
Ano 11 | nº 2638 | 26 de janeiro de 2026
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Após crescimento, carne bovina deve enfrentar ‘teste sutil’ em 2026, segundo frigoríficos
Ambiente comercial é marcado por disputas geopolíticas e medidas de salvaguarda adotadas pela China. Produto alcançou 177 destinos no ano passado
Em seu primeiro boletim de exportações de carne bovina, no qual destaca o volume recorde embarcado pelo setor em 2025, a Associação Brasileira de Frigoríficos ressaltou que o ano de 2026 marcará o início de um período de consolidação para o mercado de carne bovina. “Após dois anos de crescimento vertiginoso, o setor de carne bovina brasileiro enfrenta um teste sutil. Para a Abrafrigo, a rápida expansão provavelmente dará lugar à consolidação, com a abertura e o avanço gradual em novos mercados tecnicamente complexos, como Japão e Coreia do Sul, além da efetiva conquista do Vietnã, aberto em 2025”, afirmou a Associação.
Na avaliação da Abrafrigo, a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia terá seu potencial de ganhos limitado pelas regras de salvaguarda impostas pelo bloco europeu, consideradas restritivas e capazes de reduzir o impacto comercial do acordo para o setor. A Abrafrigo destaca ainda um ambiente comercial de disputas geopolíticas, o risco de intensificação de guerras comerciais e tarifárias e as medidas de salvaguarda adotadas pela China, que limitam as importações de carne bovina brasileira livres de tarifa extraquota de 55% a 1,1 milhão de toneladas, fatores que podem impactar o ritmo de expansão das exportações. “A viabilização de novos mercados terá papel fundamental para a manutenção do forte protagonismo conquistado pela carne bovina brasileira no mercado mundial”, concluiu a Associação em nota. As exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde em 2025, considerando carnes in natura, industrializadas, miudezas comestíveis e outros subprodutos. Os embarques somaram 3,853 milhões de toneladas, alta de 20,7% em relação a 2024, enquanto a receita avançou cerca de 40%, alcançando US$ 18,365 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Abrafrigo. A carne bovina in natura respondeu por aproximadamente 90% do valor exportado pelo setor em 2025, com faturamento de US$ 16,59 bilhões, crescimento de 42,3% na comparação anual, e volume de 3,083 milhões de toneladas, avanço de 21,12%. Ao longo do ano, os embarques registraram sucessivos recordes mensais, refletindo aumento de volume combinado com valorização dos preços médios. As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 177 destinos em 2025. A China manteve-se como principal mercado, concentrando 48,2% da receita total do setor, com US$ 8,845 bilhões, avanço de 47,75% frente a 2024. Considerando apenas a carne bovina in natura, a participação chinesa superou 53% tanto em valor quanto em volume. Os Estados Unidos foram o segundo maior destino, com 11,24% de participação e receita de US$ 2,064 bilhões, crescimento de 25,9% em relação ao ano anterior, mesmo com a incidência de tarifas adicionais entre agosto e outubro de 2025. União Europeia, Chile, México, Rússia, Filipinas, Egito, Hong Kong e Arábia Saudita completam a lista dos principais compradores. A União Europeia apresentou um dos desempenhos mais expressivos do ano, com aumento de 76,5% na receita, que atingiu US$ 1,049 bilhão, e crescimento de 57% no volume exportado, totalizando 128 mil toneladas.
