
Ano 3 | nº 676 | 23 de janeiro de 2018
NOTÍCIAS
Carcaça do boi castrado atinge o menor preço em 5
O mercado físico de boi gordo teve preços predominantemente mais baixos nesta segunda-feira, 22
A queda foi expressiva em algumas regiões e a tendência é que este movimento se prolongue no restante do mês. A oferta crescente de fêmeas favorece esse comportamento, com o descarte das vacas que não emprenharam. Segundo a consultoria Safras & Mercado, mesmo para a primeira quinzena de fevereiro, é limitado o espaço para recuperação nos preços. Já a XP Investimentos estima que consumo poderá reagir no decorrer da semana, com uma possível reposição para o início de fevereiro, mas até o momento, o escoamento ainda é lento. No atacado, o ritmo ainda é fraco e são comuns relatos de empresas realizando promoções para estimular a venda de carne. Prova disto é que o boi casado recua consecutivamente desde o início do ano e já registra a menor média em dois meses. O mercado de carne bovina com osso também sentiu os efeitos da retração do consumo e fechou em queda. Segundo a Scot Consultoria, a carcaça de bovinos castrados está cotada em R$ 9,18 o quilo, queda de 4,5% frente ao levantamento de sexta-feira, 19, atingindo o menor patamar desde agosto. Essa desvalorização no atacado, fez a margem de comercialização das indústrias que desossam, cair abaixo da média histórica. Atualmente, segundo o indicador equivalente Scot desossa, a margem de comercialização está em 20,3% e a média histórica é de 20,4%. Enquanto isso, a competitividade da carne bovina segue prejudicada frente suas concorrentes (suína e frango).
Boi gordo no mercado físico – R$ por arroba
Araçatuba (SP): 146,00
Belo Horizonte (MG): 138,00
Goiânia (GO): 136,00
Dourados (MS): 133,00
Mato Grosso: 129,00-133,00
Marabá (PA): 129,00
Rio Grande do Sul (oeste): 4,90 (kg)
Paraná (noroeste): 141,00
Tocantins (norte): 128,00
CANAL RURAL
Queda no mercado atacadista estreita a margem dos frigoríficos
A demanda fraca desde o início do ano se intensificou ao longo da última semana e o reflexo disso foi mais pressão sobre a cotação da arroba do boi gordo
O mercado atacadista de carne bovina com osso também sentiu os efeitos da retração do consumo e fechou em queda. Na última segunda-feira (22/1), a carcaça de bovinos castrados ficou cotada em R$9,18/kg, queda de 4,5% frente ao levantamento de sexta-feira (19/1). Vale destacar que esse foi o menor patamar desde agosto de 2017. Essa desvalorização no atacado fez a margem de comercialização das indústrias que desossam cair abaixo da média histórica. Atualmente, segundo o indicador Equivalente Scot Desossa, a margem de comercialização está em 20,3% e a média histórica é de 20,4%. Para o curto prazo sem expectativa de melhoria do consumo, as pressões sobre a cotação da arroba do boi gordo devem continuar.
SCOT CONSULTORIA
Mapa autoriza redução da dose da vacina contra aftosa
Instrução Normativa publicada nesta segunda-feira deve contribuir para evitar reações alérgicas. Dose foi reduzida de 5ml para 2ml
A Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), publicada no Diário Oficial da segunda-feira (22) autorizou a redução da dose da vacina contra a aftosa de 5 mililitros para 2 mililitros. Um dos principais objetivos na mudança da vacina será a injeção de menor volume de óleo mineral, com consequente redução de reações locais. Alguns países, como Argentina, Uruguai e Bolívia já adotam essa prática, com resultados satisfatórios, tanto em relação à diminuição às reações, quanto na preservação da potência da vacina. Em que pesem essas experiências, a adequação dos métodos de controle de potência e de tolerância que serão submetidas cada partida de vacina produzida, garantirão a eficácia e a segurança do produto. O componente oleoso, que tem a finalidade de promover imunidade mais longa, é também um dos principais responsáveis pela indução de reações do tipo alérgica no local da aplicação. Considerando a não ocorrência de focos da doença no país, desde 2005, e a tendência de suspensão gradativa da vacinação, a área técnica do Mapa concluiu não haver necessidade de utilização de vacinas que induzam resposta rápida, mas que assegurem a manutenção de resposta longa. Dessa forma, também foi alterada a avaliação da potência de cada partida de vacina de 28 para 56 dias pós-vacinação, para as vacinas já registradas, e a implantação da avaliação aos 168 dias pós-vacinação, além da avaliação aos 56 dias, para vacinas em processo de registro ou de alteração pós registro. A atualização do teste de estabilidade da emulsão visa melhor avaliar a qualidade da produção da vacina no que refere à consistência do processo de emulsificação para garantir a emulsão água em óleo. Isso, em razão da alteração do volume do conteúdo da vacina nos frascos, gerada pela redução da dose e da mudança na densidade da fase aquosa, em razão da alteração na proporção da massa antigênica dos antígenos “O” e “A”, ocorrida após a recente retirada do vírus “C” da composição da vacina. O teste de tolerância é realizado por meio da vacinação de um grupo de animais e posterior observação no local da aplicação, de eventual ocorrência de nódulos, os quais devem ser mensurados. A metodologia atual prevê a vacinação pela via intramuscular profunda que, por essa razão não possibilita uma visualização adequada de nódulos, nem permite mensuração de forma adequada. A mudança para a via subcutânea permitirá avaliação mais eficiente.
