Ano 7 | nº 1492| 21 de maio de 2021
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: calmaria em São Paulo
Em São Paulo, o cenário de escoamento lento de carne somado a escalas alongadas
Em São Paulo, o cenário de escoamento lento de carne somado a escalas alongadas, atendendo, em média, sete dias, resultou em mais um dia de estabilidade dos preços na comparação dia a dia. Na última quinta-feira (20/5), o boi gordo que atende ao mercado interno ficou cotado em R$306,00/@ no estado, enquanto a vaca e a novilha gordas foram negociadas em R$283,00/@ e R$298,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo. No Pará, na região de Paragominas, houve queda de R$3,00/@ para a vaca gorda devido à melhoria de oferta dessa categoria, na comparação diária. Já no Norte de Mato Grosso, a oferta menor de fêmeas levou à alta de R$3,00/@ para vacas e novilhas gordas na região. O preço do boi gordo permaneceu estável, na comparação diária.
SCOT CONSULTORIA
Boi: arroba volta a subir em São Paulo, diz Safras & Mercado
A arroba do boi gordo que vinha sendo negociada a R$ 304, em São Paulo, passou para R$ 305 no levantamento diário de preços da consultoria Safras & Mercado
Segundo o analista Fernando Iglesias, houve negócios acima da referência média para animais que são voltados ao mercado externo, sobretudo o chinês. Na B3, os contratos futuros do boi gordo tiveram alta consistente, ao redor de 1,0%, e seguem sinalizando a possibilidade de altas para o mercado físico. O vencimento para maio passou de R$ 310,30 para R$ 313,20, o para junho foi de R$ 321,70 para R$ 325,65 e o para outubro passou de R$ 340,60 para R$ 344,85 por arroba.
CANAL RURAL
Boi/Cepea: Vendas externas se mantêm acima de 100 mil tONELADAS há quase 3 anos
Desde julho de 2018, as exportações mensais brasileiras de carne bovina in natura estão acima de 100 mil toneladas
Até então, a sequência anterior mais longa com os embarques acima dessa quantidade havia sido verificada entre maio de 2006 e junho de 2007, ou seja, por 14 meses. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário é resultado da demanda internacional – sobretudo chinesa – aquecida. No campo, contudo, a produção brasileira não conseguiu acompanhar o avanço na demanda por carne. O resultado foi o contínuo aumento nos preços do boi gordo, da reposição e também da carne negociada no mercado atacadista nacional. Em julho de 2018, o valor médio real do boi gordo (valores foram deflacionados pelo IGP-DI) estava em R$ 209, saltando para R$ 219 no encerramento daquele ano. Em 2019, a arroba passou a ser negociada acima de R$ 220 em praticamente todo o ano e, em 2020, superou os R$ 300. Nos primeiros cinco meses de 2021, o boi gordo tem sido comercializado em torno de R$ 310. Na B3, os contratos com vencimento no final deste ano operam na casa dos R$ 330.
Cepea
Mapa disponibiliza curso sobre febre aftosa para profissionais que trabalham com defesa sanitária animal
A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com a Escola Nacional de Gestão Agropecuária (Enagro), disponibilizou o curso EAD “Febre aftosa: Vigilância e procedimentos na investigação de doença vesicular”
Voltado para os profissionais que trabalham com Defesa Sanitária Animal nos Órgãos Estaduais de Saúde Animal e nas Superintendências Federais de Agricultura, as inscrições podem ser feitas de 20 a 28 de maio, com início da capacitação para 1º de junho. “O treinamento constitui-se de um conjunto de instruções para serem implementadas desde o primeiro aviso (notificação) da suspeita até a conclusão de sua investigação. Inclui as fases de investigação e de alerta, devendo ser de conhecimento e domínio de todos que atuam no serviço veterinário oficial”, destaca a auditora fiscal federal agropecuária, Ana Carla Vidor. A vigilância de doenças vesiculares é um dos pilares do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (Pnefa), e ganha especial importância em um cenário em que o país, desde 2018, é reconhecido internacionalmente como livre de febre aftosa. Com a disponibilização dessa capacitação na modalidade a distância, o Departamento de Saúde Animal espera alcançar mais de 10 mil profissionais atuantes nos serviços de defesa sanitária animal no país e, assim, estar preparados para agir de forma rápida e correta no atendimento de uma possível suspeita de febre aftosa.
