
Ano 11 | nº 2619 | 18 de dezembro de 2025
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: queda na cotação da novilha em São Paulo
O mercado abriu a quarta-feira com queda de R$2,00/@ para a cotação da novilha. Para as demais categorias, as cotações permaneceram estáveis na comparação diária.
Pelos números da Scot, as cotações dos machos terminados e da vaca gorda andaram de lado nesta quarta-feira em São Paulo, mas o preço da novilha sofreu queda diária de 2/@. Com isso, apurou a Scot, o boi gordo destinado ao mercado interno paulista está cotado em R$ 321/@, a vaca em R$ 302/@, a novilha em R$ 312/@ e “boi- China” em R$ 325/@. Ágio de R$4,00/@ (valores brutos, no prazo). “A boa demanda por carne bovina no mercado doméstico e o bom desempenho das exportações seguem sustentando as cotações firmes no Estado”, ressaltou a Scot. A baixa se explicou por escalas de abate mais confortáveis em parte dos frigoríficos. No entanto, o movimento não sinalizava uma tendência de baixa, mas um ajuste pontual. A boa demanda por carne bovina no mercado doméstico e o bom desempenho das exportações seguiram sustentando as cotações firmes no estado. As escalas de abate atendiam, em média, a 11 dias. No Mato Grosso, a oferta atendia à demanda, e parte dos frigoríficos já estava com escala para janeiro de 2026. A ponta vendedora mantinha firmeza, com poucos negócios sendo fechados abaixo das referências. Na região Norte, a cotação não mudou para nenhuma categoria na comparação feita dia a dia. Na região Sudoeste, a cotação do boi gordo caiu R$1,00/@. Para as demais categorias, a cotação se manteve estável em relação ao dia anterior. Na região de Cuiabá, a cotação se manteve estável para todas as categorias. Na região de Sudeste, a cotação da novilha caiu R$1,00/@. Para as demais categorias, a cotação não mudou.
A cotação do “boi China” não mudou. No Acre, na comparação diária, a cotação caiu R$2,00/@ para todas as categorias.
SCOT CONSULTORIA
Ritmo de negócios do boi é lento e tende a ficar mais moroso
O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com manutenção do padrão das negociações em grande parte do país.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o ritmo é lento e tende a ficar ainda mais moroso na próxima semana, algo compreensível durante o período de festas de final de ano. “A indústria frigorífica opera com menor capacidade de abate neste momento, com algumas plantas em férias coletivas para a tradicional realização de manutenção do parque fabril. Essas indústrias já iniciam a compra de animais para atender as escalas de janeiro”, destaca. De acordo com ele, sob o prisma da demanda, ainda é evidenciado forte ritmo de embarques, sendo este o grande elemento de destaque de 2025. Preços médios do boi gordo: São Paulo: R$ 322,10 — ontem: R$ 321,53. Goiás: R$ 314,64 — R$ 313,75. Minas Gerais: R$ 308,53 — R$ 309,41. Mato Grosso do Sul: R$ 311,23 — R$ 311,36. Mato Grosso: R$ 298,49 — R$ 298,82. O mercado atacadista se depara com preços firmes, ainda em viés de alta no curto prazo, considerando o bom momento de consumo no mercado interno com os efeitos da entrada. do 13º salário na economia, a criação dos postos temporários de emprego, além das confraternizações tradicionais nessa época do ano. Quarto traseiro: R$ 26,25 por quilo; Quarto dianteiro: R$ 18,50 por quilo; Ponta de agulha: R$ 18,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Brasil supera os EUA e assume liderança na produção mundial de carne bovina
Relatório do USDA mostra liderança inédita do Brasil em 2025, em meio a mudanças no ciclo pecuário dos EUA; para 2026, no entanto, há novas alterações. Brasil deve encerrar o ano com produção de 12,35 milhões de toneladas de carne bovina
O Brasil já é o maior exportador mundial de carne bovina, porém, em 2025, o País ocupará ainda o posto de principal produtor da proteína vermelha, superando os Estados Unidos em volume total produzido. O marco inédito aparece nas estimativas recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). De acordo com o USDA, o Brasil deve encerrar este ano uma produção estimada em 12,35 milhões de toneladas. Enquanto isso, os Estados Unidos — historicamente, o maior produtor global de carne bovina — ficam em 11,81 milhões de toneladas. O avanço brasileiro ocorre em um ano de produção recorde, ao mesmo tempo em que o rebanho norte-americano enfrenta restrições do ciclo pecuário. Produção de carne bovina – Brasil X EUA (1.000 toneladas – equivalente carcaça).