Publicado em: VALOR ECONÔMICO/CANAL RURAL/COMPRE RURAL/GLOBO RURAL/NOTÍCIAS AGRÍCOLAS/AGROLINK/VGN AGRO/PODER 360/REVISTA TOTAL BRASIL/METRÓPOLES/DÁRIO INDÚSTRIA & COMÉRCIO/JORNAL DE ALAGOAS/AGROMAIS/RADMARK/FOLHA DE LONDRINA
NOTÍCIAS
Preço do boi gordo encerra a semana em alta em São Paulo
Com menos bovinos disponíveis, vendedores ganharam poder de negociação
Após uma semana “morosa”, com as cotações estáveis, o mercado pecuário terminou esta sexta-feira (23/1) com alta de R$ 1 nos preços do boi gordo e do “boi China” no Estado de São Paulo, que passaram para R$ 319 e R$ 323 a arroba, respectivamente, informou a Scot Consultoria. Para as fêmeas, a cotação ficou estável na comparação dia a dia. A alta foi sustentada pela oferta mais curta de boiadas. Com menos bovinos disponíveis, a ponta vendedora ganhou poder de negociação. Do lado da comercialização de carne bovina, o escoamento melhorou e sustentou a demanda em parte dos frigoríficos. Além disso, o desempenho da exportação de carne bovina esteve positivo, o que também contribuiu para a demanda por bovinos. Além das duas praças paulistas (Barretos e Araçatuba), a Scot também registrou altas de preços para o boi gordo em Marabá (PA), Paragominas (PA) e no oeste do Marabá. Em todas as demais regiões, houve estabilidade nas cotações na sexta-feira. Segundo Juliana Pila, analista da Scot, ao contrário dos primeiros dias de janeiro, quando o mercado estava mais pressionado, esta semana teve uma firmeza maior nas cotações. “Existem fatores dando suporte para os vendedores exigirem um pouco mais nas negociações. O pecuarista está com uma passagem boa nas maiores regiões pecuárias, o que ajuda a manter os animais no campo. Além disso, houve uma melhora nos preços do mercado futuro”, explicou. Em relação aos confinamentos, pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a DSM-Tortuga, informa que a rentabilidade segue positiva para o pecuarista na maior parte do país. No Paraná, o gado confinado para abate em abril apresenta potencial de rentabilidade em cerca de 10%. Goiás vem na sequência, com estimativa de resultado em cerca de 8%. Para São Paulo e Mato Grosso do Sul, a projeção está por volta de 7%. Já o Rio Grande do Sul e Rondônia apresentam estimativas negativas de rentabilidade, de -1,9% e -3,7%, respectivamente.
GLOBO RURAL
Estabilidade nos preços do boi gordo para a região de Paragominas-PA
Após alta observada no final de 2025, janeiro encerra sua penúltima semana com estabilidade nos preços na região.
Na região, as escalas de abate estão ajustadas em função da oferta. Mesmo assim, a penúltima semana de janeiro foi marcada pela estabilidade nos preços de todas as categorias na comparação semanal. O boi gordo está negociado em R$305,50/@, a vaca em R$280,50/@ e a novilha em R$285,50/@. Todos os preços são a prazo, com desconto do Senar e do Funrural. O diferencial de base do boi gordo está R$7,50/@, ou 2,5% menor na região de Paragominas em comparação a São Paulo. Para o curto prazo, a expectativa para a região é de manutenção dos preços.
SCOT CONSULTORIA
Abate de gado orgânico e sustentável de MS registrou crescimento de 12% em 2025
Volume foi puxado principalmente pelo maior engajamento dos produtores inseridos no programa estadual de incentivo fiscal. Foram abatidas 205,9 mil cabeças durante o ano passado
O abate de bovinos criados com certificação orgânica ou sustentável no Mato Grosso do Sul registrou crescimento de 12% em 2025, para 205,9 mil cabeças, impulsionado pelo maior engajamento dos produtores no programa estadual de incentivo fiscal, segundo Guilherme de Oliveira, diretor executivo da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO). O crescimento fez com que esses abates representassem 5% de todos os animais abatidos no Estado. “Eles [produtores] tiveram uma mudança de rumos dentro da propriedade, com muito descarte de matrizes para renovar a plantel. Isso já começou a aumentar um pouco o volume de abate, enquanto outros produtores fecharam o ciclo completo, aumentando também o volume de machos abatidos”, disse o presidente da ABPO. Atualmente, 115 propriedades em Mato Grosso do Sul recebem incentivo fiscal por cumprirem uma série de requisitos socioambientais. Dentre as principais exigências estão a rastreabilidade, a alimentação dos animais com pastagens nativas do bioma Pantanal, a proibição do uso de antibióticos e outros promotores de crescimento. Segundo a ABPO, houve um aumento de 7,5% dos abates de machos não castrados, para 95,2 mil animais. “É uma mudança de paradigma. Antigamente se trabalhava muito com os animais castrados para dar uma longevidade no período deles a pasto. Isso começou a ser repensado com número muito maior de machos inteiros aproveitando os hormônios naturais do animal para que ele produza mais carne”, afirmou Oliveira. Os produtores enquadrados no programa de incentivo do Mato Grosso do Sul podem receber uma isenção de ICMS que pode chegar a 67% para gado orgânico e 50% para sustentável. Ao todo, R$ 24.744.048,41 foram pagos aos produtores enquadrados no programa. Em 2024, o abate de animais no Estado que recebem esse incentivo fiscal foi de 6,3%. Segundo Oliveira, a ABPO está trabalhando com seus associados para aumentar o cumprimento das exigências socioambientais. Até 2025, era necessário cumprir pelo menos 50% dos critérios de exigibilidade. Para este ano, a previsão é que os pecuaristas sul-mato-grossenses precisem atender a 60% dos critérios. “Esse incentivo do governo do Estado já está pagando a implementação da rastreabilidade”, destaca Oliveira.
