CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2668 DE 11 DE MARÇO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2668 | 11 de março de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotação estável em todas as categorias em São Paulo

O mercado abriu sem mudança na cotação. A oferta enxuta de bovinos e a resistência dos vendedores em negociar abaixo dos preços de referência têm sustentado as cotações, sobretudo no mercado spot.

Pelos dados Scot Consultoria, no mercado paulista, os preços seguiram estáveis na terça-feira, com o boi gordo sem padrão cotado em R$ 347/@, enquanto o “boi-China” está valendo R$ 350/@ (valores brutos, no prazo). O mercado abriu sem mudança na cotação. A oferta enxuta de bovinos e a resistência dos vendedores em negociar abaixo dos preços de referência têm sustentado as cotações, sobretudo no mercado spot. As escalas de abate, porém, já começam a se alongar, indicando mais negócios ou menos compras. As escalas de abate estão, em média, para dez dias. Em Minas Gerais a oferta aumentou. Há mais fêmeas nas escalas de abate, e frigoríficos testam preços mais baixos. A cotação caiu no Triângulo Mineiro, na região de Belo Horizonte e na região Norte. Na região do Triângulo Mineiro e na de Belo Horizonte, a cotação caiu R$5,00/@ para todas as categorias na comparação diária. Na região Norte, a cotação da arroba do boi gordo não mudou em relação a ontem, mas a da vaca caiu R$4,00/@ e a da novilha caiu R$3,00. Na região Sul, a cotação não mudou. A cotação da arroba do “boi China” não mudou. Na exportação de carne bovina in natura, na primeira semana de março, a exportação foi de 59,9 mil toneladas, com uma média diária de 11,9 mil toneladas, aumento de 5,9% frente ao embarcado por dia no mesmo período de 2025. A cotação média ficou em US$5,6 mil/t, alta de 16,1% na comparação feita ano a ano.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: negociações acima da referência

Temores envolvendo a guerra no Oriente Médio não mascaram o quadro limitado de oferta no Brasil, diz analista

O mercado físico do boi gordo abriu a semana respirando ares mais tranquilos, mas as questões envolvendo a guerra no Oriente Médio seguem presentes. No entanto, o governo flexibilizou a certificação para exportação de carnes para a região. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a sinalização do presidente norte-americano, Donald Trump, de que o conflito aparenta estar próximo do fim, somado a declaração de que pretende assumir o controle sobre o estreito de Ormuz, tranquilizou a logística global e oferece a perspectiva de normalização da corrente de comércio. “Por outro lado, diante do quadro anêmico de oferta que ainda faz parte do cotidiano do mercado durante o primeiro trimestre, houve necessidade de realizar negócios acima da referência média para realizar compras”, disse. Preço médio da arroba do boi: São Paulo: R$ 349,83. Goiás: R$ 330,18. Minas Gerais: R$ 344,41. Mato Grosso do Sul: R$ 339,89. Mato Grosso: R$ 338,04. O mercado atacadista apresentou estabilidade em seus preços no início da semana. Iglesias destaca que mesmo a entrada dos salários na economia tem sido insuficiente para justificar novos reajustes dos preços da carne bovina. “O fato é que a carne bovina já assumiu um patamar de preços que afasta boa parte dos consumidores brasileiros, em especial aquelas famílias que têm como renda entre um e dois salários-mínimos”, pontuou. Quarto dianteiro: ainda é precificado a R$ 20,50 por quilo; Quarto traseiro: segue cotado a R$ 27,00, por quilo;

Ponta de agulha: se mantém a R$ 20,50, por quilo.

SAFRAS NEWS

Preço médio da carne bovina brasileira exportada atinge em março/26 maior valor desde out/22

Depois dos recordes em jan/26 e fev/26, Brasil segue elevando os embarques da proteína neste mês. Segundo dados levantados pela Agrifatto, o preço obtido pela proteína brasileira nos 5 dias úteis do mês foi o maior valor alcançado desde a terceira semana de outubro de 2022.

