
Ano 11 | nº 2618 | 17 de dezembro de 2025
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: estabilidade em São Paulo
As ofertas atenderam à procura, e o escoamento da carne manteve-se firme, o que manteve o mercado em equilíbrio.
Pela apuração da Scot Consultoria, o mercado do boi gordo segue “equilibrado”, com a oferta atendendo ao consumo. Os dados da Scot para São Paulo apontam um boi gordo sem padrão-exportação cotado em R$ 321/@, o “boi China” está em R$ 325/@, a vaca gorda em R$ 302/@ e a novilha terminada em R$ 314/@ (todos os preços são brutos, no prazo). As ofertas atenderam à procura, e o escoamento da carne manteve-se firme, o que manteve o mercado em equilíbrio. Em Goiás, as escalas de abate encontravam-se confortáveis, em decorrência disso, os preços caíram em R$ 2,00/@ para o “boi China” e em R$ 3,00/@ para o boi gordo. No Paraná, as ofertas de boiada atenderam à demanda, com escalas médias de nove dias. Não se observaram alterações nos preços. Na região Sul do Tocantins, a cotação do “boi China” recuou em R$ 3,00/@, para as demais categorias, os preços permaneceram estáveis. Na exportação de carne bovina in natura, até a segunda semana de dezembro, o volume exportado totalizou 143,6 mil toneladas, com média diária de 14,4 mil toneladas, o que representou aumento de 48,9% em relação ao volume embarcado por dia no mesmo período de 2024. A cotação média da tonelada ficou em US$ 5,6 mil, registrando alta de 13,1% na comparação feita ano a ano.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo: expectativa de queda nas cotações nos próximos dias
O mercado físico do boi gordo volta a apresentar preços predominantemente acomodados em grande parte do país no início desta semana, enquanto muitas indústrias permanecem ausentes da compra de gado.
De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a expectativa é que sejam realizadas algumas tentativas de compra em patamares mais baixos no decorrer dos próximos dias, quando muitas indústrias anunciam férias coletivas e realização de manutenção do parque fabril, algo normal para esse período do ano. “Sob o prisma da demanda, o grande destaque está nas exportações, que mantém um ritmo acelerado de embarques”, disse. Preço médio da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 321,53. Goiás: R$ 313,75. Minas Gerais: R$ 309,41. Mato Grosso do Sul: R$ 311,36. Mato Grosso: R$ 298,82. O mercado atacadista abriu a semana apresentando firmeza em seus preços, ainda em um ambiente pautado por algum espaço para alta, considerando o bom momento de consumo no mercado interno pela entrada do 13º salário, festas de fim de ano e postos de trabalho temporários. Quarto traseiro: precificado a R$ 26,25 por quilo; Quarto dianteiro: cotado a R$ 18,50 por quilo; Ponta de agulha: indicada a R$ 18,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Confinamento/Cepea: Abates programados para início de 2026 devem ter retorno positivo
A viabilidade econômica do confinamento de engorda de bovinos deve seguir positiva no primeiro trimestre de 2026, apontam cálculos realizados pelo Cepea
Segundo pesquisadores, o cenário ainda favorável de custo de produção, principalmente referente ao gasto com dieta, assim como a expectativa de preços firmes para o boi gordo sustentam a previsão da viabilidade. Na “média Brasil”, 7,54% dos abates estão programados para janeiro, fevereiro e março, conforme levantamento do Centro de Pesquisas.