País 2021 2022 2023 2024 2025* 2026*
Brasil 9,750 10,350 10,950 11,850 12,350 11,700
EUA 12,734 12,890 12,287 12,291 11,814 11,712
Em princípio, o marco brasileiro, no entanto, é pontual: as projeções para 2026 indicam queda da produção nacional e a retomada da liderança pelos norte-americanos, segundo o relatório ‘Pecuária e aves: mercados e comércio mundial’, divulgado nesta semana. Para 2026, a produção brasileira é projetada em 11,7 milhões de toneladas — uma queda de 5% em relação ao recorde de 2025. Já os Estados Unidos, mesmo com redução de 1%, devem produzir 11,71 milhões de toneladas, retomando a primeira posição, ainda que por margem mínima. Segundo o USDA, a retração no Brasil está diretamente ligada à redução do abate de fêmeas, estratégia adotada pelos pecuaristas para retenção de matrizes e recomposição do rebanho — um movimento clássico de virada do ciclo pecuário. Movimento semelhante é observado na Austrália, outro grande exportador, que também reduz o abate para preservar o plantel reprodutivo. O relatório do USDA aponta ainda que, após um crescimento expressivo em 2024 e 2025, o comércio global de carnes entrará em desaceleração em 2026. As exportações mundiais de carne bovina e suína devem cair, enquanto apenas o frango mantém trajetória de alta, alcançando nível recorde.
O ESTADO DE SÃO PAULO/AGRO
ECONOMIA
Dólar sobe pela quarta sessão e supera R$5,50
O dólar emplacou a quarta alta consecutiva no Brasil na quarta-feira, voltando a superar os R$5,50, em meio a preocupações em torno da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência em 2026, enquanto no exterior a divisa norte-americana também sustentou ganhos.
O dólar à vista fechou o dia em alta de 1,07%, aos R$5,5223. No ano, porém, a moeda acumula baixa de 10,63%. Às 17h07, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,13% na B3, aos R$5,5350. Na terça-feira, o dólar já havia sido impulsionado por uma pesquisa Genial/Quaest, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bem colocado na disputa presidencial em relação a seus adversários de direita. Em um dos cenários estimulados do levantamento, Lula obteve 41% das intenções de voto em primeiro turno para presidente, com Flávio com 23% e Tarcísio com 10%. Lula venceria todos os oponentes em um eventual segundo turno. Por trás da pressão recente sobre os ativos brasileiros está a leitura de que a opção da direita por Flávio sepulta a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome preferido do mercado, potencialmente favorecendo a reeleição de Lula. Na quarta-feira, os temores em relação a Flávio foram intensificados após nota do site Metrópoles informar que o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, disse a integrantes do mercado que Tarcísio tentará a reeleição em São Paulo e que Flávio deve mesmo disputar o Planalto. Neste contexto, Flávio embarcou para São Paulo no início da tarde para novo encontro com representantes do mercado, dando continuidade ao esforço de aproximação com a Faria Lima. No exterior, os agentes seguiam especulando sobre os próximos passos da política monetária do Federal Reserve no curto prazo. Além disso, o dólar subiu ante a libra com a expectativa de corte de juros pelo Banco da Inglaterra na quinta-feira.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com nova correção tendo juros e eleição no radar
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, com a ausência de sinais claros sobre taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além de receios envolvendo o cenário eleitoral de 2026 avalizando novo movimento de realização de lucros, após fortes ganhos acumulados na bolsa em 2025.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79%, a 157.327,26 pontos, após marcar 156.350,81 pontos na mínima e 158.610,62 pontos na máxima. No ano, ainda sobe mais de 30%, tendo superado 165 mil pontos pela primeira vez na sua história no começo do mês. O volume financeiro somou R$66,88 bilhões nesta quarta-feira, marcada ainda por vencimento de opções sobre o Ibovespa e de contrato futuro do índice. De acordo com o operador de renda variável Patrick Buss, da Manchester Investimentos, é um novo dia, mas os motivos para a queda da bolsa são os mesmos – perspectivas para a Selic e eleições do próximo ano. No caso das perspectivas para os próximos passos do Banco Central, mesmo com muitos economistas reiterando previsão de corte da Selic em janeiro, ele avalia que o mercado tem começado a descartar tal possibilidade e começou a ajustar a aposta de uma redução apenas em março. Em relação ao cenário eleitoral, mesmo com expectativas de maior