
Ano 11 | nº 2621 | 22 de dezembro de 2025
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Exportações de carne bovina crescem 50% em novembro e sinalizam recorde histórico para o ano
As exportações do setor de carne bovina, em novembro de 2025, cresceram 50% em relação ao mesmo mês do ano anterior, mantendo o elevado ritmo de crescimento que vem sendo observado ao longo do ano. No mês, as vendas externas de carne bovina in natura e industrializada, miudezas comestíveis e outros subprodutos alcançaram US$ 1,874 bilhão, terceiro melhor resultado do ano, sinalizando para um novo recorde em 2025, com receitas que devem superar a marca de US$ 18 bilhões.
Em volume, a movimentação foi de 361.885 toneladas (+ 30%). A informação é da Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), que compilou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No ano passado, em novembro, as exportações tiveram receita de US$ 1,249 bilhão e movimentação de 279.207 toneladas. Faltando ainda contabilizar as vendas do mês de dezembro, com o final das tarifas punitivas aplicadas pelos Estados Unidos à carne bovina brasileira e manutenção do ritmo de compras pela China, além do crescimento de outros mercados como México, Rússia, União Europeia e Chile, as exportações totais de carne bovina em 2025 deverão ultrapassar US$ 18 bilhões e se aproximar de 4 milhões de toneladas embarcadas. No acumulado até novembro, segundo a Abrafrigo, a receita já atingiu US$ 16,530 bilhões (+37,5%) e 3,510 milhões de toneladas (+19%). As vendas para a China, nosso principal comprador, cresceram 48% até novembro de 2025, em relação aos primeiros 11 meses do ano anterior, somando US$ 8,029 bilhões, com embarques de 1,499 milhão de toneladas (+23,65%). A participação das exportações de carne bovina in natura para o mercado chinês, em relação ao total exportado, aumentou para 54% na parcial até novembro de 2025, ante uma participação de 51% no mesmo período do ano anterior. Os valores médios de exportação de carne bovina in natura para a China subiram 19,5% neste ano, passando de US$ 4.482 por tonelada (média de janeiro a novembro de 2024) para US$ 5.355 por tonelada (média de janeiro a novembro de 2025). Esse aumento nos preços médios de exportações reflete movimentos nos preços do boi gordo no Brasil, que vêm subindo em virtude de fatores como uma mudança no ciclo pecuário, que sinalizam para uma oferta mais restrita da matéria prima e preços mais elevados no próximo ano. Somado a isso, há preocupações no mercado com possíveis restrições ao comércio que venham a ser decretadas pelo governo chinês em razão do processo de investigação de salvaguardas que vem sendo conduzido pelo Ministério do Comércio (MOFCOM) do país asiático, previsto para ser concluído no dia 26 de janeiro de 2026, após 2 prorrogações ocorridas em agosto e novembro deste ano. As vendas para os Estados Unidos, segundo maior destino das exportações de carne bovina, ainda não se recuperaram das tarifas adicionais que vigoraram entre agosto e novembro deste ano. Em novembro, as exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos recuaram 58,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, contabilizando US$ 62 milhões. No mesmo mês, as vendas de carne bovina industrializada recuaram 48%, para US$ 22,2 milhões, enquanto as vendas de sebo industrializado caíram 56,8%, para US$ 8,094 milhões. Apesar disso, as vendas totais para o país norte-americano cresceram 26,65% no período de janeiro a novembro de 2025, frente ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 1,889 bilhão. A expectativa é de que as vendas mensais de carne bovina para os Estados Unidos voltem a crescer a partir deste mês de dezembro, após a retirada total das tarifas adicionais por parte governo de Donald Trump. A União Europeia, considerando um único mercado, é o terceiro maior comprador da carne bovina brasileira. As vendas para o bloco europeu aumentaram 70,9% em receitas e 52% em volume no período de janeiro a novembro de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Foram US$ 946,9 milhões e 116,3 mil toneladas embarcadas para aquele mercado, com valores médios de exportação que alcançaram US$ 8.380 por tonelada de carne bovina in natura embarcada. O bloco europeu representou, de