As exportações brasileiras de carne bovina in natura atingiram 59,99 mil toneladas na primeira semana de março/26, com média diária de 11,99 mil toneladas, um avanço de 5,9% sobre o resultado médio diário obtido em março de 2025, de 11,33 mil toneladas, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em receita, os embarques nos primeiros 5 dias úteis do mês somaram US$ 341,19 milhões, com média diária de US$ 68,24 milhões, um acréscimo de 22,9% na comparação com o faturamento médio diário registrado em março/25, de US$ 55,52 milhões. O preço da carne embarcada na primeira semana de março/26 ficou em US$ 5.687,8/tonelada, um aumento de 16,1% sobre a cotação média obtida em igual mês do ano passado, de US$ 4.900,4/tonelada. Segundo dados levantados pela Agrifatto, o preço obtido pela proteína brasileira nos 5 dias úteis do mês foi o maior valor alcançado desde a terceira semana de outubro de 2022. Os embarques da proteína a in natura atingiram 235,9 mil toneladas em fevereiro/26, um resultado recorde para o mês e avanço de 23,9% em relação ao resultado de fevereiro de 2025. Janeiro/26 também atingiu volume recorde para o mês, de 231,8 mil toneladas, um aumento de 28,6% sobre janeiro de 2025. Em receita, o resultado de fevereiro também foi histórico para o mês: US$1,33 bilhão, um acréscimo 42% sobre o faturamento obtido em igual mês de 2025. Em janeiro/26, o faturamento também foi recorde para esse mês, batendo US$ 1,292 bilhão, com ganho de 42,5% em relação ao resultado de obtido em janeiro/25. Segundo previsões da Scot Consultoria, a expectativa para março/26 é de continuidade do ritmo forte dos embarques registrado nos dois primeiros meses do ano. Porém, com a escalada do conflito no Oriente Médio, um alerta foi aceso, dizem os analistas da Scot. “A região, além de grande consumidora, também é um entreposto no comércio global de carne bovina. Com portos fechados, não se sabe qual será o impacto sobre a dinâmica do comércio internacional da carne bovina e como deverá se comportar a demanda da região nas próximas semanas”, relatou a Scot.

PORTAL DBO 

Setor de carne bovina espera avanço em negociações com Japão e Coreia

Os dois mercados são fechados ao produto brasileiro, e abertura poderia significar um fôlego diante das cotas da China. “O bulgogi, tradicional churrasco coreano, combina com a carne brasileira”, afirmou Lula