MAPA
Sebo: mercado perdendo sustentação
Apesar da estabilidade de preços, aos poucos o mercado de sebo bovino vai perdendo a sustentação
Negócios ocorrendo abaixo da referência são cada vez mais comuns e, com a maior competitividade do óleo de soja no mercado (também usado na produção de biodiesel), o cenário atual está mais para desvalorização do que de alta. Tanto no Brasil Central como no Rio Grande do Sul, a gordura animal está cotada, em média, em R$2,30/kg, livre de imposto, segundo levantamento da Scot Consultoria. A oferta de sebo não está abundante, apesar disso, a demanda deve determinar o rumo do mercado para as próximas semanas.
SCOT CONSULTORIA
Brasil deve exportar 60% mais carne halal dentro de dois anos
O Brasil exporta esse tipo de produto para 22 países de cultura islâmica
Segundo Ali Saifi, Diretor Executivo da Cdial Halal, empresa de referência em certificação halal, o Brasil deve iniciar este ano a exportação de carnes halal para a Indonésia. O país representa um mercado com potencial de US$ 80 milhões. Em nota à imprensa, Saifi ainda afirma que, até 2020, as exportações brasileiras desses produtos devem crescer 60%. “Hoje produzimos somente 33% da nossa capacidade”, diz. Além da posição de destaque que o Brasil tem como exportador de carne bovina e frangos, o país também lidera as vendas de carne Halal, que é feita especialmente para o consumo de muçulmanos. Atualmente, o país exporta esse tipo de produto para 22 países de cultura islâmica, o que representa um total de dois milhões de toneladas de carnes halal por ano. “Halal”, em português, significa “lícito, autorizado”. Ou seja, o alimento halal é todo produto que é permitido no Islã para consumo, de acordo com as regras escritas no Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos. No caso das carnes, existe uma série de regras que precisam ser respeitadas na escolha do animal, na forma de abate e no preparo da carne para armazenamento e transporte. O animal deve ser abatido por um muçulmano com a face voltada para Mca. E, na hora do abate, o profissional deve pronunciar o nome de Alláh. Em 2017, segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, a balança comercial do Brasil com as 22 nações da Liga Árabe bateu recorde, com saldo positivo de US$ 67 bilhões. O levantamento mostra que o Oriente Médio comprou 16% mais produtos brasileiros em 2017, e esse crescimento foi puxado, entre outros produtos, pelas carnes bovina e de frango. Com a adição da Indonésia este ano, a demanda deve crescer ainda mais. Isso porque, segundo uma pesquisa conduzida pelo Pew Research Center, publicada em 2015 e atualizada em março de 2017, das 260 milhões de pessoas que vivem na Indonésia, cerca de 240 milhões (87%) são muçulmanos, o que representa quase 13% da população muçulmana mundial.