MAPA
Situação dos frigoríficos poderá impactar na saúde financeira dos pecuaristas em Mato Grosso
Diretor de Operações do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, apresentou um quadro preocupante da indústria frigorífica no Estado
A indústria de carne bovina em Mato Grosso está em alerta. De janeiro a abril deste ano, o equivalente físico (EF) do boi gordo – indicador que considera a receita que o frigorífico gera ao vender carne com osso no atacado – alcançou o menor patamar nos últimos 23 anos. Para explicar os impactos desta situação para a pecuária mato-grossense, o DBO Destaca convidou o Diretor de operações do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade. Criado em 2016, o Imac tem a missão de promover a carne bovina de Mato Grosso, valorizando toda a cadeia produtiva a partir de ações de pesquisa e desenvolvimento, informação e marketing.
PORTAL DBO
Boi padrão China tem valorização acima da média, aponta Safras
Para os animais destinados ao mercado doméstico, os valores começam a dar sinais de elevação nos preços, segundo a consultoria
O mercado físico de boi gordo registrou preços de estáveis a mais altos na quinta-feira, 20. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, houve negócios acima da referência média para animais que cumprem os requisitos de exportação com destino ao mercado chinês. “Os frigoríficos não conseguem exercer pressão sobre o mercado. Assim, os sinais de alta serão ainda mais visíveis a partir da virada de mês, quando haverá maior dependência da oferta de bois confinados para compor as escalas de abate”, diz. O primeiro giro de confinamento apresentará queda no ano de 2021. “Ou seja, entre os meses de junho e julho haverá uma sensível redução do volume de animais ofertados. No entanto a atual curva dos preços futuros é um importante estímulo ao segundo giro de confinamento”, assinala Iglesias. Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 305, estável. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 290, estável. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 297, inalterada. Em Cuiabá, o valor foi de R$ 301, contra R$ 300. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 300 a arroba, inalterada. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados. Conforme Iglesias, a tendência é de maior espaço para reajustes no decorrer da primeira quinzena de junho, período que conta com maior apelo ao consumo. Somado a isso, os frigoríficos devem apresentar esvaziamento dos estoques em junho, conforme aumenta a dificuldade da composição das escalas de abate. Com isso, o corte traseiro teve preço de R$ 20,35 o quilo, estável. O corte dianteiro teve preço de R$ 17,20 o quilo, assim como a ponta de agulha.
AGÊNCIA SAFRAS
Exportações de boi em pé pararam em 2021
As exportações de boi em pé estão despencando ano a ano, desde 2019, e em 2021 seguem praticamente zeradas até maio
As previsões são mais baixas ainda sobre os resultados do ano anterior. O segmento, que chegou a incomodar os frigoríficos em determinadas regiões até 2018 – afinal, os dois competiam pelos mesmos animais -, sente a inação dos compradores. Os mercados principais de animais vivos, onde o grosso dos bovinos chega para engorda e abate, são destinos turísticos prejudicados pela pandemia e alguns estão em crise econômica há anos. Sem maior consumo de viajantes e uma grave conjuntura econômica, caso da Turquia, maior importador – cuja moeda, a lira, derreteu -, em 2020 a receita total caiu para US$ 217,1 milhões, em valor FOB (Free on Board; custos do cliente). Correspondeu a 329 mil cabeças, de acordo com dados trabalhados pela Aliança Paraense da Carne (APC), com base em dados do governo. O Pará é o principal exportador. Em 2019 as exportações chegaram a US$ 457 milhões e, no ano anterior, ao recorde de US$ 621 milhões. Quase o dobro em boiada. Todos os outros oito países importadores de animais para abate, atrás da Turquia, são árabes – com exceção da Hungria, na 9ª posição -, também sentiram a pressão dos preços do petróleo sobre suas economias. Os turcos, que importaram 104,9 mil cabeças de gado em 2020, gerando US$ 63 milhões de receita. O boi mais caro no Brasil é outro fator adicionado no afrouxamento da demanda externa por gado vivo. A China enxugando o mercado, diante de um rebanho mais acanhado, fez o segmento ficar menos competitivo, segundo, igualmente, a Abreav, outra entidade setorial.