A indústria exportadora de carne bovina espera que a influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajude a destravar as negociações de décadas com dois mercados estratégicos que seguem fechados ao produto brasileiro: Japão e Coreia do Sul. Juntos, os países importam mais de 1 milhão de toneladas por ano, sobretudo dos Estados Unidos e da Austrália. Uma possível abertura ao Brasil pode significar fôlego para diversificar os embarques e agregar valor a alguns cortes em momento de pressão no setor com as cotas impostas pela China, principal cliente brasileiro. A possibilidade mais madura é com o Japão. O processo com a Coreia ainda é um sonho mais distante e não deve ser encerrado em 2026, apesar dos avanços. A estratégia do setor já deu certo com o Vietnã, que abriu seu mercado em março de 2025 após a visita de Lula ao país. Na ocasião, o Brasil fez concessões, como a autorização para importação de tilápia dos vietnamitas. Oito frigoríficos foram habilitados e já iniciaram as vendas ao Vietnã. Em fevereiro deste ano, Lula esteve em Seul, capital da Coreia do Sul, e enfatizou o pedido de abertura do mercado a líderes políticos e empresários coreanos. “O Brasil vem trabalhando há quinze anos para obter acesso ao mercado de carne bovina coreano. O bulgogi, tradicional churrasco coreano, combina com uma carne de qualidade como a brasileira”, brincou Lula em discurso no país asiático. “Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano. Isso também permitirá que os maiores frigoríficos do mundo, que são brasileiros, se instalem e invistam aqui na Coreia”, afirmou na ocasião. Com o “empurrão” de Lula, o governo da Coreia do Sul firmou compromisso de enviar uma missão para realizar auditoria no Brasil ainda neste ano. Após a auditoria presencial, que será realizada por uma das duas agências estatais responsáveis pelas avaliações sanitárias, o processo com a Coreia do Sul é apenas documental. A Coreia do Sul importa cerca de 600 mil toneladas de carne bovina por ano, principalmente dos Estados Unidos e da Austrália. Além do compromisso para auditar o sistema sanitário brasileiro na negociação para exportação do produto, os coreanos se comprometeram a abrir seu mercado para os ovos do Brasil. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, apontou ainda avanços na relação com a Coreia do Sul com a confirmação de auditorias para abertura para exportação de uvas e para novas habilitações de estabelecimentos para venda farinhas de origem animal e carne suína. “Também houve promessa de resposta em três semanas para a habilitação de 15 novos estabelecimentos de aves, um aumento de 33% no número de plantas habilitadas, caso se confirme”, disse. O Japão, por sua vez, enviará uma missão técnica para auditoria no sistema sanitário brasileiro entre a última semana de março e a primeira de abril, apurou a reportagem. O governo japonês pediu discrição com a agenda no Brasil, que não foi divulgada. A auditoria será concentrada nos três Estados da região Sul, apesar de pedidos do Brasil para incluir Rondônia e Acre. Recentemente, o Ministério da Agricultura enviou respostas a um questionário prévio com detalhes sobre os procedimentos adotados na fiscalização. Pessoas a par das tratativas avaliam que uma eventual abertura de mercado vai levar em consideração a posição do Mercosul na relação com o Japão. A Argentina já tem autorização para enviar carne da região da Patagônia, mas o local concentra cerca de 2% do rebanho do país. As negociações dos japoneses com os argentinos estão em um estágio mais avançado. O Uruguai já fornece ao Japão e o Paraguai iniciou conversas. A avaliação de fontes que acompanham o tema é que a eventual abertura para o Brasil estará em um pacote para atender o bloco sul-americano e não de forma isolada. Pesa a favor dos brasileiros o status sanitário de país livre de febre aftosa sem vacinação, condição melhor que a da Argentina. Há leituras também de que o aval depende de costuras políticas entre Tóquio e os Estados Unidos, principal fornecedor de carne bovina ao Japão, que vê a concorrência aumentar nesse mercado com as negociações em tempos de guerra tarifária. O Japão vive um momento de alta na inflação de alimentos. Com a economia estagnada, o poder de compra da população está em queda, o que afeta o consumo de carne bovina. No país asiático, o produto é mais caro que o frango, em proporção ainda maior que no Brasil. A competitividade da carne bovina brasileira em relação a outros fornecedores pode ser um atrativo a mais nesse cenário.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar fecha perto da estabilidade com temores de que Irã instale minas no Estreito de Ormuz

Após recuar para a faixa dos R$5,13 mais cedo na sessão, o dólar ganhou força na reta final das negociações do dia e fechou a terça-feira praticamente estável no Brasil, com investidores reagindo negativamente a notícias de que o Irã pode instalar minas no Estreito de Ormuz, por onde são transportados 20% do petróleo mundial.

O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,14%, aos R$5,1582. No ano, a divisa passou a acumular queda de 6,03% ante o real. Às 17h28, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,27% na B3, aos R$5,1850. Na segunda-feira, o dólar havia despencado ante o real após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter passado indicações de que a guerra de EUA e Israel contra o Irã poderia terminar em breve. Trump disse a parlamentares republicanos que a guerra “será concluída muito rapidamente” e, em entrevista à Fox News, afirmou que é possível que ele esteja disposto a conversar com o Irã. As declarações de Trump ainda ecoaram nos mercados nesta terça-feira, fazendo o petróleo recuar para perto dos US$83 o barril em Nova York durante o dia e o dólar ceder ante quase todas as divisas globais. No Brasil, o dólar à vista atingiu às 14h20 a cotação mínima intradia de R$5,1326 (-0,64%) — valor já próximo das cotações verificadas na semana anterior à guerra. O otimismo quanto a um desfecho rápido da guerra também deu força ao Ibovespa — principal índice de ações da bolsa brasileira — e reduziu os prêmios na curva de DIs (Depósitos Interfinanceiros), em uma sessão de busca por ativos de maior risco. Durante a tarde, porém, o dólar recuperou força, após a CBS News noticiar que a inteligência dos EUA começou a observar indícios de que o Irã está tomando medidas para implantar minas no Estreito de Ormuz. Em meio à ameaça, Trump disse para o Irã remover quaisquer minas que possa ter colocado na região, alertando que, se isso não for feito, enfrentará consequências militares em nível nunca visto. Ao mesmo tempo, Trump disse que os EUA não têm relatos de que o Irã tenha de fato colocado minas no estreito. A possibilidade de aumento do conflito no Estreito de Ormuz — uma passagem chave para o transporte global de petróleo e gás — fez o dólar praticamente zerar as perdas no Brasil, com a moeda também ganhando força no exterior e o petróleo se afastando das mínimas do dia.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com trégua global na aversão a risco

