CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2659 DE 26 DE FEVEREIRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2659 | 26 de fevereiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotação estável em São Paulo

Na comparação feita dia a dia a cotação parou de subir e ficou estável. O mercado deu um tempo. As escalas de abate atenderam, em média, a cinco dias.

Pelos dados da Scot Consultoria, na praça de São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 350/@ e o “boi-China” está valendo R$ 355/@, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas por R$ 325/@ e R$ 335/@, respectivamente (todos os preços são brutos e com prazo). Em São Paulo, são necessárias 14,2 arrobas de boi gordo para a compra de um boi magro com 12,5 arrobas. Esta é a maior relação de troca dos últimos cinco anos e reforça o protagonismo da categoria. No Mato Grosso, a oferta de boiadas esteve enxuta e a demanda por carne bovina, tanto no mercado interno quanto no externo, esteve aquecida. Com isso, a cotação subiu em todas as praças pecuárias. Na região Norte, a cotação da vaca subiu R$5,00/@. A cotação do boi gordo e a da novilha não mudou em relação a ontem. Na região Sudoeste, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@. A cotação da vaca e da novilha não mudou. Na região de Cuiabá, a cotação subiu R$3,00/@ para todas as categorias. Na região Sudeste, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@, e a da vaca e a da novilha subiu R$5,00/@. A cotação do “boi China” não mudou. No Acre, o mercado abriu com alta de R$ 5,00/@ para todas as categorias. A oferta esteve menor e a demanda por boiadas permaneceu aquecida, inclusive por parte de outros estados, como Mato Grosso e Rondônia.

SCOT CONSULTORIA

China não fechou portas para habilitar novos frigoríficos brasileiros, diz Ministério da Agricultura

Assessor do ministério havia dito que os chineses não habilitariam novos frigoríficos até 2028. Mais de 50 frigoríficos brasileiros aguardam aval para iniciar as exportações para a China

O Ministério da Agricultura negou que exista qualquer posição taxativa da China em relação a novas habilitações de frigoríficos brasileiros para exportar carne bovina para lá. O secretário de Comércio e Relações Internacionais da Pasta, Luis Rua, disse ao Valor que nunca existiu essa posição por parte dos chineses e que as negociações para eventual aval a novas plantas, pedido recorrente do setor, seguem em paralelo à imposição de cotas pelas autoridades chinesas para compra da proteína. Na segunda-feira (23/2), o assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, havia dito a jornalistas que a China não habilitará novos frigoríficos até 2028, período de vigência da cota para importação de carne bovina por lá. O secretário ressaltou que a informação não procede e que isso nunca foi dito pelos chineses. Mais de 50 frigoríficos brasileiros, exportadores de todas as proteínas (aves, suínos e bovinos), já preencheram os requisitos técnicos chineses e aguardam aval para iniciar as exportações. Não há, porém, expectativa de quando novas habilitações poderão ocorrer. Uma fonte da indústria afirmou que acredita em novas habilitações ainda em 2026. Em 2024, a China habilitou, de uma vez só, 38 unidades exportadoras de carne bovina do Brasil. Atualmente, 67 estabelecimentos são autorizados a vender a proteína vermelha para lá. Dessas, três estão com as vendas suspensas temporariamente, desde o início de 2025. O Brasil exportou quase 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China em 2025, com faturamento de quase US$ 8,9 bilhões. Em janeiro de 2026, as exportações foram recorde, com mais de 123 mil toneladas. A cota de exportação do Brasil neste ano é de 1,1 milhão de toneladas. Na próxima sexta-feira (27/2), o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) poderá votar uma resolução para criar o sistema brasileiro de controle da cota de exportação de carne bovina para a China. O objetivo é organizar os embarques, com a distribuição trimestral dos volumes autorizados e por empresa, de acordo com o histórico de vendas em 2025.

VALOR ECONÔMICO

Tarifa zerada e sem cotas: acordo Mercosul-UE oferece fôlego ao couro do Brasil

O Congresso Nacional deve avançar, nesta semana, nas discussões internas rumo à aprovação do acordo Mercosul-União Europeia no Brasil. O País sai um pouco atrás de outros vizinhos, como a Argentina, onde a Câmara dos Deputados já aprovou o texto, abrindo caminho para a análise dos senadores. 

