CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2660 DE 27 DE FEVEREIRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2660 | 27 de fevereiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo estável em São Paulo

Oferta ajustada mantém mercado firme, com escalas curtas e negócios pontuais acima da referência, mas sem força para alterar as cotações.

A oferta estava enxuta, mas suficiente para manter as cotações estáveis. Houve poucos negócios acima da referência para a vaca e para novilha, sem força para mudar a referência. As escalas de abate estavam curtas, em média, para seis dias. No Espírito Santo, a cotação não mudou. No Tocantins, havia pouca oferta e as indústrias estavam com as escalas curtas. Na região Sul, a cotação do boi gordo subiu R$3,00/@ e a da novilha R$5,00/@. A cotação da vaca não mudou. As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. Na região Norte, a cotação está estável para todas as categorias. As escalas de abate estavam, em média, para quatro dias. No noroeste do Paraná, a oferta segue enxuta e as escalas curtas. As escalas de abate estavam, em média, para cinco dias.

SCOT CONSULTORIA

Boi/Cepea: Arroba se mantém valorizada com oferta limitada e demanda firme

Os preços do boi gordo seguem firmes no mercado brasileiro na reta final de fevereiro.

O Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ, que reflete a média dos negócios realizados no estado de São Paulo, operou acima dos R$ 330,00 em praticamente todo o mês. Até o dia 24, o Indicador acumulava avanço de 7,1%. Segundo pesquisadores do Cepea, a baixa oferta de animais prontos para abate e as demandas interna firme e externa elevada – os embarques apresentam desempenho recorde neste começo de ano – são os fatores que mantêm a arroba em valorização. Para a reposição, o valor do bezerro nelore de 8 a 12 meses, negociado em Mato Grosso do Sul, registra alta de 4,56% na parcial de fevereiro (até o dia 24). Para as próximas semanas, pesquisadores do Cepea indicam que o mercado deve seguir atento ao ritmo das exportações, à entrada de animais de confinamento e ao comportamento da demanda doméstica, com o período pós-carnaval e Quaresma, fatores que podem determinar a continuidade, ou não, do movimento de valorização da arroba.

CEPEA

O ciclo do boi virou, mas até onde vão os preços da arroba?

O início de 2026 já traz sinais mais claros de virada no ciclo pecuário. Após um 2025 ainda marcado por descarte elevado de matrizes, os dados deste começo de ano apontam para desaceleração na participação de fêmeas nos abates e início mais consistente de retenção no campo.

Na B3, esse movimento estrutural — que indica uma futura oferta mais enxuta — começa a se refletir nos preços. O contrato do boi gordo com vencimento em março de 2026 acumula alta de 10,68% no ano, negociado ao redor de R$ 350 por arroba. Além do ajuste na oferta, 2026 começou com aceleração da demanda, fator que deve continuar sustentando o mercado ao longo do ano. “Acredito que teremos um movimento de oferta mais cadenciada até o começo de 2028. Para 2026, está claro que será um ano bem demandado, o que continua dando tração aos preços da arroba. No fim, o que vai dizer até onde ela pode chegar é a margem da indústria frigorífica”, afirma Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria. Mesmo com a valorização em reais, a carne bovina brasileira segue competitiva no mercado internacional. O cenário global aponta para oferta mais restrita entre grandes players e preços da carne em patamares elevados, o que mantém o ambiente favorável às exportações em 2026 e, estruturalmente, também em 2027. No lado doméstico, o ambiente também contribui. Segundo Fabbri, a combinação de isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil, taxa de desocupação em mínima histórica e rendimento médio das famílias em alta cria sustentação ao consumo. “Neste começo de 2026 tivemos a isenção do IR, que é importante para a demanda. Também temos a menor taxa de desocupação da história, ainda que o endividamento das famílias esteja elevado. Mas, com renda média nas máximas, esse endividamento não necessariamente significa retração do consumo”, avalia. Além disso, o ano eleitoral tende a manter estímulos à economia, favorecendo a demanda por proteínas de forma geral. Para a Scot, a arroba pode superar os R$ 360 — máxima registrada em 2024 — tanto no primeiro quanto no segundo semestre, caso o ambiente siga favorável. Fabbri destaca ainda que as medidas de salvaguarda adotadas pela China acabaram antecipando a procura por carne bovina brasileira neste início de ano, movimento que tradicionalmente ocorre com mais intensidade no segundo semestre. “O pecuarista consegue segurar um pouco mais a boiada neste momento e enxergamos um processo escalonado de retenção. Em resumo, 2026 tem tudo para ser um ano de arroba firme e em alta. Pode chegar a R$ 400, R$ 500, mas isso depende da margem da indústria. Se houver margem, o preço vai; se não houver, não se sustenta.” O histórico recente reforça esse ponto. Em 2024, quando a arroba girou próxima de R$ 360, a margem da indústria no atacado de carne desossada ficou em torno de 4% a 5%, patamar considerado bastante apertado. Sem espaço para absorver novos aumentos, o mercado perdeu sustentação e, posteriormente, a arroba recuou para perto de R$ 290 na mínima registrada em julho de 2025. “Se adotarmos essa faixa de 4% a 5% como referência, a saúde da margem da indústria será determinante para saber até onde o preço pode ir”, conclui o analista.