CEPEA
Na parcial de 2025, boi gordo sobe 28,5% em MT, enquanto bezerro mato-grossense tem alta de 38,3%
Para 2026, o movimento de alta nas cotações das categorias de reposição deve se intensificar, projetam os analistas do Imea
Com a demanda externa aquecida, a arroba do boi gordo de Mato Grosso apresentou acréscimo de 28,5% no acumulado de janeiro a novembro de 2025, em relação ao mesmo período do ano passado, ficando em média a R$ 303,90/@, no prazo, informa o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Por sua vez, compara o instituto, com a redução da oferta de bovinos de reposição em 2025, o bezerro de 7 arrobas de Mato Grosso apresentou valorização anual de 38,28% (considerando o mesmo intervalo), com preço médio de R$ 396,14/@. “Em 2025, a menor disponibilidade de animais jovens elevou os preços de reposição e a margem de cria”, destacam os analistas do Imea. Para 2026, esse movimento de alta deve se intensificar, com redução mais acentuada na oferta de bovinos de reposição, especialmente bezerros, o que tende a valorizar de forma mais expressiva os preços da categoria em Mato Grosso, aposta a equipe de analistas do Imea. Nesse contexto, dizem eles, a retenção de fêmeas deve ganhar força, favorecida pela melhora das margens da atividade de cria. Além disso, continua o Imea, com menos matrizes e novilhas prontas para abate, a expectativa é de firmeza nos preços do boi gordo mato-grossense ao longo do próximo ano. Dessa maneira, prevê o Imea, o patamar de abates deve recuar em relação ao possível volume recorde de 2025, refletindo diretamente a menor oferta de animais e o ciclo de retenção de matrizes. No mercado externo, a salvaguarda anunciada pela China, caso confirmada, tende a frear o ritmo de embarques ao país, enquanto os EUA devem recuperar participação nas exportações brasileiras, estimam os analistas do Imea. “Além disso, a abertura de novos mercados, como a Guatemala, deve redirecionar parte do volume antes destinado aos chineses, ampliando a diversificação dos destinos da carne de Mato Grosso”, acrescentam.
IMEA
ECONOMIA
Dólar sobe no Brasil com fluxo de moeda para o exterior
O dólar fechou a terça-feira em alta firme ante o real, na contramão do recuo da moeda norte-americana ante outras divisas, em meio ao fluxo de recursos para o exterior neste fim de ano e a uma nova pesquisa eleitoral indicando vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todos os cenários para 2026.
O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,78%, aos R$5,4640. No ano, porém, a moeda acumula baixa de 11,57%. Às 17h03, o contrato de dólar futuro para janeiro – atualmente o mais líquido no Brasil – subia 0,88% na B3, aos R$5,4800. A moeda norte-americana oscilou em alta ante o real durante praticamente toda a sessão, impulsionada desde cedo pelas tradicionais remessas de recursos ao exterior no fim de ano, feitas por empresas e fundos, conforme profissionais ouvidos pela Reuters. O movimento se intensificou ainda durante a manhã, em meio às especulações no mercado de que a pesquisa Genial/Quaest mostraria Lula bem colocado na disputa em relação a seus adversários de direita. Em um dos cenários estimulados do levantamento, divulgado no início da tarde, Lula obteve 41% das intenções de voto para presidente, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 23% e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 10%. Em um cenário sem Tarcísio, Lula tem 39%, Flávio soma 23% e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), aparece com 13%. Lula venceria uma eventual disputa em segundo turno contra todos os candidatos mais competitivos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não foi incluída no levantamento, cuja margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Mais do que a vitória de Lula nos diferentes cenários, chamou a atenção o fato de Flávio estar mais bem colocado na pesquisa do que Tarcísio, nome favorito do mercado para a disputa com o atual presidente. “Houve compras (de dólares) características de fim de ano e desde cedo a moeda se descolou do que ocorria lá fora”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “E o mercado operou antes mesmo da divulgação da pesquisa eleitoral, porque havia comentários de que ela seria ruim para a oposição”, acrescentou. No início do dia, o Banco Central publicou a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que na semana passada manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano. No texto, o BC apontou ganhos gerados pela “condução cautelosa” dos juros, vendo contribuição determinante da política monetária para a desaceleração dos preços. Além disso, o BC enfatizou o firme compromisso com a meta de inflação, de 3%. Os efeitos da mensagem da ata sobre o câmbio, no entanto, foram diluídos pela maior influência do fluxo.