O tratado, assinado no início deste ano depois de mais de 26 anos de negociações, cria o maior bloco de livre comércio do mundo, unindo cerca de 718 milhões de consumidores e beneficiando diversos setores da economia, entre os quais está o agronegócio. Nesse contexto, encontra-se também a cadeia de couro brasileiro que, ao longo dos últimos anos, acompanhou uma desaceleração de seus embarques. De acordo com Rogério Cunha, gestor de inteligência comercial do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CIBC), a União Europeia responde atualmente por cerca de 20% das exportações brasileiras de couro, tanto em valor quanto em volume, considerando os dados consolidados de 2025. Segundo o especialista, o principal ganho imediato estaria na eliminação da tarifa de importação aplicada ao couro brasileiro. Atualmente, o imposto cobrado dos compradores europeus varia entre 5,5% e 6,5%, conforme a classificação do produto, dependendo do acabamento do couro, mas sobretudo, do produto de maior valor agregado. A mesma opinião é reforçada por Francisco Beduschi, líder da National Wildlife Federation (NWF) no Brasil. Para ele, a retirada da tarifa europeia, somada às exigências de rastreabilidade ligadas à lei antidesmatamento da União Europeia — que foi adiada duas vezes, com novo prazo para começar a valer no encerramento deste ano —, tende a estimular a consolidação de uma indústria de identificação individual mais robusta no País. Ele lembra que o Brasil já avança na rastreabilidade individual dos bovinos e bubalinos, no entanto, o sistema ainda está baseado, majoritariamente, na rastreabilidade dos lotes. “O Brasil já trabalha com rastreabilidade há bastante tempo. São mais de 30 anos de trabalho de rastreabilidade. […] O que a gente vai precisar fazer agora é transformar essa experiência da rastreabilidade por lote em uma rastreabilidade individual para poder atender todos os requisitos da União Europeia”, afirma. O otimismo dos especialistas baseia-se nos históricos passados de embarques aos europeus. Segundo dados compilados pela CIBC, em 2017, o Brasil chegou a exportar aproximadamente 200 milhões de metros quadrados de couro para a União Europeia. O volume é equivalente a cerca de 12 milhões de peles. Atualmente, porém, esse volume está próximo de 6 milhões, uma retração de 50% em termos físicos. “Nós projetamos a possibilidade de crescer com as nossas exportações para a Europa. Uma vez que nós já tivemos uma participação maior em termos de volume, acreditamos que o mercado está lá e existe a condição de buscarmos esse espaço novamente”, reforça Rogério. Na percepção do especialista, isso significa que o couro nacional pode se tornar mais atraente para segmentos estratégicos da indústria europeia, como o automotivo e de artefatos de moda. Nesse cenário, a Itália, terceiro maior importador mundial de couro e principal porta de entrada do produto brasileiro na Europa, com concentração de cerca de 8% de participação do Brasil em suas compras externas, continuaria sendo uma peça-chave para o setor. Espanha, Alemanha, França e Portugal também figuram entre os mercados relevantes. Com a tarifa zerada, a expectativa é de ganho gradual de share também nestes destinos. O líder da NWF no Brasil acredita que o desafio da rastreabilidade da cadeia do couro, uma vez que o produto é derivado da cadeia pecuária, não deve ser encarado apenas como um obstáculo, mas como oportunidade estratégica.

ESTADÃO/AGRO

ECONOMIA

Dólar cai 0,60% com exterior

O dólar fechou a quarta-feira com nova baixa ante o real, no menor valor desde maio de 2024, influenciado pelo recuo da moeda norte-americana no exterior e por nova pesquisa sobre as eleições no Brasil mostrando empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros concorrentes ao Planalto.

O dólar à vista fechou em baixa de 0,60%, aos R$5,1247, menor valor de fechamento desde 21 de maio de 2024, quando encerrou em R$5,1163. No ano, a moeda acumula agora queda de 6,64%. Às 17h04, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,70% na B3, aos R$5,1265. No início do dia, uma pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em simulações de segundo turno da disputa presidencial. No levantamento, Flávio tem 46,3% no segundo turno, contra 46,2% de Lula. Já Tarcísio soma 47,1%, contra 45,4% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual para mais e para menos, Lula está empatado tanto com Flávio quanto com Tarcísio, mas aparece numericamente atrás. O movimento foi ajudado ainda pelo recuo quase generalizado da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, incluindo pares do real como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. “Apesar de o Ibovespa ter apresentado leve correção, o panorama favorável ao real é reforçado pelo ingresso de recursos estrangeiros no mercado brasileiro… atraídos pelo diferencial de juros e pela continuidade do movimento de rotação geográfica/setorial global”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$3,358 bilhões em fevereiro até dia 20. Somente na semana passada, encurtada pelo Carnaval, o país recebeu US$1,870 bilhão.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com realização de lucros após superar 192 mil pontos