janeiro a novembro deste ano, 3,3% em volume e 5,7% em receitas com exportações de carne bovina. Há expectativas positivas para o setor com a possibilidade de assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, com perspectiva de ocorrer em janeiro de 2026. No entanto, essas expectativas são acompanhadas de preocupações com as duras regras de salvaguardas previstas no acordo e que vêm sendo objeto de novas discussões na Comissão Europeia, em função da pressão realizada pelos produtores europeus, os quais temem perder espaço para a carne do Mercosul, de melhor qualidade e maiores volume e competitividade. As regras de salvaguarda que já eram excessivamente restritivas em versões anteriores do acordo podem ficar ainda piores e dificultar as vendas de carne bovina para o mercado europeu, anulando em parte os possíveis ganhos com o tratado, que já vem sendo negociado há mais de 20 anos, e frustrando as expectativas do mercado. A isso se somam inúmeras outras dificuldades para exportar para o bloco europeu, como a dificuldade de aprovação de novas áreas para exportações, sendo que atualmente o Brasil é livre de febre aftosa sem vacinação – com reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), e novas exigências como a EUDR, lei europeia que exige a comprovação de que o produto exportado (no caso de carne bovina, desde o nascimento do bezerro) não provém de áreas desmatadas a partir de janeiro de 2020, mesmo que de forma legal, conforme dispõe a legislação brasileira. No terceiro lugar como país individual veio o Chile, com compras de 96.896 toneladas e receita de US$ 461,2 milhões em 2024, até novembro. Em 2025 as aquisições foram a 118.326 toneladas (+22,1%), proporcionando uma receita de US$ 654,6 milhões (+ 41,9%). A quarta posição foi ocupada pelo México, que saiu de uma movimentação de 43.153 toneladas e receita US$ 201 milhões no ano passado para 113.378 toneladas (+ 162,7%) e receita de US$ 619 milhões (+207%) em 2025. Em quinto lugar entre os 20 maiores importadores veio a Rússia que adquiriu 79.083 toneladas com receita de US$ 281,2 milhões em 2024 e comprou 117.279 toneladas (+48,3) e pagou por elas US$ 500 milhões (+ 77,8%). Ressalte-se, em 2025, além do México, o crescimento da Indonésia que saiu de 9.668 toneladas e receita de US$ 44,3 milhões em 2024 para 38.501 toneladas (+ 298,2%) e receita de US$ 139, 3 milhões em 2025 (+ 214,3%). No total, foram 179 países compradores da carne bovina brasileira sendo que 137 países tiveram crescimento nas suas importações, enquanto outros 42 diminuíram suas aquisições.
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NOTÍCIAS
Boi gordo fecha semana sem mudanças em SP
Mercado pecuário encerra semana estável. O mercado do boi gordo apresentou estabilidade em São Paulo na sexta-feira (19), conforme a análise do informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria.
Pelo levantamento da Scot, no mercado paulista, o animal sem padrão exportação está cotado em R$ 321/@, o “animal-China” em R$ 325/@, a vaca gorda em R$ 302/@ e a novilha terminada em R$ 312/@ (todos valores brutos, no prazo). Segundo a consultoria, o ritmo de negócios foi mais lento, comportamento comum para o encerramento da semana, intensificado pela saída temporária de parte dos negociantes devido às festividades previstas para os próximos dias. “Os compradores que ainda ajustavam suas escalas para o fim do ano seguiram negociando nos mesmos patamares de preços do dia anterior”, informou a Scot. De acordo com o levantamento, as escalas de abate atendiam, em média, nove dias, indicando equilíbrio entre oferta e demanda nas praças paulistas. No Pará, as cotações permaneceram inalteradas nas três regiões pecuárias do estado. A Scot Consultoria destacou que a operação dos frigoríficos ocorreu de forma parcial durante os feriados, o que contribuiu para a manutenção de um ritmo de compras mais ajustado. Na Bahia, o mercado apresentou recuos pontuais. Na região Sul, o boi gordo registrou queda de R$ 3,00 por arroba, enquanto a vaca teve desvalorização de R$ 2,00 por arroba, sem alteração nos preços da novilha. Já na região Oeste, a cotação do boi gordo caiu R$ 1,00 por arroba e a da vaca recuou R$ 2,00 por arroba, com estabilidade para a novilha, segundo a Scot.