REUTERS
Ibovespa cai 2,4% com perda de força do ‘trade Tarcísio’
Papéis da Petrobras também não conseguiram escapar em um dia de maior aversão eleitoral
Antes mesmo da abertura dos negócios do Ibovespa na terça-feira, rumores de uma pesquisa eleitoral, que apontava para uma distância maior do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação a possíveis candidatos da oposição, elevaram os prêmios de risco no mercado. Horas depois, a confirmação dos números ventilados anteriormente nas mesas de operação ajudou a manter o tom mais negativo no mercado. Segundo a pesquisa da Genial/Quaest, Lula manteve a liderança nos cenários de primeiro e segundo turnos, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecendo em segundo lugar, desbancando o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que despontava como o preferido do mercado para concorrer à Presidência em 2026. No fim do dia, o Ibovespa cedeu 2,40%, aos 158.578 pontos, na mínima do dia. O aumento do risco eleitoral afetou em cheio ações mais líquidas, caso de bancos. As units do BTG Pactual responderam pela maior queda, de 5,22%. Outras instituições financeiras também cederam: Santander Units (-3,58%), Bradesco PN (-2,75%), Itaú Unibanco PN (-2,58%), e Banco do Brasil (-1,36%). Papéis da Petrobras também não conseguiram escapar em um dia de maior aversão ao risco eleitoral e de recuo forte nos preços de petróleo. No fim, as ações PN da petroleira cederam 3,03%. Por outro lado, o dia foi positivo para as ON da Vale, que avançaram 0,38%. Em relatório, analistas do Morgan Stanley destacaram que a companhia virou uma história mais “limpa e subavaliada”. Nesse sentido, o banco optou por elevar a recomendação para os papéis, de neutra para compra, aumentando também o valor dos recibos de ações (ADRs) de US$ 13 para US$ 15. No cenário eleitoral, o enfraquecimento do atual governador de São Paulo na pesquisa divulgada ontem pela Genial/Quaest pesou sobre o humor dos agentes financeiros, ao embaralhar ainda mais o jogo político. “Tarcísio ficou bem mais fraco e o Flávio mais forte. Isso aumentou a chance de o Lula ganhar”, observa co-CIO da Novus Capital, Luiz Eduardo Portella. Portella também avalia que a nova pesquisa deixou mais distante a possibilidade de que Flávio desista de concorrer à Presidência.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Regras de salvaguarda do Parlamento Europeu ameaçam comércio de produtos do Mercosul
Medida aprovada na terça-feira pode limitar os embarques com preferências tarifárias
Assinatura do acordo com o bloco sul-americano está prevista para o próximo sábado
O Parlamento Europeu endureceu ainda mais as regras para possíveis aplicações de salvaguardas contra exportações de produtos agropecuários do Mercosul para a União Europeia, com chances de praticamente inviabilizar o comércio de itens do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai com benefícios tarifários se o acordo entre os blocos entrar em vigor. Cresce na Europa a pressão contra a assinatura do acordo com o bloco sul-americano, prevista para o próximo sábado (20/12), em Foz do Iguaçu (PR). Um grupo de mais de 140 parlamentares quer que a Corte de Justiça opine sobre o tratado, processo que pode durar mais dois anos. Manifestações estão convocadas para a próxima quinta-feira (18/12) em Bruxelas com previsão de transformar a capital da Bélgica em um “barril de pólvora” com a participação de mais de 10 mil agricultores. Na terça-feira (16/12), o parlamento aprovou um pacote de salvaguardas mais rígido que o proposto inicialmente pela comissão europeia. A lei define a forma como a UE poderá suspender temporariamente as preferências tarifárias para o Mercosul se considerar que as importações de determinados produtos prejudicam os produtores europeus. A regra aprovada prevê que a Comissão Europeia poderá abrir investigação para aplicação da salvaguarda quando as importações de produtos agrícolas do Mercosul aumentarem, em média, 5% em volume em três anos. A proposta original é que esse gatilho seria acionado em caso de aumento de 10% da quantidade enviada à UE. A medida também valerá caso o preço desses itens importados caia no mercado europeu na mesma proporção. Ou seja, se o preço do açúcar – item importado pela UE do Mercosul – cair 5% aos