CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1374 DE 02 DE DEZEMBRO DE 2020

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Ano 6 | nº 1374| 02 de dezembro de 2020

 

NOTÍCIAS

Poucos negócios no mercado do boi gordo

Em São Paulo os compradores seguem cautelosos com a originação da matéria-prima. Apesar de testes de preços abaixo da referência, a oferta de boiada continua limitada, a conta-gotas

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na última terça-feira (1/12), no estado, o boi comum ficou cotado em R$275,00/@, preço bruto e à vista, R$274,50/@ descontando o Senar, e R$271,00/@ descontando o Senar e Funrural. No caso dos machos com menos de quatro dentes, as ofertas de compram chegam a até R$10,00/@ acima da referência do boi comum, a depender do volume e padrão do gado. Já no Paraná, devido ao lento escoamento de carne bovina, a cotação do boi gordo recuou 1,5% na comparação dia a dia, ou R$4,00/@, e ficou cotada em R$275,00/@, considerando o preço bruto, a prazo, R$274,50/@, com desconto do Senar, e R$271,00/@ com desconto do Funrural e Senar.

SCOT CONSULTORIA 

Boi gordo: mesmo com restrição de oferta, preços seguem em queda

A pressão de baixa nos preços da arroba está concentrada nas regiões produtoras do Centro-Oeste e Norte

O mercado físico de boi gordo registrou preços de estáveis a mais baixos na terça-feira. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a maior pressão de baixa neste momento está situada nas regiões produtoras do Centro-Oeste e Norte, enquanto na Região Sudeste um ponto de equilíbrio entre frigoríficos e pecuaristas parece ter sido encontrado. “Os negócios começaram a fluir de forma mais acelerada na Região Sudeste”, salienta o analista. A restrição de oferta de animais terminados, prontos para o abate, segue como um fator preponderante para evitar quedas mais acentuadas na arroba do boi gordo. A estiagem prolongada tardou o desenvolvimento dos animais de pasto, que devem estar aptos ao abate apenas no final do primeiro trimestre de 2021. Muitos frigoríficos optaram por operar com capacidade de abate reduzida, avaliando que os custos da matéria-prima permanecem bastante elevados. “Com isso, mesmo em um período pautado por grande consumo de carne bovina como é o final do ano, expectativa é que não haja muito espaço para reação dos preços ao longo da cadeia”, assinala Iglesias. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 278 a arroba, estáveis. Em Uberaba, Minas Gerais, os valores chegaram em R$ 272 a arroba, ante R$ 273 na segunda-feira. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, a cotação foi de R$ 267 a arroba, ante R$ 269. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado foi de R$ 265 a arroba, inalterado. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço da arroba do boi ficou em R$ 265. No mercado atacadista, o dia foi novamente de preços estáveis. Conforme Iglesias, há pouco espaço para reação dos preços neste momento, dada a incapacidade do consumidor final em absorver sucessivos e acentuados aumentos da carne bovina. Está havendo uma migração em massa para outras proteínas animais, principalmente a carne de frango. Com isso, o corte traseiro permaneceu em R$ 20 o quilo. O corte dianteiro seguiu em R$ 16 o quilo, e a ponta de agulha continuou em R$ 15,55 o quilo.

AGÊNCIA SAFRAS 

Queda no Desempenho exportador das carnes em novembro de 2020

Pelo terceiro mês consecutivo neste ano, as receitas cambiais gerada pelas exportações de carnes in natura apresentaram resultado inferior ao do mesmo mês do ano passado

Em novembro, a receita do setor somou US$1,356 bilhão, valor que significou queda de, praticamente, 2,5% sobre a receita cambial de novembro de 2019. O que ocasionou o déficit não foi o volume embarcado. As três carnes registraram aumento de volume, modesto para a carne de frango (+3,48%), pouco superior para a carne bovina (+7,84%) e ainda significativo para a carne suína (+32,36%). O problema concentrou-se na queda do preço médio, da qual livrou-se apenas a carne suína, mas por margem (+2,89%) o que já causa preocupação. A carne bovina registrou no mês redução de 9% no preço médio, enquanto a perda de preço da carne de frango aproximou-se dos 17%. Como resultado final, apenas a carne suína registrou aumento na receita cambial – de 36% em relação a novembro de 2019, mas graças sobretudo ao maior volume embarcado. Já a receita da carne bovina recuou perto de 2% e a de carne de frango mais de 14%.