O Ibovespa testou os 192 mil pontos pela primeira vez na sua história na quarta-feira, mas perdeu o fôlego e fechou em queda, refletindo realização de lucros, enquanto o desempenho robusto de Vale evitou uma perda mais expressiva em dia também marcado pela repercussão de balanços e pesquisa eleitoral.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,19%, a 191.135,19 pontos, de acordo com dados preliminares, após avançar a 192.623,56 na máxima da sessão nos primeiros negócios, renovando o recorde intradia. Na mínima do dia, chegou a 190.419 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$24,7 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Dívida pública federal cresce 0,07% em janeiro, a R$8,641 tri, segundo Tesouro

A dívida pública federal apresentou relativa estabilidade em janeiro, com alta de 0,07% ante dezembro, a R$8,641 trilhões, informou na quarta-feira o Tesouro Nacional, também apontando uma redução no custo das novas emissões de títulos públicos.

No período, a dívida pública mobiliária federal interna (DPMFi) cresceu 0,26% em termos nominais, somando R$8,331 trilhões, enquanto a dívida pública federal externa (DPFe) caiu 4,75% e atingiu R$310,6 bilhões. Contribuiu para o ligeiro aumento da dívida pública no mês passado uma incorporação de juros no valor de R$88,5 bilhões na dívida interna, movimento parcialmente neutralizado por um resgate líquido de títulos no valor de R$67 bilhões. O Tesouro destacou que em janeiro riscos geopolíticos e rotação de carteiras para fora dos Estados Unidos beneficiaram países emergentes, com queda dos juros futuros no Brasil, apesar de volatilidades. De acordo com as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma elevação no mês passado, indo de 11,85% ao ano em dezembro para 12,07% ao ano. O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna, por sua vez, caiu de 13,81% ao ano para 13,76% ao ano. Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,00 anos para 4,03 anos em janeiro. A reserva de liquidez, por sua vez, passou de R$1,187 trilhão em dezembro para R$1,085 trilhão em janeiro. O valor é suficiente para quitar 6,77 meses de vencimentos de títulos, contra 7,33 registrados um mês antes.

REUTERS

Concessões de empréstimos no Brasil caem 18,9% em janeiro e estoque de crédito recua, diz BC

As concessões de empréstimos pelo sistema financeiro no Brasil caíram 18,9% em janeiro na comparação com o mês anterior, informou o Banco Central na quarta-feira (25), com o estoque total de crédito recuando 0,2% no período, a R$ 7,12 trilhões.

No mês, as concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, tiveram queda de 17,2% em relação a dezembro do ano passado. Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve recuo de 32,9% no período. A inadimplência no segmento de recursos livres ficou em 5,5% em janeiro, contra 5,4% no mês anterior. Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre fecharam em 47,8% ao ano em janeiro, um aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nos recursos direcionados, houve alta de 0,2 ponto percentual no mês, indo a 11,6%. O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, subiu para 34,3 pontos percentuais nos recursos livres em janeiro, contra 33,0 pontos no mês anterior.

REUTERS

Superávit primário do governo central fica em R$ 86,9 bi em janeiro, com queda de 2,2% em um ano

Resultado é o quarto melhor para o mês na série histórica que começou em 1997. Acumulado de 12 meses tem déficit de R$ 62,7 bilhões.

