CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2640 DE 28 DE JANEIRO DE 2026

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Ano 11 | nº 2640 | 28 de janeiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotação estável em São Paulo

As negociações iniciaram esta terça-feira em linha com o observado no dia anterior, com negócios ocorrendo em ritmo lento e compassado. A menor oferta de boiadas continuou, e não houve informações de concessões dos vendedores em negociações abaixo das referências.

Com isso, na terça-feira (27/1), pelos dados da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 319/@ na praça paulista, enquanto o “boi-China”, a vaca gorda e a novilha terminada são negociados por R$ 323/@, R$ 302/@ e R$ 312/@, respectivamente (preços brutos, no prazo). As negociações iniciaram a terça-feira em linha com o observado no dia anterior, com negócios ocorrendo em ritmo lento e compassado. A menor oferta de boiadas continuou, e não houve informações de concessões dos vendedores em negociações abaixo das referências. Por outro lado, a ponta compradora também atuou com firmeza, não estendeu as escalas, mas também não permitiu que elas encurtassem, e o arrefecimento do consumo interno favoreceu essa postura. Em contrapartida, os frigoríficos exportadores estiveram mais ativos e, pontualmente, pagaram acima das referências, contribuindo para a sustentação do mercado. Dessa forma, as cotações não mudaram na comparação feita dia a dia. As escalas de abate atenderam, em média, a seis dias. A expectativa é de que, em fevereiro, o consumo doméstico melhore e contribua para “destravar” o mercado. Diante desse cenário, não se descartavam altas pontuais nas cotações, antecipando esse movimento. No Acre, com a oferta equilibrada em relação à demanda, os preços permaneceram estáveis na comparação feita dia a dia. Com isso, foram cinco dias de estabilidade para a cotação do boi gordo e nove dias para a cotação das fêmeas. Na exportação de carne bovina in natura, até a quarta semana de janeiro, o volume exportado foi de 183,8 mil toneladas. Com apenas 16 dias úteis, janeiro de 2026 foi o melhor janeiro da série histórica, superando janeiro de 2024 — até então o recordista, quando foram exportadas 181,6 mil toneladas. A média diária de embarque foi de 11,5 mil toneladas, representando aumento de 40,1% frente ao embarcado por dia em janeiro de 2025. A cotação média da tonelada ficou em US$5,6 mil, uma alta de 10,9% na comparação com o mesmo período de 2025. Este também foi o melhor janeiro em termos de preço por tonelada de carne, até o momento.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi gordo estreia semana em alta

Atual posicionamento das escalas de abate e bom ritmo das exportações justificam a elevação dos preços

O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com negócios acima da referência média, em um ambiente propício a novas altas no curtíssimo prazo. Segundo o consultor de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, esse cenário ocorre em linha com o atual posicionamento das escalas de abate, somado ao bom ritmo de embarques neste momento. “A situação das escalas de abate é mais complicada para os frigoríficos de menor porte, que têm atuado de maneira mais contundente. Mercado interno começa a perder força em meio à fragilidade da demanda, que segue priorizando o consumo de proteínas mais acessíveis”, aponta. Cotações médias do boi gordo: São Paulo: R$ 323,17 — na sexta passada: R$ 322,00. Goiás: R$ 308,39 — R$ 308,04. Minas Gerais: R$ 310,29 — R$ 308,24. Mato Grosso do Sul: R$ 308,30 — R$ 307,95. Mato Grosso: R$ 300,27 — R$ 299,35. O mercado atacadista ainda se depara com preços acomodados no decorrer da segunda feira. Segundo Iglesias, a expectativa ainda é de queda das cotações no curtíssimo prazo. Isso porque a população ainda priorizando o consumo de proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango, dos ovos e dos embutidos. “As despesas tradicionais inerentes ao período também pesam sobre esse tipo de decisão, como o IPTU, IPVA, além da compra de material escolar. Vale destacar que as proteínas concorrentes também ganharam competitividade em relação a carne bovina”, analisa. Quarto traseiro: segue a R$ 26,00 por quilo; Quarto dianteiro: ainda é cotado a R$ 18,00 por quilo; Ponta de agulha: segue a R$ 17,50 Em relação à demanda externa, as exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,024 bilhão em janeiro até o momento (16 dias úteis), com média diária de US$ 64,057 milhões.

