CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2623 DE 05 DE JANEIRO DE 2026

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Ano 11 | nº 2623 | 05 de janeiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Preço do boi gordo inicia o ano estável com frigoríficos ainda em recesso

Nas praças pecuárias de São Paulo, a arroba a prazo é negociada a R$ 319, segundo a Scot Consultoria. Movimentação do mercado deve ser retomada nesta segunda-feira

O preço do boi gordo ficou estável nas principais praças pecuárias do país na sexta-feira (2/1), primeiro dia útil de 2026. Em Barretos (SP) e Araçatuba (SP), a arroba a prazo segue negociada em média a R$ 319, segundo o indicador da Scot Consultoria, com a maior parte dos frigoríficos ainda em recesso de final de ano. “As escalas atendem até o fim da próxima semana, boa parte das indústrias estão fora das compras e retornarão segunda-feira, onde tomarão posição de compras a partir do volume de vendas de carne bovina no ano novo”, ressalta o analista da Scot Felipe Fabbri. Apesar dos efeitos do anúncio das salvaguardas chinesas sobre as empresas do setor, Fabbri destaca que a mudança não deve afetar o mercado físico do boi gordo num primeiro momento. “Até que a totalidade dessa cota seja atingida, segue valendo o que está em vigor. Pode haver, sim, uma desaceleração nas compras por parte do importador chinês no curto prazo, considerando que é um mercado que se abasteceu bem em 2025. Ao mesmo tempo, a oferta de boiadas entre janeiro e fevereiro tende a ser menor, o que é um fator positivo para os preços”, afirma.

GLOBO RURAL

Mercado do boi gordo inicia ano com estabilidades nos preços

Feriado limitou negociações, enquanto anúncio de salvaguardas chinesas impõe cautela ao setor ao longo do ano

O mercado físico do boi gordo iniciou 2026 com fluxo inexpressivo de negociações e manutenção das indicações de preços na maior parte do país. A baixa movimentação ainda reflete o período de feriado, que reduziu a presença dos agentes nas praças pecuárias. No dia 31 de dezembro, a China anunciou salvaguardas para a importação de carne bovina, estabelecendo para o Brasil, em 2026, uma cota de 1,106 milhão de toneladas. O volume é inferior aos embarques registrados em 2025, quando as exportações brasileiras ao mercado chinês tendem a alcançar cerca de 1,7 milhão de toneladas. Segundo analistas, a mudança exige maior cautela do mercado brasileiro, diante da possibilidade de redução no volume total de carne bovina embarcada ao longo de 2026, o que pode impactar a formação de preços no mercado interno. No mercado atacadista, o cenário é de acomodação neste início de ano. O padrão de consumo projetado para o primeiro trimestre aponta para maior demanda por proteínas mais acessíveis, como carne de frango, ovos e embutidos, comportamento considerado típico do período, marcado por despesas tradicionais como IPTU, IPVA e compra de material escolar. Preços do boi gordo no atacado: Quarto dianteiro: manteve-se em R$ 17,85 por quilo. Quarto traseiro: segue precificado em R$ 25,40 por quilo. Ponta de agulha: permanece no patamar de R$ 17,50 por quilo.

SAFRAS NEWS

O que muda para o Brasil com medidas da China?

Segundo Felipe Fabbri, analista de proteína animal da Scot Consultoria, a mudança anunciada pela China não deve impactar o mercado físico do boi no curto prazo, especialmente no primeiro semestre.

“Até que a totalidade dessa cota seja atingida, segue valendo o que está em vigor. Pode haver, sim, uma desaceleração nas compras por parte do importador chinês no curto prazo, considerando que é um mercado que se abasteceu bem em 2025. Ao mesmo tempo, a oferta de boiadas entre janeiro e fevereiro tende a ser menor, o que é um fator positivo para os preços”, afirma. Fabbri destaca ainda que o início do ano, tradicionalmente marcado por um menor volume de compras da China, pode registrar uma desaceleração ainda mais intensa, com a demanda se concentrando no segundo semestre. “Esse anúncio ocorre em meio a uma maior presença dos Estados Unidos no mercado e em um momento em que as tarifas norte-americanas já não estão mais em vigor, o que é positivo para o mercado global de carne bovina”, avalia. Para produtos originários de países em desenvolvimento, caso a participação individual nas importações não ultrapasse 3%, e a participação total desses países não exceda 9%, as medidas de salvaguarda não se aplicam.

