
Ano 10 | nº 2162 |16 de fevereiro de 2024
NOTÍCIAS
Cotações da arroba estáveis em São Paulo
Sem novidades pós carnaval. Com escalas de abate para uma semana, os preços para todas as categorias de bovinos se mantiveram estáveis
A arroba do boi está em R$235,00, a da vaca gorda em R$210,00 e a da novilha gorda em R$230,00, preços brutos e a prazo. O “boi China” está sendo negociado em R$245,00/@, preço bruto e com prazo. Ágio de R$10,00/@. Na região Norte do Tocantins, com parte dos frigoríficos fora das compras, as cotações estão estáveis na comparação feita dia a dia. O boi comum está sendo negociado em R$210,00/@, a vaca gorda em R$190,00/@ e a novilha gorda em R$195,00/@, preços brutos e a prazo. Não há referência de “boi China” na região norte. Na região Oeste do Rio Grande do Sul sobe a cotação do boi gordo. Na comparação diária, o aumento foi de R$0,05/kg. A vaca e novilha gordas, estão com as cotações estáveis. O boi gordo está sendo negociado em R$8,00/kg, a vaca gorda em R$7,30/kg e a novilha gorda em R$7,80/kg, preços brutos e a prazo. No mercado atacadista de carne com osso, apesar do preço da carcaça de bovinos castrados ter subido, a expectativa é de mercado retraído, com preços estáveis e com pouca sustentação, após a Quarta-Feira de Cinzas. A cotação da carcaça casada de bovinos castrados subiu 1,3% na semana, precificada em R$16,20/kg, e a cotação da carcaça casada de bovinos inteiros ficou estável e está precificada em R$14,85/kg. A cotação da carcaça da vaca casada, caiu 2,4% e para a novilha casada, estabilidade. As cotações estão em R$14,00/kg e R$15,00/kg, respectivamente. Para a carcaça especial suína* e para o frango médio**, a cotação melhorou 9,8% e 4,5%, precificados, respectivamente, em R$10,10/kg e R$7,00/kg. Portanto, a carne bovina está mais competitiva frente às concorrentes.
Scot Consultoria
Exportação de carne bovina in natura chega em 50,2 mil toneladas até a segunda semana de fevereiro
O volume exportado de carne bovina in natura alcançou 50,2 mil toneladas até a segunda semana de fevereiro/24, informou a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No ano passado, o volume embarcado da proteína animal ficou em 126,3 mil toneladas em 18 dias úteis
A média diária ficou em 7,1 mil toneladas e isso representa um avanço de 2,20% frente ao comparativo anual, sendo que o total exportado em fevereiro de 2023, que foi de 7,0 mil toneladas. O preço médio na segunda semana de fevereiro/24 ficou com US$ 4.577 mil por tonelada, queda de 5,70% frente aos dados divulgados em fevereiro de 2023, com preços médios de US$ 4.854 mil por tonelada. O valor negociado para o produto na segunda semana de fevereiro/24 ficou em US$ 229,8 milhões, tendo em vista que o preço comercializado durante o mês de fevereiro do ano anterior foi de US$ 613,5 milhões. A média diária ficou em US$ 32,8 milhões, queda de 3,70%, frente ao observado no mês de fevereiro do ano passado, que ficou em US$ 34 milhões.
Agência Safras
Preço do boi gordo deve sentir pressão da Quaresma
Escalas de abate avançaram e estão em torno de nove dias, na média nacional. Segundo consultoria, há um excesso de oferta de vacas e novilhas e uma restrição de boi castrado
O preço do boi gordo em Goiás chegou a R$ 221,30 por arroba, uma queda de 1,8% no comparativo semanal, segundo a Agrifatto. A pressão da indústria deve persistir ao longo do mês com a chegada da segunda quinzena e um menor escoamento no mercado doméstico. Esta semana, o mercado físico do boi gordo voltou do feriadão com poucas negociações e sem alterações significativas nos preços. As escalas de abate avançaram e estão em torno de nove dias, na média nacional. Do lado da oferta de bovinos, a consultoria aponta que há um excesso de oferta de vacas e novilhas e uma restrição de boi castrado. Segundo a consultoria, o período da Quaresma, em que parte da população deixa de comer carne vermelha, e as restrições sazonais típicas da segunda quinzena do mês tendem a tornar os próximos dias desafiadores. No mercado atacadista da carne, a carcaça casada do boi castrado e inteiro estão precificadas a R$ 16,30/kg e R$ 15,00/kg, respectivamente.
