CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2649 DE 10 DE FEVEREIRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2649 | 10 de fevereiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Cotação no mercado do boi gordo segue em alta nas praças paulistas

A semana começou com a cotação do boi gordo e a da novilha subindo R$3,00/@, e a do “boi China” subindo R$2,00/@.

Na segunda-feira (9/2), o preço do boi gordo sem padrão-exportação subiu R$ 3/@ no mercado de São Paulo, para R$ 335/@, enquanto a cotação do “boi-China” registrou valorização de R$ 2/@, batendo R$ 342/@ (valores brutos, no prazo), segundo apuração da Scot Consultoria. A cotação da vaca não mudou. No decorrer da semana, são esperados preços melhores, com o mercado firme. No Espírito Santo, a cotação subiu R$2,00/@ para a novilha, enquanto a das demais categorias permaneceu estável. No mercado atacadista da carne com osso, a semana foi marcada pelo aumento nas vendas no varejo, que melhoraram nesses nove dias de fevereiro. O estoque de carcaças casadas diminuiu, permitindo que a cotação subisse. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 3,9%, ou R$0,85/kg, e a do boi inteiro subiu 2,4%, ou R$0,50/kg. Para a carcaça casada da vaca, a cotação subiu 2,4%, ou R$0,50/kg, enquanto a da novilha subiu 2,1%, ou R$0,45/kg. O cenário deve ser de firmeza nos próximos dias, ainda com menor oferta e o consumo aquecido, principalmente no fim de semana, com o Carnaval, que tende a movimentar o setor. No mercado de carnes alternativas, a cotação do frango médio subiu 3,9%, ou R$0,25/kg, e a do suíno especial, por outro lado, caiu 1,0%, ou R$0,10/kg.

SCOT CONSULTORIA

Exportações aquecidas devem manter arroba do boi gordo em alta

Frigoríficos ainda se deparam com uma oferta restrita de gado para compra ao mesmo tempo em que demanda externa se intensifica

O mercado físico do boi gordo registrou preços mais altos no decorrer da primeira semana de fevereiro. De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, os frigoríficos ainda se deparam com uma oferta restrita de gado para compra, o que dificulta o avanço das escalas de abate. “Tudo indica que os preços deverão seguir avançando no curto prazo, uma vez que a demanda segue aquecida, em especial na exportação, com um desempenho bastante interessante das vendas brasileiras durante o mês de janeiro para países como Estados Unidos, Europa, China e outros”, conta. Preço médio da arroba do boi. Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 6 de fevereiro: São Paulo (Capital): R$ 340,00, alta de 3,03% em relação aos R$ 330,00 praticados no final da semana passada; Goiás (Goiânia): R$ 323,00, aumento de 2,53% frente aos R$ 315,00 registrados no encerramento da semana anterior; Minas Gerais (Uberaba): R$ 322,00, incremento de 0,6% ante aos R$ 320 do fechamento da semana anterior; Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 322,50, alta de 2,38% frente aos R$ 315,00 registrados no final da semana passada; Mato Grosso (Cuiabá): R$ 315,00, valorização de 1,61% ante os R$ 310,00 praticados no encerramento da semana anterior; Rondônia (Vilhena): R$ 290,00, avanço de 3,57% ante os R$ 280,00 registrados no final da semana passada. No mercado atacadista, Iglesias sinaliza que os preços sinalizaram aumento durante a semana para os cortes do dianteiro e do traseiro bovino. “O baixo nível dos estoques nas indústrias justifica o atípico comportamento dos preços da carne bovina no atacado em um período que costuma ser marcado pela fragilidade do consumo doméstico”, contextualiza. Segundo o analista, a queda dos preços da carne de frango e dos cortes suínos no atacado ainda não chegou de maneira efetiva ao varejo, o que tem contribuído para o ambiente de firmeza para os preços da carne bovina. Quarto do dianteiro bovino: precificado a R$ 19,00 por quilo, avanço de 5,56% frente aos R$ 18,00 praticados no final do mês passado; Quarto do traseiro bovino: cotado a R$ 26,50 por quilo, aumento de 1,92% perante os R$ 26,00 registrados no final do mês anterior. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,291 bilhão em janeiro até o momento (21 dias úteis), com média diária de US$ 61,522 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 231,821 mil toneladas, com média diária de 11,039 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.573,20. Em relação a janeiro de 2025, houve alta de 42,5% no valor médio diário da exportação, ganho de 28,6% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,8% no preço médio.

