
Ano 6 | nº 1219| 20 de abril de 2020
NOTÍCIAS
Ausência de negócios no mercado do boi gordo no fim da semana passada
Com o quadro de consumo indefinido ou então deprimido, uma parcela das indústrias optou por ficar fora das compras (cenário comum a todas as praças monitoradas) na última sexta-feira (17/4)
Com a oferta de boiadas razoável, porém, com a insegurança quanto ao futuro próximo do mercado, há divergências de estratégias dos compradores e as escalas variam de 4 a 12 dias. As exceções são as praças de Rondônia e Espírito Santo, onde a oferta restrita repercutiu no cenário inverso. Sem esperança de melhoria no consumo de carne em curto prazo, os preços da arroba do boi gordo ficaram estáveis.
SCOT CONSULTORIA
Brasil já pode vender carnes para o Kuwait
País árabe abriu mercado para carne bovina, de ovinos e caprinos
Os trâmites para efetivar a abertura do mercado do Kuwait à carne bovina, de ovinos e de caprinos do Brasil foram definidos. Apesar do mercado estar aberto desde fevereiro, corria a negociação para que o país árabe oficializasse que iria aceitar embarques vindos dos estabelecimentos já habilitados pelo Serviço de Inspeção Federal do Brasil. Além deste entendimento, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aguardava também a definição dos requisitos do Certificado Sanitário Internacional (CSI) que as empresas precisam cumprir para exportar, conforme informou à ANBA, ainda em fevereiro, o Secretário-Adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Flavio Campestrin Bettarella. Os requisitos foram oficializados em 25 de março. Entre eles, consta a exigência de que os animais tenham sido “abatidos em um abatedouro aprovado e sob a supervisão da autoridade competente do país de exportação, e aprovado pelas autoridades do CCG”. O CCG é o Conselho de Cooperação do Golfo.Segundo o Mapa, os requisitos já estão publicados no sistema on-line vinculado ao Dipoa, responsável por assegurar a qualidade de produtos de origem animal comestíveis e não comestíveis destinados ao mercado interno e externo, bem como de produtos importados. O embaixador do Brasil no Kuwait, Norton Rapesta, confirmou à ANBA que a questão está resolvida. O Kuwait não tem lista própria para habilitação de plantas dos países que compra e, por isso, seguirá a lista de estabelecimentos habilitados pelo governo brasileiro que atendam aos seus requisitos. Para as empresas brasileiras se abre é um mercado que importa US$ 200 milhões, anualmente, em carne bovina.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS BRASIL-ÁRABE
Boi gordo: seca começa a afetar pastagens e negócios aumentam
Consultoria Agrifatto afirma que em algumas regiões do Brasil Central, pastos não têm mais matéria-verde suficiente para manter os animais
A última semana foi marcada por um baixo número de negócios no mercado do boi gordo. Segundo a consultoria Agrifatto, poucos negócios acontecem e aqueles fechados são formados por pequenos lotes. “A exceção ocorre em algumas regiões do Brasil Central, que já são atingidas pela seca e os pastos não têm mais matéria-verde suficiente para manter os animais, aliado a isso o receio de desvalorização das indicações”, diz a empresa. Segundo a Somar Meteorologia, nesta semana, a presença de um bloqueio atmosférico no Sul, Sudeste e Centro-Oeste deve elevar a amplitude térmica e diminuir cada vez mais a umidade do solo. “Destaque para Mato Grosso, onde a umidade já é baixa, sul de Mato Grosso do Sul e no Pantanal, impactando as pastagens”, diz o agrometeorologista Celso Oliveira. Além disso, com a chegada da segunda quinzena do mês, período sazonal de menor consumo de carne bovina pela população, as indústrias frigoríficas mantêm a estratégia de escalas encurtadas e pulando dias de abate. Vale destacar que algumas unidades ainda estão fora de compras ou em férias coletivas. Em São Paulo, as programações de abate encerraram a terceira semana de abril com 5,5 dias úteis, abaixo da média parcial anual, atualmente em 6,5 dias.