AGROLINK 

Exportação de carne bovina in natura em Novembro ficou em 167,7 mil toneladas

Segundo as informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (SECEX), a média diária exportada de carne bovina in natura ficou em 8,3 mil toneladas neste mês de novembro e teve um aumento de 7,84%, se comparado com o mês de novembro do ano anterior que registrou uma média de 7,7 mil toneladas

A quantidade embarcada em novembro registrou um avanço de 3,14% se comparado ao volume exportado em outubro deste ano, na qual exportou 162,6 mil toneladas. Já na comparação anual, o volume de carne bovina exportada em novembro deste ano teve uma alta de 7,85% frente à quantidade embarcada em novembro de 2019, que foi de 155,5 mil toneladas. A expectativa do mercado é que tenha uma redução sazonal do volume embarcado em dezembro, já que a potência asiática reduz as compras devido ao feriado de ano novo lunar. “Os chineses costumam reduzir os embarques no primeiro semestre do ano e isso justifica as exportações serem mais aquecidas entre outubro e novembro”, destacou o Analista de Mercado da Agrifatto Consultoria, Yago Travagini. O preço médio finalizou o mês de novembro negociado a US$ 4.402,9 mil por tonelada, na qual teve um recuo de 9,01% se comparado ao mesmo período do ano anterior que registrou um valor médio de US$ 4.838,7 mil por tonelada. De acordo com o levantamento da Radar Investimentos, os preços médios registraram uma valorização de 3,73% frente ao valor negociado em outubro deste ano que ficou em US$ 4.244,0. O faturamento em novembro registrou o terceiro melhor desempenho do ano de 2020 com o valor negociado para o produto em US$ 738.521,0 milhões, sendo que o preço total comercializado em outubro do ano passado foi de US$ 752.587,8 milhões. A média diária em novembro ficou em US$ 36.926,0 milhões e registrou uma queda de 1,87% frente ao valor médio negociado em outubro do ano anterior que foi de US$ 37.629,4 milhões.

AGRIFATTO

ECONOMIA

Ânimo global empurra dólar a mínima em quatro meses

Uma onda de vendas de dólares dominou o mercado de câmbio na terça-feira, com a moeda norte-americana descendo ao menor patamar desde julho

O dólar à vista caiu 2,22%, a 5,2282 reais na venda, menor patamar para um encerramento desde 31 de julho passado (5,2185 reais). O dólar não fechava abaixo dessa média móvel desde 31 de julho de 2019. Ao apresentar seu time econômico, Biden apelou ao Congresso que aprove um pacote de alívio ao coronavírus que está paralisado há meses e prometeu mais ações para reativar a economia depois que assumir o cargo no mês que vem. Biden disse que qualquer pacote aprovado pelo Congresso antes de ele assumir, em 20 de janeiro, seria “apenas o começo”. A futura Secretária do Tesouro, Janet Yellen (ex-chair do Federal Reserve), afirmou que medidas urgentes são necessárias para evitar que o tombo da economia se retroalimente. Os mercados em todo o mundo vêm num rali de risco desde a eleição norte-americana, ocorrida em 3 de novembro, confiantes na eleição de Biden e no aumento de gastos. Desde essa data, o dólar no Brasil acumula um tombo de 9,25%. O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) calcula que o quarto trimestre de 2020 será o de maior influxo a mercados emergentes desde os primeiros três meses de 2013. O risco de aumento de despesas no Brasil em 2021 depois do salto no déficit primário neste ano por causa da pandemia representa uma dor de cabeça para os mercados. A deterioração das contas públicas, segundo analistas, ainda é o principal motivo para a disparada de 30,28% do dólar ante o real em 2020. Mas o Bank of America disse estar “cautelosamente otimista” com relação ao real, citando justamente expectativa de maior clareza sobre o cenário fiscal no primeiro trimestre de 2021, além de valuations “atrativos”. Os economistas do banco projetam que o dólar fechará 2020 em 5,30 reais e descerá a 5,10 reais ao fim de março, nível no qual terminará o segundo e o terceiro trimestres de 2021.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta de 2,3%