SAFRAS NEWS

Carne Bovina in natura: Primeira semana de fevereiro tem exportações brasileiras de mais de 68 mil t

Mesmo com menor volume embarcado, preços mais firmes sustentam a receita externa no início de fevereiro.

As exportações brasileiras de carne bovina, com base nos números apresentados nesta segunda-feira (09) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), totalizaram 68.344,0 toneladas, enquanto em fevereiro de 2025 apresentou um total de 190.430,7 toneladas. Apesar da redução no volume absoluto, a média diária em toneladas foi mais elevada em 2026, com 13.668,8 toneladas, contra 9.521,5 toneladas no mês completo de fevereiro de 2025. O valor médio por tonelada também apresentou incremento. Nos primeiros dias de 2026, o preço chegou a US$ 5.619 por tonelada, acima dos US$ 4.928 registrados na média de fevereiro de 2025. A receita alcançou US$ 384 milhões no mesmo intervalo, enquanto em todo o mês de fevereiro de 2025, o faturamento foi de US$ 938,4 milhões. Quando se observa o ritmo diário, o início de 2026 registrou uma média de US$ 76,8 milhões por dia. Já ao longo de fevereiro de 2025, esse indicador ficou em US$ 46,9 milhões, evidenciando um avanço relevante no valor médio negociado no período mais recente.

SECEX/MDIC 

Boi China’ deverá resistir a salvaguardas do país asiático à carne

Para especialistas, produção do animal com características específicas para atender o país asiático é um caminho sem volta. ‘Boi China’ já é visto por muitos clientes internacionais como “padrão” brasileiro para a carne exportada