produtores locais, poderá ser aberta investigação para aplicação de salvaguarda. As investigações também serão mais rápidas que o proposto originalmente: o texto aprovado nesta terça-feira alterou de seis para três meses em geral e de quatro para dois meses no caso de produtos sensíveis. A intenção é que as salvaguardas sejam aplicadas mais rapidamente. O Parlamento Europeu ainda aprovou uma alteração que inclui um mecanismo de reciprocidade. A medida autoriza a Comissão Europeia a iniciar um inquérito e adotar medidas de salvaguarda se os produtos importados do Mercosul não cumprirem requisitos equivalentes em matéria de ambiente, bem-estar animal, saúde, segurança alimentar ou proteção laboral aplicáveis aos produtores da UE. Na visão dos eurodeputados, as salvaguardas podem assumir a forma de uma “obrigação de reciprocidade” para que os países do Mercosul apliquem as normas de produção da UE. As medidas aprovadas ainda serão debatidas pelo trílogo (formado pela Comissão Europeia, Parlamento Europeu e Conselho Europeu) a partir desta quarta-feira (17/12). O texto poderá mudar. “Estão indo muito longe daquilo que é aceitável”, disse uma fonte que acompanha o tema. Segundo ela, as medidas extrapolam aquilo que está previsto no capítulo de salvaguardas do acordo e representam “mecanismos dificilmente exequíveis”. A avaliação é que essas regras podem ser contestadas e impugnadas pelos países sul-americanos caso entrem em vigor posteriormente. Para o setor exportador brasileiro, a aplicação das salvaguardas, principalmente da reciprocidade, pode limitar os embarques com preferências tarifárias. Por outro lado, cadeias sensíveis às importações de produtos europeus podem ter uma carta na manga para se defender. Manifestações de agricultores europeus estão convocadas para a próxima quinta-feira em Bruxelas. A expectativa é que eles levem mais de 10 mil tratores às ruas da capital belga. “É um barril de pólvora”, disse a fonte.
VALOR ECONÔMICO
Brasil abre mercados nos Emirados Árabes, em Gana e no Peru
Acordos sanitários anunciados na terça-feira, 16, reforçam exportações e elevam para 511 o número de mercados abertos desde 2023
O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias e fitossanitárias que garantem acesso de produtos do agronegócio a três novos destinos: Emirados Árabes Unidos, Gana e Peru. As autorizações, anunciadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) na terça-feira, 16, ampliam o portfólio de produtos exportados pelo Brasil. Nos Emirados Árabes Unidos, as autoridades locais autorizaram a importação de embriões bovinos produzidos no Brasil. A medida, segundo os ministérios, evidencia o reconhecimento da excelência genética do rebanho nacional e abre espaço para o fortalecimento da cooperação na área de melhoramento animal. Entre janeiro e novembro deste ano, o mercado emiradense adquiriu mais de US$ 2,3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros. Em Gana, o aval concedido para a compra de bovinos vivos e sêmen bovino brasileiro amplia, também, as possibilidades de atuação do setor no continente africano, podendo impulsionar a prestação de serviços técnicos e de consultoria. Com cerca de 34 milhões de habitantes e consumo alimentar em expansão, o país importou mais de US$ 315 milhões em produtos do agronegócio brasileiro de janeiro a novembro. No caso do Peru, a autorização envolve a exportação de sementes de sorgo. Reconhecidas pela qualidade genética, elevada taxa de germinação e rigor sanitário, as sementes brasileiras devem contribuir para ganhos de produtividade e segurança alimentar no país parceiro. De janeiro a novembro de 2025, as vendas brasileiras ao mercado peruano superaram US$ 675 milhões. Com essas novas liberações, o Brasil chega à marca de 511 aberturas de mercado desde o início de 2023.
ESTADÃO/AGRO
INTERNACIONAL
Crise sanitária e encolhimento do rebanho devem forçar Europa a importar mais carne do Brasil
Apesar do avanço de salvaguardas e de um discurso cada vez mais protecionista dentro da União Europeia, a tendência para os próximos anos é de aumento das importações de carne bovina e de aves do Brasil. A avaliação é do analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, que aponta um descompasso estrutural entre oferta e demanda no bloco europeu.