SCOT CONSULTORIA
Na região Sul da Bahia, o boi gordo apresentou queda no preço às vésperas do Natal
Consumo enfraquecido e escalas fechadas limitam os negócios e pressionam as cotações
Na semana que antecede o Natal, o mercado do boi gordo operou em ritmo lento, marcado por uma combinação de oferta restrita e de demanda igualmente fraca. O consumo de carne bovina está desaquecido na região, enquanto os frigoríficos já trabalham com escalas de abate fechadas até o fim do mês, o que reduz a necessidade de novas compras. Na comparação semanal, o comportamento dos preços foi distinto entre as categorias. Houve queda no preço do boi gordo, alta para a vaca e estabilidade para a novilha. Para o boi gordo, queda de 1,3%, ou R$4,00/@, negociado em R$303,50/@. À vaca, houve alta de 0,7%, ou R$2,00/@, comercializada em R$287,50/@. Já no caso da novilha, o preço se manteve estável, apregoada em R$290,50/@. Todos os preços são a prazo e descontados o Senar e o Funrural. O diferencial de base do boi gordo está R$12,50/@, ou 4,1% menor na região Sul da Bahia em relação a São Paulo. Com as escalas dos frigoríficos confortáveis e sem necessidade de ajustes até o encerramento do ano, a expectativa, no curto prazo, é de um mercado com viés de estabilidade a leve pressão baixista.
SCOT CONSULTORIA
Abate de fêmeas pode contribuir para elevação do valor da arroba do boi em 2026
Brasil teve aumento de exportações de carnes bovinas e recorde de abate de fêmeas em 2025
2025 foi um ano de recuperação de preços na pecuária de corte brasileira, especialmente no segundo semestre. Uma das principais causas apontadas pelos especialistas deve-se ao forte abate de fêmeas (vacas e novilhas) no país, que segundo o IBGE, este ano superou o de machos pela primeira vez, desde 1997. “Esse ano, tivemos um abate de fêmeas muito alto, porque o produtor rural precisava reduzir despesas e fazer caixa para o custeio da fazenda. Houve um abate de fêmeas recorde no país, que responderam por aproximadamente 50% do total de bovinos abatidos”, comenta o coordenador técnico Estadual de Bovinocultura da Emater-MG, Manoel Lúcio Pontes Morais. De acordo com o último levantamento do IBGE (divulgado em setembro), no segundo trimestre de 2025, o abate de fêmeas apresentou alta de 16,0% (19,35 milhões de cabeças) frente ao mesmo período de 2024. Do total de fêmeas, 33% foram novilhas (5,05 milhões de cabeças), alta de 23,1% em relação a 2024. Com menos fêmeas disponíveis no mercado, a projeção para 2026 é uma oferta menor de bezerros e a retenção de fêmeas para a reprodução, redundando em menos carne para comercialização e subida de preços. Para o coordenador da Emater-MG, o menor número de matrizes pode, em parte, ser compensado pela redução da idade de abate de animais, que está ligada ainda a uma maior eficiência na pecuária. “As fêmeas estão parindo mais cedo e com melhor intervalo de partos; devido ao melhoramento genético e ganhos de eficiência em nutrição, reprodução e manejo, o que reflete em melhoria para toda a cadeia”, argumenta Manoel. A engorda em confinamento cresceu em 2025, sendo que a situação tende a permanecer favorável em 2026; com a previsão de maior estabilidade no preço dos grãos. Mesmo com o embargo americano, as exportações brasileiras buscaram novos mercados de carne bovina, e caminharam em ritmo acelerado em 2025. Em novembro, o Brasil embarcou 356 mil toneladas, crescimento de 36,5% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em receita, houve aumento de 51,9%, atingindo vendas de US$ 1,87 bilhão e 318 mil toneladas de carne in natura exportadas. “O Brasil nunca exportou tanta carne em termos de volume e saldo de vendas, embora já tenhamos tido épocas com a cotação da arroba mais alta”, argumenta o coordenador. Com mercado interno mais contido e o externo com balanço demanda/ oferta favorável, para 2026, a expectativa do Departamento Técnico da Emater-MG é que a arroba do boi gordo e o preço do bezerro mantenham preços consistentes e valorização, mesmo no primeiro semestre do ano, que tradicionalmente é o período de maior oferta de animais no mercado.