GLOBO RURAL
Por que o pênis bovino virou um dos cortes mais valorizados no mercado chinês
No mercado para exportação, produto pode alcançar até US$ 6 mil por tonelada. No mercado interno, o vergalho bovino é usado como petisco para cães e vendido a um preço médio de R$ 21 o quilo
Nada de picanha, maminha ou rabo. Um dos cortes bovinos de maior sucesso no mercado chinês e que tem contribuído para aumentar a receita das exportações do setor para o país é o vergalho, termo usado para designar o pênis bovino. A comercialização, segundo o Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC), contribui para o melhor aproveitamento do animal e para o aumento da rentabilidade ao longo da cadeia produtiva. Segundo o gerente de marketing da SulBeef, Alan Gutierrez, a exportação do subproduto ocorre de forma regular. “A comercialização do vergalho in natura é contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas”, afirma. De acordo com ele, a constância nas vendas indica a existência de um mercado consolidado para esse tipo de item. Se no mercado interno o vergalho bovino é usado como petisco para cães e vendido a um preço médio de R$ 21 o quilo, no mercado externo os valores podem alcançar até US$ 6 mil por tonelada. O produto é exportado in natura e segue protocolos sanitários exigidos pelos países importadores. A demanda é sustentada, sobretudo, por hábitos alimentares de países asiáticos, onde há tradição no consumo integral do animal. Nessas regiões, o vergalho é utilizado em pratos cozidos, ensopados e preparações típicas, sendo valorizado pela textura e pela capacidade de absorver temperos e caldos, assim como outros miúdos e partes menos convencionais para o consumo ocidental. Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, a atuação nesse mercado reforça a competitividade da pecuária estadual. “Mato Grosso tem uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais. A capacidade de acessar diferentes mercados, inclusive para subprodutos, mostra o nível de organização da cadeia produtiva”, afirma. Segundo Andrade, a diversificação de mercados e de produtos reduz riscos e fortalece a economia do setor. “Quando ampliamos o portfólio e atendemos mercados com diferentes perfis de consumo, aumentamos a competitividade da carne produzida em Mato Grosso no cenário global”, conclui.
GLOBO RURAL
Turquia lidera compras de gado em pé do Brasil e impulsiona recorde histórico
As exportações brasileiras avançaram quase 5% em 2025 e atingiram novo patamar histórico, superando 1 milhão de cabeças. Pará manteve a liderança entre os estados exportadores.