O governo central registrou um superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, informou o Tesouro Nacional na quarta-feira (25), resultado ligeiramente pior que o esperado pelo mercado e com queda real de 2,2% sobre o mesmo mês de 2025. O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas —que excluem transferências para governos regionais— de R$ 272,78 bilhões, crescimento de 1,2% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$ 185,88 bilhões, alta de 2,9%. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, teria um saldo positivo de R$ 88,8 bilhões no mês. Os dados fiscais do governo federal têm apresentado desempenho forte em meses de janeiro nos últimos anos. O saldo do mês passado foi o quarto maior da série histórica iniciada em 1997 pelo Tesouro, abaixo apenas dos meses de janeiro de 2022, 2023 e 2025, em dados que descontam a variação da inflação. Entre os destaques das receitas no mês passado estão um aumento de R$ 2,7 bilhões nos ganhos com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que sofreu aumento de alíquotas no ano passado, e de R$ 3,9 bilhões na arrecadação de Imposto de Renda. Por outro lado, houve redução de R$ 1,4 bilhão na receita de Imposto de Importação. Do lado das despesas, a alta nos desembolsos na comparação com o mesmo mês de 2025 foi causada majoritariamente por elevações de R$ 4 bilhões em gastos previdenciários e de R$ 3,3 bilhões em despesas com pessoal. No acumulado dos últimos 12 meses, o governo registrou um déficit de R$ 62,7 bilhões, equivalente a 0,47% do PIB. A meta de resultado primário para 2026 é de superávit de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto), com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.

FOLHA DE SP 

GOVERNO 

Câmara aprova acordo Mercosul-UE, que estabelece zona de livre comércio entre blocos

Tratado eliminará tarifas de importação sobre 95% dos bens da UE e 91% dos do Mercosul. Governo apresentará decreto com regras para proteger agronegócio; texto segue para o Senado

A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (25), o acordo comercial entre a UE (União Europeia) e o Mercosul. O tratado está em debate há mais de 25 anos e estabelece uma zona de livre comércio entre os países dos dois blocos. O texto foi aprovado por votação simbólica.

“A assinatura mostra a solidez de nossa economia e o avanço de nossa força produtiva. Trata-se de continuar e aprofundar uma política de Estado que procura posicionar nosso país no centro dinâmico das grandes transformações econômicas mundiais, com sólida integração às cadeias globais de valor”, afirmou o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do tema no plenário, em seu voto. Conforme os termos negociados, a UE eliminará tarifas de importação sobre aproximadamente 95% dos bens, o que representa 92% do valor das importações europeias de bens brasileiros. Já o Mercosul fará liberalização tarifária que cobre aproximadamente 91% dos bens e 85% do valor das importações brasileiras de produtos provenientes da UE. Nos dois casos, o acordo define um prazo para que as novas medidas sejam implementadas. A retirada das taxas varia de 4 a 15 anos, com prazo maior para a adaptação dos países do Mercosul. O acordo prevê, por exemplo, tarifa zero para produtos industriais, como máquinas, automóveis, produtos químicos, aeronaves e equipamentos de transporte. Em alguns casos, a tarifa zero pode prejudicar fabricantes brasileiros, que passarão a competir diretamente com os europeus. “O período de negociação foi mais que o suficiente. Agora é hora de colher os frutos, é hora de destravar o desenvolvimento e de colocar o Brasil no topo da agenda comercial do mundo”, afirmou o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB), após a votação. O texto foi aprovado por unanimidade na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul na terça-feira (24), no qual foi relatado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Cabia aos brasileiros aprovar ou negar o acordo, visto que não poderiam ser feitas mudanças no texto, chancelado pela União Europeia no início de janeiro.

Para o MRE (Ministério das Relações Exteriores), o acordo deve “reforçar a diversificação das parcerias comerciais do Brasil, além de fomentar a modernização do parque industrial brasileiro com a integração às cadeias produtivas do bloco europeu”. A UE é o segundo principal parceiro comercial do Brasil. De acordo com o relator, o governo se comprometeu a publicar um decreto com salvaguardas antes do Senado Federal avaliar o texto, que será relatado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). As salvaguardas brasileiras ocorrem em resposta às implementadas pela UE, após protestos de agricultores em países como França, Polônia e Bélgica.

FOLHA DE SP

Na Coreia do Sul, reunião técnica consolida compromissos para auditorias, habilitações e abertura de mercado para produtos brasileiros

Encontro com a Agência de Quarentena Animal e Vegetal, em Gimcheon, avança nas tratativas sobre uvas, carnes, ovos e amplia perspectivas para o comércio bilateral