O Ibovespa fechou em alta de mais de 1% na terça-feira, endossado pela trégua global na aversão a risco, com a percepção de que o conflito no Oriente Médio terá duração menor do que a esperada derrubando os preços do petróleo.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,4%, a 183.447 pontos, após marcar 180.692,83 na mínima e 185.323,62 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$31,3 bilhões. A bolsa paulista deu continuidade nesta sessão ao movimento mais positivo iniciado na véspera, que foi fomentado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a guerra contra o Irã pode terminar em breve. Nem a afirmação da Guarda Revolucionária do Irã de que decidirá sobre fim da guerra e a ameaça de que irá interromper exportações regionais de petróleo se ataques continuarem evitaram a forte correção nos preços da commodity. O barril sob o contrato Brent, que chegou a superar US$119 brevemente na segunda-feira, fechou a terça-feira a US$87,80, em queda de 11%. A disparada das cotações da commodity desde os primeiros ataques dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de dezembro vinha adicionando preocupações sobre a inflação e seus reflexos nas políticas monetárias no mundo, em particular nos EUA. No exterior, o norte-americano S&P 500 perdeu força no final e fechou em baixa de 0,21%. De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, a fala de Trump de que a guerra está próxima do fim amenizou temores sobre a duração do conflito, derrubando os preços do petróleo e reverberando em outros mercados. “O mercado interpretou tal feito como um bom sinal, o que ajudou a reduzir a volatilidade”, afirmou, citando ainda notícia envolvendo o Estreito de Ormuz. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse nesta terça-feira que a Marinha norte-americana escoltou com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz “para garantir que o petróleo continue fluindo para os mercados globais”. Queiroz ressaltou, porém, que investidores continuam acompanhando os desdobramentos da situação no Oriente Médio e analisando as possibilidades de fato sobre o fim do conflito.

REUTERS

Faturamento do agro em 2025 atinge novo recorde; 2026 se inicia em meio a grandes incertezas

Pesquisas do Cepea mostram que o agronegócio do Brasil faturou US$ 169 bilhões em 2025, valor 3% maior que o do ano anterior.

Por mais um ano, o agronegócio nacional atingiu recorde no faturamento com as exportações de seus produtos. Esse cenário foi verificado mesmo diante das tarifações impostas pelos Estados Unidos, que são o terceiro maior destino do setor brasileiro. Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizadas com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Secretaria de Comércio Exterior (sistema Siscomex), mostram que o Brasil faturou US$ 169 bilhões em 2025, valor 3% maior que o do ano anterior. O resultado se deve ao crescimento de 3,4% no volume escoado, tendo em vista que o preço médio anual caiu ligeiro 0,4%. Segundo pesquisadores do Cepea, os volumes escoados das carnes bovina e suína, celulose, soja em grão, algodão e milho cresceram em 2025 frente ao ano anterior. Quanto ao preço, aumentos foram verificados para as carnes bovinas e suína, o etanol, o café e o óleo de soja. Os principais destinos dos produtos do agronegócio brasileiro seguem sendo China (sobretudo complexo soja), União Europeia (especialmente florestais, café, frutas e suco de laranja) e Estados Unidos (principalmente madeira, suco de laranja, etanol, café, frutas, celulose e carne bovina). O ano de 2026 se inicia em meio a fortes incertezas. Enquanto produtores do Hemisfério Sul finalizam a colheita da safra de verão e intensificam a semeadura da nova safra, os do Hemisfério Horte estão fazendo o planejamento para o próximo ciclo produtivo e seguem atentos ao clima (o frio está bastante intenso em algumas importantes regiões produtoras de grãos) e, sobretudo, aos desdobramentos do atual conflito no Oriente Médio. Por ora, o conflito já tem resultado em fortes altas nos preços do petróleo e em dificuldades logísticas. O fechamento do Estreito de Ormuz preocupa, uma vez que a região é estratégica para o comércio global de energia e insumos agrícolas, já que por ali circulam 30% dos fertilizantes (principalmente de base nitrogenada) comercializados no mundo. O Cepea observa que muitas empresas brasileiras de fertilizantes estão atualmente afastadas do mercado, sem divulgar preços, aguardando os desdobramentos do conflito. O Irã, especificamente, se tornou em 2025 um grande demandante do milho do Brasil. Em 2025, o país foi o maior destino do milho nacional, recebendo 9 milhões de toneladas, praticamente o dobro do que no ano anterior (4,33 milhões de toneladas), segundo apontam dados da Secex. No entanto, como as exportações brasileiras de milho tendem a ser intensificadas apenas no segundo semestre, agentes, por ora, apenas acompanham os possíveis impactos para os próximos meses. Quanto ao frango, a região do Oriente Médio é um dos principais parceiros do setor avícola nacional na atualidade – em 2025, foi destino de quase 25% dos embarques brasileiros de carne de frango. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores destinos da carne de frango do Brasil. Em 2025, foram escoadas mais de 877 mil toneladas da proteína para estes países, que, juntos, recebem mais de 12,6% de todo o volume de frango escoado.