O Brasil registrou no último ano um novo recorde nas exportações de bovinos vivos, com embarque de 1,05 milhão de cabeças. Conforme levantamento da Scot consultoria, o volume é 4,8% superior ao de 2024, quando foram exportadas 1,0 milhão de cabeças. O faturamento também acompanhou o avanço dos embarques. No período, as vendas externas de gado vivo somaram US$ 1,0 bilhão — alta de 26,1% em relação ao ano anterior. No ranking dos destinos, houve uma mudança considerável. A Turquia, que em 2024 ocupava a quarta posição dos principais destinos, assumiu a liderança em 2025. O País respondeu por 32,9% do total exportado pelo Brasil. O volume adquirido pelos turcos foi 9,4% superior ao registrado em 2024. Segundo relatório da Scot consultoria, a mudança no topo ocorreu após o recuo do Iraque, que liderava as compras em 2024. Diante da redução de 48,6% no volume importado, os iraquianos caíram para a quarta posição em 2025. Em segundo lugar, ficou o Egito, responsável por 17,7% dos embarques. Em comparação com 2024, quando figurava como o terceiro maior comprador, o crescimento do volume foi de 13,7%. Já o Marrocos ocupou a terceira posição no ranking em 2025, com participação de 17,2% e aquisições quatro vezes maiores do que no ano anterior. Do lado da origem dos embarques, o Pará manteve a liderança entre os estados exportadores, concentrando 56,9% das vendas brasileiras de bovinos vivos. De acordo com a Scot, a participação foi 4,5% maior do que a registrada em 2024, quando o estado tinha embarcado 572,1 mil cabeças. Em segundo lugar aparecem o Rio Grande do Sul e São Paulo, com 24% e 7,6% de participação, respectivamente, nas vendas ao exterior.
ESTADÃO AGRO
Poder de compra de recriadores e invernistas de MT avança em janeiro/26
No comparativo com dez/25, a relação de troca melhorou 1,5% para o garrote, 0,6% para o bezerro de ano e 2,8% para o bezerro de desmama, informou a analista Isabela Stevanatto, da Scot Consultoria
O poder de compra de recriadores e invernistas com propriedades em MT melhorou em janeiro/26, na comparação com o mês anterior, de acordo com apuração da zootecnista Isabela Stevanatto, analista da Scot Consultoria. Segundo ela, a relação de troca ficou favorável para três das quatro categorias de reposição. Na comparação mês a mês, diz ela, a cotação do garrote em Mato Grosso caiu 2,1%, enquanto o bezerro de ano e o bezerro de desmama recuaram 1,2% e 3,4%, respectivamente. A exceção, informa Isabella, ficou para o boi magro, que teve alta de 0,4% nesta parcial de janeiro, em comparação com dezembro/25. Para o boi gordo de MT, a queda foi mais leve, de 0,6%, compara a analista. Com isso, o poder de compra, em relação ao mês anterior, melhorou 1,5% para o garrote, 0,6% para o bezerro de ano e 2,8% para o bezerro de desmama. Por sua vez, para o boi magro de MT, a relação piorou 1%. Dessa forma, em janeiro, foram necessárias 14,9 arrobas de boi gordo mato-grossense para a compra de um boi magro, 12,3 arrobas para o garrote, 11,1 arrobas para o bezerro de ano e 9,6 arrobas para o bezerro de desmama.
PORTAL DBO
ECONOMIA
Dólar volta a ser influenciado pelo fluxo estrangeiro e fecha quase estável
O dólar perdeu força ante o real na metade da sessão e fechou a sexta-feira próximo da estabilidade, em mais um dia de alta firme do Ibovespa, com investidores estrangeiros atuando na ponta de compra de ativos brasileiros.
A moeda norte-americana à vista fechou em leve alta de 0,08%, aos R$5,2876. Na semana, a divisa acumulou baixa de 1,59% e, no ano, recuo de 3,67%. Às 17h06, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,05% na B3, aos R$5,2940. Nas duas sessões anteriores o dólar havia recuado ante o real, influenciado pelo fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira e pela diminuição das preocupações relacionadas à Groenlândia, após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar um acordo que garante acesso total do país à ilha. “É novamente o apetite dos investidores ao risco”, justificou à tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos. “Grande parte deste movimento se deve aos estrangeiros investindo em ativos brasileiros”, acrescentou, pontuando que houve de fato nos últimos dias uma melhora do cenário geopolítico. A diminuição das tensões geopolíticas também seguiu permeando os negócios com moedas no exterior, com os agentes atentos ainda à oscilação do iene em relação ao dólar, em meio a especulações de que o Banco do Japão poderá intervir no mercado de câmbio. Em meio ao noticiário envolvendo as fraudes bancárias, o Banco Central publicou nota afirmando que seu diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, “obviamente jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas” do Banco Master pelo BRB. Na manhã da sexta-feira o Banco Central não realizou nenhuma operação no mercado de câmbio. Na noite de quinta, a instituição havia anunciado dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para a próxima segunda-feira, dia 26, no valor total de US$2 bilhões, para rolagem do vencimento de fevereiro. Em nota na véspera, o BC também informou que iniciará a rolagem dos contratos de swap cambial que vencem em 2 de março na próxima quarta-feira, dia 28.