A comitiva do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) cumpriu, na terça-feira (24), agenda oficial na cidade de Gimcheon, na Coreia do Sul, onde participou de reunião com o comissário Choi Jung-Rok da Agência de Quarentena Animal e Vegetal (APQA). O encontro teve como objetivo dar continuidade aos compromissos políticos tratado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Lee Jae-myung, e entre os ministros da Agricultura Carlos Fávaro e Song Mi-ryung, com foco no avanço da agenda sanitária e fitossanitária entre os dois países. Durante a reunião, o lado brasileiro, liderado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou a assinatura de dois Memorandos de Entendimento (MoUs) na área agrícola e reforçou a disposição do país de receber missões técnicas sul-coreanas para auditorias no Brasil. Entre os principais avanços, foi confirmada a realização de missão técnica em setembro para inspeção in loco visando à habilitação das uvas brasileiras para exportação ao mercado sul-coreano. Na área de proteína animal, as 15 plantas brasileiras de carne de aves, já aprovadas pelo órgão competente de segurança alimentar sul-coreano, seguem sob análise da APQA, com expectativa de resposta até meados de março. Em relação aos ovos e ovo produtos, a proposta de Certificado Sanitário Internacional (CSI) apresentada pelo Brasil está em análise pelas autoridades coreanas, que esperam dar um retorno em breve. A carne suína também esteve na pauta. A ampliação do escopo para todo o território brasileiro está em avaliação, devendo o resultado ser anunciado pelo Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais da Coreia (MAFRA), possivelmente seguido de inspeção in loco. Além disso, há a intenção de realização, no segundo semestre, de missão para habilitar seis estabelecimentos brasileiros (três de carne suína e três de farinhas). Já a carne bovina foi tratada como prioridade pela delegação brasileira, que defendeu a realização de auditoria técnica e reiterou a disposição do país em receber a missão coreana o quanto antes.

MAPA

MEIO AMBIENTE

Lei antidesmatamento da UE impõe risco de exclusão de produtores e pode afetar US$ 17,5 bilhões do agro brasileiro, aponta estudo da BIP

Exigência de desmatamento zero, rastreabilidade integral e due diligence ambiental pressionam toda a cadeia do agronegócio, com impactos desiguais entre produtores, cooperativas, indústria, traders e logística

A Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR, na sigla em inglês) está redesenhando o acesso do agronegócio brasileiro ao mercado europeu ao impor exigências de rastreabilidade, conformidade ambiental e comprovação de origem livre de desmatamento. Segundo estudo da consultoria BIP, a nova regulação amplia custos operacionais, expõe fragilidades estruturais da cadeia produtiva nacional e pode afetar até 16% das exportações da agroindústria brasileira, o equivalente a US$ 17,5 bilhões por ano, além de aumentar o risco de exclusão de pequenos produtores das cadeias internacionais. Em vigor desde 2023, o European Union Deforestation Regulation integra a estratégia europeia de neutralidade de emissões até 2050 e proíbe a comercialização, importação ou exportação de commodities associadas ao desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020. O regulamento incide sobre sete produtos de risco florestal – gado, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma – e estabelece a obrigatoriedade de processos rigorosos de due diligence, incluindo georreferenciamento das áreas produtivas, documentação fundiária e ambiental e monitoramento contínuo da cadeia.