CEPEA 

Datafolha: parcela de brasileiros que vê piora da economia sobe para 46%

Índice de pessoas que citam deterioração da própria situação financeira e estão pessimistas com futuro cresceu. Percepção mais negativa contrasta com desemprego em nível mínimo histórico e queda da inflação

A percepção dos brasileiros em relação à situação econômica do país piorou nos últimos meses, revertendo parcialmente a melhora captada no levantamento feito no final de 2025, mostra pesquisa Datafolha. Também há mais entrevistados pessimistas sobre o futuro, inclusive sobre sua própria condição financeira, e prevendo elevação do desemprego, indicador que está nas mínimas históricas, e da inflação. O percentual daqueles que avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses subiu de 41% para 46% na comparação entre as pesquisas realizadas em dezembro do ano passado e em março deste ano. O número está em um patamar intermediário entre o melhor resultado da gestão do ministro Fernando Haddad na Fazenda —35% nas três pesquisas de 2023, durante o primeiro ano do governo Lula 3— e os 55% verificados em abril de 2025. O percentual dos que avaliam que a situação econômica do país melhorou caiu de 29% para 24%, na comparação entre as duas últimas pesquisas. O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil, de 3 a 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Os números mostram que a percepção negativa fica próxima dos 46% em todas as faixas de renda, exceto entre aqueles no grupo acima de dez salários-mínimos, no qual está em 69%. São 57% entre evangélicos (41% entre católicos), 65% entre empresários e 77% entre pessoas que pretendem votar em Flávio Bolsonaro (14% entre eleitores de Lula). Para 35% dos entrevistados, a economia vai piorar nos próximos meses. Na pesquisa feita em dezembro, essa era a expectativa de 21%. Na anterior, em julho do ano passado, esse índice chegou a 45%. A expectativa de melhora na questão econômica passou de 28% em julho, para 46% em dezembro e ficou em 30% na nova pesquisa. O otimismo é maior entre pessoas com renda de até dois salários-mínimos (33%) do que entre aquelas que estão no grupo acima de dez mínimos (11%); no Nordeste (36%) do que no Sudeste (25%); e entre pretos (32%) e pardos (31%) do que entre brancos (26%). Há diferença de dez pontos entre católicos (33%) e evangélicos (23%). O otimismo predomina entre potenciais eleitores de Lula (51% esperam melhora) e é baixo nos que pretendem votar em Flávio (apenas 14% dizem que a economia vai melhorar), Romeu Zema (16%) e Ratinho Junior (17%). O início do ano foi marcado pela confirmação de que a economia brasileira desacelerou e pelo início da guerra no Irã. Também foi um período de juros altos e aumento do endividamento das famílias e empresas. Por outro lado, houve melhora nos indicadores de renda e inflação. Os dados mostram ainda aumento da insatisfação e do pessimismo do brasileiro em relação à sua própria situação financeira. São 33% os que avaliam que a sua própria situação econômica piorou nos últimos meses —eram 26% em dezembro. O percentual dos que acham que melhorou caiu de 36% para 30% na mesma comparação. O percentual daqueles que estão pessimistas com o seu futuro passou de 22% em julho para 10% em dezembro, e agora subiu para 14%. Os otimistas, por outro lado, eram 45% em meados de 2025, percentual que subiu a 60% no final do ano passado e caiu para 51% na pesquisa atual. O levantamento também mostra que 48% dos entrevistados avaliam que o desemprego vai aumentar, ante 42% no levantamento anterior sobre o tema, que neste caso foi feito em junho do ano passado. O novo resultado é o maior patamar em termos nominais no atual mandato presidencial, embora esteja empatado na margem de erro com os 46% verificados em setembro de 2023 e março de 2024. Para 21%, o desemprego vai cair. Eram 22% em junho. Esse é o menor valor registrado no atual governo, empatado com o 21% de abril do ano passado.

