
Ano 6 | nº 1216| 15 de abril de 2020
ABRAFRIGO
MP que prorroga contrato de médicos veterinários com o MAPA segue para sanção presidencial
Texto aprovado pelo Senado evita a finalização de contratos e serviços essenciais para o funcionamento do sistema de defesa e abastecimento durante a pandemia de Covid-19
A Medida Provisória 903/19 prorroga por mais dois anos os contratos temporários de 269 médicos veterinários, ligados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O relator da proposta, deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG) entende que a medida é “adequada ao atual contexto de crise”, pelo qual passa o país. O Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), destacou a importância do trabalho realizado por estes profissionais ao dizer que “a ausência do trabalho desempenhado pelos médicos veterinários ocasionaria interrupção da produção por falta de fiscalização”. Alceu Moreira citou que com a aprovação da proposta “garante-se o abastecimento de proteínas animal e vegetal para o país”. Além de atuar na vigilância e inspeção de produtos de origem animal ou vegetal, os profissionais foram admitidos para operar em atendimentos de situações ligadas ao comércio internacional destes itens. O deputado federal, Zé Silva (SDD-MG), entende que a MP “garante as exportações e importações de produtos. Em especial, a questão sanitária, tão importante neste período de pandemia”, ressalta ele. A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) acrescenta que “o agronegócio brasileiro tem que ser respeitado e que a medida atua para garantir credibilidade no mercado interno e externo”. Já Zequinha Marinho, senador pelo Pará, afirmou que “o governo não pode depender de Medida Provisória para tal trabalho”, ao defender a realização de concurso público para não ser necessário “arranjos temporários”, explicou. Médico veterinário e ligado a entidade nacional representativa da categoria, o senador Wellington Fagundes (PL-MT), enfatizou que “o serviço veterinário é fundamental para que o Brasil mostre que está na condição de exportar produto de qualidade”. O parlamentar criticou o fato de o número de fiscais do MAPA diminuir a cada ano com as aposentadorias. “Já tiveram quase 5 mil médicos veterinários e hoje tem só cerca de 2.500”. Por fim, explicou que o Brasil é grande exportador de aves, suínos e bovinos e a “queda no número de veterinários representa risco para o país”. A MP segue agora para sanção presidencial.
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NOTÍCIAS
Boi gordo: mercado em ritmo lento
Em São Paulo, o preço da arroba do boi gordo ficou estável na última terça-feira (14/4)
Segundo levantamento da Scot Consultoria, as ofertas de compra variaram de R$185,00 a R$195,00/@, considerando o preço à vista, bruto. Para animais jovens, com até quatro dentes, a oferta de compra ficou entre R$195,00 e R$205,00/@, nas mesmas condições. A oscilação dos preços ofertados é resultado das programações de abate. As indústrias que trabalham com parcerias e que estão com escalas mais tranquilas testam o mercado de maneira incisiva, ofertando preços bem menores do que os frigoríficos que estão com escalas curtas. Não há uma expectativa de incremento de consumo de carne vermelha para o curto prazo. Vale lembrar que além das medidas de desaceleração da propagação da gripe causada pelo coronavírus, estamos entrando na segunda quinzena do mês, período no qual a tendência é de menor consumo devido à queda sazonal do poder de compra da população, agravado pelo distanciamento social.
SCOT CONSULTORIA
Baixa movimentação no mercado de reposição
Diante da pressão de baixa observada no mercado do boi gordo, tendo em vista a dificuldade de venda de carne bovina no mercado interno e de como as medidas de contenção do coronavírus impactarão o consumo, o mercado de reposição está devagar e este cenário de lentidão já se arrasta há semanas
Receosos quanto ao cenário do boi gordo, recriadores/invernistas não estão negociando animais para reposição e as referências seguem praticamente sem alterações. O cenário ainda é de boas condições das pastagens, o que permite que a ponta vendedora mantenha os animais no pasto. Tomando o início do ano como referência, na média de todas as categorias de machos e fêmeas anelorados, em todas as regiões pesquisadas pela Scot Consultoria, as cotações subiram 5,6%, enquanto as do boi gordo, na mesma comparação, subiram 2,1%, na média das praças.