Uma combinação de notícias favoráveis a ativos de risco fez o Ibovespa se aproximar dos 112 mil pontos nesta terça-feira, patamar inédito desde fevereiro

Índice de referência da bolsa brasileira, o Ibovespa fechou em alta de 2,3%, a 111.399,91 pontos, maior nível de fechamento desde 21 de fevereiro, sexta-feira de Carnaval. O volume financeiro na bolsa paulista nesta terça-feira somou 38,5 bilhões de reais. Foi na volta do recesso para o evento que a bolsa paulista enfrentou o cataclisma atrelado ao coronavírus, com o Ibovespa chegando a despencar mais de 45% em menos de 20 pregões, atingindo a mínima do ano, perto de 60 mil pontos. Dezembro, contudo, começou com forte viés comprador, ajudado por novos anúncios promissores sobre vacinas contra a Covid-19 e dados positivos na China, além de declaração sobre a economia dos EUA de Janet Yellen, indicada pelo presidente recém-eleito Joe Biden para o comando do Tesouro. Wall Street endossou o otimismo no pregão brasileiro, com o S&P 500 fechando em alta de mais de 1%, a 3.662,45 pontos, nova máxima histórica. No cenário brasileiro, o analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, chamou a atenção para a fala do Presidente Jair Bolsonaro, sinalizando que o governo não pretende estender o auxílio emergencial criado durante a pandemia. Em sua carteira recomendada para o mês, a equipe da BB Investimentos ressaltou que a expectativa para dezembro, que se modificou positivamente ao longo de novembro, tenderá a continuar favorável caso prossiga o ingresso de capital estrangeiro, que impulsionou o mercado acionário doméstico. Em novembro até dia 27, dado mais recente da B3, o saldo de capital externo no segmento Bovespa estava positivo em 32,67 bilhões de reais. Isso reduziu a saídas líquida no acumulado do ano para 52,21 bilhões de reais.

REUTERS 

PIB do agro do Brasil terá alta recorde em 2020; mas avançará só 3% em 2021, prevê CNA

O Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio brasileiro crescerá 9% em 2020, um avanço anual recorde impulsionado pelo aumento da produção e com preços em máximas históricas de várias commodities, estimou na terça-feira a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