FOLHA DE SP 

Exportações brasileiras aos EUA caem 23% no 1º bimestre e atingem menor nível desde 2023

Segundo dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA, da Amcham Brasil, as exportações para os EUA somaram US$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro e fevereiro de 2026

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 23,2% no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Câmara Americana de Comércio no país (Amcham Brasil). De acordo com o levantamento, em números totais, as exportações para os EUA somaram US$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, que significam US$ 812 milhões a menos nas vendas de empresas brasileiras para o país norte-americano. Conforme destaca a Amcham Brasil, o resultado representa o menor valor para o primeiro bimestre desde 2023 e, segundo análise da entidade, reflete a combinação entre fatores conjunturais de mercado e o impacto das medidas tarifárias que seguiram afetando parte relevante da pauta exportadora brasileira até o fim de fevereiro. Ao observar apenas os dados de fevereiro contra o mesmo mês do ano passado, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 2,5 bilhões, queda de 20,3%. A Amcham Brasil também lembra que as exportações brasileiras para o mercado americano acumulam sete meses consecutivos de retração. O movimento foi iniciado em agosto de 2025, quando houve a aplicação pelos EUA de sobretaxas de importação entre 40% e 50% para um amplo conjunto de produtos. Na visão da entidade, embora a queda em fevereiro tenha sido menos intensa do que em meses anteriores, o desempenho indica um início de ano marcado por pressões ainda relevantes sobre o comércio bilateral. “É importante destacar que as mudanças tarifárias anunciadas no fim de fevereiro — após decisão da Suprema Corte americana que levou ao fim das sobretaxas de 40% e 50% e à adoção de uma nova sobretaxa global de 10% — ainda não estão refletidas plenamente nas estatísticas bilaterais. Como essas medidas entraram em vigor apenas no fim do mês, seus efeitos deverão começar a aparecer no fluxo comercial a partir de março”, esclarece a Amcham Brasil. De acordo com a nota da entidade, a retração nas exportações em fevereiro foi influenciada principalmente pela forte queda nas vendas de petróleo bruto, que recuaram 80,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, além de combustíveis derivados de petróleo, que tiveram.  Segundo a Amcham Brasil, ambos os produtos estão isentos de sobretaxas e possuem peso relevante na pauta exportadora brasileira para os EUA. O café, que está isento de sobretaxas desde novembro, também apresentou queda significativa, de 40% na comparação anual. Já os produtos sujeitos a sobretaxas de 40% e 50% até o final de fevereiro registraram queda de 27,4% no mês, enquanto produtos afetados pelas tarifas da Seção 232, como itens de madeira, apresentaram retração ainda mais acentuada. Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abraão Neto, considerando que os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte americana, será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações brasileiras e o fluxo do comércio bilateral. “Ao mesmo tempo, é fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais, especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, afirma o presidente da Amcham Brasil.