MONEY TIMES/SCOT CONSULTORIA

Arroba de boi fica mais cara para mercado interno e externo

Preço acumula alta de 10% no campo neste ano; em dólar, o aumento chega a 18%

Valor é resultado dos investimentos feitos na pecuária em 2021 e 2022, o que melhorou a oferta

A arroba de boi gordo começou o ano custando R$ 319 no estado de São Paulo. Agora, está em R$ 351, uma alta de 10%. Isso encarece o produto para o consumidor nacional. O mercado externo, no entanto, também não está livre de uma pressão da proteína brasileira. Com a alta da arroba no campo e a queda do dólar no mercado interno, o preço do boi gordo, em dólares, subiu 18% neste ano. No início de janeiro, a arroba correspondia a US$ 58. Agora, a US$ 68,5. Poucas vezes, o preço da arroba superou US$ 60. Isso ocorreu em agosto de 2008, em novembro de 2010, em junho de 2021 e em março de 2022, quando atingiu o recorde de US$ 73. Em reais, o valor da arroba sai de uma média anual de R$ 255, em 2023 e em 2024, e sobe para R$ 330 neste ano. O preço recente é resultado dos investimentos feitos na pecuária nos anos de 2021 e 2022, o que melhorou a oferta em 2023, 2024 e início de 2025, diz Thiago Bernardino de Carvalho, analista do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). A estrutura dos confinamentos, que estão ficando cada vez maiores, permitiu ao país colocar 9,25 milhões de animais nesse sistema, 21% de todos os animais abatidos, diz Carvalho. A produção sustentou não só o aumento de exportações como também uma recuperação da demanda interna. O que aconteceu nessa virada de ano? Além de um ritmo menor na oferta de animais de confinamento, típico do período, a chuva melhora o pasto, há um manejo dos animais e uma retenção maior de fêmeas para a inseminação. Isso gerou uma queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos. “A oferta no campo está sendo ajustada.” As exportações brasileiras estão favoráveis. A China vem comprando bem e outros países, como os Estados Unidos, retomaram ao mercado brasileiro. A baixa oferta de carne no mundo ajuda a entender esse momento das boas exportações brasileiras, mas tudo agora vai depender do câmbio. O dólar no patamar R$ 5,15, e a arroba a R$ 351, torna a carne brasileira menos competitiva em relação a outros concorrentes. Esse é o cenário para entender a mudança de comportamento no setor, diz Carvalho. A produção menor vinda do campo reduz a disponibilidade de carne para o menor patamar dos últimos 14 meses. O analista do Cepea acredita que, pelo menos até março e abril, a expectativa é de preços em patamares firmes. Já o segundo semestre será uma incógnita, devido à China. Para Carvalho, se o Brasil mantiver uma produção mais ajustada no campo e exportações menores, haverá um equilíbrio vindo da demanda interna. Este será um ano de maior fluxo financeiro internamente, com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, eleições e de Copa do Mundo. As exportações brasileiras para a China devem diminuir e, talvez, o Brasil venda cortes mais baratos, como do dianteiro. Se China e Estados Unidos comprarem mais da Argentina, como prometem, países abastecidos pelos argentinos virão para o Brasil, afirma ele.

FOLHA DE SP

O melhor mês da história da exportação de gado vivo paga até 63% a mais que o mercado interno

Com 170,4 mil cabeças embarcadas e faturamento de US$ 208,7 milhões, Brasil registra o melhor mês da história na exportação de gado vivo; Turquia lidera compras e cenário global indica demanda firme ao longo do ano.