O PIB do setor, que no ano passado atingiu 1,55 trilhão de reais, respondendo por 20% da economia brasileira, deve ajudar o país a aliviar a derrocada de outros setores atingidos em 2020 em cheio pela pandemia de coronavírus. No caso do agronegócio, apesar de preocupações logísticas para exportações e com o abastecimento interno de alimentos no início da crise pandêmica, o setor conseguiu garantir a oferta e escoar uma safra recorde, assim como registrar grandes volumes de embarques de carnes, contando com a forte demanda da China. Um câmbio alto e favorável a exportações, com dólar perto de 6 reais nos momentos de maior alta, colaborou para impulsionar os preços das commodities, que tiveram sustentação adicional da demanda no mercado doméstico de alimentos, impulsionado pelo pagamento dos auxílios emergenciais. O resultado estimado para este ano deve superar a alta anual do PIB de 2000, quando a soma das riquezas do setor aumentou 8,27%, segundo dados da CNA, cuja série história se iniciou em 1996. Para 2021, a expectativa é de aumento de 3% do PIB, em ritmo menor diante da forte base deste ano, porque os preços tendem a não aumentar muito mais na comparação com os recordes deste ano, embora a safra de grãos possa atingir um novo volume histórico, disseram especialistas da CNA. A CNA acredita ainda que um dos fatores que podem ditar o cenário para 2021 será a intensidade do La Niña, com potencial de afetar especialmente a colheita da região Sul do Brasil, com eventuais impactos nos preços. “Tem a questão climática que vai afetar seriamente a oferta…”, disse o especialista, lembrando que o plantio da soja foi atrasado e impactará a segunda safra. “Certamente vai comprometer a safra de milho do ano que vem (plantada após a soja), a safra de milho de verão do Rio Grande do Sul também foi afetada”, disse Lucchi. Além disso, o preço do milho, um dos principais componentes das rações para animais, está em patamares recordes, e as indicações de especialistas são de que as cotações seguirão firmes até pelo menos a entrada da segunda safra brasileira, a maior do cereal do país, apenas em meados de 2021. Questionado sobre a preocupação com fatores relacionados à preservação de meio ambiente e avanço da agropecuária, e seus impactos nos mercados globais para o Brasil, o Presidente da CNA, João Martins, afirmou que o país “não está de braços cruzados” e tem trabalhando junto com o governo em programas de rastreabilidade, como é o caso do setor da pecuária. Ele disse ainda que o governo brasileiro tem que determinar “claramente quais são as obrigações ambientais que serão cobradas dos produtores rurais”, tendo em vista que o país já tem uma “lei ambiental rigorosa”, e pode cumprir as exigências internacionais.

REUTERS 

Queda de embarques de soja e mais importações reduzem saldo comercial em novembro

O Brasil teve superávit comercial de 3,7 bilhões de dólares em novembro, abaixo do esperado, em meio à queda expressiva nas exportações do setor agropecuário e a uma melhora na dinâmica das importações, divulgou o Ministério da Economia na terça-feira 

A expectativa era de um superávit de 4,789 bilhões de dólares. O resultado ficou levemente acima do saldo comercial positivo de 3,6 bilhões de dólares de novembro do ano passado, mas abaixo dos 4,1 bilhões de dólares obtidos no mesmo mês de 2018. Pela média diária, as exportações gerais caíram 1,2% sobre novembro de 2019, a 17,5 bilhões de dólares. Na agropecuária, o recuo nos produtos vendidos foi de 21,9% pela mesma base de comparação. Enquanto isso, houve retração de 2,9% na indústria da transformação, e um aumento nos embarques de 26,9% na indústria extrativa. Em coletiva de imprensa, o Subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou que as exportações agrícolas foram afetadas pela concentração da venda de soja no primeiro semestre do ano, o que acabou contribuindo negativamente para o volume exportado em novembro. Já as importações sofreram uma queda de 2,6% em novembro sobre um ano antes, também pela média diária, a 13,8 bilhões de dólares. Na análise das importações por categoria, houve aumento de 8,3% nas compras de produtos da agropecuária em novembro, enquanto na indústria extrativa e na indústria de transformação as importações caíram 40,8% e 0,5%, respectivamente. As importações de arroz com casca saltaram 759,0% no mês, no primeiro dado mensal sensibilizado pela implementação de uma cota sem tarifa para compra de 400 mil toneladas do produto de fora do Mercosul até o final do ano. No acumulado de janeiro a novembro, o saldo da balança comercial ficou positivo em 51,2 bilhões de dólares, alta de 23,2% frente a igual período do ano passado. Em projeção divulgada em outubro, o Ministério da Economia previu que haverá um superávit para a balança comercial de 55 bilhões de dólares neste ano, acima do saldo positivo de 48,1 bilhões de dólares de 2019.