CANAL RURAL
ECONOMIA
Dólar sobe 2,9% no acumulado de semana de dados negativos
O dólar fechou em queda ante o real na sexta-feira, mas acumulou firme ganho na semana, marcada pela divulgação de dados em todo o mundo que destacaram a profundidade da recessão global
No mais recente, a China divulgou a primeira contração trimestral de seu Produto Interno Bruto (PIB) desde pelo menos 1992. O número se seguiu a dados bastante negativos na quarta e quinta-feira nos Estados Unidos. Os países são as duas maiores economias do mundo.
Os relatórios foram divulgados na mesma semana que o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu que a economia global sofrerá neste ano a maior contração desde a década de 1930, com o Brasil devendo amargar a maior retração desde pelo menos 1962. Períodos de recessão aumentam a demanda por ativos seguros, o que acaba valorizando o dólar. O dólar à vista caiu 0,39%, a 5,2359 reais na venda. Na semana, a divisa ganhou 2,85%. Em 16 semanas deste ano, o dólar subiu em 14, caindo em apenas duas. Em 2020, a moeda norte-americana acumula valorização de 30,48%. Em teoria, uma interrupção no processo de cortes de juros poderia dar suporte ao real, já que evitaria nova queda nas taxas de títulos de renda fixa, que, assim, teriam mais chance de atrair capital externo. Na avaliação do gestor, o que o Banco Central pode fazer agora é continuar ofertando liquidez via leilões de câmbio e deixar a Selic estável.O juro básico está na mínima histórica de 3,75% ao ano.
REUTERS
Ibovespa engata 2º semana de alta com esperanças sobre droga contra Covid-19 e abertura dos EUA
O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, garantindo mais um resultado semanal positivo, embalado pelo otimismo em Wall Street, mas sem conseguir superar os 80 mil pontos novamente, em meio a ruídos no cenário político-financeiro brasileiro
Índice de referência no mercado acionário nacional, o Ibovespa subiu 1,51%, a 78.990,29 pontos, chegando a 79.846,43 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou 19,76 bilhões de reais. Na semana, o Ibovespa teve um ganho de 1,68%, ampliando a performance positiva em abril para 8,18%. No ano, ainda contabiliza um declínio de 31,7%. Notícias sobre planos para uma reabertura gradual da economia norte-americana e um potencial medicamento contra o Covid-19 animaram o começo dos negócios, após duas sessões seguidas de queda na bolsa paulista. O medicamento, remdesivir, da farmacêutica Gilead Sciences, foi usado em testes de baixa escala por hospital de Chicago, mas mostrou resultados positivos no tratamento dos sintomas de febre e respiratórios produzidos pelo Covid-19. As ações da Gilead subiram quase 10% na sexta-feira. O Presidente dos EUA, Donald Trump, também apresentou na véspera planos para reabrir a economia norte-americana o que animou os mercados na sexta-feira. A doença já matou mais de 32,6 mil norte-americanos. A trajetória no pregão brasileiro, contudo, perdeu fôlego ao longo do dia, com o Ibovespa chegando a ficar com sinal negativo, a 77.754,45 pontos, na mínima da sessão. Para o analista de investimentos José Falcão, da Easynvest, o clima político no país está por trás desta perda de força do Ibovespa, com a guerra declarada entre o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o Presidente Jair Bolsonaro, além da demissão de Luiz Henrique Mandetta do comando do Ministério da Saúde. Falcão ponderou que a crise relacionada ao coronavírus está longe de ser solucionada no Brasil, e a demissão de Mandetta traz mais instabilidade.