volatilidade apenas no próximo ano, a partir do final do primeiro trimestre, o noticiário sobre potenciais candidatos de oposição continua no radar, principalmente sinalizações de que Flávio Bolsonaro (PL) deve mesmo concorrer ao Planalto. Investidores temem uma divisão na oposição com a entrada de Flávio Bolsonaro, o que poderia reduzir as chances de uma eventual vitória sobre Lula. Uma das esperanças no mercado com uma mudança em Brasília é de melhora no quadro fiscal do país, dada a trajetória crescente da dívida pública em relação ao PIB. A queda na bolsa ainda teve como pano de fundo o viés negativo nos pregões em Wall Street, onde o S&P 500 fechou em baixa de mais de 1%, com preocupações persistentes sobre inteligência artificial pesando sobre as ações de tecnologia.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial positivo de US$3,108 bi em dezembro até dia 12, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$3,108 bilhões em dezembro até o dia 12, em movimento puxado pela via comercial, informou na quarta-feira o Banco Central.
Os dados mais recentes são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$1,146 bilhão em dezembro até o dia 12. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, o saldo de dezembro até o dia 12 foi positivo em US$4,254 bilhões. Na semana passada, de 8 a 12 de dezembro, o fluxo cambial total foi negativo em US$1,601 bilhão. No acumulado do ano até 12 de dezembro, o Brasil registra fluxo cambial total negativo de US$16,646 bilhões.
REUTERS
GOVERNO
UE faz acordo final sobre salvaguarda agrícola para produtos do Mercosul
Gatilho para abrir investigação, e colocar barreiras, será acionado quando alta de importação chegar a 8%
A versão final de salvaguarda agrícola adicional no Acordo de Parceria União Europeia–Mercosul foi aprovada ontem à noite pelo Conselho Europeu (que reúne os governos dos Estados-membros) e pelo Parlamento Europeu, na tentativa de atenuar a resistência de alguns países à conclusão do acordo birregional. A Comissão Europeia, braço executivo da UE, e o Conselho Europeu haviam apresentado uma proposta pela qual um gatilho seria acionado para abrir investigação visando barrar surtos de importações agrícolas vindas do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai quando houvesse uma alta de 10%. O Parlamento Europeu endureceu a proposta, reduzindo esse gatilho para 5%. Nesta noite, as instituições chegaram a um acordo estabelecendo que a investigação será acionada a partir de um aumento de 8% nas importações de produtos sensíveis — como carne bovina, frango e açúcar — provenientes do Mercosul. Outras alterações, como monitoramento mais amplo das importações a outros produtos, foram feitas, sempre visando atender países mais protecionistas. A questão que permanece é se, com isso, os líderes da UE darão sinal verde na quinta-feira para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo com o Mercosul no sábado, em Foz do Iguaçu. França e Itália consideram essa assinatura prematura e pedem mais tempo — e mais barreiras agrícolas. A salvaguarda adicional é assunto interno da UE. Ela pode fazer como quiser. Ao Mercosul, restará constatar se, uma vez aplicada por Bruxelas, respeita o texto do acordo global que foi negociado – e não é o caso. Assim, o Mercosul terá de decidir por retaliação. Também poderá copiar o mesmo instrumento para barrar mais facilmente produtos industriais da UE nas mesmas situações. A Presidência do Conselho e o Parlamento Europeu, ao anunciarem a versão final da salvaguarda adicional, falam em reforço da proteção aos agricultores, embora, na prática, trate-se de uma barreira mesmo. E que garante, na visão deles, que as medidas de salvaguarda possam ser aplicadas de forma rápida e eficaz caso as importações do Mercosul ”causem ou ameacem causar prejuízos graves”. Um comunicado do Conselho Europeu afirma que o entendimento “não prejudica as discussões em curso no Conselho sobre a assinatura e a conclusão do Acordo de Parceria UE–Mercosul e do Acordo Comercial Provisório”. Segundo o texto, o acordo preliminar alcançado com o Parlamento Europeu sobre o regulamento de salvaguarda da UE “garantirá uma ação rápida para proteger os agricultores da UE em caso de aumentos prejudiciais das importações”. “Com esta e outras medidas, foram envidados grandes esforços para dar resposta às preocupações e abrir caminho à aprovação do acordo crucial entre a UE e o Mercosul”, diz o comunicado, que insiste ser “vital que a UE diversifique as suas parcerias comerciais e estratégicas em tempos como estes” – defendendo na prática a assinatura do acordo global.