SCOT CONSULTORIA

Carne bovina vai ficar mais barata? Entenda o impacto da sobretaxa chinesa

Especialistas avaliam como deve ficar o comportamento de preços do alimento ao consumidor. Variações maiores podem ser sentidas no segundo semestre do ano

A cota de importação de carne bovina anunciada em 31/12 pela China deverá fazer com que o Brasil exporte menos para o seu principal cliente em 2026. O volume que exceder 1,1 milhão de toneladas por ano será taxado em 55%, o que na prática inviabiliza embarques acima desta quantidade. Em 2025, a estimativa é de que o Brasil tenha exportado 1,5 milhão a 1,7 milhão de toneladas para o mercado chinês (os números finais ainda não foram contabilizados). Ou seja, pelo menos 400 mil toneladas de carne bovina não deverão ser exportadas para a China em 2026. O coordenador de Mercados da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, diz que não se pode esperar quedas muito agressivas, mas ressalta que o mercado perde o apelo a altas que estava presente antes do anúncio das cotas. “O movimento tradicional vai apontar para uma queda de preços que pode chegar a 5% nos cortes do traseiro bovino, que são cortes de maior valor agregado”, observa o especialista, citando como exemplos a picanha, a alcatra e o filé mignon. Segundo Iglesias, o início do ano costuma registrar consumo mais fraco, com o orçamento das famílias pressionado por despesas como IPTU, IPVA e material escolar, o que reduz a demanda por cortes mais caros e favorece proteínas mais acessíveis. Na avaliação da Agrifatto, o impacto da cota chinesa sobre os preços da carne bovina no mercado interno tende a ser limitado no curto prazo. Segundo a analista Lygia Pimentel, a medida desencadeou uma reação imediata dos frigoríficos brasileiros para acelerar os embarques ao mercado chinês. “No momento, o que estamos vendo é uma corrida para se preencher logo essa cota”, afirma. Além disso, parte do volume que deixaria de ser exportado diretamente para a China pode ser redirecionada por meio de operações de arbitragem, principalmente via Argentina e Uruguai, países que têm cotas superiores ao volume que exportaram no ano passado. Com esse cenário, a tendência para o primeiro semestre é de relativa estabilidade, com dificuldade tanto para quedas expressivas quanto para altas relevantes nos preços da carne no varejo. A pressão maior, avalia Lygia, pode ficar para o segundo semestre, quando a oferta de gado tende a diminuir e os efeitos da nova regra chinesa sobre as exportações ficarão mais claros. Para João Figueiredo, analista da Datagro Pecuária, a imposição da cota chinesa tende a alterar o ritmo das exportações, mas não deve provocar uma queda abrupta nos preços da carne no mercado interno. De acordo com ele, a tendência inicial é de uma corrida dos exportadores para antecipar embarques e preencher o volume autorizado, o que pode manter o mercado aquecido no começo do ano. Na avaliação do especialista, essa antecipação muda o ritmo das exportações, concentrando volumes maiores nos primeiros meses do ano. No mercado doméstico, o analista avalia que a medida pode gerar um efeito inicial de estabilidade, com viés pontual de baixa, mas reforça que 2026 ainda tende a ser um ano de preços firmes, diante da expectativa de oferta menor de gado e de um cenário global de escassez de carne bovina. Segundo Figueiredo, fatores como câmbio, consumo interno e eleições devem aumentar a volatilidade ao longo do ano, limitando movimentos extremos de preço.

GLOBO RURAL

Como os concorrentes do Brasil reagiram à tarifa chinesa sobre carne bovina

Medida foi anunciada pelo Ministério do Comércio chinês.