O ano de 2026 começou com força total para a exportação brasileira de gado vivo. Em janeiro, o Brasil registrou o maior volume mensal já embarcado da história, consolidando um movimento que reforça a competitividade da pecuária nacional no cenário internacional e adiciona um importante canal de escoamento para os produtores. De acordo com dados da Secex compilados pela Scot Consultoria, o país exportou 170,4 mil cabeças de bovinos vivos em janeiro, o melhor desempenho mensal desde o início da série histórica, em 2004. Além do recorde em volume, o resultado também foi expressivo em receita: o faturamento atingiu US$ 208,7 milhões, igualmente o maior já registrado para um único mês.

COMPRE RURAL

Governo quer controle estatal da cota de carne para a China após sobretaxa de 55%; e agora?

Proposta prevê divisão proporcional – controle estatal da cota de carne para a China – com base no desempenho de 2025, cota mínima para pequenos frigoríficos e gestão via Camex; impasse jurídico e técnico trava decisão final

 O governo federal enfrenta um dos debates mais sensíveis dos últimos anos no comércio exterior do agronegócio: a criação de um sistema estatal de controle da cota de exportação de carne bovina para a China. A medida, defendida por frigoríficos brasileiros como resposta à salvaguarda imposta pelo país asiático — que limitou os embarques brasileiros a 1,1 milhão de toneladas em 2026 — vem dividindo ministérios, gerando questionamentos jurídicos e atrasando uma definição oficial. A proposta surge em um contexto de forte tensão comercial. Além da limitação volumétrica, discute se a aplicação de uma sobretaxa de 55%, o que elevou a pressão do setor por um mecanismo que organize e distribua a cota de carne para a China disponível entre as plantas habilitadas a exportar.  Segundo informações obtidas pelo Compre Rural, a iniciativa foi apresentada pelos frigoríficos e passou a ser debatida no Executivo desde o início do ano, mas encontrou resistências internas.

COMPRE RURAL

ECONOMIA

Dólar sobe no Brasil em dia de queda do Ibovespa e avanço da moeda no exterior

O dólar interrompeu a série mais recente de recuos ante o real e fechou a quinta-feira em alta, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior, em um dia que também foi de perdas para a bolsa brasileira.

O dólar à vista encerrou em alta de 0,28%, aos R$5,1392, após ter atingido na véspera o menor valor de fechamento desde 21 de maio de 2024. No ano, a moeda acumula agora queda de 6,37%. Às 17h26, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,19% na B3, aos R$5,1375. Após oscilar próximo da estabilidade no início do dia, o dólar ganhou força ante o real em sintonia com o avanço da moeda norte-americana no exterior, em uma sessão no geral negativa para os ativos de risco, após os resultados corporativos da gigante tecnológica Nvidia — bastante aguardados — não empolgarem. A bolsa brasileira, que nas últimas semanas tem recebido forte fluxo de investimentos estrangeiros, também teve uma sessão de perdas, reforçando o viés de alta do dólar ante o real. Assim, após marcar a cotação mínima de R$5,1217 (-0,05%) às 10h, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1655 (+0,80%) às 14h27, em um momento em que o Ibovespa também estava no piso da sessão, abaixo dos 190 mil pontos. Durante a tarde, o dólar perdeu um pouco de força, mas ainda assim encerrou em leve alta ante o real, em sintonia com o exterior, onde o mercado precificava as preocupações em torno dos atritos entre EUA e Irã e a reação morna com os resultados da Nvidia. Na sexta-feira, além da divulgação do IPCA-15, indicador considerado uma prévia da inflação oficial, os agentes estarão atentos à disputa pela formação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

REUTERS

Ibovespa fecha com declínio tímido ditado por Vale em pregão com balanços no foco

O Ibovespa voltou a orbitar os 192 mil pontos, mas fechou com um declínio modesto nesta quinta-feira, ditado principalmente pela queda das ações da Vale, em pregão com noticiário corporativo sob os holofotes, incluindo o resultado acima do esperado da Marcopolo, que fez a ação subir forte.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,14%, a 190.986,23 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 191.977,51 pontos na máxima e 188.976,57 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somava R$26,37 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

IGP-M recua 0,73% em fevereiro, mais do que o esperado, mostra FGV

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) passou a cair 0,73% em fevereiro, mais do que o esperado e revertendo a alta de 0,41% em janeiro, diante do forte recuo dos preços no atacado, mostraram dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) na quinta-feira