REUTERS 

IPC-S acelera alta em novembro com disparada das passagens aéreas, diz FGV

Com isso, o IPC-S acumula alta de 4,06% no ano e, em 12 meses, avança 4,86%

A alta do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou a 0,94% em novembro, depois de uma taxa de 0,65% no mês anterior, refletindo a forte inflação das passagens aéreas, informou na terça-feira a Fundação Getulio Vargas (FGV). No mês, os preços do grupo Educação, Leitura e Recreação saltaram para 3,00%, ante salto de 1,81% em outubro, movimento que foi impulsionado por uma disparada de 24,19% nas passagens aéreas. A inflação no setor de transportes também mostrou salto significativo no mês de novembro, a 0,93%, contra avanço anterior de 0,40%.

REUTERS

EMPRESAS

Marfrig estará na 16ª carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3

Nova carteira reunirá 46 ações de 39 companhias

A Marfrig Global Foods anunciou ontem que foi selecionada para compor a 16ª carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3. A nova carteira, que vai vigorar de 4 de janeiro a 30 de dezembro de 2021, reunirá 46 ações de 39 companhias, representando R$ 1,8 trilhão em valor de mercado. O ISE é uma ferramenta para análise comparativa das empresas listadas na B3 sob o aspecto da sustentabilidade, baseada nos pilares de eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa.

VALOR ECONÔMICO

Com caixa recheado, Seara vai acirrar duelo com BRF

Após aquisição, empresa dos Batista ganha força em margarina

“S” de Sadia ou de Seara? A batalha entre BRF e JBS, que no passado virou até disputa judicial por uma letra do alfabeto, vai esquentar. Lequetreque, o simpático mascote da Sadia, que se cuide. Num movimento que não nega a vocação expansionista dos irmãos Joesley e Wesley Batista, a Seara está aproveitando o poço de liquidez da JBS – a operação americana é quase uma máquina de imprimir dinheiro – para multiplicar a marca. Sob a liderança de Wesley Filho, prodígio de 29 anos que vem sendo preparado para chegar ao comando global da gigante criada pelo avô, a Seara recebe a maior parcela dos R$ 8 bilhões que serão investidos pela JBS até 2024. Neste momento, há obras de expansão em 12 unidades. No fim do ano passado, quando a JBS anunciou o pacote bilionário de investimento – um lance incomum para um grupo forjado por aquisições -, o CEO Gilberto Tomazoni tergiversava sempre que era perguntado sobre o destino reservado à Seara. A tática, é claro, era esconder o jogo enquanto o projeto não ganhava tração. Mas isso também já mudou, o que dá uma noção da capacidade de execução da companhia. Na última teleconferência com analistas, Tomazoni afirmou em alto e bom som o que muitos já especulavam: “Vamos dobrar a Seara de tamanho”. Em números, a conta é óbvia. Até 2024, a Seara precisa faturar mais de R$ 40 bilhões. No campo o jogo não é tão simples, como os investidores da BRF aprenderam amargamente. Para que tudo funcione, o time de agropecuária precisa de afinação com os granjeiros integrados para ampliar a produção de frangos e suínos. Numa cadeia viva e complexa, erros de planejamento e gestão não são perdoados. Mas a Seara apertou o passo e parece segura com o que vem pela frente. Uma fonte que conhece o plano da Seara admite. “O alvo é superar a BRF”. O projeto abrange da ampliação da capacidade de abate à produção de alimentos industrializados com marca. Não é coincidência, portanto, que a JBS venha reforçando o management com pesos pesados. Em setembro, Wesley Filho trouxe João Campos, que comandava a PepsiCo no Brasil desde 2015, para chefiar a área de alimentos industrializados da Seara. Nem mesmo a Qualy, sucesso de público e liderança até então inabalável, está imune à ofensiva da JBS. Com a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Seara concluiu na última segunda-feira a aquisição dos ativos de margarina e maioneses da Bunge, agregando R$ 1 bilhão ao faturamento. A transação, aliás, é reveladora da competição entre BRF e Seara. O negócio de R$ 700 milhões levou quase um ano para ser aprovado no órgão antitruste. Em outros mercados, a disputa já é pesada. No ano passado, a Seara desbancou a Perdigão da liderança em congelados – itens como hambúrguer, lasanhas e pratos prontos -, algo inimaginável quando a Seara foi comprada pela JBS, em 2013. Em valor, a Seara tem 23,7% do mercado de congelados, contra 21,4% da Perdigão, de acordo com dados obtidos pelo Valor. Na BRF, fontes não negam a liderança da marca rival em congelados, mas ironizam o fato de tratarem a Seara isoladamente, sem considerar outras marcas que a JBS tem no portfólio, como Rezende. Juntas, Perdigão e Sadia ainda lideram, com mais de 40%.