A imposição de salvaguardas pela China à carne bovina brasileira trouxe incertezas para a pecuária nacional, já que o país asiático é o principal comprador do produto — em 2025 foi destino de quase metade das exportações. Mas, independentemente dos impactos que essas restrições possam causar, uma coisa é certa: a produção do chamado “boi China”, animal com características específicas para atender àquele mercado, é um caminho sem volta, segundo especialistas. Isso porque esse animal já é visto por muitos clientes internacionais como “padrão” brasileiro para a carne exportada. Também há ganhos ambientais. Entre os pré-requisitos para ser considerado “boi China” está o abate em até 30 meses e que o animal tenha até quatro dentes. O boi também deve vir de unidades que não tenham registros de doença de “mal da vaca louca”, entre outros (ver quadro). Esses protocolos estabelecidos entre as autoridades brasileiras e chinesas, em 2004, visam a evitar principalmente casos dessa doença que atinge o sistema nervoso dos animais. Desde 2019, quando as exportações de carne bovina à China começaram a crescer de forma mais acelerada, a pecuária brasileira passou por uma transformação para ampliar a produção do animal com essas características e atender ao novo patamar da demanda chinesa. Os pecuaristas tiveram de investir em tecnologia para chegar a esse animal, mas também ganharam mais, já que a arroba do “boi China” tem um prêmio em relação à do boi “convencional”, abatido aos 36 meses. A consultoria Athenagro, especializada em pecuária, calcula que, atualmente, o ‘boi China’ representa cerca de 75% da pecuária comercial brasileira, e a pecuária comercial, por sua vez, é responsável por 90% da carne que chega à prateleira do consumidor aqui no Brasil ou lá fora. “A gente não tem como fugir mais disso, temos uma pecuária nova. Muita gente reclama porque tem maior oferta de ‘boi China’ e está diminuindo o prêmio, mas a gente acelerou a engorda dos animais, aumentou a produtividade, e o pecuarista não vai parar de fazer o boi nesse padrão tecnológico”, diz Maurício Palma Nogueira, sócio-diretor da Athenagro. Antônio Lobato, que cria 4 mil cabeças de gado entre duas fazendas em Igarapé-Açú, no nordeste do Pará, é um dos que não irão voltar atrás. “O boi China trouxe uma melhora de preço grande, chegamos à diferença de R$ 10 por arroba em relação ao gado convencional”, lembra. Na sexta-feira (6/2), o “boi China” estava cotado a R$ 317 por arroba em Paragominas (PA), segundo a Scot Consultoria. O valor era R$ 2 por arroba superior ao do gado convencional na região. Em São Paulo, essa diferença estava em R$ 8 por arroba, com o “boi China” cotado a R$ 340 por arroba. “Eu já abatia com 28 a 30 meses, mas os fazendeiros da minha região começaram a trabalhar muito para baixar a idade de abate”, conta Antônio Lobato A alternativa encontrada pelos pecuaristas, segundo ele, foi ampliar as estruturas de Terminação Intensiva a Pasto (TIP). Nesse sistema, os bovinos recebem uma dieta altamente concentrada com nutrientes, mesmo estando em pastagens. Na avaliação da consultoria Ponta Agro, uma das maiores vantagens da TIP, é a redução da idade de abate, passando de 36 a 42 meses nos sistemas convencionais para 24 a 30 meses nos intensivos. Segundo a consultoria, essa redução significa uma “diferença muito considerável em termos de lucratividade”. O pecuarista Lobato afirma que para ter essa estrutura é preciso fazer alterações no layout da propriedade, ter cochos, maquinário de transporte de ração e armazenagem. “Os valores de investimento mudam de acordo com o tamanho da fazenda, mas facilmente passam de R$ 1 milhão”, estima. Ele não vê espaço para mudanças no sistema de produção do “boi China,” mesmo que a demanda do país asiático por carne diminua. “O boi do Brasil é o mais barato do mundo. Se a China passar a comprar mais [carne] de outros lugares, outros países vão comprar do Brasil”, avalia Lobato. Todas as mudanças na forma de produzir o gado — promovidas pela demanda chinesa — também levaram à redução das emissões de dióxido de carbono pela pecuária, já que os bois são abatidos mais cedo. Segundo o Insper Agro Global, o boi abatido aos 36 meses emite, em média, 91,4 kg de CO2 equivalente por quilo de carne, enquanto o “boi China”, com 30 meses, tem emissão média de 5,8 kg de CO2 equivalente por quilo de carne. “Do ponto de vista ambiental, se o gado vive menos, ele vai fazer menos fermentação entérica no processo digestivo, reduzindo as emissões. Você tem menos pressão sobre desmatamento também”, ressalta Gabriela Cruz, pesquisadora do Insper Agro Global.

GLOBO RURAL 

ECONOMIA

Dólar fecha abaixo dos R$5,20 em sessão de fluxo de investimentos para emergentes

O recuo firme da moeda norte-americana no exterior conduziu a queda do dólar ante o real na segunda-feira, para abaixo dos R$5,20, em mais uma sessão de forte fluxo de investimentos para países emergentes como o Brasil.

Em meio ao avanço de mais de 1% do Ibovespa, o dólar à vista fechou o dia com queda de 0,59%, aos R$5,1886 — o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$5,1539. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,47%. Às 17h03, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,61% na B3, aos R$5,2105. No exterior, o dólar sustentou baixas firmes ante o iene, após a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi no fim de semana. Além disso, cedeu ante o euro e a libra, com investidores à espera pela divulgação ao longo da semana de dados de varejo, inflação e empregos nos Estados Unidos. O dia também foi de queda firme para o dólar ante moedas de países emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno, restando ao real acompanhar a tendência. “O dólar opera em queda hoje sob predominância de fatores externos: a queda acentuada do DXY (índice do dólar) e a continuidade do movimento de rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “Além disso, o ambiente internacional favorável ao risco, marcado pela alta das bolsas nos EUA, na Europa e no Japão, tem dado suporte às moedas emergentes de forma geral, com destaque para o real.” Em paralelo, o Tesouro anunciou pela manhã a emissão de títulos em dólares no mercado internacional, com um novo benchmark de dez anos, para 2036. Além disso, foi realizada captação por meio de títulos de 30 anos Global 2056. Conforme o serviço de informações financeiras IFR, o Brasil captou um total de US$4,5 bilhões, com US$3,5 bilhões pelo papel com vencimento para 2036 e US$1,0 bilhão com o título para 2056. Como ocorre tradicionalmente, a expectativa é de que essa nova emissão do Tesouro abra a janela para captações internacionais por parte de empresas, o que reforça, no mercado, a perspectiva de entrada de mais dólares no país, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “E contra o fluxo não há argumentos”, disse Rugik, que não descarta a possibilidade de um dólar ainda mais fraco no curto prazo, mais próximo dos R$5,00. Pela manhã, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou durante evento em São Paulo que a palavra-chave deste momento do ciclo de política monetária é “calibragem”, classificando o termo como “essencial”. Ao mesmo tempo, defendeu que a previsão de corte de juros não representa uma “volta da vitória”. “A gente está numa situação diferente do que estávamos naquele momento quando a gente concluiu a alta (dos juros) … Mas também esta não é uma volta da vitória, porque justamente a gente ainda tem dados que mostram uma resiliência econômica, por isso que a gente está falando de um ajuste”, afirmou.