VALOR ECONÔMICO
MEIO AMBIENTE
Parlamento da UE aprova acordo que atrasa de um ano na lei de antidesmatamento
O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira um acordo da UE para adiar sua lei antidesmatamento em um ano, até dezembro de 2026, eliminando o penúltimo obstáculo legal antes que o adiamento possa ser transformado em lei.
O Parlamento votou para aprovar o adiamento, com 405 parlamentares a favor, 242 contra e 8 abstenções. O adiamento ainda requer a aprovação formal dos países da UE — que devem aprovar o acordo sem alterações ainda esta semana.
REUTERS
INTERNACIONAL
UE redesenha sua estratégia agrícola até 2035; saiba os efeitos para o Brasil
Relatório da Comissão Europeia aponta crescimento agrícola mais lento, regras ambientais mais rígidas e impactos diretos para exportações brasileiras
A União Europeia (UE) projeta uma agricultura mais contida, ambientalmente regulada e menos direcionada à expansão de commodities na próxima década. É o que mostra o EU Agricultural Outlook 2025–2035, divulgado pela Comissão Europeia. O documento traça um cenário de crescimento mais lento da produtividade, redução marginal da área agrícola e reconfiguração do papel do bloco no comércio internacional de alimentos. Esse movimento tem implicações diretas e indiretas para o Brasil, tanto como fornecedor estratégico quanto como concorrente em mercados globais. Segundo o relatório, a produtividade agrícola da UE continuará crescendo até 2035, mas em ritmo inferior ao observado no período 2015–2025. O documento atribui essa desaceleração à combinação de eventos climáticos mais frequentes, custos elevados de insumos, sobretudo fertilizantes e energia, e à transição para sistemas produtivos mais sustentáveis, que impõem limites ao uso de fatores de produção. Na prática, a UE reconhece que sua agricultura entra em uma fase de crescimento estruturalmente mais limitado, restringindo ganhos de escala e competitividade. Entretanto, o estudo reforça que o bloco manterá autossuficiência elevada em determinados itens, assegurando a segurança alimentar interna. “A UE deve manter sua autossuficiência em cereais, carnes e produtos lácteos, enquanto continuará sendo importadora líquida de oleaginosas e leguminosas, embora as importações devam diminuir até 2035”, traz o relatório. Apesar de uma perspectiva de menor importação, o reconhecimento das limitações ambientais e climáticas que dificultam uma substituição plena das compras externas, favorece o Brasil. Nesse contexto, o País deve seguir como fornecedor estratégico de soja, farelo e óleos vegetais, insumos essenciais para a ração animal e para a indústria alimentar europeia. A diferença em relação ao passado está nas condições de acesso ao mercado. A UE deixa claro que as importações estarão cada vez mais condicionadas a critérios ambientais, como rastreabilidade e conformidade climática. “As políticas ambientais e o Regulamento sobre Produtos Livres de Desmatamento devem influenciar os preços de importação e os padrões de origem dos produtos”, destaca o documento. Para o agronegócio brasileiro, isso significa que a