A expectativa em pesquisa da Reuters era de queda de 0,6%, e com o resultado do mês o índice passou a acumular em 12 meses deflação de 2,67%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, caiu 1,18% em fevereiro, depois de ter subido 0,34% no mês anterior. “O IPA, índice de maior peso no IGP, registrou forte queda em fevereiro, puxada pelo recuo dos preços de commodities relevantes. No período, minério de ferro (-6,92%), soja (-6,36%) e café (-9,17%) apresentaram retrações expressivas”, destacou André Braz, economista do FGV IBRE. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, desacelerou a alta a 0,30% em fevereiro, de 0,51% em janeiro, com o enfraquecimento do avanço das mensalidades escolares, segundo a FGV. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) passou a subir no período 0,34%, de uma alta de 0,63% em janeiro. O IGP-M calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

REUTERS

Confiança de serviços no Brasil recua em fevereiro após 3 meses de altas, diz FGV

A confiança do setor de serviços do Brasil piorou em fevereiro depois de três meses seguidos de alta diante da deterioração das expectativas, mostraram os dados divulgados na quinta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

No mês, o Índice de Confiança de Serviços (ICS) recuou 0,7 ponto, atingindo 90,2 pontos. “O resultado dos últimos meses tem tido maior influência pelo movimento dos indicadores de expectativas, que vinham em trajetória favorável e recuaram agora em fevereiro”, explicou Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE. A FGV informou que o Índice de Expectativas (IE-S), que reflete as perspectivas para os próximos meses, teve queda de 2,2 pontos, chegando a 88,1 pontos em fevereiro, depois de ter atingido no mês anterior o maior nível desde dezembro de 2024. Por outro lado, o Índice de Situação Atual (ISA-S), indicador da percepção sobre o momento presente do setor de serviços, avançou 0,7 ponto em fevereiro, para 92,4 pontos. “Pelo lado da situação presente, os indicadores têm oscilado no mesmo patamar e indicam desaceleração na demanda do setor. Para os próximos meses, o cenário macroeconômico ainda apresenta desafios, mas a possibilidade de redução de juros nos próximos meses e a resiliência do mercado de trabalho ainda podem sustentar o nível da confiança do setor”, completou Tobler.

REUTERS

GOVERNO

Camex adia análise de cota de exportação de carne à China

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) retirou da pauta da reunião extraordinária desta sexta-feira (27/2) ao menos duas resoluções que seriam analisadas sobre temas relacionados ao setor agropecuário: a criação do sistema de controle da cota de exportação de carne bovina para a China e o aumento do Imposto de importação do cacau, de 9% para 20%. Produtores querem saber se governo criará, ou não, sistema de controle da cota de exportação de carne bovina para a China

A informação foi confirmada ao Valor por uma fonte graduada da Esplanada. Consultado, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) informou por meio da assessoria apenas que a pauta ainda não foi divulgada. Ainda não há definição de nova data para deliberação das medidas. A expectativa é que entre na pauta de 11 de março. A reportagem mostrou que a criação do sistema de controle de cota da carne bovina ainda despertava divergências no governo federal. A área de comércio exterior do governo ainda aguarda parecer jurídico da Advocacia-Geral da União (AGU) para avançar com a proposta, disse a fonte. Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) não respondeu. O Ministério da Agricultura concorda com o mecanismo apresentado pelo setor privado (de divisão trimestral até setembro dos volumes totais e de forma proporcional ao desempenho das empresas em 2025). A Pasta avalia que a iniciativa preserva pequenos frigoríficos na corrida por vender aos chineses, que poderia ser dominada pelas grandes multinacionais. Ao menos uma companhia procurou o MDIC para apontar questionamentos jurídicos caso a regulação estatal seja adotada. O adiamento da votação atrapalha os planos do setor frigorífico. Representante da indústria reclamou da nova postergação da votação na Camex (antes, havia esperança de que o modelo fosse votado em 2/7 de fevereiro) e disse que a cadeia vai cobrar mais enfaticamente uma posição do governo sobre o assunto. Segundo essa pessoa, as plantas têm respeitado uma divisão informal para os embarques até agora, mas que o governo precisa se decidir quanto ao controle da cota, “pelo sim ou pelo não”. O setor deverá insistir com o Executivo no discurso de que o cenário tem ficado mais apertado e que, no segundo semestre deste ano, poderá piorar, com o preço do boi gordo em alta, dificuldade de reposição de rebanho e dólar em queda.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

Congresso argentino e uruguaio aprovam acordo comercial Mercosul-UE

O Parlamento argentino ratificou na quinta-feira o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em janeiro após 25 anos de negociações.