O governo da China anunciou em 31/12 a imposição de medidas de salvaguarda sobre a carne bovina importada. A medida inclui tarifa adicional de 55% quando os volumes ultrapassarem cotas previamente estabelecidos. O Ministério do Comércio chinês alega que o aumento das importações do produto nos últimos anos provocou danos graves à indústria local de carne bovina. Enquanto no Brasil a medida foi recebida com preocupação, no vizinho Uruguai o sentimento é o oposto. O ministro da Pecuária e Agricultura, Alfredo Fratti, considerou que se trata de uma boa notícia, já que a cota para o Uruguai chegou a 325 mil toneladas – um volume que o país sul-americano nunca superou. Segundo o site Subrayado, Fratti também observou que, se essa tarifa adicional afetar as vendas do Brasil, o Uruguai poderia até aumentar suas exportações caso a China necessite de um volume maior de carne. Na Austrália, a adoção de salvaguardas pela China foi alvo de críticas. O Conselho Australiano da Indústria de Carnes (Amic, na sigla em inglês) informou em nota que está “extremamente decepcionado” com o anúncio. “Essa decisão parece premiar outros países que emergiram no volume de exportação de carne bovina para o mercado chinês nos últimos anos”, disse o diretor executivo da entidade, Tim Ryan. As restrições têm o potencial de reduzir as exportações de carne bovina australiana para a China em cerca de um terço – um comércio avaliado em mais de US$ 1 bilhão, segundo a organização. Outro grande exportador de carne bovina, a Nova Zelândia considera improvável que as medidas de salvaguarda da China restrinjam as suas exportações ao gigante asiático. O país da Oceania terá uma cota anual de 206 mil toneladas. “Essa cota, embora indesejável, é maior do que as exportações de carne bovina para a China nos últimos dois anos, que giraram em torno de 150 mil toneladas por ano, e é improvável que as exportações da Nova Zelândia enfrentem restrições sob esses acordos”, afirma o Ministro do Comércio e Investimento, Todd McClay.

VALOR ECONÔMICO 

ECONOMIA

Dólar à vista fecha em queda firme com liquidez reduzida

O dólar fechou o primeiro pregão do ano em queda firme, em um movimento de ajuste de posições, após um pregão de baixa liquidez nos mercados por conta das festas de fim de ano.

O dólar à vista fechou em queda de 1,19%, aos R$5,4238 na venda. Na mínima intradia, o dólar atingiu R$5,4176 (-1,30%), às 15h23. A cotação máxima de R$5,4517 (-0,68%) foi atingida às 12h21. Às 17h54, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — caía 1,01% na B3, aos R$5,4640. Para operadores do mercado ouvidos pela Reuters, o movimento visto nesta sexta-feira já era aguardado. “Já era esperado esse movimento, uma vez que tivemos uma alta bem significativa no fim do ano puxada pelas remessas de dividendos de grandes empresas multinacionais. É um ajuste normal devido a essas remessas”, disse Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos. Para Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, o movimento também reflete um movimento do “mercado buscando novamente seu preço de equilíbrio no câmbio que, na nossa opinião, sempre foi abaixo de R$5,40”. Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$8,410 bilhões em dezembro até o dia 26. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$15,047 bilhões no período. Pelo canal comercial, o saldo do mês até o dia 26 foi positivo em US$6,637 bilhões. Mais cedo, a pesquisa do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que a atividade industrial no Brasil encerrou 2025 com a retração mais acentuada em três meses em dezembro, com redução da produção e das encomendas diante da fraqueza da demanda. O índice, compilado pela S&P Global, caiu a 47,6 em dezembro, de 48,8 em novembro, indo mais abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração. Com as principais autoridades brasileiras em recesso, as atenções do mercado agora se voltam para a publicação dos dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), na semana.

REUTERS

Ibovespa começa 2026 em queda com Minerva e MBRF entre maiores baixas

O Ibovespa voltou a orbitar os 162 mil pontos, mas fechou em queda na sexta-feira, no primeiro pregão do ano, com as ações da Minerva e da MBRF entre as maiores perdas após decisão da China de aplicar tarifas de importação para carne bovina.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,42%, a 160.455,46 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 161.956,56 pontos na máxima e 160.059,14 pontos na mínima do dia. Em sessão marcada por baixa liquidez, entrecortada por feriado e fim semana, o volume financeiro somava R$13,9 bilhões antes dos ajustes finais. A queda ocorre após o Ibovespa registrar em 2025 uma alta de quase 34%, no melhor desempenho anual em nove anos, tendo quebrado vários recordes no ano passado.

REUTERS

Retração da indústria do Brasil se aprofunda em dezembro, mostra PMI

A atividade industrial no Brasil encerrou 2025 com a retração mais acentuada em três meses em dezembro, com redução da produção e das encomendas diante da fraqueza da demanda, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) na sexta-feira.