SAFRAS NEWS

Mercado futuro do boi gordo opera em clima de otimismo e entrega ágio de quase R$ 10/@

Os contratos com vencimento em março/26 e abril/26 fecharam a sessão da B3 da última semana cotados em 327,75/@ e R$ 327,85/@, respectivamente

Na sessão da segunda-feira (26/1) da B3, os contratos do boi gordo fecharam com alta, repetindo o desempenho da semana anterior. O papel com vencimento em março/26, por exemplo, subiu 0,40% no comparativo diário, negociado a R$ 329,05/@. Segundo os dados analisados pela Agrifatto, na sexta-feira (23/1), o indicador Datagro apresentou movimentação moderada, encerrando a semana em alta de 0,55%, para R$ 319,05.  Na mesma sexta-feira, os contratos de janeiro/26, fevereiro/26, março/26 e abril/26 encerram cotados em R$ 321,90/@, R$ 327,65/@, R$ 327,75/@ e R$ 327,85/@, respectivamente, com valorização semanal de 1,18%, 3,13%, 2,79% e 2,65%, reforçando a percepção de um mercado sustentado no curto e médio prazo. O ágio entre o mercado físico e futuro bateu quase R$ 9/@ para os contratos a partir de fevereiro/26. Na avaliação da Agrifatto, três fatores principais são responsáveis pelo bom momento dos contratos do boi negociados na bolsa paulista. “Há sinalização que reforça a percepção de continuidade da forte demanda externa pela carne brasileira, dando sustentação às expectativas positivas para os preços ao longo do próximo ano”, observa a Agrifatto. Na terceira semana de janeiro/26, as exportações brasileiras de carne bovina in natura ganharam ritmo, com avanço no volume embarcado, que somou 57,53 mil toneladas, superando o mesmo período do ano anterior em 88,09%. Além disso, o mercado também reagiu à oferta limitada de boi gordo neste período do ano. “As escalas de abate dos frigoríficos brasileiros seguem encurtadas, e a disponibilidade restrita de animais terminados tem reduzido a pressão vendedora, contribuindo para a manutenção dos preços futuros em níveis elevados”, afirma a consultoria. Um outro fator que contribuiu para o viés altista na B3 foi a estabilidade observada no mercado atacadista. Na última semana, o volume total de contratos futuros do boi gordo em aberto na B3 avançou para 35.864 posições, o que representa um crescimento de 8,09% em relação à sexta-feira anterior. A exceção foi o contrato de janeiro, que apresentou movimento predominante de realização de lucros. “Nos demais vencimentos, o fluxo foi majoritariamente comprador, com entrada consistente de novas posições compradas e rompimento de níveis de resistência”, diz a consultoria.

PORTAL DBO

Exportação de carne Angus certificada cresceu 260% e bateu recordes em 2025

Foram embarcadas 11,28 mil toneladas; dados foram apresentados nesta segunda-feira, em Porto Alegre. Cortes certificados exportados chegaram a valer US$ 8.505 a tonelada

O avanço brasileiro no segmento de carnes gourmet fez com que, em 2025, a raça Angus batesse recordes de produção e exportação de carne certificada. No ano passado, foram exportadas 11,28 mil toneladas, não apenas um aumento de 260% em relação a 2024, mas também um volume que supera as 10.993 toneladas que haviam sido embarcadas entre 2015 e 2023. Os dados foram apresentados pelo Programa Carne Angus Certificada nesta terça-feira (27/1), em Porto Alegre. Além do volume, o faturamento estimado pelas vendas externas aumentou cerca de 380% no ano passado, passando de US$ 19,5 milhões em 2024 para R$ 93,5 milhões em 2025. Segundo dados da Associação Brasileira de Angus, os cortes certificados exportados chegaram a valer US$ 8.505 a tonelada, 53,5% a mais do que o valor obtido pela carne padrão exportação (US$ 5,539/t), e 27,2% maior do que a média obtida em 2024 pelo produto Angus certificado (US$ 6.687/t). As vendas abrangem 35 países. O maior mercado foi a China, com 53% dos embarques, seguida de Israel (24%), e México (4%). “Tivemos uma demanda impressionante em 2025, e esperamos repetir esse desempenho em 2026”, afirma Wilson Brochmann, diretor do Programa Carne Certificada Angus. “Esperamos a abertura do mercado do Japão, o que deve gerar uma forte demanda por carne de qualidade superior”, comenta. O resultado recorde do Angus brasileiro no exterior deve-se, principalmente, às dificuldades de abastecimento enfrentadas por concorrentes brasileiros. “Os países que compram carne de qualidade estão desabastecidos. Isso ocorre porque fornecedores tradicionais, como Austrália e Estados Unidos, sofreram grandes reduções de rebanhos. E só o Brasil tem capacidade para atender essa demanda de qualidade com oferta abundante”, destaca Maychel Borges, gerente nacional do Programa Carne Angus. Para impulsionar a exportação crescente, a produção de carcaças Angus certificadas também aumentou no ano passado. O abate somou 612 mil animais, um recorde nos 23 anos de funcionamento do programa, que começou em 2003, o mais antigo em certificação de carne bovina no Brasil. O volume de bovinos abatidos no ano passado, que foi 20% maior do que em 2024, gerou 53 mil toneladas de cortes certificados, dos quais 78,7% foram destinados para o mercado brasileiro e 21,3% para exportação. O programa é desenvolvido em 60 frigoríficos de 30 empresas parceiras, localizados em 13 Estados.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar fecha no menor valor desde maio de 2024 com influência externa e fluxo para a bolsa