VALOR ECONÔMICO 

INTERNACIONAL 

Guerra no Oriente Médio: setor de exportação de carne bovina revive tempos sombrios da Covid-19

Desde a crise causada pela pandemia, a indústria de logística de exportação de carne não enfrentava desafios como os que estão sendo vistos no setor. Desde os tempos sombrios da Covid, a indústria de logística de exportação de carne vermelha não enfrentava desafios como os que estão sendo vistos esta semana devido ao conflito no Oriente Médio que surgiu nos últimos dez dias”, relatou a reportagem do portal Beef Central 

Segunda a Beef Central, no início da semana passada, 11 países do Golfo fecharam seu espaço aéreo e todas as principais empresas de transporte marítimo de carga suspenderam o trânsito pelo Estreito de Ormuz, na sequência de ações militares dos EUA e da retaliação iraniana. “Empresas de transporte marítimo de contêineres, como Maersk, MSC e CMA CGM, redirecionaram mais navios via Cabo da Boa Esperança (abaixo da África do Sul), acrescentando pelo menos 14 dias ao tempo de viagem para a Europa, além de impor sobretaxas de risco de guerra ou conflito de emergência às tarifas de frete”, informou. No ano passado, a Austrália exportou cerca de 44.000 toneladas de carne bovina e 115.000 toneladas de carne de cordeiro e carneiro para destinos no Oriente Médio. “Ninguém sabe quanto tempo isso vai durar, ou o que pode mudar da noite para o dia, mas está tornando as negociações extremamente difíceis e adicionando risco e custo à equação”, disse um exasperado contato do setor de exportação de carne bovina à Beef Central. A ação militar iraniana causou grandes interrupções no transporte marítimo e aéreo de carne bovina e ovina refrigerada e congelada australiana para a região, bem como de carne vermelha destinada a outros destinos de carga aérea que anteriormente utilizavam aeroportos do Oriente Médio, como Dubai, como “hubs” de carga para fora da Austrália. “Os embarques aéreos de carne bovina e ovina refrigerada australiana destinados a mercados como a União Europeia e o Reino Unido, que antes eram centralizados em aeroportos como o de Dubai, estão agora sendo desviados para outros centros de carga aérea, como Singapura – o que, por sua vez, está exercendo pressão adicional sobre os canais logísticos em Singapura”, disse o portal. Um contato do setor de logística disse que alguns carregamentos australianos de carne vermelha por via aérea para a Europa agora estão “indo pelo caminho inverso”, voando via Dallas/Fort Worth e Frankfurt em uma rota comercial pouco utilizada e mais cara. “Do ponto de vista logístico, qualquer aeronave que se dirija da Ásia para a Europa agora precisa seguir uma nova rota de voo. Isso significa transportar mais combustível e reduzir ainda mais a carga útil, o que aumenta as tarifas. De repente, passar pelos EUA parece mais atraente.” Segundo a Beef Central, fora do canal de transporte aéreo, houve inúmeros relatos de produtos australianos transportados por via marítima, destinados a clientes do Oriente Médio, que ficaram retidos em navios sem condições de descarregar – e o futuro dessa carga ainda está indefinido. “Alguns clientes em países como o Dubai dizem que ainda precisam de carne bovina e ovina – existe uma procura local contínua –, enquanto outros, em países como o Bahrein, dizem para não enviarem nenhum produto: a procura diminuiu e os restaurantes estão fechados”, relatou a reportagem. Uma fonte do setor de logística afirmou à Beef Central que os contêineres refrigerados são agora os mais afetados pelo impacto dos preços, devido aos contêineres retidos em trânsito. “Alguns proprietários podem recorrer à redução da refrigeração nos contêineres – transformando efetivamente a carne refrigerada em congelada, como forma de evitar problemas de prazo de validade da carne refrigerada. Isso obviamente prejudica o valor do produto.” De acordo com a reportagem da Beef Central, outros relatos divulgados na última sexta-feira (6/3) sugeriram que as exportações brasileiras de carne bovina destinadas ao Oriente Médio estão sendo desviadas para outros mercados de exportação, devido à sobrecarga causada pela produção australiana.

BEEF CENTRAL 

CARNES

Exportações começam março com mais embarques de frango e suínos

Dados da Secex mostram aumento no ritmo diário de exportações de aves e suínos no início de março; pescado registra queda em volume, receita e preço.