vantagem comparativa em volume precisará ser acompanhada de governança ambiental e transparência, sob risco de perda de competitividade. Outro fator relevante é a pecuária. Segundo o documento, o consumo de carne na UE deve recuar levemente, em média, 0,5 quilos por habitante (-1,3% entre 2025 e 2035), ao contrário de outras regiões do mundo, onde o consumo segue em alta. “Essa queda geral deve vir acompanhada de uma mudança na cesta do consumidor, com a continuidade da substituição do consumo de carne bovina e suína por carne de frango”, aponta o levantamento, indicando que esse movimento tende a reduzir a presença europeia nos mercados internacionais dessas proteínas, abrindo espaço para exportadores como o Brasil. No caso da carne bovina, o documento salienta que a demanda global por importações deve crescer 1,1 milhão de toneladas entre 2023-2025 e 2035, impulsionada pelo aumento do consumo na China, Vietnã, Oriente Médio e África Subsaariana. “Também se espera demanda contínua ou crescente por parte de parceiros comerciais da UE, como Reino Unido, Balcãs, Oriente Médio e Norte da África”, acrescenta. Enquanto isso, na carne suína espera-se uma estabilidade na demanda mundial por importações, ficando em torno de 10,5 milhões de toneladas até 2035. “A recuperação da capacidade produtiva na China e no Vietnã tende a reduzir a demanda de importações desses mercados, apesar da continuidade de surtos de PSA. Em contrapartida, algumas regiões da África e da Ásia, como a Malásia, podem ampliar as compras externas”, aponta. O estudo mostra que, entre 2025 e 2035, o Reino Unido deve se tornar o principal destino das exportações europeias de carne suína, substituindo a China. Além disso, a menor demanda chinesa pela carne de porco pode intensificar a concorrência com Estados Unidos, Canadá e Brasil em outros mercados asiáticos. Em contraste ao cenário previsto para carne bovina e suína, a produção e o consumo de carne de aves devem crescer na UE na próxima década, impulsionada pela percepção de menor impacto ambiental e maior eficiência produtiva. Isso sinaliza concorrência no cenário global para o Brasil, mas também oportunidade ao País que é líder global nesse segmento. Conforme os dados, o consumo per capita de carne de frango na UE deve subir de 15,1 quilos por ano, na média de 2023-2025, para 16,5 quilos até 2035. Já a produção deve aumentar em cerca de 965 mil toneladas, o equivalente a uma expansão média de 0,7% ao ano. Um fator de atenção à produção local é a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade. Diferentemente de anos anteriores, a doença não deve mais se restringir a períodos sazonais e pode ocorrer ao longo de todo o ano. “O que pode desafiar o setor nos próximos anos”, destaca. Com isso, para atender ao aumento do consumo interno, a UE deve ampliar as importações de carne de frango nos próximos anos. As compras externas estão projetadas para crescer a uma taxa média de 1,1% ao ano até 2035, alcançando cerca de 955 mil toneladas. O Brasil é apontado como um dos principais fornecedores ao bloco nos próximos anos, assim como ocorreu em 2025.