EMATER-MG
Queda do boi gordo é passageira e ligada ao calendário
Diretor da Scot Consultoria afirma que recuo de fim de ano é pontual e mercado mantém fundamentos para preços mais altos em 2026
A recente pressão sobre os preços do boi gordo não tem origem estrutural e está diretamente ligada ao calendário de fim de ano. A avaliação é do engenheiro agrônomo Alcides Torres Jr., o Scot, diretor-proprietário da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). Segundo o analista, o mercado atravessa um período atípico, marcado por semanas com poucos dias úteis, feriados e paralisações programadas na indústria. “A semana que vem já é Natal, a outra é Ano-Novo. São semanas curtíssimas, praticamente com dois dias úteis. Isso gera uma acomodação dos compradores”, explicou. Scot destacou que muitos frigoríficos adotam férias coletivas neste período, o que reduz a necessidade de compras imediatas. “Os frigoríficos já estão com as escalas mais ou menos prontas até o dia 5 de janeiro. Então não há urgência em comprar boi agora. É um problema passageiro desses próximos dez dias”, afirmou. Apesar do movimento recente, o analista reforçou que a tendência do mercado segue positiva. “A expectativa continua sendo de alta. Isso não muda o cenário estrutural do boi gordo”, disse. No lado da oferta, Scot apontou que ainda há gado suficiente para atender à demanda no curto prazo, mas o mercado começa a sentir os efeitos de um abate elevado de fêmeas ao longo do ano. “A oferta vem diminuindo. A gente abateu vaca demais e uma hora isso aparece. Esse ajuste está começando agora”, observou. Mesmo assim, a expectativa é de que o quarto trimestre de 2025 registre mais um recorde de abate. “Devemos bater outro recorde no quarto trimestre, mas daqui para frente o processo é de ajuste”, completou. De acordo com Scot, 2025 tem sido um ano positivo para toda a cadeia da carne bovina. “Para os frigoríficos bem administrados e com exposição à exportação, o lucro foi de bom para excelente. Foi um ano bom para o pecuarista e para a indústria”, avaliou. No consumo interno, o analista ressaltou que a limitação segue sendo a renda do consumidor, mas a entrada de recursos no fim do ano ajuda a sustentar a demanda. “O que falta para o consumidor brasileiro é dinheiro. Mas qualquer dinheiro que entra na economia gera consumo de alimento”, afirmou. Ele citou o pagamento do 13º salário, bonificações e empregos temporários como fatores que mantêm o fluxo no varejo. Outro ponto destacado na entrevista foi o desempenho das exportações, que seguem firmes mesmo em um período em que tradicionalmente desaceleram. Segundo Scot, a principal explicação é a antecipação de compras, especialmente pela China. “Existe a sombra das salvaguardas, e todo mundo está se antecipando e formando estoque”, disse. Além disso, ele lembrou a ampliação dos mercados atendidos pelo Brasil e a maior competitividade da carne brasileira. “Hoje exportamos para mais de 145 destinos. A nossa arroba está em torno de US$ 55 a US$ 65, enquanto lá na China está US$ 130, nos Estados Unidos US$ 110, US$120. O Brasil continua muito competitivo, sem subsídio nenhum.”, comparou. Para o analista, se o consumo interno e externo continuar sustentado, o mercado do boi tende a retomar a firmeza após o recesso de fim de ano. “Se o mercado continuar como está, a tendência é de firmeza e alta, com algumas variações ao longo do ano”, concluiu.