Money Times
ECONOMIA
Dólar fecha em queda de 0,77%, a R$5,2757
O dólar fechou em queda nesta quinta-feira, seguindo o movimento de venda da moeda norte-americana no mundo e devolvendo boa parte dos ganhos da véspera, com as operações locais analisando ainda o noticiário sobre a agenda de reformas
O dólar à vista caiu 0,77%, a 5,2757 reais. A cotação oscilou em queda durante todo o tempo de negócios, variando de 5,3096 reais (-0,13%) a 5,2706 reais (-0,87%). Na quarta-feira, a divisa havia subido 1,17%, a 5,3167 reais na venda. No exterior, o índice do dólar recuava 0,5%, apagando todos os ganhos da véspera e voltando a rondar mínimas desde fevereiro.
REUTERS
Ibovespa fecha quase estável
A BRF ON subiu 5,18%, ampliando a recuperação em maio. O Presidente-Executivo da companhia, Lorival Luz, afirmou na quinta-feira que a BRF tem buscado oportunidades de crescer localmente no mercado da China, que representa mais de 30% das exportações da empresa para a Ásia
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação positiva de 0,05%, a 122.700,79 pontos, após ajustes, e caminha para uma performance positiva na semana (+0,67% até o momento). O volume financeiro somou 27,85 bilhões de reais. “O Ibovespa segue travado nessa região próxima aos 123 mil pontos, hoje não conseguiu acompanhar o desempenho positivo das bolsas internacionais principalmente com o peso da realização de lucros nas ações ligadas à commodities”, afirmou o analista da Terra Investimentos Régis Chinchila. Em Nova York, o S&P 500 subiu 1%, após três dias de queda, puxado por ações de tecnologia, enquanto a pauta econômica mostrou o menor número de pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos desde o início da recessão causada pela pandemia. Chinchila acrescentou que o ambiente político, com a CPI da Covid, também trava o ritmo no pregão e adiciona incertezas aos investidores.
REUTERS
Confiança dos empresários do comércio cai 1,2% em maio, diz CNC
Índice aparece na zona de insatisfação pela segunda vez consecutiva
Apesar da expectativa positiva com as vendas de Dia das Mães, a confiança do empresário do comércio caiu em maio em relação ao mês anterior. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) teve redução de 1,2%, atingindo 91,3 pontos. Assim, o índice aparece na zona de insatisfação (abaixo de 100 pontos) pela segunda vez consecutiva.Apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Icec foi divulgado hoje (20). Segundo a entidade, a performance do Icec prenuncia um começo de ano preocupante, apesar dos esforços das políticas públicas para mitigar os efeitos sobre o consumo e o mercado de trabalho. “Além das condições gerais da economia, a queda do índice pode relacionar-se com a baixa capacidade de reativação do consumo. Somam-se a esta situação a demora com a terceira fase do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e o atraso das medidas protetivas ao emprego, bem como o adiamento do pagamento de parcelas de empréstimos e débitos fiscais”, avalia a CNC.