O dólar fechou a terça-feira em forte baixa no Brasil, se reaproximando dos R$5,20, novamente sob influência da queda da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior e da busca de estrangeiros por ativos brasileiros, em especial ações da bolsa.

O dólar à vista fechou o dia com recuo de 1,38%, aos R$5,2074, no menor valor de fechamento desde os R$5,1539 de 28 de maio de 2024. No ano, a divisa acumula baixa de 5,13%. Às 17h12, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 1,48% na B3, aos R$5,2100. Já no início da sessão o dólar exibia perdas ante a maior parte das divisas globais, incluindo o iene, o euro e pares do real como o peso chileno e o peso mexicano. O câmbio no Brasil pegou carona nesta tendência e o dólar engatou baixas ante o real, em movimento intensificado após a abertura da bolsa de ações, às 10h. Com o Ibovespa renovando máximas históricas, superando os 183 mil pontos, o dólar despencou ante o real, com profissionais citando a influência dos estrangeiros no movimento. “A queda do dólar hoje é uma combinação de maior apetite a risco no exterior e uma rotação global (de investimentos), para fora dos EUA. O Ibovespa está subindo mais de 2%, o que aponta para muito capital entrando no país”, comentou à tarde João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos. Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira tem sido apontado como um dos motivos para a baixa do dólar ante o real. No início da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia para a inflação oficial, subiu 0,20% em janeiro, desacelerando ante a taxa de 0,25% de dezembro. No acumulado de 12 meses, no entanto, a taxa foi para 4,50% em janeiro, ante 4,41% em dezembro. Os resultados ficaram em linha com as projeções de economistas ouvidos pela Reuters, que esperavam taxas de 0,21% em janeiro e 4,51% em 12 meses. Ainda assim, o mercado seguiu projetando manutenção da taxa básica Selic em 15% na decisão da quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

REUTERS

Ibovespa renova recorde e fecha acima dos 182 mil pontos com estrangeiros e IPCA-15

O Ibovespa encerrou a terça-feira em forte alta, atingindo novos recordes intradia e de fechamento, acima dos 182 mil pontos, em meio a continuidade de fluxos de investidores estrangeiros para a bolsa e após dados do IPCA-15 mostrarem uma desaceleração da alta de preços em janeiro.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 2,02%, a 182.325,08 pontos. O volume financeiro somava R$31,60 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

IPCA-15 sobe 0,20% em janeiro

A gasolina foi a principal influência para a alta do IPCA-15 em janeiro. O maior impacto negativo foi da energia elétrica residencial

Prévia da inflação oficial no país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) subiu 0,20% em janeiro, após alta de 0,25% em dezembro de 2025, informou na terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa ficou acima dos 0,11% de janeiro do ano passado, mas abaixo dos 0,31% de janeiro de 2024. O resultado de janeiro ficou abaixo da mediana das 24 projeções de analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo VALOR DATA, que estimavam alta de 0,23%. O intervalo das estimativas era de alta de 0,17% a 0,36%. No resultado acumulado em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 4,50% em janeiro, ante 4,41% da variação registrada até dezembro, também em 12 meses. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do VALOR DATA, que era de 4,52%, com intervalo entre 4,45% e 5,35%. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central para 2026 é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima. A gasolina foi a principal influência para a alta do IPCA-15 em janeiro, com variação de 1,01% e impacto de 0,05 ponto percentual. O maior impacto negativo foi da energia elétrica residencial, que caiu 2,91%, com impacto negativo de 0,12 ponto percentual. Das nove classes de despesas usadas no cálculo, cinco tiveram aceleração na passagem entre dezembro de 2025 para janeiro desse ano: Alimentação e Bebidas, que passou de 0,13% em dezembro para 0,31% este mês; Artigos de Residência, de -0,64% em dezembro para +0,43% em janeiro; Saúde e Cuidados Pessoais, de -0,01% para +0,81%; Educação, de 0% para 0,05%; e Comunicação, de 0,01% para 0,73%. Por outro lado, quatro grupos registraram desaceleração da alta de preços. Habitação passou de +0,17% para -0,26%; Vestuário, de 0,69% para 0,28%; Transportes, de +0,69% para -0,13%; e Despesas Pessoais, de 0,46% para 0,28%. Individualmente, o IBGE destacou a queda de 8,92% das passagens aéreas, além do recuo de 2,91% da energia elétrica residencial. Os itens contribuíram para os recuos dos grupos de Transportes e Habitação, respectivamente. Em janeiro, a inflação se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA-15. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, subiu de 54,5% em dezembro para 63,5% em janeiro, segundo cálculos do VALOR DATA considerando todos os itens da cesta.