O Brasil é classificado pela União Europeia como país de médio risco. O estudo destaca alavancas importantes implementadas no país, como o Código Florestal, o PPCDAm e sistemas de monitoramento por satélite como PRODES e DETER. No entanto, há um descompasso regulatório relevante: enquanto a legislação brasileira admite desmatamento legal em determinadas condições, a EUDR adota o conceito de “desmatamento zero”. Apesar do desmatamento ter diminuído no Brasil nos dois últimos anos, em 2024 foram desmatados 1.242.079 hectares, com predominância nas regiões Norte e Nordeste. 54,7% da área desmatada corresponde à tipologia de formações florestais que estão contempladas pela definição de floresta da FAO. O estudo da BIP mostra que os efeitos da EUDR se distribuem de forma assimétrica entre os diferentes elos do agronegócio. Os agricultores familiares, que representam cerca de 77% dos estabelecimentos rurais no país, estão entre os grupos mais vulneráveis. Apesar de a exportação não ser o principal destino da produção, a baixa capacidade de investimento em tecnologia, rastreabilidade e documentação pode levar à exclusão desses produtores das cadeias exportadoras. Médios e grandes produtores, responsáveis pela maior parte das exportações, também enfrentam alto impacto regulatório, mas contam com maior capacidade financeira e operacional para se adaptar às exigências. Instrumentos como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) são apontados como essenciais para a rastreabilidade, mas o estudo destaca que apenas 4,5% dos 8 milhões de imóveis cadastrados, estão com análise da regularidade ambiental concluída, evidenciando gargalo do instrumento. Já os produtores sem a terra própria – cerca de 19% dos estabelecimentos rurais – enfrentam obstáculos adicionais devido à ausência de titulação formal, impossibilitando o atendimento aos critérios de rastreabilidade e conformidade ambiental. As cooperativas agropecuárias, responsáveis por mais de mil organizações no país e por cerca de 5% dos embarques do agro em 2024, enfrentam o desafio de garantir a conformidade de todos os cooperados. Caso não consigam centralizar e validar dados de origem e legalidade ambiental, há risco de exclusão de produtores e redução do acesso ao mercado europeu. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que essas organizações podem atuar como facilitadoras da adaptação, concentrando investimentos em sistemas de monitoramento e controle. Na indústria, a EUDR exige a segregação e o rastreamento das matérias-primas desde a origem até o produto exportado. Empresas terão obrigatoriamente que comprovar a legalidade ambiental de seus insumos, enquanto traders e operadores passam a ter a obrigação de enviar declarações digitais de due diligence para cada lote exportado, com informações detalhadas sobre origem, coordenadas geográficas, volumes e documentação de compliance. O descumprimento, contudo, pode resultar em multas de pelo menos 4% do faturamento anual do operador, além de confisco de mercadorias, suspensão de importações, restrições a financiamentos e proibição de participação em licitações públicas. O elo de logística e armazenagem também ganha protagonismo. A necessidade de segregação de cargas, integração de sistemas e manutenção de registros detalhados eleva custos operacionais, aumenta o tempo de processamento e exigirá investimentos relevantes em tecnologia e governança. No caso do gado, pesam a associação histórica com o desmatamento e fragilidades em sistemas consolidados de rastreabilidade desde a origem. Cacau e café enfrentam desafios relacionados à predominância de pequenos produtores, enquanto a soja combina forte dependência das exportações com dificuldades técnicas de rastreabilidade em larga escala. Diante desse cenário, a BIP aponta que, por um lado, a regulação europeia impõe desafios relevantes, mas, por outro, também cria incentivos para a modernização da cadeia produtiva e o fortalecimento da competitividade do Brasil no comércio global de commodities sustentáveis. “Enxergamos oportunidades relevantes de investimentos em soluções tecnológicas como geolocalização, blockchain, inteligência artificial e monitoramento remoto. Finalmente, para a adaptação do agro brasileiro às regras internacionais será imprescindível ampliar parcerias entre governos, empresas e associações setoriais.” conclui Marcelo Pagoti. A Lei Antidesmatamento deve ser analisada como parte de um movimento regulatório mais amplo que vem redefinindo as relações comerciais internacionais. Sua implementação coincide com a decisão política da União Europeia de avançar no acordo comercial com o Mercosul após 26 anos de negociações, que prevê eliminar gradualmente tarifas sobre cerca de 91% do comércio entre os blocos. Essa convergência de agendas sinaliza que sustentabilidade no Agronegócio brasileiro é requisito para vantagem competitiva.

BIP/NOTÍCIAS AGRÍCOLAS

INTERNACIONAL

Exportações de carne bovina da Argentina sobem 12% em volume e 44% em valor em jan/26

O valor médio por tonelada avançou para US$ 6.351 no 1º mês do ano, 28,6% superior ao preço de janeiro de 2025. As exportações argentinas de carne bovina começaram 2026 com uma forte melhora, tanto em volume quanto em receita, informou o jornal Clarin.

Em janeiro foram embarcadas 52,4 mil toneladas de carne refrigerada e congelada, totalizando US$ 332,9 milhões, de acordo com o relatório divulgado pelo Consórcio de Exportadores de Carnes Argentinas (Consórcio ABC). Embora, em relação a dezembro, os embarques tenham recuado 8,2% em volume e 2,2% em valor, a comparação com janeiro de 2025 mostra um salto significativo: os volumes cresceram 12,2% e o valor obtido disparou 44,2%. “O acumulado dos últimos 12 meses, de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026, revela que as vendas ao exterior ficaram próximas de 719,4 mil toneladas, por aproximadamente US$ 3.989,1 milhões”, afirmou Mario Ravettino, presidente do Consórcio ABC. Segundo reportagem do Clarín, o resultado de janeiro reflete não apenas uma maior colocação de produto no exterior, mas também uma melhora substancial nos preços. Em janeiro de 2026, informa o jornal argentino, o valor médio de exportação alcançou US$ 6.351 por tonelada, 6,5% acima de dezembro e 28,6% superior ao de janeiro de 2025, quando se situava em US$ 4.940/tonelada. Quanto aos destinos, a China voltou a se consolidar como principal compradora, com 57,4% dos volumes exportados em janeiro. Foram enviadas ao mercado chinês 12,7 mil toneladas de carne com osso e ossos bovinos por US$ 27,9 milhões, e 17,3 mil toneladas de carne desossada por US$ 90,5 milhões, relatou o Clarín.  O preço médio da carne sem osso destinada ao gigante asiático ficou em torno de US$ 5.220 por tonelada, ainda abaixo do pico de US$ 5.900 registrado em maio de 2022, mas em clara recuperação em relação aos valores do ano passado.