AGÊNCIA BRASIL
Arrecadação federal salta 45,2% em abril com menor diferimento de tributos
A arrecadação federal saltou 45,2% em termos reais em abril sobre o mesmo período do ano passado, somando 156,8 bilhões de reais, valor recorde para o mês, mostraram dados divulgados na quinta-feira pela Receita Federal
O desempenho superou as expectativas de analistas de uma arrecadação de 140 bilhões de reais, segundo pesquisa da Reuters. No quadrimestre, a arrecadação somou 602,7 bilhões de reais, o que também foi o maior valor para o período da série da Receita, que tem início em 1995. O crescimento das receitas recolhidas no mês foi impulsionado pelo fato de, em abril do ano passado, o volume de tributos cujo pagamento foi prorrogado em meio à crise do coronavírus (33 bilhões de reais) ter sido bem maior do que o diferimento em abril deste ano (8,6 bilhões de reais). Em nota, a Receita também chamou atenção para o aumento de 42,6% da arrecadação total do IRPJ/CSLL, cobrados das empresas, que somou 35,3 bilhões de reais em abril. O IRPJ foi diferido em 2020 e 2021 para as empresas que recolhem pelo Simples Nacional.
REUTERS
FRANGOS & SUÍNOS
Mesmo com estabilidade da carne de frango, receita cambial das carnes aumentou quase 6% no 1º quadrimestre
Graças, principalmente, à carne suína – cujos embarques, neste ano, já são um quarto maiores que no mesmo período de 2020 – as exportações de carnes do primeiro quadrimestre de 2021 aumentaram 6,6%
Os aumentos no volume de carne de frango e bovina foram de, respectivamente, 4% e 2%, bem abaixo dos 25% da carne suína. No tocante aos preços alcançados, na média do primeiro quadrimestre só a carne de frango continua com resultados negativos, apresentando queda de pouco mais de 4% no produto in natura e de quase 4% quando considerados os quatro principais itens exportados (a carne suína in natura ainda se encontra com um preço médio 0,25% inferior ao do primeiro quadrimestre de 2020, mas, com os industrializados, a média anual aumentou 1,4%). Em decorrência, sobretudo, do incremento nos volumes embarcados, no encerramento do quadrimestre a receita cambial das três carnes apresentou resultados positivos. A menor expansão – 0,08% de incremento, o que configura estabilidade – ficou com a carne de frango. A receita da carne bovina aumentou 5% e a da carne suína quase 27%.
AGROLINK
Altas dos insumos assustam suinocultores
De 2020 para 2021 o preço da saca de 60 quilos de milho aumentou 103,7%
Um dos maiores desafios a ser vencido pelos suinocultores são as consecutivas altas no preço dos insumos, especialmente os usados para a alimentação dos animais. Por conta também da estiagem de 2019 e dos primeiros meses do ano passado o preço do milho foi para as alturas. O preço da saca de 60 quilos de milho aumentou 103,7%, passando de R$ 48,83 (2020) para R$ 99,48 (2021), avaliando entre janeiro e abril. Nesse mesmo período, outro insumo pesquisado foi o farelo de soja. E a constatação de aumento desproporcional foi praticamente igual: alta de 48,79% de um ano para outro. Em abril de 2020, a tonelada do insumo custava R$ 1.631,00. Um ano depois, está sendo comercializada à R$ 2.426,92. Para se ter uma ideia muito clara da real situação, milho e farelo de soja significam 70% dos custos de produção da suinocultura. O preço do quilo vivo dos suínos pago pelas agroindústrias aos produtores integrados deverá apresentar nova elevação nos próximos dias. Atualmente, a cotação está variando entre R$ 5,60 e R$ 6,00, dependendo do frigorífico e da região produtora. Os suinocultores independentes, entretanto, têm recebido valores superiores à R$ 8,00 pelo quilo vivo do animal. Diante do preocupante cenário, a Associação Brasileira de Proteína Animal, apoiada também pela Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), encaminhou neste mês, um ofício ao Presidente da República, Jair Bolsonaro, solicitando mudanças bruscas na política do governo federal acerca da atividade da suinocultura. Entre as medidas apontadas como necessárias e até urgentes, solicitou a autorização excepcional para importação de milho transgênico, produzido nos Estados; a retirada temporária do adicional ao frete para renovação da Marinha Mercante aos países do Mercosul; suspensão temporária da cobrança de PIS e COFINS sobre a importação de grãos até o último mês de 2021, entre outras várias reivindicações. “Hoje, se fossemos levar tudo ao pé da letra, o valor do quilo do suíno deveria estar próximo dos R$ 10,00 para o suinocultor ter alguma rentabilidade”, reforça o Presidente da ACCS, Losivânio de Lorenzi.