O ESTADO DE SÃO PAULO/AGRO
Atuação de frigoríficos nos EUA entra na mira do Cade
Superintendência-Geral da autarquia perguntará ao órgão americano o que está sendo investigado sobre práticas anticompetitivas do setor nos Estados Unidos. Senador Izalci Lucas (PL-DF) quer que Cade investigue frigoríficos nos EUA
A área técnica do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve procurar o Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos para analisar no Brasil possível caso de cartel no setor de frigoríficos, apurou o Valor. A Superintendência-Geral (SG) do Cade recebeu ofício do senador Izalci Lucas (PL-DF) pedindo a investigação de “potenciais reflexos na economia brasileira de condutas anticompetitivas praticadas no exterior por agentes econômicos no setor de frigoríficos”.A partir do pedido, segundo uma fonte, os técnicos deverão perguntar ao DoJ o que está sendo investigado nos EUA para prosseguir com a análise no Brasil. O ofício, ao qual o Valor teve acesso, diz que o presidente Donald Trump determinou ao DoJ que iniciasse investigações sobre potenciais condutas anticompetitivas perpetradas por empresas detidas por pessoas estrangeiras. Entre as condutas, estavam possível cartelização, acordo de preço e manipulação de preços. Trump solicitou ao DoJ investigação sobre empresas processadoras de carne, alegando que os frigoríficos, muitos deles controlados por estrangeiros, estariam inflacionando artificialmente o preço da carne. Para Trump, seria suspeito os preços do gado terem caído e o da carne seguir alto. Na época das acusações, o Instituto da Carne dos Estados Unidos (Meat Institute), que reúne mais de 350 empresas na América do Norte, afirmou que os frigoríficos operam com prejuízo há mais de um ano e que as transações do mercado são transparentes. Segundo o instituto, apesar dos preços elevados da carne, os produtores estariam perdendo dinheiro por causa da cotação recorde do gado. A expectativa do setor é que esse cenário continue em 2026. “Como se sabe, empresas brasileiras possuem papel de protagonismo no mercado de proteína”, afirma o senador, em seu pedido. Ele cita que a JBS é a maior produtora de carne dos EUA, enquanto a National Beef, detida pela Marfrig (agora MBRF), é a quarta maior e com maior margem de lucros. O senador lembra ainda que o Cade aprovou em 2024 a aquisição de ativos da Marfrig pela Minerva, mas impôs condições, “demonstrando as preocupações concorrenciais advindas do setor”. A operação envolveu a venda de 11 unidades de abate e desossa de bovinos no Brasil.
Mas o órgão impôs algumas condições à aprovação, como o ajuste na cláusula de não competição. Também determinou que a Marfrig poderia aumentar sua capacidade de abate e desossa em uma fábrica em Mato Grosso e que a Minerva deveria alienar uma unidade em Goiás. Segundo Eric Hadmann Jasper, sócio da HD Advogados e professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), um ofício de membro do Congresso é sempre analisado com mais peso pelo Cade, mas a Lei de Defesa da Concorrência determina que são as representações de comissões do Congresso que devem passar diretamente à fase de inquérito administrativo. O advogado lembra que não é a primeira vez que o setor é objeto de denúncia do Congresso. Em meados de 2005, a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e a Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento da Câmara dos Deputados apresentaram denúncia contra o setor, que resultou em um dos primeiros termos de compromisso de cessação da história do Cade.
GLOBO RURAL
FRANGOS & SUÍNOS
China reduz tarifas sobre carne suína da UE após 18 meses de investigação
Ministério do Comércio informou que aplicará tarifas entre 4,9% e 19,8% sobre as importações de carne suína da UE por um período de cinco anos, com início na quarta-feira
A China reduziu drasticamente, na terça-feira, as tarifas sobre as importações de carne suína da União Europeia, avaliadas em mais de US$ 2 bilhões, na decisão final de uma investigação antidumping amplamente vista como uma resposta às taxas do bloco sobre veículos elétricos chineses. O Ministério do Comércio informou que aplicará tarifas entre 4,9% e 19,8% sobre as importações de carne suína da UE por um período de cinco anos, com início na quarta-feira. Os valores são significativamente menores do que a faixa de 15,6% a 62,4% imposta em uma decisão preliminar em setembro. Para os produtores europeus, que dependem fortemente do mercado chinês para a exportação de miúdos, a medida representa um alívio parcial. Segundo Even Rogers Pay, diretor da consultoria Trivium China, o resultado reflete 18 meses de esforços conjuntos para encontrar uma solução negociada para este e outros conflitos comerciais. Ele destaca que as taxas mais baixas sinalizam que as negociações têm sido construtivas para o relacionamento entre as partes. A investigação chinesa, iniciada em junho do ano passado, atingiu grandes exportadores como Espanha, Holanda e Dinamarca. Além da carne suína, a China conduz uma investigação sobre subsídios em laticínios da UE e já impôs medidas antidumping contra o conhaque europeu, permitindo que exportadores evitem taxas caso concordem com um preço mínimo de venda. Apesar das visitas recentes do presidente francês Emmanuel Macron e do rei Felipe, da Espanha, a Pequim, as conversas ainda não resultaram em um acordo definitivo sobre todas as frentes de disputa.
VALOR ECONÔMICO
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