REUTERS
Ibovespa encerra semana com recordes assegurados por fluxo estrangeiro
O Ibovespa encerrou a semana com novos recordes, acima dos 178 mil pontos pela primeira vez, confirmando na sexta-feira a quinta sessão seguida de sinal positivo, embalado por um fluxo de capital externo oriundo de um amplo movimento de rotação de global de portfólios.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 1,86%, a 178.858,54 pontos, chegando a 180.532,28 na máxima do dia – novos recordes para fechamento e intradia, respectivamente. Na mínima, marcou 175.589,66 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$35,96 bilhões, novamente acima da média diária do ano e, principalmente, de 2025. Na semana, o Ibovespa acumulou uma valorização de 8,53%, ampliando o ganho neste começo de ano para 11,01%. A bolsa paulista segue tracionada principalmente por compras de estrangeiros que, apenas neste mês, já registram uma entrada líquida de R$12,35 bilhões na bolsa paulista, segundo dados da B3 até o dia 21. Em todo o ano de 2025, o saldo positivo ficou em aproximadamente R$25,5 bilhões. Nessa semana, além do fluxo estrangeiro, favorecido pela rotação global em direção a emergentes, a equipe de macroeconomia do Santander Brasil, chefiada por Ana Paula Vescovi, atrelou a alta do Ibovespa ao alívio do risco geopolítico, conforme relatório a clientes. A perspectiva entre estrategistas é de que o horizonte segue positivo para as ações brasileiras, dado o cenário macro global favorável e o movimento de realocação de recursos, saindo principalmente, dos Estados Unidos, além da perspectiva de um ciclo de corte de juros no Brasil. Na próxima semana, aliás, decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil devem concentrar as atenções, principalmente os comunicados divulgados ao término das reuniões de ambos os bancos centrais na quarta-feira. Para as taxas em si, as apostas no mercado são de manutenção em ambos os países.
REUTERS
GOVERNO
Frigoríficos pedem ao governo que replique modelo da cota Hilton para carne bovina na China
Indústria teme que falta de organização da distribuição da cota de 1,1 milhão de toneladas provoque desarranjo. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) disse que defende a distribuição da cota chinesa aos moldes da Hilton, com a proporcionalidade de mercado de cada empresa no ano anterior. Número de empresas que embarcaram regularmente à China em 2025 foi de 64
O setor frigorífico brasileiro quer que o governo federal adote com a China a base do modelo utilizado com a União Europeia para a distribuição da cota Hilton, de carne bovina, entre as empresas do setor. Neste formato, o volume total da cota é dividido de forma proporcional para as empresas que exportaram no ano anterior. O “precedente” foi apresentado oficialmente para dar “conforto jurídico” ao Executivo na definição dos mecanismos para controle dos embarques à China, que impôs ao Brasil uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne com tarifa reduzida para 2026. A proposta ainda deverá ser submetida à Câmara de Comércio Exterior (Camex). Porém, autoridades chinesas informaram exportadores argentinos e brasileiros recentemente que esse modelo não funcionará e que a administração da cota será feita na China, com preferência para quem exportar primeiro, sem divisões específicas por frigorífico. Para a indústria brasileira, há base jurídica para distribuir a cota entre as 64 empresas que embarcaram regularmente à China em 2025, de forma proporcional. A proposta teria sido bem aceita pelo governo, mas segue em debate. Outra sugestão sobre a mesa é escalonar as vendas, com o estabelecimento de limites mensais ou trimestrais de embarques, para evitar uma “corrida” para cumprir a cota e consequentes reflexos nos preços internos da arroba do boi e da carne. O tema tem adesão dos frigoríficos, mas há receios na cadeia pecuária dos