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STF confirma MP que permite acordos individuais de redução de salários
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na sexta-feira validar a Medida Provisória 936, que permite a realização de acordos individuais entre empregadores e trabalhadores estabelecendo a redução temporária de salário e jornada de trabalho ou mesmo a suspensão de contratos
Dessa forma, a MP editada está valendo na íntegra —ela ainda está sendo objeto de apreciação do Congresso Nacional, que pode modificar seu texto. A decisão representa uma vitória do governo no Supremo, que lançou mão da MP em meio à forte redução da atividade econômica em razão de medidas de isolamento social durante o avanço da pandemia do novo coronavírus no país. Mais cedo na sexta, o Secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, afirmou que mais de 2 milhões de trabalhadores já fecharam acordos com seus empregados sob as regras da MP 936. Ela permite a redução temporária de salários e jornadas ou a suspensão do contrato de trabalho, com pagamento de uma compensação parcial pelo governo. A maioria da corte seguiu o voto do Ministro Alexandre de Moraes, que abriu divergência e se manifestou integralmente a favor da medida provisória: Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello e o Presidente do STF, Dias Toffoli. Os ministros derrubaram a liminar que tinha sido parcialmente concedida pelo relator da matéria, Ricardo Lewandowski, determinando que sindicatos das categorias dos trabalhadores deveriam ser comunicados dos acordos individuais fechados para se manifestarem. No julgamento da liminar no plenário, Lewandowski manteve seu voto, que ficou vencido. Outros dois ministros, Rosa Weber e Edson Fachin, também ficaram em minoria, manifestando-se pela derrubada total do trecho da MP que permitia esses tipos de acordos individuais.
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IGP-M avança 1,0% na 2ª prévia de abril com pressão de preços ao consumidor, diz FGV
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) teve alta de 1,0% na segunda prévia de abril, de 0,99% no mesmo período do mês anterior, com uma leve desaceleração da alta dos preços no atacado sendo compensado pela pressão maior ao consumidor
A Fundação Getulio Vargas informou na sexta-feira que o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, passou a subir 1,36% no período, contra alta de 1,41% antes. O grupo Bens Finais teve variação negativa de 0,02% depois de ter registrado salto de 0,97% no mês anterior. Segundo a FGV, a maior contribuição para este resultado partiu dos combustíveis para o consumo. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, registrou alta de 0,28% na segunda prévia de abril, contra variação positiva de 0,04% no mês anterior. Dentro do índice, o grupo Alimentação teve o maior peso para a leitura da segunda prévia de abril, acelerando a alta de 0,63%. para 1,42% com impulso dos preços hortaliças e legumes. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,22%, abaixo da taxa de 0,37% na segunda prévia de março. O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis. A segunda prévia do IGP-M calculou as variações de preços no período entre os dias 21 do mês anterior e 10 do mês de referência.
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Índice de preços de alimentos da FAO voltou a cair em março
Resultado foi diretamente influenciado por uma queda da demanda por causa do coronavírus
O índice de preços globais de alimentos da Organização das Nações Unidas pela Agricultura e Alimentação (FAO) atingiu 172,2 pontos em março, 7,8 pontos (4,3%) menos que em fevereiro. Foi a segunda queda mensal consecutiva. Em relação a março de 2019, porém, o resultado ainda representou uma alta de 4,6 pontos (2,7%). Segundo a FAO, boa parte do declínio ante fevereiro foi motivado por contrações de demanda derivadas da pandemia de coronavírus. “Embora a mais recente queda nos preços tenha sido mais acentuada para óleos vegetais e açúcar, os outros subíndices também registraram valores mais baixos em março”, diz relatório divulgado pelo órgão. Segundo a FAO, a baixa foi puxada pelo óleo de palma, mas os óleos de soja e de canola também recuaram. O indicador de preços do açúcar atingiu uma média de 169,6 pontos em março, com queda de 40,1 pontos (19,1%) em relação a fevereiro. Segundo a FAO, medidas de isolamento da população em diversos países reduziram a demanda por açúcar e influenciaram o resultado, que também foi contaminado pelo tombo do petróleo. O indicador de preços dos cereais ficou em 164,6 pontos em março, recuo de 3,2 pontos (1,9%) em relação a fevereiro. De acordo com a FAO, apenas o arroz registrou elevação nos preços. Grandes suprimentos globais, combinados com perspectivas de safra geralmente favoráveis, mantiveram os preços internacionais do trigo sob pressão descendente.” O milho caiu em função da oferta elevada e da queda da demanda, especialmente no setor de combustíveis. “Por outro lado, os preços internacionais do arroz estenderam sua tendência de alta para o terceiro mês consecutivo, atingindo seu nível mais alto desde junho de 2018, impulsionados pelos estoques feitos pelos consumidores”, diz o relatório. Depois de quatro meses de alta consecutiva, o subíndice de lácteos recuou 6,4 pontos (3%) em março, para 203,5 pontos. E o de carnes caiu 1 ponto (0,6%), para 176 pontos.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