SCOT CONSULTORIA
ECONOMIA
Dólar fecha estável após leilões do BC, mas sobe 2,18% na semana
O dólar encerrou a sexta-feira próximo da estabilidade no Brasil, com as cotações influenciadas por um lado pelo avanço da moeda norte-americana no exterior e por outro pelos leilões de divisas do Banco Central, promovidos para irrigar a liquidez.
O dólar à vista fechou o dia em leve alta de 0,11%, aos R$5,5307. Na semana a moeda acumulou alta de 2,18% e no ano, queda de 10,49%. Às 17h12, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,04% na B3, aos R$5,5390. A moeda norte-americana perdeu força ante o real, em movimento intensificado a partir das 10h30, quando o Banco Central realizou simultaneamente dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), com venda total de US$2 bilhões. Os leilões buscam atender à maior demanda por moeda neste fim de ano, quando empresas tradicionalmente enviam recursos ao exterior para pagamento de dividendos. Este ano, especificamente, os envios estão sendo potencializados por quem busca se antecipar ao fim, em janeiro de 2026, da isenção de imposto de renda sobre as remessas ao exterior, que passarão a ser taxadas em 10%, e ao início da taxação de 10% sobre valores recebidos acima de R$50 mil por mês em dividendos. “Foram dois momentos distintos. O dólar abriu em alta no Brasil, acompanhando o exterior depois que o iene derreteu bem e as commodities subiram. Mas os leilões de linha fizeram o dólar perder força”, resumiu Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos. Durante a tarde, a moeda norte-americana se acomodou perto da estabilidade, com os investidores monitorando o noticiário político. Uma operação da Polícia Federal na sexta-feira mirou nos deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) por supostos desvios de recursos de cotas parlamentares. Os dois foram alvos de mandados de busca e apreensão. Sóstenes é líder do PL na Câmara e foi um dos principais articuladores do projeto de lei da Dosimetria, que altera as penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em Brasília, o Congresso se debruçou nesta tarde sobre o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2026. A proposta, aprovada em plenário, prevê um superávit primário de R$34,5 bilhões no próximo ano, ligeiramente acima da meta fiscal de R$34,3 bilhões, que equivale a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O texto segue para sanção do presidente Lula.
REUTERS
Ibovespa fecha com alta discreta apoiado por Itaú e Bradesco em dia com vencimento de opções
O Ibovespa fechou em alta pelo segundo pregão seguido na sexta-feira, superando os 159 mil pontos no melhor momento, em desempenho endossado por Wall Street e com as ações de Itaú Unibanco e Bradesco entre as maiores altas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,35%, a 158.473,02 pontos, tendo marcado 159.551,94 na máxima e 157.906,06 na mínima do dia. Na semana, porém, o Ibovespa registrou queda de 1,43%, deixando o mês com um declínio acumulado de 0,38%. No ano, porém, ainda mostra um avanço de 31,75%. O volume financeiro somou R$32,3 bilhões na sexta-feira, marcada pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista. Na visão do analista-chefe da Levante Inside Corp, Eduardo Rahal, foi uma sessão de recuperação, após as quedas na terça-feira e na quarta-feira, tendo como pano de fundo o alívio nas taxas dos DIs e um dólar com oscilação modesta ante o real. Após começar a semana com alta de 1% no fechamento da segunda-feira, o Ibovespa caiu mais de 3% no dia seguinte e quase 0,8% na quarta-feira, antes de subir cerca de 0,4% na quinta-feira. Para o estrategista Bruno Perri, sócio fundador da Forum Investimentos, o mercado local “respirou”, tentando voltar ao patamar positivo em dezembro, corrigindo quedas anteriores, enquanto investidores seguem atentos a movimentações eleitorais. O último pregão da semana teve entre os destaques do noticiário local a aprovação pelo Congresso Nacional do Orçamento de 2026, prevendo um superávit primário de R$34,5 bilhões no próximo ano. Em Nova York, o S&P 500 fechou com acréscimo de 0,88%, em movimento sustentado principalmente por papéis do setor de tecnologia.