Globo Rural
Cresce número de criadores de gado certificado no Pantanal
Volume é indicativo do aumento da produção sustentável no bioma, que deve ter selo de Indicação Geográfica lançado em 2024. Foram 130 mil animais abatidos pelos criadores que seguem o protocolo
Mais produtores aderiram à produção de carne sustentável e orgânica no Pantanal em 2023. O número já ultrapassa 120 criadores, 30% a mais do que no ano anterior. Junto a esse volume, aumentou também o número de animais abatidos dentro dessas categorias. Os dados foram divulgados pela Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), que busca fomentar a agregação de valor da produção e da carne pantaneira, construindo padrões auditáveis para qualificação e certificação, seguindo critérios socioambientais e boas práticas produtivas no Pantanal. “Foram 130 mil animais abatidos pelos produtores que seguem o protocolo, isso se deve a uma maior adesão e a essa responsabilidade que o pantaneiro tem com o bioma”, destaca o presidente da ABPO, Eduardo Cruzetta. O crescimento nos abates foi de 66% de um ano para o outro. O destaque fica para os animais machos, sendo cerca de 70% classificados com acabamento de gordura excelente para o mercado. Os incentivos para quem participa do protocolo, produzindo animais orgânicos ou sustentáveis, também avançaram, os valores pagos saltaram de R$ 8 milhões em 2022, para R$12 milhões no ano passado. “Os dados do programa são um indicativo de que o produtor pantaneiro, além de estar de acordo com as regulações ambientais do bioma, tem investido em tecnologias para a melhoria da sua produção. É uma produção quase artesanal, já que são muitos fatores que influenciam na produção dessa carne, e o produtor precisa ser valorizado por esse processo. Por isso, a importância do protocolo e da sua aplicação de forma consciente e certificada”, pontua o diretor executivo da ABPO, Silvio Balduíno. Além do protocolo, a Associação trabalha frente a inúmeros projetos para o fomento da carne e da pecuária pantaneira, como a rastreabilidade e a certificação da carne produzida no bioma, que deve ter seu selo lançado ainda em 2024. Criado em 2018 pela ABPO com o apoio do Governo do Estado do Mato Grosso do Sul, Secretaria de Estado, Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e demais entidades do setor, o Programa Carne Sustentável do Pantanal oferece benefícios e reduções de custos aos produtores que escolhem a criação de animais orgânicos ou sustentáveis, baseados em um protocolo e sujeitos à certificação por empresa certificada. Os produtores que aderem ao sistema precisam incorporar práticas específicas em suas operações, como ajustar a densidade do pasto para evitar compactação, perda de nutrientes e desequilíbrio do solo. Além disso, devem utilizar pastagens nativas do Pantanal em suas propriedades e empreender na preservação dos recursos hídricos, bem como a recuperação de áreas degradadas.