“Nossa receita não foi afetada pelo coronavírus”, diz CEO da Marfrig
Segundo Miguel Gularte, os poucos carregamentos dos meses de janeiro e fevereiro previstos para a China foram repactuados para março e abril
O aumento dos casos de coronavírus ao redor do mundo e o fechamento das fronteiras de diversos países não afetaram as receitas da Marfrig neste ano. A afirmação foi feita por Miguel Gularte, CEO da companhia na América do Sul, durante live realizada pelo InfoMoney na sexta-feira. Segundo o executivo, apesar da relevância do mercado chinês para a Marfrig ao longo de 2019, a companhia havia decidido, coincidentemente, priorizar a exportação para outros mercados no início de 2020. A estratégia acabou coincidindo com o aumento de casos de coronavírus no país asiático e a paralisação das importações. “Prevendo um caos de logística no país por conta do ano novo chinês, nós havíamos tomado a decisão de exportar a produção do Uruguai e Argentina para Estados Unidos e Canadá e a produção brasileira para Oriente Médio e Europa”, explicou. nda segundo Gularte, os poucos carregamentos chineses da Marfrig previstos para os meses de janeiro e fevereiro foram repactuados para março e abril com pequena variação no valor. Com relação ao momento atual, a Marfrig já viu o mercado asiático ter uma forte retomada no fim de março. “Houve uma demanda muito forte nessa reabertura do mercado, para repor os estoques, mas na última semana já tivemos uma diminuição nesse ritmo. Agora estamos monitorando o cenário”, afirmou. Outro importante mercado para a Marfrig, os Estados Unidos apresentaram retração na demanda do food service. A venda no atacado, no entanto, subiu — compensando o fechamento dos restaurantes. Na Europa, o mercado de carne in natura “quase desapareceu”, segundo Gularte. De modo geral, o dólar valorizado também ajudou a empresa a ter um impacto positivo em sua receita no primeiro trimestre. Sobre o futuro, Gularte afirma que o mercado ainda é incerto. “Se eu tivesse que especular, diria que os outros países vão ter uma recuperação econômica mais rápida que o Brasil. Por conta disso, devemos direcionar cortes de maior valor para exportação, até por conta do dólar forte também. Mas é uma análise feita a cada hora, tudo muda o tempo todo”, diz. Segundo ele, o foco da Marfrig agora está na preservação de caixa. “Em termos de matéria-prima, estamos vendendo primeiro para depois comprar e não comprando para vender. Temos que preservar o caixa”, afirma. Com relação aos cuidados nos abatedouros, Gularte diz que a empresa montou um protocolo para proteger a saúde de seus funcionários. A limpeza é feita constantemente e há ainda a medição de temperatura de funcionários e o estabelecimento de distância nas filas e horários escalonados nos refeitórios e vestiários. Todas as plantas do Brasil, Argentina e Uruguai operam com 100% da capacidade. Nos Estados Unidos, a única exceção é o frigorífico em Tama, no estado de Iowa, onde a planta foi fechada para sanitização após casos de coronavírus entre os funcionários. As operações nesta planta devem ser normalizadas dia 20.
INFOMONEY
FRANGOS & SUÍNOS
Custos de produção de suínos e frangos de corte sobem mais de 6% no ano
Os custos de produção de suínos e frangos de corte subiram mais de 6% no primeiro trimestre do ano, segundo dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa divulgados na sexta-feira (17)
O custo de produção de frangos de corte ICPFrango subiu 6,82% no acumulado do ano até março, influenciado principalmente pela alta de 6,74% no custo de nutrição. Apenas no mês de março, o ICPFrango teve alta de 4,17%, em relação a fevereiro, quando o custo de nutrição subiu 4,86%. “Com isso, o custo de produção do quilo do frango de corte vivo no Paraná passou dos R$ 3,07 em fevereiro para R$ 3,19 em março”, disse a Cias/Embrapa em nota. O custo de produção de suínos ICPSuíno teve alta de 6,34% no ano, sendo que o custo de nutrição subiu 6,07% no período. Em março, o ICPSuíno subiu 2,96% para o maior valor nominal registrado desde sua criação. O custo do quilo de suíno produzido em sistema de ciclo completo em Santa Catarina fechou março em R$ 4,44, igualando-se ao maior valor já registrado para o índice, em junho de 2016. O ICPSuíno vem subindo desde outubro do ano passado.