VALOR ECONÔMICO

Governo central deve ter superávit de R$ 12,6 bi em dezembro, apontam projeções do Ipea

Dados têm como base informações da execução orçamentária registradas no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi)

As contas do governo central, que reúnem Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, devem registrar superávit primário de R$ 12,6 bilhões em dezembro, segundo estimativas divulgadas, na terça-feira (27), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O resultado corresponde à diferença entre receitas e despesas, excluídas as despesas com a dívida pública. Os dados têm como base informações da execução orçamentária registradas no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). O Resultado do Tesouro Nacional (RTN) referente a dezembro e ao ano de 2025 deve ser divulgado nesta quinta-feira (29). Já o acumulado do ano deve apresentar déficit primário de R$ 70,1 bilhões. O saldo negativo é superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando o déficit havia sido de R$ 45,8 bilhões. Segundo o Ipea, a receita líquida do governo central alcançou, no último mês do ano passado, R$ 240,2 bilhões, ante os R$ 246,3 bilhões observados em dezembro de 2024, representando uma queda real de 2,5%. As despesas totalizaram R$ 227,6 bilhões, ante R$ 221,1 bilhões em igual mês de 2024, um crescimento real de 2,9%. Ainda segundo o estudo, as receitas sob gestão da Receita Federal do Brasil (RFB) registraram aumento real de R$ 14,2 bilhões (8,8%) em relação a igual período de comparação. O resultado é atribuído, em grande medida, ao aumento real na arrecadação de diversos tributos, com destaque para a elevação de 7,4% no Imposto de Renda, 27,2% no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e 12,4% na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A arrecadação líquida do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) também apresentou alta real, conforme o Instituto, de R$ 3,1 bilhões (3,6%), enquanto as receitas não geridas pela RFB tiveram redução real de R$ 17,2 bilhões (-30,5%). Quanto às despesas, o aumento observado em dezembro foi de R$ 6,4 bilhões em termos reais, impulsionado principalmente pelos gastos com benefícios previdenciários, pessoal e despesas discricionárias do Poder Executivo. No acumulado de 2025, a despesa total cresceu R$ 78,6 bilhões (3,3%), refletindo, entre outros fatores, a expansão dos gastos previdenciários, da complementação ao Fundeb, dos benefícios assistenciais e dos pagamentos de precatórios.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

Relatório dos EUA aponta oferta de gado ainda restrita e pouca retenção de novilhas em 2026

O mercado pecuário dos Estados Unidos deve continuar operando com oferta apertada de bovinos ao longo de 2026, segundo o mais recente relatório Cattle on Feed, divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).