AGROLINK
Redução no prazo de validade inviabiliza venda de frango brasileiro à Arábia Saudita
Proposta feita pelo governo saudita à Organização Mundial do Comércio no início deste mês é, segundo analistas, “recado claro” para o setor
Caso seja efetivada, a proposta de redução no prazo de validade da carne de frango congelada praticada pela Arábia Saudita, de um ano para três meses, inviabilizará as exportações brasileiras do produto para o país, segundo maior cliente internacional do Brasil neste mercado. Com um tempo de viagem de cerca de 45 dias entre a fabricação e a chegada aos portos sauditas, somado a um período de desembaraço das mercadorias de até dez dias, restaria o frango brasileiro menos de um mês de tempo de prateleira. “É a mesma coisa que você dizer que o Brasil não tem planta nenhuma pra exportar para eles”, resume Ernani Carvalho da Costa Neto, coordenador do núcleo de estudos do agronegócio da ESPM. A mesma avaliação é feita pelo Secretário Geral na Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), Tamer Mansour. Ele destaca que, com menos de 30 dias de prazo de validade, será difícil algum comerciante do país assumir o risco de manter a carne brasileira em estoque. “Entendo isso como uma questão de negociação econômica e comercial. Existe neste plano a visão de que, se você quiser ser parceiro comercial, é preciso trabalhar em conjunto e trazer a sua indústria para a Arábia Saudita”, destaca o Secretário Geral da CCAB. Para o pesquisador da ESPM, Ernani Carvalho Costa Neto, o Brasil já deveria ter realizado movimentações estratégicas e mercadológicas para se antecipar à redução das importações pela Arábia Saudita. Entre as possíveis saídas, ele destaca a diversificação geográfica dessas exportações e o investimento em parcerias de comércio que envolvessem a cooperação e a produção local, tal como feito pela BRF. Segundo o Diretor-Presidente da BRF no Brasil, Lorival Luz, a companhia ainda não sabe dizer qual o impacto que a medida teria para o comércio com a Arábia Saudita. Ele revela que o setor já está em diálogo com o governo brasileiro para construir um posicionamento. “Após essa discussão a Arábia Saudita pode, sim, fazer seu ajuste e mudar de três pra nove meses, reverter a decisão ou poderá, assim que tomar a decisão, dar um prazo para as empresas de seis meses a um ano para que se adaptem às novas condições”, explicou Lorival Luz ao ressaltar que a mudança altera, também, as operações na Arábia Saudita. “Isso também impacta a produção local e o food service, as grandes redes. Porque mesmo o produtor local não vende só o frango resfriado. Vende também o congelado e trabalha com seus estoques reguladores para atender a essas cadeias”, pondera o executivo.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
Embaixador da Argentina no Brasil tranquiliza executivos da Marfrig
Suspensão das exportações de carne bovina no país vizinho será temporária, confirma Daniel Scioli
O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, emitiu sinais tranquilizadores à Marfrig nea quinta-feira, indicando que a suspensão das exportações de carne bovina no país será mesmo temporária e que o objetivo do governo é combater a informalidade e a evasão de divisas, o que é bom para os frigoríficos profissionais. Na terça-feira, quando os argentinos anunciaram a suspensão das exportações por 30 dias devido à inflação, fontes temiam que a suspensão acabasse prorrogada. Em reunião na sede da Marfrig, em São Paulo, o embaixador conversou com o CEO da companhia, Miguel Gularte, e o Presidente do Conselho de Administração, Marcos Molina. “Se é temporário e vai combater a informalidade, é positivo”, disse Gularte, em entrevista ao Valor. Na avaliação do executivo, a visita do embaixador mostra que o diálogo está