REUTERS

Ibovespa fecha acima dos 186 mil pela 1ª vez puxado por blue chips e com aval de NY

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, terminando o dia acima dos 186 mil pontos pela primeira vez, em movimento puxado pelas blue chips Itaú Unibanco, Vale e Petrobras, e endossado por Wall Street.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,89%, a 186.407,8 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 186.460,08 pontos na máxima e 182.950,20 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$25 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Focus: Mercado reduz projeção para alta do IPCA este ano pela 5ª semana seguida, a 3,97%

A projeção para a inflação em 2026 caiu pela quinta semana seguida na pesquisa Focus que o Banco Central divulgou na segunda-feira, com apenas pequenos ajustes em outras estimativas.

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA este ano agora é de 3,97%, contra 3,99% na semana anterior. Para 2027, a conta segue em 3,80% por 14 semanas seguidas. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A pesquisa semanal com uma centena de economistas não mostrou alterações na perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027. As contas para a Selic também não sofreram alterações, e a taxa básica de juros continua sendo estimada em 12,25% ao final deste ano e em 10,50% no próximo. Com a Selic atualmente em 15%, a perspectiva para o primeiro corte segue sendo março, de 0,5 ponto percentual.

REUTERS

Mercado de Trabalho/Cepea: Agronegócio brasileiro atinge 28,58 mi de trabalhadores no 3º tri de 2025

Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, no segmento de insumos, a população ocupada cresceu 1,5% na comparação entre anos. Quanto às de base pecuária, o desempenho positivo se deveu aos crescimentos observados nas agroindústrias de abate de animais e de laticínios.

O agronegócio brasileiro empregou 28,58 milhões de pessoas no terceiro trimestre de 2025, aumento de 2,0% (ou de quase 569 mil pessoas) frente ao mesmo período de 2024, conforme indicam pesquisas realizadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Este é o maior contingente registrado para um trimestre, considerando-se toda a série histórica do Cepea/CNA, iniciada em 2012. No mercado de trabalho brasileiro, a mesma comparação mostra avanço de 1,3%, equivalente a aproximadamente 1,37 milhão de trabalhadores. Diante disso, a participação do setor no total de ocupações do Brasil atingiu 26,35% no terceiro trimestre de 2025, acima dos 26,15% registrados no mesmo período do ano anterior. Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, no segmento de insumos, a população ocupada cresceu 1,5% na comparação entre anos. Com exceção das indústrias de rações, todas as atividades do segmento registraram crescimento no período, com destaque para as indústrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários e máquinas agrícolas. O aumento no número de trabalhadores dessas indústrias ao longo do tempo reflete o fortalecimento econômico das atividades agropecuárias, cujo desenvolvimento gradual nos últimos anos tem ampliado a demanda por insumos do agronegócio. Para as atividades dentro da porteira, o contingente aumentou 0,7%, desempenho que se deve ao crescimento tanto na agricultura quanto na pecuária. Na agroindústria, a comparação entre anos mostra o crescimento de 1%. De acordo com pesquisadores do Cepea/CNA, entre as agroindústrias de base agrícola, contribuíram para o incremento no segmento as de vestuário e acessórios, de bebidas, de móveis de madeira, indústria do etanol. Quanto às de base pecuária, o desempenho positivo se deveu aos crescimentos observados nas agroindústrias de abate de animais e de laticínios. Quanto aos agrosserviços, a avanço entre o terceiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024 foi de 4,5%. Esse resultado expressa tanto o cenário econômico nacional quanto o aumento da relevância dos agrosserviços para a economia do Brasil. De forma geral, o crescimento das ocupações nesse segmento está fortemente associado à retomada das atividades agroindustriais, que abrangem desde o processamento de produtos agropecuários até a fabricação de insumos – reflexo, em última instância, das transformações econômicas vivenciadas pelo agronegócio. Além disso, o bom desempenho da agropecuária, impulsionado por expectativas de safras recordes e pela manutenção de elevados níveis de abate, tem ampliado a necessidade de mão de obra nos agrosserviços que sustentam essas atividades, contribuindo para aquecer o mercado de trabalho.