VALOR ECONÔMICO 

Paralisação de trabalhadores torna operação da Marfrig mais lenta em Bataguassu (MS)

Protesto contra uma mudança na forma de pagamento da premiação por produtividade

Em protesto contra uma mudança na forma de pagamento da premiação por produtividade, um grupo de trabalhadores do frigorífico da Marfrig em Bataguassu (MS) iniciou uma paralisação na terça-feira. De acordo com uma fonte próxima à companhia, o abatedouro operou com mais lentidão por causa da paralisação. “A paralisação é pequena e muito parcial. Nada muito relevante”, ponderou. À imprensa regional, os representantes do sindicato da categoria disseram que mais de 90% dos trabalhadores entraram em greve. Procurada pelo Valor, a Marfrig informou que a mudança no pagamento da premiação por produtividade conta com aval judicial. Em nota, a companhia também alegou que a unidade segue funcionando normalmente, mas disse esperar que o trabalho seja regularizado “o mais rápido possível”.

VALOR ECONÔMICO 

Minerva integrará carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3

Nova carteira reunirá 46 ações de 36 empresas

A Minerva informou ontem que passará a integrar a carteira 2020/2021 do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3. A carteira, que estará em vigor de 4 de janeiro de 2021 a 30 de dezembro de 2021, será composta por 46 ações de 36 companhias. Em comunicado ao mercado assinado pelo Diretor de Finanças e de Relações com Investidores da Minerva, Edson Ticle, a companhia disse que “a sustentabilidade é um dos principais pilares do modelo de gestão da Minerva, e a entrada no ISE reflete o nosso compromisso com as melhores práticas sociais, ambientais e de governança”.

VALOR ECONÔMICO 

FRANGOS & SUÍNOS 

Embarques de carne de frango de novembro tem aumento anual de 3,5%

Comparativamente aos resultados semanais divulgados pela SECEX/ME no decorrer do mês passado, as exportações de carne de frango in natura de novembro ficaram bem aquém do projetado

A estimativa era de embarques da ordem de 344 mil toneladas. Mas o resultado final apontou pouco mais de 324 mil toneladas do produto in natura, volume indicativo de que a média diária dos últimos seis dias úteis de novembro foi a mais fraca do mês. O volume alcançado representou aumento de quase 3,5% sobre novembro de 2019 e de mais de 9% sobre o mês anterior. Após quatro meses de alta moderada o preço médio obtido voltou a cair, retrocedendo aos níveis de julho passado. O valor registrado em novembro representou redução de mais de 2% sobre o mês anterior e de quase 17% sobre novembro de 2019. A receita cambial de novembro sofreu recuo anual pouco superior a 14%. Em relação a outubro passado foi registrado aumento próximo de 7%. Os dados do órgão relativos ao período janeiro-outubro somados aos resultados preliminares de novembro indicam redução próxima de 1% no volume embarcado no ano e queda superior a 13% no preço médio. Em consequência, a receita do período sofreu queda de 14,20%.