Os dados indicam estoques reduzidos nos confinamentos e sinais de que a recomposição do rebanho ainda acontece de forma lenta e limitada. De acordo com o levantamento, em 1º de janeiro de 2026 havia 11,45 milhões de cabeças em confinamento nos Estados Unidos, uma queda superior a 3% em relação ao mesmo período de 2025. O relatório considera apenas feedlots com capacidade acima de mil animais, que representam mais de 80% de todo o gado confinado no país. A combinação entre baixo estoque interno de bovinos e a proibição das importações de gado vivo do México continua sendo o principal fator por trás da restrição de oferta. Desde o segundo semestre de 2024, o volume de animais em confinamento vem ficando abaixo dos níveis do ano anterior, e o dado de janeiro representa a maior queda anual observada nesse período. Outro ponto de destaque foi o número de animais colocados em confinamento (placements). Em dezembro de 2025, as entradas caíram mais de 5% em relação a dezembro de 2024, reforçando a percepção de que a base de reposição segue limitada. Por outro lado, o volume de animais abatidos (marketings) em dezembro cresceu 1,7% na comparação anual, sinalizando que, mesmo com menos oferta, os frigoríficos seguem operando próximos da capacidade. O relatório também mostra uma mudança geográfica relevante. Nebraska se mantém como o estado com maior número de bovinos em confinamento, enquanto o Texas aparece na segunda posição. Essa inversão ocorreu justamente em função da interrupção das importações de gado mexicano, que tradicionalmente abasteciam fortemente os confinamentos do sul dos EUA. Um dos indicadores mais observados pelo mercado é a proporção de novilhas no confinamento, já que esse dado sinaliza o ritmo de retenção para recomposição do rebanho. Em janeiro de 2026, as novilhas representavam 38,7% do total de animais confinados, percentual praticamente estável em relação a janeiro do ano anterior e apenas 0,6 ponto acima do nível de outubro. Na prática, isso indica que a retenção de fêmeas ainda é baixa, o que limita uma expansão mais acelerada do rebanho de corte nos próximos anos. O relatório lembra ainda que, ao longo de 2025, o abate de vacas de corte caiu em mais de 500 mil cabeças, o que abre espaço para uma leve recuperação no número total de matrizes. Mesmo assim, os analistas avaliam que o ciclo de expansão será mais lento do que em períodos anteriores da pecuária americana. Para o mercado internacional de carne bovina, esse cenário reforça a tendência de oferta restrita nos Estados Unidos, o maior consumidor mundial de carne bovina. Com produção limitada e demanda firme, os EUA tendem a seguir mais dependentes de importações e menos agressivos nas exportações. Na prática, isso sustenta preços elevados no mercado global e cria oportunidades para países exportadores como Brasil, Austrália e Uruguai, que disputam espaço principalmente em mercados como China, Japão e Coreia do Sul. O relatório do USDA, portanto, confirma o que muitos analistas já vinham sinalizando: a recomposição do rebanho americano será gradual, e a escassez de gado deve continuar sendo um fator estrutural do mercado de carne nos próximos anos.

DROVERS

Exportações de carne bovina da Argentina atingem US$ 3,8 bilhões em 2025

Em 2025, as exportações de carne bovina da Argentina alcançaram receita de US$ 3,81 bilhões, 28,1% acima do registrado em 2024, com a China representando quase 70% do volume total, informou o Instituto Argentino de Promoção da Carne Bovina (IPCVA).

Em volume, a Argentina exportou 704 mil toneladas no ano passado, 7,2% a menos do que em 2024. Desse montante, a China comprou 490,5 mil toneladas de carne bovina da Argentina em 2025, 12% abaixo do resultado do ano anterior e exatos 69,7% do total embarcado pelo país vizinho. No caso do Brasil, o mercado chinês respondeu por 48% dos embarques totais (de 3,5 milhões de toneladas) em 2025, comprando 1,68 milhão de toneladas, um recorde e avanço de 25% sobre 2024. O relatório do IPCVA destaca uma diversificação parcial dos destinos da carne bovina argentina, com crescimento das remessas para outros mercados. Israel consolidou sua posição em 2025 como o segundo destino mais importante em termos de volume, com 49.200 toneladas, o equivalente a 7% do total das remessas totais. Os Estados Unidos também apresentaram um desempenho sólido, com um aumento de quase 8.800 toneladas em 2025, acompanhado por avanços em outros destinos, como Holanda, Alemanha e Canadá. Em contrapartida, México e Chile registraram uma contração, representando, na soma dos dois países, uma queda anual de 9.000 toneladas.

IPCVA

Amsterdã proíbe publicidade de carne bovina

Amsterdã, a capital de um dos maiores países exportadores de carne bovina da Europa, votou pela proibição da publicidade de carne bovina, colocando a proteína no mesmo patamar da indústria de combustíveis fósseis em sua tentativa de combater as mudanças climáticas.