CEPEA

Índice global de alimentos cai pelo quinto mês seguido em janeiro, pressionado por lácteos, carnes e açúcar

O Índice de Preços de Alimentos da FAO registrou nova queda em janeiro de 2026, marcando o quinto recuo mensal consecutivo. O indicador fechou em 123,9 pontos, uma redução de 0,4% em relação a dezembro, refletindo principalmente a queda nas cotações internacionais de lácteos, carnes e açúcar.

Na comparação anual, o índice ficou 0,6% abaixo do registrado em janeiro de 2025 e permanece 22,7% inferior ao pico histórico alcançado em março de 2022, quando a guerra na Ucrânia e as restrições comerciais impulsionaram fortemente os preços globais. As quedas nos preços de lácteos, carnes e açúcar superaram as altas observadas nos cereais e nos óleos vegetais, garantindo o movimento de baixa no índice geral. Carnes: recuo mensal, mas ainda acima do ano passado. O Índice de Preços da Carne da FAO ficou em 123,8 pontos em janeiro, queda de 0,4% frente a dezembro. Apesar disso, o indicador segue 6,1% acima do nível observado no mesmo mês de 2025. A retração mensal foi puxada principalmente pela queda nos preços internacionais da carne suína. As cotações recuaram sobretudo na União Europeia, onde a demanda externa esteve mais fraca e a oferta permaneceu elevada, incluindo a liberação de estoques acumulados durante o período de fechamento temporário de frigoríficos nas festas de fim de ano. No caso da carne ovina, os preços permaneceram relativamente estáveis, mesmo com oferta apertada. A demanda sazonal perdeu força após compras intensas no final de 2025, o que limitou novas altas. A carne bovina também apresentou estabilidade nos preços internacionais. Um dos fatores determinantes foi a mudança no fluxo das exportações brasileiras após o esgotamento rápido da cota tarifária dos Estados Unidos. Com o fim da cota livre de tarifa, passou a valer a tarifa de 26,4% para volumes adicionais exportados ao mercado norte-americano. Diante desse cenário, parte das exportações brasileiras foi redirecionada para outros destinos, especialmente a China. Importadores chineses anteciparam compras para garantir volumes antes da implementação da cota de salvaguarda para carne bovina anunciada pelo país asiático. Esse movimento ajudou a sustentar os preços e evitou uma pressão maior de baixa sobre o produto brasileiro. Na contramão das demais proteínas, os preços da carne de frango subiram no mercado internacional. A valorização foi impulsionada principalmente pelo Brasil, sustentada por forte demanda externa. O recuo do índice geral reforça o cenário de acomodação gradual dos preços internacionais de alimentos após o período de forte volatilidade iniciado em 2022. Ainda assim, o mercado segue sensível a fatores como políticas comerciais, restrições tarifárias e movimentos estratégicos de grandes importadores. Para o setor de carnes, especialmente o brasileiro, o cenário continua marcado por ajustes nos fluxos comerciais e pela necessidade de adaptação rápida às mudanças nas regras de acesso aos principais mercados.