CLARÍN 

FRANGOS & SUÍNOS

Caso de gripe aviária confirmado em uma granja comercial e a Argentina suspende novamente exportações

O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa) confirmou um novo surto de gripe aviária em uma granja comercial e procedeu ao fechamento temporário das exportações de produtos avícolas.

O caso recente de influenza aviária altamente patogênica (IAAP) H5 em aves domésticas – reprodutoras de grande porte – ocorreu na cidade de Ranchos, em Buenos Aires. Após notificação à agência sobre sinais clínicos compatíveis com a doença e a alta taxa de mortalidade de aves na referida granja, veterinários oficiais coletaram as amostras e as enviaram ao Laboratório Oficial Senasa em Martínez, que confirmou o resultado de AIAP H5. Para conter o vírus, a agência acionou rapidamente seu plano de contingência, com o fechamento imediato do estabelecimento. Em conformidade com o protocolo de saúde, foi estabelecida uma Zona de Controle Sanitário, constituída por uma zona perifocal de 3 km ao redor do surto, onde as medidas sanitárias de contenção, biossegurança e restrição de circulação foram intensificadas; e outra área de vigilância de 7 km ao redor da zona perifocal, onde foram realizadas tarefas de monitoramento, controle e rastreamento epidemiológico, detalhou o Senasa. Posteriormente, entre as ações sanitárias contempladas no plano, os agentes do órgão público supervisionarão o abate e a destinação final das aves, com a subsequente aplicação de medidas de higiene e desinfecção nas instalações. À luz da descoberta, a agência informará oficialmente a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e as exportações de produtos avícolas para países com os quais possui um acordo sanitário de isenção da doença serão temporariamente suspensas. No entanto, esclareceram: “Com base nos resultados alcançados nos últimos meses, a Argentina poderá continuar negociando com os Estados que reconhecem a estratégia de zoneamento e compartimentos livres da IAAP ”. Caso não ocorram novos surtos em estabelecimentos comerciais e tenham decorrido pelo menos 28 dias desde o abate, limpeza e desinfecção no local do surto, a Argentina poderá declarar-se livre da doença perante a OMSA e restabelecer seu status sanitário, permitindo a reativação das exportações de aves, indicou o Senasa. Por outro lado, a produção destinada ao mercado interno continuará a desenvolver-se normalmente, dado que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne ou ovos de aves.

CLARIN

Uruguai declara emergência sanitária por gripe aviária

Caso da doença no país foi detectado em aves silvestres. Gripe aviária foi detectada em cisnes no Uruguai

O governo do Uruguai declarou emergência sanitária por causa de ocorrências de gripe aviária nas regiões de Maldonado, Rocha e Canelones. A cepa do vírus, de alto potencial transmissivo, foi detectada em aves silvestres. Em comunicado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca informou que a medida permite adotar ações emergenciais de prevenção e controle da doença. E orienta reforço das iniciativas de biosseguridade nas granjas, evitar contato com aves mortas e entrar em contato com autoridades tão logo encontre um caso suspeito. Entre as ações do governo previstas no protocolo de emergência, estão a restrição de movimento de aves por todo o território nacional, alojamento de aves criadas em sistemas livres e suspender feiras e outros eventos ligados à avicultura. Como o caso de gripe aviária no Uruguai ocorreu em aves silvestres, não há restrições de atividades comerciais da avicultura do país. Situação diferente da Argentina, onde o governo confirmou a ocorrência em granjas comerciais, o que já causou suspensão de exportações.

GLOBO RURAL

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