CARNETEC
China tem 6º trimestre de queda na produção de carne suína, ainda sob efeito de peste
A produção de carne de porco da China recuou pelo sexto trimestre consecutivo, à medida que o país, maior produtor global da proteína, continua a sofrer impactos da peste suína africana, que dizimou as criações do animal
Uma forte queda de 29% no primeiro trimestre de 2020 ressalta a extensão dos impactos causados pela doença e a difícil tarefa que o setor enfrenta na tentativa de se recuperar após a peste matar milhões de animais no país desde agosto de 2018. A doença fez com que a produção de carne suína da China atingisse uma mínima de 16 anos em 2019, a 42,6 milhões de toneladas, enquanto alguns especialistas estimam que o rebanho de porcos do país tenha encolhido em 60% no ano passado, depois de a doença se espalhar, amplamente subnotificada. Neste ano, restrições para conter a pandemia do novo coronavírus —que levaram pessoas a ficar confinadas em casa e fecharam diversos negócios, incluindo abatedouros— prejudicaram ainda mais os esforços para a retomada da produção. A produção de carne suína da China recuou para 10,38 milhões de toneladas nos três primeiros meses de 2020, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento Nacional de Estatísticas chinês. O volume fica levemente abaixo do registrado no trimestre anterior, de 10,74 milhões de toneladas, embora a produção tenha contraído significativos 31% no quarto trimestre de 2019, de acordo com cálculos da Reuters. A China abateu 131,29 milhões de porcos nos três primeiros meses do ano, queda de 30,3% na comparação anual.
REUTERS
Produção de frango começa a ser reduzida
Demanda interna fraca e risco de contaminação de funcionários de frigoríficos afetam alojamentos
“Não há escapatória”. Assim um graduado executivo da agroindústria resumiu a chegada da crise na avicultura, um dos segmentos mais resilientes da economia brasileira até aqui. Com a piora da demanda interna, está começando um movimento de redução na criação de frango que deverá se aprofundar nos próximos meses, de acordo com diferentes fontes consultadas pela reportagem nos últimos dias. Ainda não há estimativas precisas sobre a dimensão do corte na oferta, mas algumas empresas já decidiram quebrar parte dos ovos que seriam enviados das incubadoras aos nascedouros, reduzindo os lotes de pintinhos destinados à engorda. Os reflexos desse movimento só deverão aparecer com mais força na produção efetiva de carne de frango em junho. No campo, os efeitos acontecem em maio, com a redução do alojamento de pintinhos nas granjas. Em média, o processo de engorda dos frangos leva cerca de 45 dias. Cálculos iniciais de uma fonte do segmento indicam que o primeiro ajuste “emergencial”, com a quebra de ovos, reduzirá o alojamento de pintinhos em cerca de 10% em maio. Outra medida, de médio prazo, será o abate antecipado de aves matrizes — como as galinhas mães são conhecidas —, que diminuirá em pelo menos 5% a oferta de frango no país. O corte da produção de aves é intrincado devido à longa e viva cadeia de produção. As aves matrizes vivem, em média, 67 semanas, mas só começam a botar os ovos a partir da 25 semana — portanto, seis meses depois do alojamento na granja. Cada matriz produz aproximadamente 155 pintinhos. Ao encurtar a vida das aves mães, as agroindústrias evitam a produção futura de frango. No entanto, a medida torna a recuperação da produção mais lenta. “Não há mercado para absorver o frango”, ressaltou uma fonte. Em abril, o preço do frango congelado no atacado paulista caiu 13,8%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A questão é ainda mais sensível porque a avicultura do país estava com o pé no acelerador, o que já preocupava analistas em razão do risco de uma sobreoferta mesmo com a excepcional demanda da China. Em 2019, o alojamento de matrizes atingiu o recorde de 51,5 milhões, o que sinalizou uma forte produção de frango neste ano. Além da oferta excedente já contratada, farelo de soja e milho dispararam, pressionando as margens de lucro.
VALOR ECONÔMICO
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