Segundo Iglesias, a Europa enfrenta um processo contínuo de encolhimento do rebanho bovino ao longo desta década, além dos impactos recorrentes da influenza aviária de alta patogenicidade, especialmente no setor de carne de frango. Esse cenário reduz a capacidade produtiva interna e obriga o bloco a buscar fornecedores mais competitivos no mercado internacional, com destaque para o Brasil. “Hoje, o europeu precisa do produto brasileiro para se abastecer. Existe uma necessidade real de compra de carne do Brasil muito em função desse descompasso de produção que a Europa enfrenta”, avalia o analista. Em Portugal, a escassez de animais para abate e o redirecionamento de parte da produção para o mercado externo já refletem diretamente nos preços ao consumidor. O movimento acompanha uma tendência mais ampla no continente, onde a produção local não tem conseguido acompanhar o crescimento do consumo. Na França, a situação é agravada por novos focos de doenças no campo. A dermatose nodular contagiosa (DNC), enfermidade viral que afeta bovinos, sem risco para humanos, foi detectada pela primeira vez em uma fazenda na região de Savoie. O surto levou ao abate de mais de 70 animais em uma propriedade. Até o momento, cerca de 3 mil cabeças de gado já foram abatidas no país. De acordo com o Ministério da Agricultura francês, até o momento foram identificados 110 surtos da doença, atingindo 75 fazendas em diferentes regiões. A dermatose nodular se soma a outros desafios sanitários enfrentados pela agropecuária francesa. Na avicultura, a gripe aviária continua sendo uma ameaça relevante. As autoridades confirmaram um novo foco da doença na última sexta-feira (12) na região de Landes, no sudoeste do país, principal polo produtor de patos para foie gras e referência na produção avícola francesa. O avanço da doença reforça as dificuldades de abastecimento de carne de aves no mercado europeu. Ao mesmo tempo, Iglesias pondera que esse movimento de aumento das importações da Europa tende a ocorrer em meio a um ambiente de maior vigilância comercial. Medidas de salvaguarda e mecanismos de proteção podem ser acionados pela União Europeia como forma de conter o avanço das importações e proteger o produtor local. O Parlamento Europeu aprovou, nesta terça-feira, 16, o pacote de medidas legislativas que terá impacto direto no setor agrícola do bloco, incluindo novas salvaguardas comerciais relacionadas ao acordo com o Mercosul e a simplificação de regras da Política Agrícola Comum (PAC). A posição do Parlamento sobre o tratado comercial, aprovada por 431 votos a favor e 161 contra, estabelece mecanismos mais rigorosos para proteger os produtores europeus, permitindo a suspensão temporária de preferências tarifárias para produtos sensíveis, como carne bovina e aves, oriundos de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, caso se verifique prejuízo à produção local. A dificuldade de competição, segundo Iglesias, é um fator concreto. Produzir carne na Europa tornou-se um processo cada vez mais caro, oneroso tanto para a indústria quanto para o produtor rural, em função de exigências ambientais, custos trabalhistas elevados e regras sanitárias rigorosas. Nesse contexto, a competitividade da carne brasileira se impõe de forma natural. “A alegação do produtor europeu de que não consegue competir com o produto brasileiro é verdadeira. Produzir carne hoje na Europa é muito custoso, e competir com o Brasil se torna extremamente difícil”, explica Iglesias. O desafio para a União Europeia, na avaliação do analista da Safras & Mercado, será equilibrar interesses muitas vezes conflitantes: atender à demanda interna por proteína animal, garantir o abastecimento do mercado e, ao mesmo tempo, manter o produtor local em níveis aceitáveis de rentabilidade e satisfação. Mesmo diante dessas tensões, Iglesias projeta que a necessidade de importação deve prevalecer. Para ele, o bloco europeu seguirá ampliando as compras de carne brasileira nos próximos anos — e já no próximo ano esse movimento tende a ficar mais evidente —, ainda que acompanhado de discursos políticos mais duros e de tentativas de controle comercial. “O cenário aponta para uma maior importação da Europa no próximo ano para a carne brasileira. Existe uma dependência crescente do produto do Brasil, mesmo com toda a dificuldade política e a resistência dos produtores locais”, conclui.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
FRANGOS & SUÍNOS
Mercado de Suínos fecha 2025 com crescimento expressivo e boas margens; 2026 exige cautela e atenção
O setor suinícola encerra 2025 com desempenho acima das expectativas, sustentado por aumento da produção, recorde nas exportações e recuperação das margens dos produtores.