Globo Rural
ECONOMIA
Dólar fica quase estável ante real em dia de dados fracos nos EUA
O dólar à vista fechou a quinta-feira muito próximo da estabilidade ante o real, numa sessão marcada pela queda quase generalizada da moeda norte-americana no exterior, após dados fracos do varejo e da indústria dos EUA motivarem apostas de que o Federal Reserve pode não levar tanto tempo para cortar os juros
Numa sessão em que as cotações se mantiveram em margens estreitas, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9687 reais na venda, em leve queda de 0,08%. Em fevereiro, a moeda acumula alta de 0,61%. Na B3, às 17:11 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,03%, a 4,9770 reais. Mais uma vez, os fatores que direcionaram os preços no Brasil vieram do exterior. Pela manhã, o Departamento do Comércio informou que as vendas no varejo dos EUA caíram 0,8% em janeiro, um resultado pior que a queda de 0,1% esperada pelos economistas. Os dados de dezembro foram revisados para baixo, mostrando aumento de 0,4% das vendas, e não de 0,6% como informado antes. Já a produção industrial norte-americana caiu 0,1% em janeiro ante dezembro, resultado também pior que a alta de 0,3% esperada pelos economistas. Para Thiago Avallone, especialista de câmbio da Manchester Investimentos, os dados divulgados nos Estados Unidos intensificaram as dúvidas sobre quando ocorrerá o primeiro corte da taxa de juros pelo Fed. Em análise enviada a clientes, o head de câmbio para o norte e nordeste da B&T Câmbio, Diego Costa, afirmou que os dados de seguro-desemprego, vendas no varejo e produção industrial nos EUA aumentaram a “incerteza no panorama global”. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de 5 milhões de dólares em fevereiro até o dia 9, com saídas líquidas de 1,445 bilhão de dólares pela via financeira e entradas de 1,450 bilhão de dólares pelo canal comercial.
Reuters
Ibovespa fecha em alta com aval dos EUA e suporte de Petrobras
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, apoiado pela queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e alta nos pregões em Nova York, enquanto ações de petrolíferas forneceram suporte relevante na esteira do avanço do petróleo no exterior, com os papéis de Petrobras valorizando-se mais de 2%
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,59%, a 127.773,23 pontos, de acordo com dados preliminares. O volume financeiro somava 21,1 bilhões de reais antes dos ajustes finais.
Reuters
Bancos veem melhores condições de crédito neste trimestre, mostra BC
As condições de crédito no Brasil ficaram mais favoráveis no encerramento de 2023 e devem seguir em trajetória de melhora na maior parte dos segmentos neste trimestre, mostrou nesta quinta-feira pesquisa do Banco Central com instituições financeiras consultadas em janeiro
A melhora na percepção ocorre em meio ao ciclo de queda da taxa básica de juros pelo Banco Central, atualmente em 11,25% ao ano, e da continuidade do programa Desenrola Brasil, que renegociou até o momento 35 bilhões de reais em dívidas de brasileiros com bancos e outros credores. De acordo com a Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito, deve ser observada tendência positiva nos financiamentos voltados ao consumo de pessoas físicas, “principalmente em decorrência da melhora na percepção sobre o nível de comprometimento de renda do consumidor, o nível de emprego e condições salariais, a inadimplência e a tolerância ao risco”. Na avaliação das instituições consultadas, também deve haver queda na inadimplência neste trimestre em relação ao fim de 2023. Em dezembro, a inadimplência nos financiamentos livremente pactuados entre bancos e tomadores estava em 4,7%, contra 4,8% em novembro. A pesquisa do BC destacou que os bancos veem uma “melhora generalizada” nos fatores que impactam condições de crédito para grandes empresas, com destaque para as condições da economia e a competição entre instituições financeiras. Também é esperada continuidade da melhora nos segmentos de micro, pequenas e médias empresas. No crédito habitacional, as expectativas são menos otimistas, com projeções apontando para que o funding dessas linhas de financiamento seja um fator “bastante negativo” neste trimestre. A pesquisa ouviu 18 instituições que atuam no segmento de consumo da pessoa física, 7 do crédito habitacional, 21 com participação em financiamentos para grandes empresas e 29 para micro, pequenas e médias companhias.
Reuters
Fluxo cambial fica positivo em US$ 320 milhões na semana até 09 de fevereiro
Segundo o BC, conta comercial foi responsável pela entrada líquida de US$ 436,7 milhões na semana passada, enquanto a conta financeira anotou saída de US$ 116 milhões
O Banco Central informou na quinta-feira (15) que o fluxo cambial anotou entrada líquida de US$ 320 milhões entre os dias 05 e 09 de fevereiro. A conta comercial foi responsável pela entrada líquida de US$ 436,7 milhões na semana passada, enquanto a conta financeira anotou saída de US$ 116 milhões. No acumulado do mês de fevereiro, o fluxo cambial fica positivo em apenas US$ 5 milhões. O saldo é resultado do fluxo financeiro negativo de US$ 1,445 bilhão, enquanto o fluxo comercial é positivo em US$ 1,450 bilhão. No recorte do acumulado de 2024, o fluxo cambial anota entrada líquida de US$ 5,203 bilhões, enquanto o fluxo financeiro registra saída de US$ 935 milhões e o fluxo comercial tem entrada de US$ 6,138 bilhões.