potenciais efeitos negativos da medida. A cota Hilton foi estabelecida em 1979 pelos europeus para regular a importação de carne bovina desossada de alta qualidade, com cortes nobres como filé mignon e contrafilé. O Brasil ficou com uma cota de 10 mil toneladas, que podem ser enviadas entre julho de um ano e junho do ano seguinte, com tarifa de 20% e garantia de alto valor de compra. Para distribuir essa cota, o governo usa como base o desempenho das exportações das empresas habilitadas para a UE no ano anterior e determina a participação no ano seguinte. A ideia é replicar esse modelo na China. Um especialista na área alertou, porém, que a situação é diferente. A norma da Hilton foi decidida em cooperação com os europeus. “Neste caso, é uma medida unilateral da China, à qual o Brasil terá que reagir”, disse. “O governo está ciente dos impactos. Há vontade política para que seja tomada a decisão, do contrário desestruturará toda a cadeia e terá implicações no Brasil”, afirmou uma fonte a par dos debates. Sem uma regulação estatal, o receio do setor é de um momento de oscilações de preços, de ritmo de compras de bovinos e dos embarques que podem desorganizar a cadeia. Na indústria, o temor é de que um ciclo de desorganização possa levar até cinco anos, se nada for feito agora. Até o momento, o recado do governo chinês nas consultas feitas recentemente por exportadores foi de que a administração dos volumes não ficará a cargo das autoridades dos países fornecedores. A intenção é não limitar a concorrência dos frigoríficos nem reduzir o poder de negociação da China. O acesso ficaria livre para as plantas habilitadas de todos os países. Quando as autoridades chinesas assinalarem que a cota foi preenchida, os parceiros comerciais serão informados sobre a aplicação da tarifa extracota de 55%. A Associação Argentina de Produtores Exportadores (Apea) informou na semana passada que a China rejeitou o modelo da cota Hilton ou da cota de exportação aos Estados Unidos. Os chineses deverão fornecer atualizações constantes sobre o uso das cotas. “O Brasil deveria reagir com algum tipo de controle para evitar a redução do preço internacional. O governo está discutindo isso”, afirmou uma fonte graduada de Brasília. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) disse que defende a distribuição da cota chinesa aos moldes da Hilton, com a proporcionalidade de mercado de cada empresa no ano anterior.
VALOR ECONÔMICO
Peru habilita primeiros estabelecimentos brasileiros para exportação de farinhas bovinas e hemoderivados de bovinos e suínos
País habilita 18 unidades brasileiras e viabiliza o início das exportações em mercado aberto em 2024
O Serviço Nacional de Sanidade Agrária do Peru (Senasa) oficializou, na última semana, a habilitação das primeiras 18 unidades brasileiras para a exportação de farinha de carne e ossos bovina e de hemoderivados de bovinos e suínos. A medida viabiliza o início das operações comerciais nesses segmentos, abertos em maio de 2024, que dependiam da aprovação das plantas industriais para efetivar o acesso ao mercado peruano. As habilitações contemplam: Farinha de carne e ossos bovina: 14 empresas habilitadas; Hemoderivados (bovinos e/ou suínos): 4 empresas autorizadas. Além dessas autorizações, o Senasa também habilitou mais três empresas brasileiras para a exportação de farinhas de aves ao Peru, o que representa um aumento de 21% no número total de estabelecimentos autorizados a fornecer esse produto ao país. Para assegurar a continuidade das exportações, a autoridade sanitária peruana promoveu ainda a renovação das licenças de todos os estabelecimentos que já operavam com farinhas de aves, com validade estendida até dezembro de 2028. A decisão reforça o fluxo comercial de insumos destinados às cadeias produtivas no mercado peruano e amplia as possibilidades de fornecimento brasileiro no âmbito regional.