O índice, compilado pela S&P Global, caiu a 47,6 em dezembro, de 48,8 em novembro, indo mais abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração. Segundo os dados da pesquisa, todos os cinco subcomponentes tiveram influência negativa na última leitura. “A indústria do Brasil foi severamente impactada pela retração da demanda… As novas encomendas não conseguiram se recuperar, mesmo com as empresas reduzindo seus preços de venda no ritmo mais forte em pouco menos de dois anos e meio”, destacou a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima. “Os dados indicaram muito pouco que aponte para qualquer recuperação imediata no curto prazo”, completou. A taxa de contração da entrada de novos negócios acelerou em dezembro, com os entrevistados identificando retração da demanda como o principal determinante das vendas menores. Isso desencadeou uma nova contração na produção industrial, a mais rápida desde setembro passado. Quanto à demanda internacional por produtos brasileiros, embora ela tenha continuado a piorar, a taxa de redução das vendas externas moderou em relação a novembro. A pesquisa mostrou ainda que os fabricantes no Brasil sinalizaram uma segunda queda mensal consecutiva nos custos de insumos no final de 2025, com a taxa de desconto marcando o ritmo mais rápido em 27 meses. As empresas relataram tarifas menores para energia, alimentos, frete, metais, plásticos e resina. A combinação de economia com os custos e esforços para estimular as vendas reduziu os preços cobrados pelos produtos, caindo pelo quarto mês consecutivo e no ritmo mais rápido desde julho de 2023. Mas o aumento marginal no emprego registrado em novembro foi revertido em dezembro, com as empresas cortando o quadro de funcionários pela quarta vez em sete meses em meio a iniciativas de controle de custos e capacidade ociosa. Apesar do cenário fraco, os produtores de bens preveem um aumento na produção durante 2026 em comparação aos níveis atuais. O otimismo foi atribuído à expectativa de melhores condições de demanda, redução da taxa de juros, investimentos em tecnologia e maior foco em aprimorar a produtividade.

REUTERS

Dívida pública bruta do Brasil chega a 79% do PIB em novembro, em linha com o esperado

A dívida bruta do governo registrou nova alta em novembro, quando o setor público voltou a registrar déficit primário, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central.

A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou novembro em 79,0%, contra 78,4% no mês anterior e em linha com o esperado por economistas. Já a dívida líquida do setor público foi a 65,2% do PIB, de 64,8% em outubro. No mês passado, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$14,420 bilhões, ligeiramente acima da expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters de um saldo negativo de R$14,0 bilhões. Em outubro, o setor público teve um superávit de R$32,392 bilhões. No acumulado em 12 meses, o déficit primário correspondeu a 0,36% do PIB. Considerando também as despesas com juros, o déficit nominal ficou em 8,13% do PIB.

REUTERS

Desemprego cai mais do que o esperado no Brasil em novembro e bate novo recorde, a 5,2%

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2% nos três meses até novembro, menor nível da taxa histórica iniciada em 2012, com novos recordes na renda e no número de pessoas ocupadas, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Economistas esperavam que a taxa ficaria em 5,4%, segundo a mediana das previsões em pesquisa da Reuters. Em um sinal da resiliência do mercado de trabalho mesmo em meio aos juros elevados, o desemprego recuou 0,4 ponto percentual frente ao trimestre móvel anterior (junho a agosto de 2025) e caiu 0,9 ponto sobre o mesmo período de 2024. O número de pessoas ocupadas — 103,2 milhões — foi recorde, enquanto a população em busca de emprego — 5,644 milhões — foi a menor da série. A queda do desemprego foi acompanhada de um aumento de 1,8% sobre o trimestre móvel anterior do rendimento real, que chegou ao valor recorde de R$3.574. O Banco Central tem mantido a taxa básica de juros Selic em 15% ao ano, maior nível em duas décadas, na tentativa de levar a inflação à meta contínua de 3%, sem indicar quando poderá iniciar um ciclo de cortes nos juros.