O Senado da Argentina, um dos membros do Mercosul junto com Brasil, Uruguai e Paraguai, aprovou o tratado por 69 votos a favor e 3 contra. Também nesta quinta-feira, o Uruguai aprovou o acordo, que ainda precisa ser ratificado pelo Brasil, pelo Paraguai e pela União Europeia. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo na quarta-feira, mas ainda é preciso que o Senado dê seu aval. O tratado conta com forte apoio da Alemanha e da Espanha, mas enfrenta oposição liderada pela França, que teme que o aumento das importações de produtos básicos, como carne bovina e açúcar, prejudique os agricultores locais.

REUTERS

FRANGOS & SUÍNOS

Suínos/Cepea: Valor da carne segue em queda e eleva competitividade

A atual média mensal de preço da carne suína já é a menor desde abril de 2024, em termos reais (série deflacionada pelo IPCA de janeiro/26), apontam dados do Cepea.

Esse movimento de desvalorização, que seguiu com força em fevereiro, acabou elevando, pelo segundo mês consecutivo, a competitividade da carne suína em relação às concorrentes, bovina e de frango. De acordo com pesquisadores do Cepea, o ganho de competitividade frente à carne de boi neste mês também é influenciado pelo avanço no preço da carcaça casada bovina; no caso do frango, observa-se desvalorização da proteína, mas em menor intensidade que a registrada para a suína. Pesquisadores do Cepea ressaltam que o movimento de queda nos preços do suíno vivo, que vem sendo verificado desde o início deste ano, perdeu um pouco de força nesta semana. O principal fundamento desse cenário baixista é a oferta acima da demanda. Agentes consultados pelo Centro de Pesquisas indicam que já eram esperadas desvalorizações no primeiro bimestre de 2026, em razão do menor poder de compra da população, mas a intensidade da baixa preocupa.

CEPEA

Gripe aviária: Argentina confirma segundo caso em aves comerciais

Impacto comercial atual é considerado menor do que nos eventos sanitários de 2023 e 2025.

O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina confirmou a detecção de um segundo foco de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) subtipo H5 em aves de produção comercial, desta vez na localidade de Lobos, província de Buenos Aires. O diagnóstico foi validado pelo Laboratório Nacional em Martínez após a análise de amostras de um estabelecimento de reprodutores pesados. Assim como ocorreu no primeiro caso detectado na localidade de Ranchos, o organismo sanitário ativou o plano de contingência, que inclui a interdição imediata da granja e a delimitação de uma Zona de Controle Sanitário. As medidas preveem o reforço da biosseguridade, restrição de movimentos, monitoramento e rastreamento epidemiológico na região. O Senasa também supervisionará o despovoamento e a disposição final das aves, seguido pela desinfecção rigorosa do local para contenção do vírus.

Com a confirmação do primeiro surto comercial na terça-feira (24), a Argentina perdeu sua condição sanitária de país livre de IAAP perante a Organização Mundial de Sanidade Animal (OMSA). Consequentemente, as exportações de produtos avícolas para destinos com acordos baseados nesse status foram suspensas. Entretanto, o Senasa destacou que as negociações bilaterais realizadas em 2024 e 2025 permitem a manutenção do comércio com países e blocos que reconhecem os critérios de zoonificação e compartimentação. O impacto comercial atual é considerado menor do que nos eventos sanitários de 2023 e 2025. Embora a carne avícola fresca sofra restrições em aproximadamente 40 destinos, o país conseguiu manter o acesso ao mercado em mais de 35 nações. Isso representa uma redução próxima a 47 pontos porcentuais na quantidade de destinos atingidos por restrições em comparação com crises anteriores. Caso não surjam novos surtos em estabelecimentos comerciais, a Argentina poderá se autodeclarar livre da doença perante a OMSA 28 dias após a conclusão do sacrifício sanitário e da limpeza da unidade produtiva. O Senasa reforçou a orientação para que os produtores intensifiquem as medidas de higiene e biosseguridade, além de recomendarem que aves de fundo de quintal sejam mantidas protegidas do contato com exemplares silvestres.

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