FAO

FRANGOS & SUÍNOS

IA Revoluciona o Setor Rural com Robôs Alimentadores de Suínos

A utilização de Inteligência Artificial (IA) no universo rural não para de surpreender, demonstrando um potencial vasto e em constante expansão.

Com o objetivo de aprimorar o desempenho das operações, aliviar a carga de trabalho dos agricultores e maximizar os resultados, tecnologias de ponta estão sendo aplicadas de forma eficaz no campo. Um exemplo notável desta tendência é o robô alimentador de suínos, que será exibido entre 9 e 13 de fevereiro no Show Rural Coopavel, um evento voltado à inovação no setor agropecuário. A empresa Roboagro, situada em Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, foi responsável por desenvolver o protótipo do robô, que exemplifica o uso avançado de IA na nutrição animal. Segundo Gustavo Bernart, médico veterinário que atua na área de Fomento da Coopavel, essa tecnologia, embora existente há alguns anos, passa por melhorias contínuas. Inovações recentes incluem a instalação de câmeras e sensores que monitoram a temperatura tanto dos animais quanto do ambiente, além de calcular o peso de cada suíno individualmente. Essa tecnologia é coordenada via um aplicativo, permitindo aos proprietários programar horários e quantidades exatas de alimentação. Criadores vinculados à Coopavel e localizados na região de atuação da cooperativa estão entre os que já fazem uso dessa tecnologia, relatando resultados excepcionalmente positivos. Mauro Turchatto, gerente do Frigorífico de Suínos da Coopavel, destaca que uma das principais vantagens do robô é a redução significativa da carga de trabalho dos produtores. Com o robô assumindo parte das funções rotineiras, os criadores podem dedicar mais tempo à gestão da propriedade e ao desenvolvimento de estratégias para aumentar a lucratividade. Especialistas da Roboagro explicam que o robô não apenas minimiza as perdas de ração, mas também otimiza o tempo de operação e melhora a eficiência da conversão alimentar. Esses fatores juntos promovem um melhor bem-estar para os animais. A empresa estabeleceu inúmeras parcerias, incluindo uma colaboração com a Embrapa Suínos e Aves, para expandir o uso desta inovadora tecnologia em várias regiões do Brasil e em países da América Latina, consolidando sua presença no mercado internacional. A incorporação da IA através desse robô no processo de alimentação animal destaca como a tecnologia pode impulsionar o setor agrícola ao otimizar recursos e melhorar as condições operacionais, trazendo benefícios tangíveis tanto para os produtores quanto para os animais.

G1/PARANÁ

Emirados Árabes lideram compras e impulsionam exportações brasileiras de frango

País do Golfo ampliou importações em 14%, ajudando a elevar embarques nacionais ao recorde de 459 mil toneladas no mês.

Os Emirados Árabes Unidos foram o principal destino das exportações de carne de frango processada e in natura do Brasil em janeiro. De acordo com os dados do período divulgados na última sexta-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país do Golfo importou 44,3 mil toneladas no primeiro mês do ano, em alta de 14% sobre o mesmo período de 2025. A África do Sul foi o segundo destino, ao importar 36,8 mil toneladas, em alta de 34%, e Arábia Saudita foi o terceiro, com compras que atingiram 33,5 mil toneladas (+5%). China, Japão, União Europeia, Filipinas, Coreia do Sul, Singapura e Chile completam o ranking dos dez maiores importadores de carne de frango em janeiro, período em que, no total, os embarques subiram 3,6% e atingiram 459 mil toneladas, recorde para o período. A nota da ABPA observou que o desempenho recorde em um período de demanda reduzida, como é o caso de janeiro, indica perspectivas “otimistas” para as exportações no decorrer deste ano. Isto indica crescimento sustentado em diversos mercados importadores, especialmente nos Emirados Árabes, na África do Sul, nos países da União Europeia e em determinados mercados da Ásia com expressiva demanda. Os principais estados exportadores de carne de frango foram Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.