aberto. Scioli também ficou de organizar uma videoconferência com o Presidente da Argentina, Alberto Fernández. A Casa Rosada deseja que a Marfrig mantenha os investimentos que vem fazendo nas fábricas de San Jorge e Villa Mercedes. Em 2020, a companhia comprou, por US$ 4,6 milhões, a Campo del Tesoro, uma unidade que faz hambúrguer para redes como o McDonald’s. Na Argentina, o grupo brasileiro é grande exportador de carne bovina e líder nos mercados de hambúrguer e salsicha, com as populares marcas Paty e Vienissima. Para a Marfrig, a Argentina representa somente 1,3% da receita líquida. O grupo obtém mais de 80% do resultado nos EUA. Segundo Gularte, o combate à informalidade dos frigoríficos pode ajudar muito. Empresários que não possuem abatedouros fazem contratos de prestação de serviços para compra carne bovina destinada à exportação. Há casos de exportadores informais que se beneficiam do câmbio paralelo, obtendo 156 pesos por dólar. Na exportação oficial, a taxa é de 56 por dólar. Ao adotar medidas contra isso, o governo estimulará a competitividade das empresas formais. Na conversa com a Marfrig, o embaixador também mostrou que nem todas as exportações estão suspensas. De acordo com Gularte, as cotas Hilton e 481, destinadas à União Europeia, e a cota para os Estados Unidos estão liberadas.
VALOR ECONÔMICO
Europa ainda vê falta de condições para avançar acordo com Mercosul
Em reunião de ministros de Comércio, bloco repete que são necessários compromissos ambientais; negociações terminaram em 2019, mas texto não passou nem de revisão jurídica
Embora fosse uma das prioridades de Portugal à frente do Conselho da União Europeia (que influencia a pauta de discussões no bloco), o acordo de associação entre a União Europeia e o Mercosul não avançará nem um milímetro durante a presidência rotativa portuguesa. “Os trabalhos estão progredindo para criar condições para concluir e ratificar”, afirmou na quinta (20) Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, após reunião com os ministros de Comércio dos 27 membros do bloco. As negociações do acordo se encerraram em 2019, mas, na prática, ele continua em revisão legal, na qual são discutidos pontos ainda não totalmente esclarecidos. No começo do ano passado, a expectativa era que essa fase durasse de três a quatro meses. A piora do desmatamento no Brasil sob a gestão Bolsonaro redobrou críticas ao acordo de países como França, Áustria e Holanda e colocou o acordo na geladeira. Como o texto só entra em vigor se for aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho —e, neste caso, da forma em que está, apenas se houver unanimidade—, entrou em marcha uma operação tartaruga, à espera de melhores condições políticas. No momento, as estratégias para contornar as resistências são duas, não necessariamente excludentes. A primeira é dividir o acordo de associação em duas partes —o tratado comercial e o político—, como foi feito recentemente nos acordos com Vietnã e Singapura, que também tiveram sobressaltos. A vantagem do fatiamento —ou “splitting”, no jargão da Comissão— é permitir que o acordo de comércio não precisasse mais passar pela aprovação dos parlamentos nacionais (e regionais, no caso da Bélgica) de todos os 27 membros. É na política interna de cada país que estão as principais forças de oposição ao tratado, e se ele for derrubado em apenas um desses parlamentos, volta à estaca zero. A segunda solução é a assinatura de um “instrumento adicional”, um documento à parte em que o Mercosul reforçaria seus compromissos com a proteção ambiental e os direitos humanos, dois dos principais pontos levantados pelos países que se opõem ao acordo.
FOLHA DE SP
ABRAFRIGO
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY EDITORA ECOCIDADE LTDA
041 3289 7122