Valor Econômico
Mercado faz leves ajustes para cima nas projeções de inflação em 2024 e 2025
Analistas consultados pelo Banco Central fizeram pequenos ajustes para cima em suas projeções para a inflação neste ano e no próximo, deixando inalteradas as perspectivas para a política monetária
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA aumentou em 0,01 ponto percentual tanto para 2024 quanto para 2025, respectivamente a 3,82% e 3,51%. No caso de 2025, foi a primeira mudança na estimativa depois de 28 semanas em 3,50%. Para os dois anos seguintes a estimativa para a inflação segue em 3,50%. O centro da meta oficial para a inflação em 2024, 2025 e 2026 é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Dados divulgados na semana passada mostram que a inflação no Brasil desacelerou em janeiro a 0,42%, mas ficou acima da expectativa, levantando sinais de alerta para o peso dos preços dos alimentos e de serviços. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que não houve alterações nas perspectivas para a taxa básica de juros, com a Selic novamente calculada em 9,0% em 2024 e 8,50% em 2025. Atualmente ela está em 11,25% e o mercado vê novo corte de 0,5 ponto percentual na reunião de março do Comitê de Política Monetária, como indicado pelo Banco Central. Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento seguem em 1,60% e 2,00% respectivamente para este ano e o próximo.
Reuters
FRANGOS & SUÍNOS
Margem da indústria de aves segue firme apesar de safra menor de milho
Cereal usado na ração animal é o principal componente dos custos do setor, e oferta se mantém elevada mesmo com quebra da produção. Neste cenário de grãos que temos hoje, o processo de margens do setor (de carnes) também melhora, diz analista da XP
Os frigoríficos de aves desfrutam de margens melhores, apesar de uma safra menor de milho, principal insumo da ração animal. A razão é que a queda na produção do cereal na safra de verão 2023/24 e a expectativa de recuo também na segunda safra ainda não conseguiram elevar os preços do milho de maneira significativa. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta colheita de 23,6 milhões de toneladas para o milho na primeira safra, volume 13,8% menor que o do ciclo anterior, após impactos do El Niño durante o plantio e desenvolvimento da cultura. A produção total do cereal deve ter um recuo na mesma intensidade, para 113,7 milhões de toneladas, com reduções de área e produtividade. Entretanto, a Aurora, por exemplo, não está trabalhando com a hipótese de escassez do cereal, mesmo neste cenário desenhado para a safra. “Os estoques da Aurora Coop estão repletos. A oferta de milho no mercado está normal”, disse à reportagem uma fonte próxima à cooperativa, que é uma das maiores produtoras de aves e suínos do país. O indicador de preços do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para o milho caiu 9,9% em janeiro. O desempenho foi influenciado pelas cotações externas e por compradores à espera de quedas mais intensas, já que a colheita de verão avança no Sul e Sudeste e eleva a oferta em alguma medida. Há também estoques remanescentes no Centro-Oeste. Em fevereiro, os preços vêm reagindo, mas limitados pela demanda fraca, enquanto a indústria prioriza justamente a utilização de estoques, avaliam pesquisadores do Cepea. “A safra ainda será grande apesar das quedas. Neste cenário de grãos que temos hoje, o processo de margens do setor (de carnes) também melhora”, acrescentou Leonardo Alencar, head de Agro, Alimentos e Bebidas da XP. A XP projeta margem Ebitda ajustada de 11,1% para a BRF em 2024, versus 8,1% no ano anterior. A Seara, da JBS, que concorre diretamente com a BRF na área de aves e suínos, tem margem estimada em 9,2% para este ano, contra 6,8% em 2023. A margem dos frigoríficos também foi favorecida em janeiro por um recuo da ordem de 8% nos preços do farelo de soja, outro ingrediente importante para a alimentação na avicultura, em Estados como Paraná e Santa Catarina, conforme dados compilados pelo Itaú