ABPA

GTF, que produz frangos, capta US$ 60 milhões e prepara nova fase de expansão

Empresa vai usar parte dos recursos na modernização de suas unidades de aves, o que permitirá elevar a fatia das exportações na receita. Vinicius Gonçalves: GTF está se adaptando aos novos hábitos de consumo

A paranaense GTF, uma das seis maiores produtoras de frango do país, concluiu sua primeira captação externa, de US$ 60 milhões (aproximadamente R$ 320 milhões), movimento que deve garantir à companhia recursos para uma nova etapa de expansão no mercado externo, em um momento de avanço de concorrentes como MBRF e JBS, e para ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado no mercado doméstico. A captação, coordenada pelo Citi e feita por meio de uma operação sindicalizada que envolveu outros bancos da América do Sul e Central, vai ajudar a GTF a investir em 2026 montante similar ao do ano passado, cerca de R$ 200 milhões, dando sequência a um plano de expansão que mira faturamento de R$ 10 bilhões em sete anos. Para este ano, a projeção é atingir cerca de R$ 4,7 bilhões, 9% acima do ano passado. No curto prazo, há a meta de aumentar a participação das exportações na receita, de 20% a 25% hoje para 30% a 35% até o fim do ano ou começo do ano que vem, por meio de investimentos em modernização e mais automação de plantas, disse ao Valor o vice-presidente e diretor financeiro da GTF, Vinicius Gonçalves. Outro objetivo é elevar a participação dos produtos como frango em pedaços, temperado, com peso padrão, na receita, para acompanhar mudanças de hábitos dos consumidores e trazer maiores margens ao negócio. “Historicamente fomos uma empresa que produziu muito volume com baixo valor agregado. Aos poucos, estamos migrando, sabemos que hoje famílias cada vez menores buscam mais praticidade, um produto com peso padrão. Então esse tem sido o nosso grande foco”, disse Gonçalves. Entre 65% e 70% do que a GTF produz hoje fica no mercado interno, dos quais cerca de 30% são de itens mais porcionados. O plano é chegar a 50% em cerca de três anos. Uma parcela do dinheiro captado também irá para a cadeia produtiva de ovos e matrizes. Há expectativa de aumentar o abate diário das atuais 650 mil aves para perto de 1 milhão dentro de cinco anos. Os recursos também permitirão à empresa alongar o perfil da sua dívida, de dois para quatro anos na média. A GTF ainda usará parte dos dólares para fortalecer seu caixa. Empresa familiar fundada em 1992 em Maringá (PR), com foco no abate e comercialização de frangos, e ainda hoje administrada pelo fundador e sucessores, a GTF gradualmente verticalizou operações e cresceu por meio de aquisições. Em 2015, adquiriu a Lorenz, fabricante de produtos à base de amido. Por meio da marca Canção, vende hoje mais de 38 mil toneladas de carne de frango, peixes e vegetais congelados por mês para o Brasil e mais de 100 países. A captação em dólar não foi a primeira incursão no mercado de capitais da companhia que, no passado, atravessou um processo de recuperação judicial, finalizado em 2020. Em 2022, fez sua primeira emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), de R$ 83 milhões. Ano passado, captou R$ 375 milhões com um segundo CRA. Após obter margens Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 16% em 2025 e 20% em 2024, a GTF estima retornar a níveis históricos, próximos a 11%, em 2026. Isso porque, enquanto os custos com grãos devem se manter perto da estabilidade sustentados por boas safras de soja e milho no Brasil, os preços do frango tendem a ficar pressionados pelo aumento dos plantéis, decorrente da normalização da oferta de companhias de genética avícola, segundo Gonçalves. André Cury, head do Citi Commercial Bank para a América Latina, dá como certo que mais captações em dólar por empresas do agronegócio ocorram neste ano. “As exportadoras, principalmente, têm acesso a esse mercado, têm o interesse do investidor pelo instrumento utilizado, pela competitividade do agro brasileiro, pela profissionalização e governança das nossas empresas, pelo seu crescimento. Com certeza, teremos outras operações neste ano”, disse ao Valor.

VALOR ECONÔMICO

Frango de corte e ovos movimentam mais de R$ 140 bilhões e reforçam peso da avicultura no agro brasileiro

Dados do VBP mostram crescimento do setor em 2025, impulsionado por ganhos de eficiência produtiva, expansão do consumo interno e fortalecimento da competitividade nacional e internacional.