MAPA
INTERNACIONAL
Salvaguardas e exigências ambientais limitam acesso ao mercado europeu, diz CNA
Medidas restritivas podem anular benefícios tarifários do acordo com Mercosul para carne bovina. Impacto negativo nas vendas de carne bovina pode superar 100 milhões de euros em um ano
As salvaguardas adicionais adotadas pela União Europeia para o comércio com o Mercosul podem limitar ainda mais o acesso dos produtos do agronegócio brasileiro ao mercado europeu, avaliou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Só no caso da carne bovina, o impacto negativo poderia superar 105 milhões de euros em um ano caso essas medidas sejam acionadas. O modelo é mais rigoroso que os parâmetros tradicionais da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do próprio acordo de livre comércio, disse a entidade. Uma das críticas é que o regulamento dispensa a comprovação de dano grave e do nexo causal, o que afasta a análise de indicadores centrais como produção, emprego, participação de mercado e lucratividade. “A ativação das salvaguardas ocorre com base em gatilhos automáticos, notadamente aumentos superiores a 5% nas importações e quedas de preços de pelo menos 5% em relação aos preços domésticos da UE”, alertou a CNA, em nota técnica. Uma vez acionados os gatilhos, a Comissão Europeia pode aplicar medidas provisórias de forma acelerada, com suspensão dos benefícios tarifários em até 21 dias. “Essa medida aprovada unilateralmente pela UE gera preocupações relevantes acerca do real acesso dos produtos brasileiros ao bloco europeu. A régua traçada para o acionamento do mecanismo considera limites muito estreitos passíveis de acionamento ainda nos primeiros meses de vigência do acordo”, acrescentou a entidade. O desenho operacional da salvaguarda adicional “eleva significativamente o risco de acionamentos recorrentes e pouco fundamentados contra exportações do Mercosul, especialmente em setores agropecuários sensíveis, gerando imprevisibilidade comercial e potencial neutralização prática das concessões tarifárias negociadas no acordo”, disse a CNA. A CNA simulou o impacto no caso da carne bovina. Segundo a entidade, os benefícios possíveis com a ratificação do acordo seriam “amplamente corroídos”. Isso porque os preços domésticos na UE estão em uma crescente ao longo dos últimos anos e já figuram próximos aos preços de importação das carnes brasileiras. O benefício tarifário de 7,5% vinculado à cota seria suficiente para reduzir os preços a níveis mais de 5% inferiores aos praticados no mercado europeu, enquanto a própria quantidade reservada para o Mercosul seria suficiente para ultrapassar o limite de 5% em aumento de volume, apontou a entidade. “Apenas para a carne bovina, o potencial de comércio que deixaria de ser aproveitado com o acionamento das salvaguardas, somente no primeiro ano de vigência, poderia alcançar 105 milhões de euros, o que representa quase 25% do total exportado pelo Brasil ao bloco em 2024”, apontou a entidade. Os setores “sensíveis” englobados na regulamentação de salvaguardas agrícolas da UE para o Mercosul são: carne bovina fresca; carne bovina de alta qualidade, fresca, resfriada ou congelada; carne bovina congelada, incluída para processamento, carne suína fresca e resfriada, congelada e preparada; carne de frango desossada, incluindo preparações; carne de frango com osso; leite em pó, entre outros. Na nota técnica, a CNA alertou ainda para os possíveis impactos do Regulamento Europeu do Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês) para as exportações do agronegócio brasileiro para o bloco. A medida estabelece um conjunto de obrigações de diligência devida, rastreabilidade georreferenciada até a unidade produtiva e comprovação de que produtos agropecuários não estão associados a desmatamento ou degradação florestal após o corte definido pela UE, em 31 de dezembro de 2020.
GLOBO RURAL
FRANGOS & SUÍNOS
Frango/Cepea: Poder de compra do avicultor cai pelo 3º mês
O poder de compra dos avicultores paulistas frente aos principais insumos da atividade (milho e farelo de soja) caiu em janeiro pelo terceiro mês consecutivo, aponta o Cepea.
Segundo o Centro de Pesquisas, esse cenário decorre da forte desvalorização do frango vivo, explicada pela oferta elevada desde o final do ano passado. As cotações do cereal, por sua vez, registram ligeiro recuo, enquanto as do derivado da oleaginosa avançam, ainda conforme levantamentos do Cepea.
CEPEA
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