Revista Globo Rural
Pecuária e avicultura investem em processos sustentáveis para atender consumidores mais exigentes
A busca por mais saúde está provocando mudanças nos hábitos alimentares das pessoas. Saber o que está no seu prato – de onde a comida veio, como foi processada e transportada, faz parte do novo mindset dos consumidores e explicam boa parte da ascensão de marcas que se preocupam com esses aspectos
O relatório “As Tendências Globais em Alimentos & Bebidas 2018”, da Mintel, reitera que a falta de confiança generalizada aumento a necessidade de que produtores se comuniquem de maneira clara com seus clientes sobre seus ingredientes, processos e cadeias. Globalmente, entre setembro de 2016 e agosto de 2017, 29% dos lançamentos de alimentos foram de produtos mais naturais (orgânicos, sem aditivos ou OGM). A exigência por ética e sustentabilidade no setor cresceu de 1% em 2007 para 22% em 2017, de acordo com a mesma pesquisa. Dentro da pecuária e avicultura, a cobrança vem de diversos aspectos: criação mais saudável dos animais, sem gaiolas e com mais espaço, alimentação e rações mais naturais, e redução no uso de antibióticos e químicos. Linhas de carne e frango mais sustentáveis não são mais um nicho, e sim uma tendência geral do mercado. Para Sylvia Wachsner, Coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), a prova disso é que grandes grupos têm tomado ações nesse sentido. Um exemplo é a BRF: em parceria com a ONG World Animal Protection, a empresa estabeleceu diversos objetivos para melhorar suas práticas no fornecimento e produção de alimento. Isso inclui trabalhar com o bem-estar dos animais, como granjas com mais espaço e alimentação de qualidade, e também a gradativa redução da utilização de antimicrobianos. O crescimento de empresas como a Korin, reconhecida por suas práticas sustentáveis pelo Prêmio Eco, também representa esse novo paradigma na produção. A questão da redução de antibióticos é uma das pautas mais relevantes nesse aspecto. Com o uso indiscriminado de medicamentos na criação de bois e frangos preocupa órgãos internacionais, inclusive a Organização das Nações Unidas. A FAO, que promove o diálogo sobre alimentação e agricultura na ONU, aponta que o crescimento no uso de antibióticos em animais eleva o risco de aumento na resistência das bactérias. Uma das principais recomendações da organização é justamente promover boas práticas no setor, reduzindo as chances dos animais ficarem doentes. Pensar em bem-estar, espaço para criação, liberdade, alimentação é uma das chaves. Enquanto os consumidores puxam essas mudanças, o mercado retroalimenta a necessidade dessas discussões também nos negócios B2B. Em 2015, por exemplo, o McDonald’s dos Estados Unidos anunciou que deixaria de comprar carne de frango com antibióticos.
Estadão
Receita regulamenta Refis do Funrural
Órgão publicou no Diário Oficial desta segunda-feira, 22, modelo de requerimento de adesão ao Refis e outros esclarecimentos sobre o PRR. PRR prevê entrada de 2,5% da dívida consolidada
A Secretaria da Receita Federal publicou no Diário Oficial da União (DOU) instrução normativa que regulamenta o Programa de Regularização Tributária Rural (PRR), para parcelamento das dívidas previdenciárias de produtores rurais com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), mais conhecido como Refis do Funrural. O programa foi instituído pela recém-sancionada Lei 13.606/2018, que permite a quitação dos débitos com o Funrural vencidos até 30 de agosto de 2017. A adesão ao programa será aceita até 28 de fevereiro de 2018. O produtor rural que aderir ao parcelamento terá de pagar 2,5% da dívida consolidada em até duas prestações iguais, mensais e sucessivas. O restante poderá ser dividido em até 176 parcelas, desde que respeitados os valores mínimos das parcelas (R$ 100 para produtor rural e R$ 1.000 para adquirente). Na instrução normativa, a Receita informa que quem decidir aderir ao PRR deverá preencher requerimento (veja aqui) e protocolá-lo na unidade da Receita do domicílio tributário do devedor. O requerimento pede o nº DEBCAD, que é o sistema de consulta de débitos da Receita que apuram os valores identificados como devidos e não pagos. É necessário utilizar o modelo indicado pela instituição e entregá-lo junto com “documento de constituição da pessoa jurídica ou de entidade equiparada, com as respectivas alterações que permitam identificar os responsáveis por sua gestão, ou documento de identificação da pessoa física ou do procurador legalmente habilitado”, além de termo de migração ou desistência de parcelamentos anteriores (caso exista e conforme Anexo II – veja aqui). De acordo com o advogado Fábio Lamonica, do Schwingel & Lamonica Advogados Associados, o produtor ou adquirente pode consultar a Receita para identificar quais os valores em aberto. Liminar – Quem decidir aderir ao parcelamento, precisará renunciar às ações judiciais que questionam o pagamento do Funrural. “A comprovação do pedido de desistência e renúncia de ações judiciais deverá ser apresentada à unidade de atendimento do domicílio tributário do sujeito passivo até o dia 30 de março de 2018, mediante apresentação da 2ª (segunda) via da correspondente petição protocolada ou de certidão da Secretaria Judicial que ateste a situação das referidas ações”, informa a normativa. No caso de produtores ou adquirentes que têm liminar com depósito em juízo, estes serão “automaticamente transformados em pagamento definitivo ou convertidos em renda da União, até o montante necessário para apropriação aos débitos objeto da desistência de que trata o art. 6º, inclusive aos débitos para os quais não foi efetuado depósito ou o depósito efetuado tenha sido insuficiente para quitação do débito, referentes ao mesmo litígio”. Caso, após a conversão do valor depositado em pagamento da dívida do PRR, houver débitos remanescentes, estes poderão ser parcelados conforme o previsto na lei do Funrural. Confira o texto na íntegra e .