A avicultura brasileira encerra 2025 reafirmando sua posição como uma das cadeias mais relevantes, estruturadas e capilarizadas do agronegócio nacional. Dados do Valor Bruto da Produção (VBP), atualizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 16 de janeiro de 2026, mostram que frango de corte e ovos somaram R$ 141,6 bilhões em faturamento no ano, consolidando a avicultura entre os principais motores econômicos do agro brasileiro.

Somente o frango de corte respondeu por R$ 112,4 bilhões em VBP em 2025, enquanto a produção de ovos alcançou R$ 29,2 bilhões. Na comparação com 2024, quando os valores haviam sido de R$ 106,6 bilhões e R$ 26,7 bilhões, respectivamente, o crescimento foi de 5,4% no frango de corte e de 9,3% nos ovos. Em termos absolutos, a avicultura adicionou cerca de R$ 8,2 bilhões ao VBP nacional em apenas um ano. Mesmo com esse avanço, a participação relativa da avicultura no VBP total do agro apresentou leve recuo. O frango de corte passou de 8,40% do VBP nacional em 2024 para 7,92% em 2025, enquanto os ovos recuaram de 2,11% para 2,06%. O movimento, no entanto, não indica perda de relevância, mas reflete o crescimento mais acelerado de outras cadeias, especialmente soja, bovinocultura de corte e café, que ampliaram significativamente sua fatia no total nacional. O frango de corte manteve em 2025 a condição de segunda proteína animal do Brasil em termos de faturamento. O VBP de R$ 112,4 bilhões coloca a atividade à frente da bovinocultura de leite, da suinocultura e da produção de ovos, além de consolidar o frango entre as seis maiores atividades agropecuárias do país. Na comparação anual, o crescimento de 5,4% reflete uma cadeia madura, com expansão mais moderada, porém consistente. Diferentemente de culturas sujeitas a oscilações climáticas mais severas, o frango de corte apresenta maior previsibilidade produtiva, sustentada por integração vertical, alto nível tecnológico e ciclos curtos de produção. O desempenho também indica que o avanço do VBP do frango não decorre apenas de preços, mas de ganhos de eficiência produtiva, conversão alimentar, genética e escala industrial. Trata-se de uma cadeia que cresce “por dentro”, com incrementos graduais de produtividade e organização. No recorte estadual, o Paraná segue como o grande motor da avicultura brasileira. Em 2025, o VBP do frango de corte no estado alcançou R$ 38,9 bilhões, frente a R$ 37,3 bilhões em 2024, crescimento de aproximadamente 4,5%. O valor representa cerca de 34,6% de todo o VBP nacional do frango, evidenciando a forte concentração produtiva. Santa Catarina mantém a segunda posição, com R$ 15,1 bilhões em 2025, crescimento de 5,6% em relação aos R$ 14,3 bilhões de 2024. O estado reforça seu papel estratégico não apenas pela escala, mas pelo padrão sanitário e pela forte presença no mercado externo. São Paulo aparece na sequência, com VBP de R$ 13,3 bilhões, crescimento de 5,4% sobre 2024. O Rio Grande do Sul registra um dos avanços percentuais mais expressivos entre os grandes produtores: de R$ 9,9 bilhões para R$ 10,8 bilhões, alta de quase 9%. Goiás fecha o grupo dos cinco maiores, com R$ 9,3 bilhões, crescimento também próximo de 5,4%. Esse conjunto de estados responde pela maior parte do faturamento nacional da cadeia e reflete um modelo produtivo fortemente baseado em integração, logística estruturada, indústria frigorífica instalada e acesso a mercados. Além dos líderes históricos, a análise do VBP revela crescimento consistente em estados como Minas Gerais e Mato Grosso. Minas alcançou R$ 8,35 bilhões em 2025, frente a R$ 7,98 bilhões em 2024, enquanto Mato Grosso superou R$ 3,5 bilhões. Esses movimentos indicam a interiorização gradual da avicultura, especialmente em regiões com forte produção de grãos, que reduzem custos de ração e favorecem a competitividade. Mesmo estados com participação menor no ranking nacional apresentaram crescimento, o que reforça o caráter disseminado da atividade no território brasileiro.

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