REUTERS
Indústria tem ano sem otimismo pela primeira vez em dez anos
Indicador da CNI fica abaixo de 50 pontos em todos os meses de 2025. Entre os setores mais pessimistas em dezembro estão o de couro, biocombustíveis, têxteis e metalurgia
O setor industrial passou um ano inteiro sem demonstrar otimismo pela primeira vez desde 2015, ano em que o país viveu uma recessão econômica. O patamar da taxa básica de juros, a Selec, estacionada ao longo do segundo semestre de 2025 em 15%, é o que aproxima o cenário deste ano ao de dez anos atrás. Segundo o Icei (Índice de Confiança do Empresário Industrial) da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a confiança dos empresários se manteve abaixo dos 50 pontos em todos os meses de 2025, conforme dados fechados até a primeira quinzena de dezembro. A linha dos 50 pontos é a que divide quão confiantes estão os empresários da indústria, sendo que abaixo disso o clima é de pessimismo. Entre os setores mais inseguros com a economia em dezembro estão o de couros e artefatos de couro (43), biocombustíveis (44,2), têxteis (45) e a metalurgia (45,2). Na ponta oposta, o setor mais otimista é o de farmoquímicos e farmacêuticos, que entrou na reta final de 2025 com 56,9 pontos. Na sequência, estão extração de minerais não-metálicos, com 53,9 pontos; impressão e reprodução, com 52,9; e bebidas, com 51,9. Além da elevada da taxa de juros, diversos segmentos da indústria foram afetados neste ano pela tarifa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump às exportações brasileiras para os Estados Um idos —a metalurgia, por exemplo, está entre os mais atingidos. Enquanto isso, a aflição das têxteis tem relação com a invasão de produtos asiáticos no mercado nacional, vendidos por preços inferiores à produção nacional.
Havia expectativa de que o Icei pudesse ter uma leve melhora no final do ano, por efeitos sazonais, mais essa perspectiva não se concretizou.
FOLHA DE SP
Alimentos puxam alta da produção agroindustrial
Produção agroindustrial de outubro teve alta de 0,8% na comparação com o mesmo mês de 2024. Indústria de frangos de corte. Produtos alimentícios garantiram alta da agroindústria
A agroindústria brasileira teve um comportamento assimétrico em outubro, mês em que as indústrias alimentícias registraram aumento de produção, enquanto as não alimentícias tiveram retração. O resultado foi um crescimento de 0,8% na produção das agroindústrias na comparação com outubro do ano passado, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio (FGV Agro). O resultado compensou as perdas acumuladas até então e fez com que o indicador registrasse estabilidade de janeiro a outubro. Segundo o FGV Agro, a perspectiva é de que a agroindústria encerre o ano com leve crescimento. O setor de produtos alimentícios e bebidas teve alta de 4,3% em outubro, puxado pelo crescimento da produção em todos os segmentos de alimentos (alta de 5,3%), o que compensou a queda de 1% na produção de bebidas. Houve aumento na produção de carne bovina, suína e de aves, além de avanços na produção de laticínios e pescados. No total, a produção de alimentos de origem animal cresceu 6,5%. Os alimentos de origem vegetal tiveram aumento de 3,5% na produção, puxados pelo avanço de arroz, trigo e, notadamente, de conservas e sucos. Já a produção de óleos e gorduras, de açúcar e de café recuaram. No setor de bebidas, houve redução da produção tanto de alcoólicas (-1,3%) como não alcoólicas (-0,7%). Segundo o FGV Agro, a queda não é resultado dos casos de intoxicação por metanol, já que o setor já vinha produzindo menos antes do escândalo. Nas agroindústrias não alimentícias, quase todos os subsetores tiveram redução da atividade. A maior queda continuou sendo na produção de biocombustíveis, com recuo de 14,8%, ditado pela menor fabricação de etanol de cana-de-açúcar. Também houve diminuição da produção de fumo produtos florestais e têxteis. A única indústria não alimentícia que cresceu foi a de insumos agropecuários, com alta de 2,3%.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Congresso aprova Orçamento de 2026 com R$61 bi de emendas e superávit de R$34,5 bi
O Congresso Nacional aprovou na sexta-feira o Orçamento de 2026, prevendo um superávit primário de R$34,5 bilhões no próximo ano, ligeiramente acima da meta fiscal de R$34,3 bilhões, que equivale a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).