AGROLINK 

Exportação de carne suína em novembro cresce mais de 30% em volume e receita sobre novembro/19

De acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Camex) do Governo Federal, divulgadas na terça-feira (1), as exportações de carne suína fresca, congelada ou resfriada no mês novembro tiveram resultados acima do que o registrado no mesmo mês do ano passado 

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Iglesias, se somadas às exportações da carne suína industrializada, o total embarcado deve totalizar em torno de 85 mil toneladas, e a China segue como o principal importador. “Apesar de estar um pouco abaixo do que vimos em meses anteriores, o saldo ainda é positivo. A carne suína é a mais demandada no momento por causa do fator China, que leva 50% do total das exportações da proteína suína brasileira”, disse. A receita obtida com as exportações de carne suína durante novembro de 2020, US$ 188.541,256, superou em 36,19% do total obtido em todo o mês de novembro de 2019. No caso do volume embarcado, as 57.553,731 toneladas ultrapassaram 32,3% do total exportado em novembro do ano passado. O faturamento por média diária foi de US$ 9.427,062, quantia 36,19% maior do que novembro do ano passado. Entretanto, houve desaceleração de 4,38% em relação à semana anterior. No caso das toneladas por média diária, neste mês de novembro foram 3.809,032, avanço de 32,36% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Apesar disso, frente à semana anterior, houve uma diminuição de 4,1%. Já o preço pago por tonelada, US$ 2.474,923 até o encerramento do mês, é 2,89% maior do que o praticado em novembro de 2019. Em comparação à semana anterior, o preço caiu 0,2%.

AGÊNCIA SAFRAS 

MEIO AMBIENTE

Acordo com Mercosul depende de ações concretas do Brasil, diz embaixador da ue

Na avaliação de Ybáñez, atitude do Poder Executivo brasileiro mudou de “forma notável”

O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul está em “stand by”, à espera de ações concretas do governo brasileiro no combate ao desmatamento e às queimadas e proativas em políticas de sustentabilidade, disse o Embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybáñez. Segundo o espanhol, porém, sinalizações recentes do país, sobretudo posturas do Vice-Presidente Hamilton Mourão indicam que as negociações podem avançar, com assinatura e ratificação do pacto em breve. “Agora, sim, o governo brasileiro compreendeu muito bem essa mensagem [das reivindicações dos países]”, afirmou Ybáñez,  ao mencionar, por exemplo, o convite a embaixadores e lideranças para visitarem a Amazônia. A viagem foi organizada após oito países enviarem carta afirmando que a alta do desmatamento poderia dificultar importação de itens brasileiros. Segundo o emissário, outro ponto positivo foi a criação do Conselho da Amazônia, que, na sua visão, coloca o foco das iniciativas do governo no combate ao desmatamento e às queimadas. Ele ponderou que não se imagina desmatamento e fogo zero, mas que é possível avançar. “Nossa convicção é de que vamos chegar a esse acordo.” Sobre o novo recorde de desmatamento na Amazônia – segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe, a área devastada chegou ao nível anual mais alto desde 2008 -, ele disse que as ações do governo vão contar para a agenda avançar. “Se a confiança não for restabelecida, e realmente os parceiros europeus não virem que no governo brasileiro há uma vontade de colocar no centro de suas atividades a ideia da sustentabilidade, o acordo não vai poder passar.” Na avaliação de Ybáñez, porém, a atitude do Poder Executivo mudou de “forma notável”. “É verdade que os últimos números que recebemos ontem [segunda-feira] não são positivos. Mas achamos que a vontade do governo é mudar esses números”, ponderou. “E agora precisamos que essa mudança de atitude se transforme em fatos.” Ybáñez lembrou que, em 20 anos de negociação, nem sempre houve consenso para fechar o pacto UE-Mercosul. “Ano passado, se deu uma combinação, tanto do lado europeu, quanto dos países do Mercosul.” Ele argumentou, contudo, que o avanço das queimadas e derrubadas no Brasil, intensificadas em 2019 e 2020, “deixou o acordo em stand by, em situação de espera, que é baseada sobretudo num tema de confiança, para a União Europeia, e também para países do Mercosul.” Segundo ele, o pacto continua a ser aposta para o futuro. Ele também disse que nenhum país nunca colocou em dúvida a soberania do Brasil sobre a Amazônia. Mas emendou que soberania se exerce ao fazer com que as leis brasileiras – para ele avançadas, como o Código Florestal – sejam aplicadas.

