Estudo busca reduzir tempo de abate de gado

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Imagem: Marcel Oliveira

A Acrimat constatou aumento de 2% para 20% no abate de animais com até 2 anos

Um estudo conduzido pela Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso (ACNMT) e o Núcleo de Estudos em Pecuária Intensiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) vai investigar como é possível reduzir o tempo de abate do gado com melhor resultado.

Essa é a maior prova de pesquisa e desempenho de animais feita por uma associação no Brasil, com 600 bezerros, de 20 pecuaristas, que iniciaram o experimento com uma média de 7 arrobas de peso vivo e deverão ficar prontos para abate em aproximadamente 11 meses, com 20 arrobas.

A prova consiste em três etapas. Na primeira, que tem gerado maior expectativa, consiste no “sequestro” (ou resgate) de bezerros para avaliar a influência de dois níveis de ganho de peso na fase de “sequestro” associados à suplementação com sal aditivado e suplementação concentrada.

“Nesta fase de sequestro, os animais ficarão confinados até que os pastos da fazenda se recuperem e ofereçam matéria verde para finalizar a recria a pasto (início das chuvas), quando daremos início à segunda etapa com duração de 6 meses para, posteriormente, na terceira etapa, fazer a engorda intensiva a pasto entre 100 a 120 dias”, explica o presidente da ACNMT, Aldo Rezende Telles.

A coordenadora do Núcleo de Estudos em Pecuária Intensiva da UFMT, campus de Sinop, professora doutora Kamila Andreatta, explica que serão avaliados os efeitos de diferentes taxas de ganhos em peso no “resgate” e “pós-resgate” na terminação dos animais Nelore. “Nesse período de quase um ano, vamos aferir alguns itens, como desempenho nutricional, produtivo e econômico, além das características de carcaça e qualidade de carne dos animais. Queremos verificar o uso da técnica, além de comparar os resultados a partir dos tipos diferentes de suplementação utilizados no antes e pós resgate”.

Ela ainda destaca que há poucos resultados de pesquisas com este tipo de técnica de recria intensiva, portanto, o conhecimento científico será importante para contribuir com os criadores nas tomadas de decisão.

Os animais serão avaliados desde a desmama, peso que muitos produtores já conseguem, para alcançar condições de abate em um curto prazo e o desafio é mostrar que é tecnicamente possível e economicamente viável para o produtor.

O veterinário Lorenzo Pacheco acrescenta que com o resgate serão testados dois tipos de ganho de peso, um mais baixo e comedido e o outro maior, com mais ração/concentrado, para avaliar como os animais se comportam com cada um deles no período da seca e das chuvas subsequentes. “No período das águas (2ª etapa), serão utilizados dois tipos de suplementação em dois lotes distintos de animais, uma apenas com mineral aditivado, e o outro com proteico energético. O lote com baixo ganho, como se comportará com o suplemento mineral? E com o proteico energético?”

Essa mesma avaliação será feita com aqueles que tiveram alto ganho, antes e depois do resgate. A terminação intensiva será feita a pasto, com o fornecimento de uma quantidade de ração diária no piquete de aproximadamente 2% do peso vivo de cada um deles, até que fiquem prontos para o abate.

Dois lotes de animais serão mensurados e comparados por meio do abate técnico com avaliação de carcaça através do Circuito Nelore de Qualidade e Programa Nelore Natural, em uma parceria com a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, que pagará uma bonificação no valor da arroba pela participação.

A assessoria também informa que, além de melhorar os dados econômicos da fazenda, aumentando a lotação por arroba/hectare, outro benefício do experimento é obter a redução na idade de abate dos animais. A Acrimat constatou aumento de 2% para 20% no abate de animais com até 2 anos de idade em Mato Grosso, número proporcional à qualidade da carne (maciez), além atender exigências do mercado, pois países como China preferem animais abatidos com até 30 meses.

Fonte: AGROLINK – Eliza Maliszewski 

abrafrigo

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