O projeto, que havia sido aprovado mais cedo na sexta-feira pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), passou por votação simbólica em plenário e segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo ano estabelece a aplicação de R$110,8 bilhões em investimentos, bem acima do piso de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) exigido pelo arcabouço fiscal, que corresponde a R$83 bilhões. Serão destinados para emendas parlamentares cerca de R$61 bilhões, rubrica que terá liberação acelerada no primeiro semestre de 2026, ano eleitoral, após regra aprovada neste mês na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O arcabouço fiscal define uma margem de tolerância de 0,25% do PIB para que a meta fiscal seja considerada cumprida. No ano que vem, essa banda ficará entre déficit zero e superávit de R$68,5 bilhões. O governo já conseguiu autorização do Legislativo para seguir mirando o piso da margem de tolerância da meta ao fazer suas avaliações fiscais periódicas. Isso evitará contenções mais vultosas de recursos de ministérios caso o Executivo observe um descompasso entre arrecadação e despesas. O último resultado primário positivo registrado pelo governo central foi observado em 2022 e, anteriormente, apenas em 2013. A contabilização da meta fiscal do próximo ano desconsidera R$55 bilhões em desembolsos com precatórios, que não serão computados após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do texto, deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), definiu uma despesa primária total de R$2,393 trilhões no próximo ano. O valor segue o teto previsto pelo arcabouço fiscal de alta real de 2,5%, respeitando a regra que limita o crescimento da despesa a 70% da alta nas receitas. Ele também apresentou um complemento de voto minutos antes da votação pela CMO com ajustes em recursos de emendas parlamentares e recomposição de verbas para o Ministério da Defesa.