VALOR ECONÔMICO 

INTERNACIONAL

Austrália abate menos animais e produz menos carne

A produção de carne bovina e o abate de gado continuaram diminuindo na Austrália no trimestre de setembro, devido à oferta reduzida e aos impactos da Covid-19, disse o Meat and Livestock Australia (MLA)

Os processadores continuam sentindo a pressão da escassez de oferta à medida que a busca por gado pronto para abate torna-se cada vez mais difícil, reduzindo as taxas de abate. Os bovinos machos diminuíram em 2% no último trimestre para um total de 828.590 cabeças, enquanto a o número de fêmeas diminuiu 11%, atingindo 932.926 cabeças, de acordo com o portal Eurocarne. Apesar de uma redução constante no abate de fêmeas, a proporção de fêmeas é de 53%, 2% a menos que no trimestre anterior, o que significa uma progressão para a recomposição do rebanho. No entanto, novas reduções são necessárias para chegar a 47%, indicando uma fase de recuperação total. A produção de carne bovina atingiu 517.663 toneladas no trimestre de setembro, queda de 5% em relação ao trimestre anterior e de 18% no mesmo período de 2019. Os impactos do ajuste de oferta, altos preços domésticos e Covid-19 permitiram a produção. O aumento da retenção de gado e da abundância de alimentos nos estados do sul, juntamente com volumes significativos de gado alimentado com grãos, permitiram que o peso da carcaça aumentasse em 6 kg para 294 kg em relação ao trimestre anterior, e machos e fêmeas ganharam 3kg e 4kg, de acordo com a Meat and Livestock Australia (MLA).

El País Digital

OCDE vê recuperação da economia global após crise do coronavírus

A perspectiva para a economia global está melhorando apesar de uma segunda onda de surto de coronavírus em muitos países conforme surgem vacinas e uma recuperação liderada pela China se instala, disse na terça-feira a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)

A economia global vai crescer 4,2% no próximo ano e desacelerar a 3,7% em 2022, depois de encolher 4,2% este ano, disse a OCDE em seu relatório Perspectivas Econômicas. Após a segunda onda de infecções atingir a Europa e os Estados Unidos, a organização com sede em Paris reduziu suas estimativas em relação a setembro, quando esperava contração de 4,5% em 2020 e recuperação de 5% em 2021. A OCDE não tinha na época estimativa para 2022. “Ainda não estamos a salvo. Ainda estamos no meio de uma crise pandêmica, o que significa que a política econômica ainda tem muito a fazer”, disse o Economista-Chefe da OCDE, Laurence Boone. O Produto Interno Bruto global retornará a níveis pré-crise antes do fim de 2021, liderado por forte recuperação na China, disse a OCDE. Mas isso esconde grandes variações entre os países, com a produção em muitas economias devendo permanecer cerca de 5% abaixo dos níveis pré-crise em 2022. A China será o único país coberto pela OCDE a registrar crescimento este ano, de 1,8%, inalterado ante a perspectiva de setembro. A economia chinesa ganhará velocidade para 8% em 2021, também inalterado, antes de crescer 4,9% em 2022. Os Estados Unidos e a Europa devem contribuir menos com a recuperação do que seu peso na economia global. Depois de contrair 3,7% este ano, a economia dos EUA crescerá 3,2% em 2021 e 3,5% em 2022, assumindo que novo estímulo fiscal seja adotado. Em setembro, a OCDE estimava contração de 3,8% este ano e recuperação de 4% no próximo. A economia da zona do euro vai contrair 7,5% este ano, com crescimento de 3,6% em 2021 e 3,3% em 2022. Apesar do forte impacto, as estimativas melhoraram em relação a setembro, quando a previsão era de contração de 7,9% este ano e recuperação de 5,1% em 2021.

REUTERS

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