SCOT CONSULTORIA
Contaminação por corona vírus ainda é baixa em frigoríficos brasileiros, mas há riscos
Ministério Público do Trabalho alerta para risco de explosão de casos
A confirmação dos primeiros casos do novo coronavírus entre trabalhadores de frigoríficos no Brasil levantou preocupações sobre o risco de o país rumar para um quadro crítico como o dos Estados Unidos, onde diversos abatedouros fecharam por causa do rápido espalhamento da covid-19 entre funcionários. No sábado, a prefeitura de Concórdia, no oeste catarinense, confirmou o primeiro caso da doença — uma funcionária do abatedouro da Seara em Ipumirim (SC), cidade vizinha. Posteriormente, mais dois funcionários da mesma fábrica tiveram o diagnóstico positivo. Dois trabalhadores atuavam na desossa e um na área de higienização, segundo a prefeitura de Ipumirim. A BRF, que ainda não havia comunicado casos publicamente, confirmou na terça-feira à reportagem que seis funcionários também tiveram o diagnóstico positivo — eles foram afastados após apresentarem sintomas. A empresa não revelou as plantas onde os trabalhadores atuavam. Ao Valor, o Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que recebeu denúncias de contágio em trabalhadores de abatedouros do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Goiás — região onde a produção de carne bovina é mais importante —, e as investigações devem ser feitas pelos procuradores de cada região. O MPT recomendou, em 31 de março, que os frigoríficos adotem uma distância de 1,8 metro entre os funcionários nos abatedouros, o que é considerado inviável pelas empresas. “Se não forem adotadas as medidas de controle necessárias, há potencial risco para explosão de casos” , advertiu o procurador Lincoln Cordeiro, que é Vice Gerente Nacional do projeto de adequação das condições de trabalho nos frigoríficos do MPT. Diante da dinâmica de disseminação do vírus, a avaliação de executivos do setor é que outras plantas também inevitavelmente serão afetadas. Também há preocupação com o comportamento da doença no Sul, região de clima frio onde está concentrada grande parte da produção de aves e suínos do país. À reportagem, o Diretor-Executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, minimizou o risco de fechamento de abatedouros. “Não vejo risco de parar porque as empresas tem trabalhado com prevenção e estão cumprindo à risca esse protocolo, com desinfecção reforçada”, sustentou Santin.
VALOR ECONÔMICO
Boi China já tem diferencial de até R$15 /@ sobre o boi comum, apura FCStone
Demanda da China segue firme e juntamente com Hong Kong foi responsável por mais da metade das exportações brasileiras em março
Para atender a demanda chinesa, as indústrias frigorificas estão ofertando preços até R$ 15,00/@ a mais para animais com até 30 meses e que atendem o padrão de exportação. No mercado interno, os negócios estão sendo realizando com cautela diante das incertezas no consumo por carne bovina. De acordo com o Consultor em Gerenciamento de Riscos da INTL FCStone, Gustavo Rezende Machado, os preços balcão para o boi gordo no estado de São Paulo seguem sustentados ao redor de R$ 195,00/@ e com premiações chega em torno de R$ 200,00/@. “Essa disputa de preços continua e o mercado está caminhando de maneira lenta, isso permite a manutenção das cotações”, relata. O isolamento da população diante do coronavírus acaba impactando no consumo de proteínas animais já que restaurantes, bares e lanchonetes estão fechados para o público. “Por isso, as indústrias adotaram a estratégia de comprar da mão para a boca e estão tomando cuidado para não fazer estoques”, comenta. O atacado também segue com estoques curtos de proteínas animais e as referências para o boi casado estão se mantendo na faixa dos R$ 13,00/kg. “A carne no atacado segue firme pela a baixa oferta, mas os estoques encurtados mostram o mercado interno mais fragilizado”, aponta. Por outro lado, os produtores rurais estão conseguindo resistir a qualquer pressão baixista já que a qualidade dos pastos é favorável para a engorda dos animais. “O final da safra de capim é em meados de maio e uma possível concentração de oferta neste período pode afetar os preços”, diz Rezende. As compras chinesas por proteínas retomaram em março após a doença ficar controlada. “Só a China comprou um volume de 52 mil toneladas o que representa 35% de tudo que embarcamos no último mês. Se somar Hong Kong esse percentual é de 75 mil toneladas”, explica. A expectativa do mercado é que a demanda chinesa venha aumentar nas próximas semanas, tendo em vista que a média diária exportada em abril está bem aquecida. “O mês de abril registrou um incremento de 5% no volume exportado na média diária frente aos dados observado em março”, pontua.
FCStone
ECONOMIA
Dólar fecha em leve alta com atenções a noticiário local
O dólar fechou na terça-feira com alta discreta ante o real, após mostrar ganhos e perdas mais consistentes ao longo do dia, com as operações locais não conseguindo captar a fraqueza da moeda no exterior em meio ao noticiário político-econômico doméstico
Além de constantes preocupações do lado da economia, receios no campo fiscal voltaram ao radar. Pontos laterais aprovados em projeto de auxílio a Estados e municípios acenderam o alerta na equipe econômica quanto à possibilidade de descontrole nos gastos em meio à pandemia do coronavírus. Para José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, o projeto aprovado pela Câmara foi “mal elaborado”, deixando “impossível”, por ora, saber seu custo final. Na visão do economista, o texto incentiva que governadores e prefeitos sejam “lenientes” do ponto de vista das contas públicas. O dólar à vista BRBY teve variação positiva de 0,10%, a 5,1906 reais na venda. A atratividade do real mesmo dentro do universo emergente é dúvida. Estrategistas do Morgan Stanley passaram a ficar “otimistas” com moedas de países emergentes em geral, mas excluíram o real (e o peso mexicano) da lista. “Acreditamos que riscos políticos, junto com fracos fundamentos, deixam essas moedas sujeitas a novas correções”, disseram em nota na terça-feira.