BBA. Para Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, ainda é cedo para estimar se o preço do milho vai avançar nos próximos meses. “Apesar de termos uma safrinha menor, ainda vamos colher 89 milhões de toneladas, de acordo com o que está se desenhando. Isso não significa que os preços vão subir agressivamente”, afirmou. Mas, na visão de Iglesias, a indústria de carnes local precisará ser mais proativa na aquisição dos grãos usados na ração, uma vez que deve haver maior concorrência com exportadores de milho. “Se a trading estiver pagando R$ 60 por saca no porto, a indústria vai ter que pagar preços similares para conseguir manter esse milho aqui. Mas, mesmo assim, não estão previstas altas explosivas”, enfatizou. Outro fator que pode jogar a favor dos custos dos frigoríficos é a cotação do cereal na Bolsa de Chicago, que está pressionada e ainda depende da safra dos Estados Unidos para a formação dos preços futuros. “Tendo uma safra americana de boa proporção, é difícil que haja elevação dos prêmios no Brasil”. Ademais, o alojamento de pintinhos de um dia tem sido feito de forma controlada pelas granjas comerciais, visando a adequação entre a oferta e a demanda por aves, ressaltou Iglesias, da Safras & Mercado. Isso também beneficia as margens. O Itaú BBA considera que um ritmo de produção adequado é fundamental para o equilíbrio das margens dos frigoríficos ao longo do ano, sobretudo em um contexto em que a demanda externa pelo frango brasileiro é vasta, mas os preços de exportação estão em queda.
Valor Econômico
Empresas de aves investem para aumentar uso de energia renovável
Levantamento da ABPA mostra foco setorial não apenas em matriz energética limpa, como também naquelas que impactem positivamente o meio ambiente. Cerca de 69% das empresas de aves vêm promovendo investimentos nos últimos três anos para aumento da participação da energia limpa
Empresas avícolas do país estão investindo no aumento da utilização de fontes renováveis para a produção. É o que aponta um levantamento feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) junto a agroindústrias associadas. A pesquisa se baseou na metodologia do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3. As empresas participantes representam dois-terços da produção avícola nacional. Todas implantaram programas ou têm estudos em andamento para aumentar a presença da energia renovável em suas estruturas produtivas. Do total, 69% disseram já investir em energia limpa nos últimos três anos e ter projetos futuros nesta área. E, entre as que estão investindo, 56% não têm subsídios para os projetos. Na gestão, 63% das empresas monitoram entre 70% e 100% dos processos por meio de indicadores, de olho, em especial, na correção de falhas e redução de desperdícios. “Há uma forte cultura de controle de origem da energia utilizada no setor, de ponta a ponta. Entre as empresas pesquisadas, não há nenhum caso de ausência total de conhecimento sobre suas fontes energéticas, o que é um importante indicador de como o setor entende seu relacionamento com seus suprimentos”, avalia Sula Alves, diretora técnica da ABPA. Conforme o levantamento, 73% das empresas participantes adotaram tecnologias para utilização de biomassa, como biodigestores. Outras estão colocando em prática ações para reduzir o impacto ambiental de sua matriz energética, como o uso de fontes alternativas, como a energia solar. Um dado curioso, segundo a ABPA, é a autonomia do setor: 75% das indústrias têm garantia total de suprimento, o que deixa a produção de alimentos menos exposta às oscilações da rede de energia. “O estudo mostrou que há uma cultura já bastante avançada e em estágio evolutivo no que diz respeito ao controle das matrizes energéticas que tenham um papel efetivo na redução de emissões. Não se trata apenas de buscar uma matriz limpa, mas também de construir soluções que tenham em vista a geração de energia por meio da transformação do meio, como a biomassa”, diz o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Globo Rural
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