REUTERS

EMPRESAS

Projeto da Minerva Foods e B3 avança pelo país e qualifica produtores para o mercado futuro

Projeto ampliou a adoção de ferramentas de proteção de preço e capacitou centenas de produtores nos principais polos da pecuária brasileira

A Minerva Foods, Companhia global de alimentos que detém as marcas Cabaña Las Lilas, Estância 92 e Pul, e a B3 concluíram o primeiro ano do projeto “Do Campo à Mesa”, uma iniciativa voltada à capacitação de pecuaristas sobre ferramentas de proteção de preço no mercado futuro, promovendo educação financeira e ampliando o conhecimento sobre a bolsa de valores entre os profissionais do campo. A iniciativa tem o propósito de democratizar o acesso a instrumentos de gestão de risco, fortalecendo a tomada de decisão nas operações pecuárias. Em 2025, percorreu alguns dos principais polos da pecuária brasileira, com encontros presenciais realizados em Goiânia-GO, Vilhena-RO, Rondonópolis-MT, Montes Claros-MG e Santa Maria-RS. Além do ensinamento teórico sobre o funcionamento da B3 e o uso das ferramentas de proteção de preço, os encontros também impulsionaram negócios entre produtores e a Minerva Foods. Na última ação do ano, realizada em Santa Maria-RS, a capacitação também se refletiu em operações estruturadas de hedge. “Essa iniciativa reforça a importância do nosso programa de relacionamento em estar cada vez mais próximo ao produtor rural, levando informação qualificada e apoiando decisões estratégicas essenciais para a sustentabilidade do negócio. No primeiro ano, tivemos um alcance muito relevante e estamos entusiasmados com as atividades do próximo ano”, destaca Rostyner Costa, Gerente Executivo de Relacionamento com Pecuaristas da Minerva Foods. Com o encerramento do primeiro ciclo, a Companhia e a B3 estão trabalhando na expansão do programa, incluindo novas regiões e formatos de capacitação, com o objetivo de impactar um número ainda maior de pecuaristas em 2026.

MINERVA FOODS

MEIO AMBIENTE 

Frigoríficos do Pará estão ‘expostos’ a desmate ilegal em 2 milhões de hectares

Estudo indica que Pará ainda possui frigoríficos com alto nível de exposição ao risco de compra de gado de áreas de desmatamento ilegal

Detentor do segundo maior rebanho bovino do país e Estado mais avançado em rastreabilidade, o Pará ainda possui frigoríficos com alto nível de exposição ao risco de compra de gado de áreas de desmatamento ilegal. Estudo do projeto Radar Verde, das organizações O Mundo que Queremos e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), obtido pelo Valor mostra que há indústrias no Estado em que esse risco varia de 99 mil hectares a mais de 2 milhões de hectares. “Para chegar a esses números, a gente considera todo o caminho possível que esses frigoríficos podem fazer para comprar gado”, explicou Camila Trigueiro, pesquisadora do Imazon e do Radar Verde. O estudo leva em conta embargos ambientais, áreas já desmatadas e áreas com risco de desmatamento na zona de compra de gado. “Quanto maior o Grau de Exposição ao Risco de Desmatamento indicado para ele [frigorífico], maiores são as chances de ele adquirir gado vindo de uma área que possa ter um embargo ambiental ou que possa ter um desmatamento ilegal”, explicou Trigueiro. A planta mais exposta é uma unidade da Mafrinorte em Castanhal (PA), onde o risco chega a 2,85 milhões de hectares. Procurada, a companhia não respondeu a um pedido de comentários. A JBS foi considerada a companhia com o melhor desempenho porque apresentou mais informações públicas sobre sua política socioambiental e sobre os critérios de compra de gado comparado às outras empresas, de acordo com as informações do Radar Verde. A JBS ainda conta com auditoria independente sobre as compras de suas unidades no Pará. “Embora a JBS tenha tido um resultado mais bem comparado às outras empresas, entre os frigoríficos que operam aqui no Pará, ela ainda não apresenta o controle dos seus fornecedores indiretos”, pontuou a pesquisadora. Procurada, a JBS não respondeu a um pedido de comentários. O levantamento analisou 39 plantas frigoríficas de diferentes empresas no Pará, cuja capacidade de abate é de 15.467 cabeças ao dia. Do total, apenas 13 unidades demonstram algum nível de controle sobre seus fornecedores diretos de gado e nenhum tem monitoramento comprovado dos fornecedores indiretos. Cerca de 61% dos frigoríficos avaliados eram signatários do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne, um acordo entre o Ministério Público Federal (MPF) e frigoríficos da Amazônia para combater o desmatamento ilegal e outras irregularidades socioambientais na cadeia. Segundo o Radar Verde, os signatários do TAC no Pará estão na fronteira do sudeste do Estado, onde a expansão da pecuária historicamente impulsionou o desmatamento. “Contudo, é possível ver que a adesão ao TAC não garante desempenho elevado na avaliação Radar Verde — há frigoríficos com TAC e nota baixa na avaliação, indicando limitações na transparência da empresa e divulgação pública de seus compromissos contra o desmatamento”, detalhou o estudo. Na avaliação da pesquisadora do Imazon, a análise do Radar Verde pode ajudar o Estado a identificar quais áreas apresentam mais risco e onde é mais urgente implementar o programa de rastreabilidade, com identificação individual dos animais. Segundo a pesquisadora, o Pará tem cerca de 360 mil animais identificados individualmente. Em dezembro, o Estado adiou seu plano de rastreabilidade por cinco anos, e agora a identificação individual será obrigatória a partir de 2030.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUÍNOS

ABPA monitora renovação de isenção tarifária no México para carne de frango. A isenção para a carne suína foi suspensa

 A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) acompanha os efeitos da renovação do decreto publicado pelo governo do México que trata da isenção tarifária para a importação de diversos produtos alimentícios, incluindo a carne de frango.

O PACIC (Paquete Contra la Inflación y la Carestía), programa adotado pelo governo mexicano para mitigar os efeitos da inflação sobre alimentos básicos, concede isenção temporária de tarifas de importação a países sem acordos comerciais com o México, como forma de ampliar a oferta interna. O benefício não é direcionado exclusivamente ao Brasil. Trata-se de uma decisão de política interna mexicana, aplicada de forma geral a todos os países que não possuem acordo comercial com o país. Na renovação do PACIC deste ano, a principal notícia foi a permanência da isenção para a carne de frango. Quinto maior destino das exportações brasileiras, o México importou 238 mil toneladas entre janeiro e novembro do ano passado, volume 16% maior em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, no novo PACIC, a isenção para a carne suína foi suspensa, e o produto passa a ser importado com tarifa em torno de 16%, patamar que, na avaliação da ABPA, diminui a competitividade, mas não torna proibitivo o comércio com o mercado mexicano. A alíquota que passa a vigorar não inviabiliza a continuidade do fluxo comercial, especialmente diante do histórico de demanda pelo produto. Entre janeiro e novembro de 2025, os embarques brasileiros para o país cresceram mais de 70% em volume, chegando a 74 mil toneladas. No caso dos produtos sem isenção, cabe destacar, ainda, que há regras de transição previstas no decreto mexicano, permitindo a manutenção de benefícios administrativos para contratos firmados anteriormente.

ABPA

Frango/Cepea: Setor projeta novo avanço em 2026; risco sanitário segue no radar

Pesquisadores do Cepea apontam que a avicultura de corte brasileira deve manter trajetória de crescimento em 2026, sustentada pelo avanço das exportações, pela oferta ajustada às demandas interna e externa e por margens favoráveis ao produtor.

Esse cenário, porém, depende da ausência de novos focos de Influenza Aviária, sobretudo durante o período crítico do fluxo migratório de aves. A ABPA estima o consumo per capita de carne de frango em 47,3 kg em 2026, alta de 1,2% frente a 2025. Agentes consultados pelo Cepea ressaltam que a isenção do imposto de renda para salários até R$ 5 mil deve contribuir para sustentar a demanda interna. O Brasil responde por cerca de um terço da carne de frango exportada globalmente e manteve liderança mesmo diante de restrições pontuais provocadas pela gripe aviária. Projeções do Cepea apontam incremento de 2,4% nos embarques em 2026 e produção de 14,73 milhões toneladas, aumento de 3,8% sobre 2025. A concretização desse desempenho requer controle sanitário rigoroso, já que eventuais focos em granjas podem resultar em barreiras imediatas de importadores – como ocorrido em maio/25. O Cepea destaca a necessidade de monitoramento contínuo do vírus H5N1, considerando surtos recentes na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, impulsionados pela migração de aves. O período crítico coincide com a chegada de aves migratórias, entre maio e julho. Apesar do alerta, o setor brasileiro dispõe de elevado nível de biosseguridade e de capacidade técnica e comercial para responder a eventuais ocorrências, como demonstrado em 2025.

CEPEA

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