essa projeção considera a continuidade de uma demanda externa positiva por produtos suínos em nível global. Em 2025, 73,4% da produção nacional ocorreu na região Sul do Brasil. Segundo o MAPA, o estado de Santa Catarina foi responsável por 32,3% do abate no país, seguido pelo Paraná com 21% e pelo Rio Grande do Sul com 20% do total. O Brasil é o quarto maior produtor de carne suína do mundo, atrás da China, da União Europeia e dos Estados Unidos. O USDA projeta que a produção de carne suína aumentará 3%, alcançando 4,9 milhões de toneladas equivalentes em peso de carcaça (MMT CWE) em 2026. A maior disponibilidade de ração, o aumento do consumo doméstico, a firme demanda externa e os esforços para diversificação de mercados devem incentivar a produção. O consumo de carne suína no Brasil deve aumentar 1% em 2026, alcançando 3,07 MMT CWE. Esse crescimento é atribuído à maior disponibilidade de carne suína no mercado interno e à redução dos preços da carne suína e de seus derivados. O restante do aumento da produção será direcionado às exportações. O Brasil é o terceiro maior exportador de carne suína do mundo, posição que deve manter em 2026. O USDA projeta aumento de 7% nas exportações em 2026, alcançando 1,83 MMT CWE. A projeção se baseia na maior disponibilidade de carne suína, na firme demanda externa, no aumento das compras por novos mercados, na expansão das exportações para consumidores já existentes e no status sanitário do Brasil em comparação com seus concorrentes, que enfrentam desafios com a PSA, particularmente na Europa. As exportações devem representar 37% da produção total.
USDA/ ESTADOS UNIDOS
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