REUTERS
Wall St respalda alta, mas Petrobras pesa e Ibovespa fecha abaixo de 80 mil pontos
O Ibovespa fechou em alta pela segunda sessão consecutiva na terça-feira, respaldado por Wall Street e com bancos privados entre os principais suportes positivos, enquanto Petrobras atenuou o ganho em meio à queda dos preços do petróleo
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,37%, a 79.918,36 pontos, em sessão também marcada por ajustes antes dos vencimentos de opções sobre o índice e do Ibovespa futuro, que acontecem na quarta-feira. Em abril, a alta alcança 9,45%, mas no acumulado do ano o desempenho ainda está negativo em 30,9%. O volume financeiro nesta terça-feira alcançou 21,2 bilhões de reais. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 3%, em meio a expectativas de alívio nas medidas de restrições para combater a disseminação do coronavírus. Três Estados na costa oeste dos EUA, liderados pelo governador da Califórnia, e sete na costa leste, liderados pelo governador de Nova York, afirmaram na véspera que desenvolverão planos coordenados de reaberturas regionais. “Foi mais um dia de alta nos mercados com a continuidade da desaceleração de casos nas principais economias do mundo”, acrescentou o gestor Ricardo Campos, sócio na Reach Capital, destacando ainda dados chineses de comércio exterior. Na China, as exportações caíram 6,6% em março sobre o ano anterior, melhorando ante a queda de 17,2% no bimestre de janeiro e fevereiro. Economistas projetavam queda de 14% dos embarques em março.
REUTERS
EMPRESAS
Minerva reduz abates e pode alternar operações diante de ameaça de Covid-19
A Minerva Foods, uma das maiores produtoras de carne bovina do Brasil, já se prepara para alternar as operações de abate entre os Estados, no caso de uma eventual infecção por coronavírus em funcionários que leve ao fechamento de alguma unidade da empresa
“Todos estamos nos preparando para o caso de isso acontecer, substituir (os abates de) uma fábrica por outra, dentro do possível”, disse o Diretor de Relações Institucionais da Minerva, João Sampaio, em webinar na terça-feira. Além disso, o executivo disse que a empresa reduziu o total de animais abatidos, uma vez que medidas preventivas também levaram a um menor número de trabalhadores nas unidades. “Nas fábricas, diminuímos o número de pessoas e animais que podem ser abatidos, tivemos várias plantas fiscalizadas pelo Ministério Público”, disse. Na webinar, ele não especificou em quanto a empresa reduziu o total abatido. Após ser procurado pela Reuters, disse que a medida foi adotada em algumas unidades. Em meados do mês passado, a Minerva anunciou a suspensão de operações de abates em quatro unidades no Brasil, como medida preventiva ao coronavírus e por questões logísticas também relacionadas à doença. Tais paralisações, segundo disse a empresa na época, durariam até 15 dias. A companhia conta com uma dezena de frigoríficos no Brasil e unidades na Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai, que integram a subsidiária Athena Foods. Até o momento, nenhum funcionário da companhia testou positivo para o Covid-19, disse o executivo. Segundo ele, no Minerva, um grupo de executivos se reúne todos os dias para tratar de medidas em meio à crise do coronavírus. O único gargalo citado por Sampaio, caso seja necessário alternar as operações, é a diferença tributária entre os Estados. “Embora tenhamos uma vantagem geográfica para fazer alterações, do ponto de vista tributário é dificílimo.” Dentre os impactos do coronavírus, a redução dos empregos e a queda na renda média da população afetam a demanda interna por carnes, disse o representante do GPB/Datagro, Leonardo Bacco, mas a oferta de gado está mais restrita devido à retenção de fêmeas, o que pode dar algum equilíbrio para o mercado pecuário. “O impacto maior está nos mercados de carne premium, geralmente consumida aos fins de semana, em restaurantes e hotéis, um consumo que não está acontecendo neste momento.” Já sobre a precificação do boi gordo, apesar da queda na demanda por proteína animal, a expectativa de Bacco é que as cotações não cairão abaixo dos níveis verificados em 2019, ou seja, devem permanecer acima dos 150 a 170 reais por arroba. Para ele, a firmeza nas exportações para a China tem ajudado a precificar melhor a carne comercializada no mercado interno e externo.
REUTERS
FRANGOS & SUÍNOS
Importação de carne suína da China em março quase triplica na comparação anual
As importações de carne suína da China em março quase triplicaram na comparação com mesmo mês do ano passado, mostraram dados de alfândega na terça-feira, com compradores buscando preencher a escassez de oferta doméstica após a peste suína africana ter dizimado o rebanho do país
Maior consumidora global de carne suína, a China importou 391 mil toneladas do produto em março, contra 127,2 mil toneladas em março de 2019, segundo cálculos da Reuters com base nos dados oficiais. Os embarques da carne no primeiro trimestre foram de 951 mil toneladas, quase duas vezes mais que o registrado em mesmo período do ano anterior, de acordo com os números da Administração Geral de Alfândegas. A peste suína africana reduziu em ao menos 40% o rebanho suíno da China e reduziu o número de porcas em até 60% em 2019, o que cortou a produção de carne suína e levou os preços da carne favorita dos chineses a máximas recorde. A China havia importado 560 mil toneladas de carne suína nos primeiros dois meses de 2020, alta de 158% na comparação anual.
REUTERS
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