REUTERS
FRANGOS & SUÍNOS
Tradição de fim de ano, carne suína apresenta preços mais estáveis em dezembro
Mercado mostra equilíbrio entre oferta e demanda, e indústrias encontram dificuldades para subir valores
O período das festas de fim de ano costuma ser muito aguardado na cadeia de suínos. Tradicionalmente, é uma época de maior consumo de alguns cortes usados nas celebrações, como pernil, lombo e costela, o que tende a gerar uma alta nos preços. Em 2025, esse movimento está sendo observado, mas com menos intensidade, uma vez que os preços se mantiveram em patamares mais elevados ao logo de todo o ano. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a média do pernil negociado no atacado do Estado de São Paulo na parcial de dezembro (até o dia 18) estava em R$ 14,11 o quilo, 2,3% acima da registrada em novembro. No entanto, outros cortes tradicionais da época apresentam alterações menores, e até mesmo queda. O lombo, cotado a R$ 18,62 o quilo em dezembro, mostra um recuo de 0,59% em relação ao mês passado. Já a costela teve uma alta de 0,75% no mesmo período, para R$ 17,47 o quilo. “O mercado doméstico está apresentando equilíbrio entre oferta e demanda, e a indústria encontra mais dificuldades para subir os preços da carne suína neste mês de dezembro”, afirma Luiz Henrique Melo, analista de mercado de proteína animal do Cepea. Apesar dessa estabilidade, Melo não descarta um movimento de alta nos últimos dias do mês. “Isso vai depender da intensidade das compras de última hora, do quanto podem afetar a demanda”, explica. Segundo o Cepea, 2025 foi um excelente ano para a suinocultura brasileira, marcado por preços firmes, baixa volatilidade e rentabilidade histórica. Essa avaliação é confirmada pelo produtor Mauro Gobbi, de Rondinha (RS). “Para nós, 2025 é um dos melhores anos da história da suinocultura”, afirma. Em relação ao suíno vivo, o preço médio entre janeiro e novembro subiu 7,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, informa o Cepea. O maior valor registrado no ano foi em São Paulo, em setembro: R$ 9,25 o quilo. Segundo o Centro de Estudos, a baixa volatilidade dos preços reflete o equilíbrio entre oferta e demanda que predominou no mercado em grande parte do ano. “Os custos de produção cresceram, mas os preços também aumentaram, e as exportações maiores estão enxugando o mercado interno, o que deixa a carne suína mais valorizada, permitindo uma rentabilidade maior para o criador, que está conseguindo recuperar perdas de anos anteriores”, comenta Gobbi, que também é vice-presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs). Em sua propriedade, a Granja Gobbi, o criador comercializa cerca de 7.500 suínos por semana, totalizando em torno de 400 mil animais por ano. Ele pretende utilizar a rentabilidade gerada pelos bons preços atuais para fazer melhorias na propriedade e fazer estoques de milho para garantir a alimentação do rebanho. Segundo o Cepea, em 2025 houve uma expansão controlada da produção de carne suína no Brasil, que deve encerrar o ano com 5,65 milhões de toneladas, um aumento de 5,5% em relação a 2024. Dessa forma, a oferta ficou alinhada às demandas interna e externa aquecidas. Já as exportações cresceram 10,4%, de acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Foram embarcadas 1,372 milhão de toneladas nos 11 primeiros meses de 2025, acima das 1,243 milhão de toneladas no mesmo período do ano anterior. De acordo com o Cepea, a elevada capilaridade de importadores foi determinante para que o Brasil alcançasse marcas recordes, mesmo diante da forte redução de quase 40% nas compras da China, que por muitos anos concentrou grande parte dos embarques nacionais. A receita com exportações registrada entre janeiro e novembro chegou a US$ 3,294 bilhões, número 18,7% maior em relação ao ano anterior, com US$ 2,774 bilhões. Para 2026, segundo o Cepea, as perspectivas indicam a manutenção do mesmo cenário favorável para a suinocultura. A expansão da base de importadores, o crescimento controlado da produção e a expectativa de preços firmes devem sustentar nova rodada de boa rentabilidade ao setor. A China tende a seguir reduzindo suas compras, abrindo maior espaço para países asiáticos, como Japão e Filipinas, além de mercados das Américas, como México e Chile.
GLOBO RURAL
Frango/Cepea: Carne de frango ganha competitividade frente à suína e bovina
Proteína avícola tem se desvalorizado na parcial de dezembro
A carne de frango vem ganhando competitividade frente às principais concorrentes (suína e bovina), apontam levantamentos do Cepea. Segundo o Centro de Pesquisas, enquanto a proteína avícola tem se desvalorizado na parcial de dezembro, a suinícola e a bovina apresentam aumento nos preços. Pesquisadores explicam que o fraco desempenho da carne de frango é típico desse período, quando a demanda costuma migrar para aves natalinas e para as carnes suína e de boi. Inclusive, agentes do setor consultados pelo Cepea acreditam que o mercado deve seguir lento nas próximas semanas e as cotações, enfraquecidas.
CEPEA
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