As exportações brasileiras de proteínas animais iniciaram março de 2026 com movimentos diferentes entre os principais segmentos do setor. Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram aumento no ritmo diário de embarques de carnes de aves e suínos. Os números consideram os cinco primeiros dias úteis de março de 2026 e são comparados com o desempenho registrado ao longo de todo o mês de março de 2025. Entre as proteínas analisadas, as carnes de aves continuam liderando com folga em volume e faturamento nas exportações brasileiras. A carne suína aparece na sequência com crescimento nas médias diárias de volume e receita. As exportações de carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas somaram US$ 236,7 milhões nos cinco primeiros dias úteis de março de 2026. No mesmo período, o volume embarcado alcançou 132.314 toneladas. Durante todo o mês de março de 2025, o faturamento das exportações havia sido de US$ 785,8 milhões, com embarques totais de 438.408 toneladas. Na análise da média diária, o faturamento das exportações de aves chegou a US$ 47,3 milhões neste início de março. Em março de 2025, a média diária havia sido de US$ 41,3 milhões. O volume médio exportado por dia também mostra aumento. Nos cinco primeiros dias úteis de março de 2026, o Brasil embarcou em média 26.462 toneladas diárias de carnes de aves. No mês de março de 2025, a média diária havia sido de 23.074 toneladas. O preço médio, porém, apresentou pequena redução. A carne de aves foi exportada a US$ 1.789 por tonelada, contra US$ 1.792 por tonelada em março de 2025. A carne suína também apresentou desempenho positivo no começo de março. Nos cinco primeiros dias úteis de 2026, as exportações do produto alcançaram 34.010 toneladas. Em receita, as vendas externas somaram US$ 85,9 milhões no período analisado. No mês de março de 2025, o faturamento total havia sido de US$ 257,8 milhões. Na média diária, o faturamento das exportações de carne suína ficou em US$ 17,1 milhões nos primeiros dias úteis de março. Em março de 2025, a média havia sido de US$ 13,5 milhões. O volume médio exportado por dia de carne suína chegou a 6.802 toneladas. No mês de março do ano passado, a média diária foi de 5.401 toneladas. O preço médio da carne suína também apresentou leve valorização. O produto foi negociado a US$ 2.527 por tonelada, contra US$ 2.513 por tonelada em março de 2025.

SECEX/MDIC

FRANGOS & SUÍNOS

Aberturas de mercado para o Brasil na Nova Zelândia e na Turquia, diz Mapa

Com esses anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 544 novas aberturas de mercado desde o início de 2023

O governo brasileiro concluiu negociações que permitirão ao Brasil exportar novos produtos agropecuários para a Nova Zelândia e para a Turquia. A autorização para exportação de carne suína termo processada e de bile ovina para a Nova Zelândia aumenta as possibilidades de exportação do Brasil para um mercado de alto poder aquisitivo. Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 107 milhões em produtos agropecuários para a Nova Zelândia. Na Turquia, a autorização para a exportação de mel e produtos apícolas deverá ampliar as oportunidades para o setor brasileiro. O país importou mais de US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para soja em grãos, algodão e café. Com esses anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 544 novas aberturas de mercado desde o início de 2023.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA (MAPA)

Suíno vivo varia entre R$ 6,63 e R$ 6,94 nas principais praças do país

Levantamento do Cepea mostra diferenças nas cotações entre os estados produtores.

Os preços do suíno vivo apresentaram pequenas variações entre os principais estados produtores do país na segunda-feira (09), de acordo com dados do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Em Minas Gerais, o animal foi cotado a R$ 6,76 por quilo, sem variação no dia nem no acumulado do mês. No Paraná, o preço ficou em R$ 6,70/kg, com queda diária de 0,15% e alta de 1,67% no mês. No Rio Grande do Sul, a cotação atingiu R$ 6,78/kg, registrando alta de 0,15% no dia e acumulado mensal de 0,74%. Já em Santa Catarina, o valor permaneceu em R$ 6,63/kg, sem alteração diária e com avanço de 1,84% em março. Em São Paulo, o indicador apontou R$ 6,94/kg, com recuo diário de 0,14% e alta de 0,58% no acumulado do mês. Os valores consideram o suíno vivo nas condições posto ou a retirar, conforme a praça de referência, segundo o Cepea.

CEPEA/ESALQ

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