Os números parciais de abate e exportação indicam um crescimento superior a 5% em toneladas de carcaças e cerca de 4% em cabeças abatidas em relação a 2024, com destaque para Minas Gerais (+11,7%), Rio Grande do Sul (+6,5%) e Mato Grosso do Sul (+5%). O peso médio das carcaças também evoluiu, passando de 92,23 kg em 2024 para 93,52 kg neste ano. O comércio exterior foi o principal impulsionador do setor. De janeiro a novembro de 2025, o Brasil exportou 1,372 milhão de toneladas de carne suína (in natura e processada), um avanço de 10,4% sobre o mesmo período do ano anterior. Em receita, o crescimento foi ainda maior: +18,7%, somando US$ 3,29 bilhões contra US$ 2,77 bilhões em 2024. Os embarques cresceram fortemente para Filipinas, Chile, Japão, México, Vietnã e Argentina, que juntos somaram mais de 220 mil toneladas adicionais. Já as vendas para a China recuaram 72 mil toneladas. Essa diversificação de destinos (“pulverização”) garante maior estabilidade ao setor exportador, reduzindo a dependência do mercado chinês. Mesmo com maior oferta interna — o consumo per capita deve ultrapassar 20 kg/ano — os preços se mantiveram firmes. O pico de cotações ocorreu em setembro, impulsionado por recorde de exportações no mês (134 mil toneladas). A combinação de demanda aquecida e custos menores de insumos resultou em margens positivas durante todo o ano. A boa safra 2024/25 de milho e soja, com queda acentuada no preço do farelo, favoreceu a relação de troca e garantiu rentabilidade, segundo levantamentos da Embrapa Suínos e Aves. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, o crescimento da produção deve continuar em 2026, mas em ritmo mais moderado — cerca de 4%. As exportações podem avançar 3%, enquanto a disponibilidade interna tende a aumentar pouco mais de 4%. Apesar do risco de queda nos preços pela maior oferta, o cenário de menor abate de bovinos e possível valorização do boi gordo tende a sustentar o mercado suíno. Entre os pontos de atenção estão o custo de produção, que pode subir com a esperada redução na safra de milho e o aumento da demanda para etanol, além da investigação antidumping da China sobre a carne bovina brasileira, cujo resultado será divulgado em 26 de janeiro de 2026. Eventuais restrições às exportações poderiam afetar o equilíbrio do mercado de carnes no país. Mesmo com um cenário mais desafiador, 2026 deve continuar favorável à suinocultura brasileira. A combinação de diversificação de mercados, boa competitividade e oferta estável deve manter o setor em trajetória positiva — desde que não ocorram impactos sanitários ou geopolíticos relevantes.
ABCS
Preço do Frango em dezembro já caiu 1,25% em relação a 2024
A expectativa de que o frango abatido viesse a apresentar o desempenho que, por tradição, tornou-se típico do mês de Festas vai se diluindo de vez, pois, em vez de registrar a valorização que tem marcado o período, completou a segunda semana de dezembro retrocedendo à mesma cotação do início do mês, aquela que, na verdade, prevaleceu na maior parte de novembro passado.
Em decorrência, alcança no mês valor – R$8,142/kg – que se encontra não mais que 0,69% acima do registrado no mês anterior, mas que permanece negativo em relação a dezembro de 2025. E a redução ora registrada, de 1,25% ainda tende a se ampliar, porquanto no ano passado ocorreu valorização bem maior na segunda quinzena do mês, possibilidade difícil de ocorrer em 2025. Enfim, parece estar claro que o frango não é mais prato das Festas, pois tornou-se comida de resistência dos outros 11 meses do ano. E isto não significa que em dezembro a avicultura saia prejudicada, pois o setor soube disponibilizar no período, pratos que o consumidor considera festivos. Frente a esse quadro, até mesmo a demanda pela ave viva cai drasticamente. Isso começou a ser observado em novembro e se intensificou ainda mais em dezembro corrente. Tanto que, nos últimos 60 dias, o preço pago pelo frango vivo recuou perto de 15%. Na semana passada a cotação máxima registrada em São Paulo ficou em R$5,40/kg, enquanto em Minas Gerais recuou para R$5,30/kg.
AVESITE
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