ESTADÃO CONTEÚDO
Tocantins deixou de vender 125t de carne para a Rússia; prejuízo com a suspensão é de mais de R$ 20 milhões
O país anunciou a suspensão de compra de carnes suína e bovina do Brasil em novembro de 2017, afetando 59 frigoríficos brasileiros, quatro deles do Estado do Tocantins
A notícia de que a Rússia pode voltar a importar carne brasileira deixou o Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Carnes Bovinas, Suínas, Aves, Peixes e Derivados do Estado do Tocantins (Sindicarnes) esperançoso com a possibilidade de retomada dos negócios com um de seus maiores compradores. A Rússia anunciou a suspensão de compra de carnes suína e bovina do Brasil em novembro de 2017, afetando 59 frigoríficos brasileiros, quatro deles do Tocantins: Minerva, do município de Araguaína; Plena, de Paraíso do Tocantins; Cooperfrigu, de Gurupi; e Boi Brasil, de Alvorada. Em entrevista ao Norte Agropecuário, o Presidente do Sindicarnes, Oswaldo Stival Júnior afirmou que a restrição imposta pelo mercado russo trouxe uma queda na exportação tocantinense de aproximadamente 125 mil quilos, o equivalente a R$ 20 milhões. “O mercado russo é extremamente importante para o Brasil e, principalmente, para o Tocantins. A Rússia é a maior importadora dos produtos das nossas indústrias em valor agregado e a restrição trouxe uma queda na exportação tocantinense, até a data de hoje, de aproximadamente 125 mil quilos, o que representa queda de quase R$ 20 milhões em faturamento”, reiterou. Questionado se os frigoríficos tocantinenses haviam encontrado outro mercado para suprir essa perda, Stival Júnior enfatizou que o mercado russo tem o maior valor agregado. “Os frigoríficos tocantinenses, embora procurem outros mercados, não conseguem exportar na mesma quantidade e valor agregado. O mercado russo tem valor agregado maior do que os mercados em que nós estamos habilitados como Egito e Emirados Árabes. Esse é o grande motivo pelo qual não conseguimos suprir essa baixa em valor agregado dentro mercado exportador”, ressaltou. A notícia então de uma possível reabertura anunciada pelo Ministério da Agricultura e divulgada pelo Norte Agropecuário trouxe ânimo ao Sindicarnes. “Nós estamos muito esperançosos e contentes com essa notícia, embora não seja garantida oficialmente a reabertura. Vamos aguardar os próximos trinta dias atentos à articulação do Ministério da Agricultura brasileiro junto ao governo russo para que possa ter êxito e garantir a reabertura desse mercado”, concluiu Stival Júnior.
Norte Agropecuário
Frigoríficos se recuperam e voltam a gerar empregos
Após as turbulências de 2015 e 2016, período no qual a restrição de boi gordo e a recessão da economia provocaram o fechamento de mais de 50 frigoríficos e a demissão de 7,9 mil pessoas, a indústria de carne bovina parece ter entrado em nova fase, embalada pela inversão do ciclo da pecuária e pela retomada da economia
Há alguns anos, os moradores da Juruena, no norte de Mato Grosso, sofrem com as parcas alternativas de emprego. Como é comum em cidades de menor porte, a prefeitura representa mais da metade das vagas formais, e as atividades do setor privado são escassas. Mas a situação começou a mudar recentemente com o anúncio do arrendamento e reabertura de frigorífico no município pelo Frigol. “A cidade está toda animada”, relata o ex-prefeito Bernardo Crozetta, hoje à frente da Secretaria de Desenvolvimento de Juruena. Se tudo correr como o esperado na emissão das licenças ambientais, o município ganhará em torno de 450 empregos em fevereiro, o equivalente a quase 50% do total de vagas até então existentes da cidade – isso sem contar empregos indiretos. Assim como Juruena, outros rincões do país passam por um movimento semelhante. Após as turbulências de 2015 e 2016, período no qual a restrição de boi gordo e a recessão da economia provocaram o fechamento de mais de 50 frigoríficos e a demissão de 7,9 mil pessoas, a indústria de carne bovina parece ter entrado em nova fase, embalada pela inversão do ciclo da pecuária e pela retomada da economia. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) compilados pelo Valor, o saldo de empregos nos abatedouros de bovinos do país ficou positivo em 8,7 mil vagas entre janeiro e novembro – o dado de dezembro ainda não foi divulgado. Trata-se do melhor desempenho desde 2012, quando os frigoríficos geraram 10,2 mil vagas. Dono do maior rebanho do Brasil, Mato Grosso lidera o movimento, seguido por Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará. As vagas criadas no último ano representam um crescimento de 7,5% ante com o estoque de 113,1 mil empregados em abatedouros de bovinos em dezembro de 2016, de acordo com os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho. A tendência é que o saldo de empregos do setor cresça ainda mais, incluindo unidades que serão reabertas neste ano pelo Frigol em Juruena, pela Marfrig em Pontes e Lacerda e pelo Frigoestrela em Rondonópolis, ambos em Mato Grosso. Aos dados também devem ser acrescidos o frigorífico do Rodopa em Cachoeira Alta (GO), que foi arrendado pelo Frigol e voltou a funcionar em dezembro, gerando 380 vagas, segundo o presidente da empresa paulista, Luciano Pascon. “A nossa cidade é muito dependente de frigorífico”, reconhece o Prefeito da goiana Cachoeira Alta, Kelson Vilarinho (PSD), que já observa uma recuperação do município de 12 mil habitantes. “A cidade está movimentada. Veio muita gente de fora e o comércio melhorou”, acrescenta o Prefeito. A avaliação de autoridades de outras cidades ouvidas pelo Valor é semelhante. “O impacto foi excelente porque antes a cidade estava parada. O comércio apareceu”, diz Pedro Henrique Gomes, Chefe de Gabinete do prefeito de Mirassol D’Oeste (MT). Devido à reabertura da unidade da Minerva Foods, o município liderou o saldo positivo de empregos no setor em 2017. Ao todo, foram 857 vagas, o que representa mais de 15% dos empregos formais de Mirassol, que tem 26 mil habitantes. Também em Nova Xavantina, na região nordeste de Mato Grosso, a retomada das operações da unidade da Marfrig significou uma mudança de grandes proporções para o município. “Hoje, o frigorífico é o maior gerador de empregos”, diz o Prefeito João Batista da Silva (PSD). Até meados do ano, quando a planta estava fechada, a prefeitura era a maior empregadora, segundo Silva. De acordo com os dados do Caged, o saldo de empregos nos abatedouros de bovinos de Nova Xavantina ficou positivo em 635 vagas – 19,7% dos empregos formais. Além da conjuntura econômica favorável e da maior oferta de bois, o ressurgimento de frigoríficos reflete o rearranjo provocado pela delação premiada dos irmãos Batista, donos da JBS. Ao longo do último ano, a empresa entregou três frigoríficos em Mato Grosso que estavam alugados e fechados há alguns anos. Entre as plantas estavam as de Juruena e Pontes e Lacerda – que agora serão reabertas. “Com essa saída da JBS, você traz um novo cenário a essas regiões”, avalia o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Thiago Bernardino de Carvalho. Para ele, a concentração do setor restringia as alternativas aos pecuaristas do país. No Mato Grosso, a JBS chegou a ter mais de 50% da capacidade de abate – incluindo unidades abertas e fechadas -, conforme o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Frigoríficos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, concluído em 2017. Conforme o pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UMFT), Ernani Pinto de Souza, a maior concorrência no setor é positiva, mas exige competência dos novos entrantes. “A JBS está tentando retomar a credibilidade”, diz.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
JBS vai restituir pecuaristas com diferença do Funrural de janeiro
A JBS S.A. informou na segunda-feira (22) que pecuaristas que tiveram animais abatidos pela companhia entre 1º e 9 de janeiro serão restituídos com a diferença de 0,8 ponto percentual referente à mudança na alíquota do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural)
A partir de 10 de janeiro, a alíquota do Funrural foi reduzida de 2,3% para 1,5%, por meio de lei sancionada pelo presidente Michel Temer. A alíquota do Funrural é recolhida dos pecuaristas pelos frigoríficos e repassada pela indústria de carnes ao governo. A restituição realizada pela JBS é referente ao valor descontado dos pecuaristas sobre o preço dos bois para abate nos primeiros dias de janeiro, anteriores à sanção da lei. “Com essa medida, que alcança mais de 4 mil fornecedores em todo o país, a JBS reafirma sua parceria com a pecuária nacional”, disse a JBS por meio de nota. A JBS não informou o valor total das restituições.
CARNETEC
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