A informação é do portal australiano Beef Central. O conselho municipal de Amsterdã votou recentemente para proibir a publicidade de carne, embora os comerciantes ainda estejam autorizados a anunciar esses produtos dentro de suas lojas. Segundo a reportagem da Beef Central, “enquanto Amsterdã proíbe a publicidade de carne, a Europa torna-se cada vez mais dependente de importações, à medida que a produção local diminui e os preços sobem nas prateleiras dos supermercados”.  A Holanda é, tradicionalmente, um dos maiores exportadores de carne bovina da Europa (ao lado da Irlanda), mas têm registrado o declínio mais acentuado na produção nos últimos anos. No acumulado de janeiro a setembro, as importações totais de carne bovina fresca/congelada da UE aumentaram 15% em relação ao ano anterior, alcançando 223.900 toneladas. O Reino Unido manteve-se como o maior fornecedor ao bloco, exportando 69.500 toneladas no período (queda de 1% em relação ao ano anterior). A maior parte do crescimento das importações de carne bovina da UE neste ano veio da América do Sul. O Brasil, relatou a Beef Central, aumentou os volumes em 26% (11.100 toneladas), enquanto Argentina e Uruguai registaram avanços de 21% (7.700 toneladas) e 32% (7.900 toneladas), respetivamente.

BEEF CENTRAL

FRANGOS & SUÍNOS

Nova plataforma integra vigilância sanitária e análise de risco de doenças suínas

A plataforma integra e analisa dados sanitários de granjas de todo o País para apoiar a tomada de decisão e fortalecer a vigilância epidemiológica.

A Embrapa Suínos e Aves (SC) disponibiliza nesta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma plataforma estratégica que integra e analisa dados sanitários de granjas de todo o País para apoiar a tomada de decisão, fortalecer a vigilância epidemiológica, biosseguridade, controle de doenças e ampliar a sustentabilidade da suinocultura brasileira. De grande relevância no cenário mundial, a suinocultura se destaca pelos elevados padrões sanitários, pela produtividade e pelo compromisso com a sustentabilidade. Diante do desafio do monitoramento contínuo desses parâmetros, a Embrapa e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se uniram para estruturar a ferramenta, que agrega dados sanitários estratégicos para a cadeia produtiva, a partir de parcerias com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs). Santa Catarina, estado que abriga a Unidade da Embrapa, é o maior produtor e exportador de suínos do Brasil. Em 2024, alcançou um recorde histórico, com 17,97 milhões de suínos abatidos, reforçando a importância de ações estruturadas para a sanidade dos rebanhos. Entre os principais desafios estão as Doenças do Complexo Respiratórios Suíno (PRDC), responsáveis por perdas significativas devido à redução de ganho de peso, condenação de carcaças, aumento da mortalidade e maior uso de antibióticos. O PRDC é uma enfermidade multifatorial, resultante da interação entre fatores não infecciosos e patógenos virais e bacterianos, como o vírus da influenza suína, o vírus da síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos (PRRSV), o circovírus suíno tipo 2 (PCV2), Mycoplasma hyopneumoniae e outros agentes bacterianos. “Como o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carne suína, manter a saúde dos rebanhos é essencial”, afirma a pesquisadora Janice Zanella, líder da pesquisa. E conhecer e entender os dados e informações sanitárias, realizando análises preditivas e retrospectivas é parte da estratégia, o que torna a CISS um instrumento inovador. A Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS) também materializa o conceito de Saúde Única ao integrar saúde animal, saúde humana e proteção ambiental. “Animais saudáveis reduzem o uso de antibióticos, a mortalidade, o impacto ambiental e, consequentemente, geram alimentos mais seguros”, destaca Zanella. Da mesma forma, o monitoramento de agentes zoonóticos, principalmente vírus emergentes, visa identificar precocemente a circulação de patógenos na interface humano–animal–ambiente, antecipar riscos de surtos e epidemias, orientar medidas de prevenção e controle, e proteger a saúde pública, a produção animal e a segurança ambiental dentro da abordagem de Saúde Única. Na prática, a Embrapa atua por meio da CISS em parceria com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs), que fornecem dados provenientes de milhares de amostras coletadas em granjas de todo o País. Essa cooperação é um pilar estratégico para o funcionamento da plataforma, pois possibilita a consolidação estruturada de resultados de diagnósticos laboratoriais, como testes de PCR, análises patológicas e outros exames de rotina relacionados a doenças endêmicas da suinocultura. Com isso, forma-se um banco de dados amplo e representativo da situação sanitária dos rebanhos suínos brasileiros. A integração contínua dessas informações permite identificar e acompanhar mudanças nos padrões sanitários ao longo do tempo, considerando variáveis como faixa etária, unidades da federação, tipo de amostra analisada, natureza do problema sanitário e sistema de produção. Inspirada no modelo do Swine Disease Reporting System (SDRS), da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, a CISS oferece análises dinâmicas e atualizadas para diferentes atores do setor.

EMBRAPA SUÍNOS E AVES

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