CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1337 DE 08 DE OUTUBRO DE 2020

abra

Ano 6 | nº 1337| 08 de outubro de 2020

 

ABRAFRIGO NA MÍDIA

Exportações totais de carne bovina sobem 2% em setembro, mas preços caem

As exportações totais de carne bovina em setembro (in natura + processada) atingiram a 166.366 toneladas, num aumento de 2% sobre setembro de 2019, que contou com 163.371 toneladas. Nas receitas houve queda de 2% em relação ao ano passado, com US$ 668,7 milhões contra US$ 679,8 milhões

Esta foi a primeira vez que houve queda comparativa nos preços obtidos pela carne bovina brasileira no exterior neste ano. Desde janeiro o setor obteve altas expressivas em dólares que chegaram a atingir 40% de crescimento em junho passado. As informações são da Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), que compilou os dados totais divulgados nesta semana pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Decex). No acumulado do ano, as exportações de carne bovina registraram um crescimento de 10% em relação a 2019. Foram movimentadas 1 milhão 460 mil toneladas até setembro contra 1 milhão 332 mil toneladas no mesmo período de 2019. Nas receitas o resultado é mais expressivo: em 2019, até setembro, foram obtidos US$ 5,1 bilhões e neste ano as vendas atingiram US$ 6,1 bilhões, crescimento de 20% nas divisas. O principal comprador do produto brasileiro continua sendo a China. Através do continente e da cidade estado de Hong Kong, a China adquiriu até aqui 839.104 toneladas contra 519.653 toneladas no mesmo período de 2019, o que significou uma participação de 57,4% sobre o total das exportações brasileira de carne bovina. Em setembro, as compras chinesas atingiram a 96.385 toneladas (em julho foram 108 mil toneladas e em agosto 108 mil toneladas). Até setembro, o Egito foi segundo maior comprador do produto brasileiro, com 101.416 toneladas (-28,3% em relação a 2019). O terceiro foi o Chile, com 60.074 toneladas (- 30,8%). O quarto foi a Rússia, com 46.242 toneladas (-13,9%). Na quinta posição estão os Estados Unidos, com 40.602 toneladas e crescimento de 40,5% nas importações. A Arábia Saudita veio no sexto lugar com 32.834 toneladas (+ 4,7%), Filipinas em sétimo, com 29.813 toneladas (+ 22,4%) e Emirados Árabes na oitava posição com 29.741 toneladas (-53,3%).

REUTERS/VALOR ECONÔMICO/ISTOÉ/NOTÍCIAS AGRÍCOLAS/DINHEIRO/NOTÍCIAS R7/O GLOBO/DIÁRIO DO COMÉRCIOI/AGROEMDIA/CMA/AGROLINK/SNA/CAMPO MAIS/MONEY TIMES/BRASILAGRO/ CARNETEC/PORTAL DBO/GLOBO RURAL/CANAL RURAL/PECUARIA.COM.BR

NOTÍCIAS

Frigos oferecem mais de R$ 260 pelo boi comum

O mercado paulista está com o ritmo dos negócios compassados em relação ao dia anterior e o preço do boi gordo está estável

Boiadas que atendem ao mercado interno estão cotadas em R$256,00/@, preço bruto e à vista, R$255,50/@, descontado o Senar e R$252,00/@ descontado Senar e Funrural. Animais que atendem o mercado externo são negociados a R$260,00/@. Com negócios pontuais nestes preços para boiadas destinadas ao mercado interno. A dificuldade em compor as escalas de abate elevou em R$2,00/@a cotação do boi gordo e da novilha gorda na região de Dourados -MS. O boi gordo está cotado em R$250,00/@, preço bruto e à vista, R$249,50/@, descontado Senar e R$246,50/@, descontado Senar e Funrural, variação diária de 0,8%. Para a novilha, os negócios estão em R$240,00/@, preço bruto e à vista, R$239,50/@ descontado Senar e R$236,50/@, descontado Senar e Funrural, variação diária de 0,4%. Em PA-Paragominas os preços estão subindo na região. O boi gordo está cotado em R$252,00/@, preço bruto e à vista, alta na comparação dia a dia de R$2,00/@ ou 0,8%.

Scot Consultoria 

Boi gordo: preços têm alta moderada com avanço em escalas de abate

O maior volume de oferta de animais confinados ao longo do mês favorece o avanço das escalas de abate, diz Safras

O mercado físico do boi gordo segue com preços firmes. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos têm se beneficiado da incidência de animais negociados na modalidade a termo, o que gera algum alívio em suas escalas de abate. Ao mesmo tempo, o maior volume de oferta de animais confinados ao longo do mês favorece o avanço das escalas. “Portanto, neste ambiente é natural que haja menor espaço para movimentos mais contundentes de alta na arroba do boi”, destaca o analista. Em São Paulo, capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 259 a arroba, estáveis na comparação com a terça-feira, 6. Em Uberaba, Minas Gerais, os valores ficaram em R$ 256 a arroba, contra R$ 255. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 253 a arroba, ante R$ 252. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado foi de R$ 250 a arroba, inalterado. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 244 a arroba, também estável. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem subindo. Conforme Iglesias, o ambiente de negócios sugere pela continuidade deste movimento, em linha com a entrada dos salários na economia, motivando a reposição ao longo da cadeia produtiva. Ao mesmo tempo, as exportações permanecem em bom nível, com a China absorvendo volumes substanciais de proteína animal. Com isso, a ponta de agulha seguiu em R$ 14,25 o quilo. O corte dianteiro passou para R$ 14,30 o quilo, com alta de cinco centavos, e o corte traseiro subiu de R$ 19,25 o quilo para R$ 19,30 o quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Boi gordo: preço deve continuar firme mesmo com aumento de animais na escala de abate

Em Mato Grosso e São Paulo, o preço do bezerro nos indicadores do Cepea tiveram os recordes renovados

O preço do bezerro nos indicadores do Cepea em Mato Grosso do Sul e São Paulo teve recordes renovados. No mercado paulista, a cotação ficou em R$ 2.317 mil, alta acumulada de R$ 51,2% no ano. Já em Mato Grosso do Sul, o preço chegou a R$ 2.266, valorização de 48,8% em 2020. Analistas apontam que o mercado de reposição segue impulsionado pelo aumento nos preços da carne e do boi gordo, que refletem a oferta escassa de animais terminados. “A oferta muito escassa tem levado a gente a ter preços cada vez mais firmes, preços que a gente acredita que devem continuar firmes apesar da chegada das chuvas, dos animais de pastos. Esses animais vão entrar na escala de abate, mas não serão suficientes para fazer o preço do boi gordo desvalorizar”, afirma Yago Travagini, analista de mercado da Agrifatto Consultoria.

CANAL RURAL

Frigoríficos de Mato Grosso alertam para escassez de boi e criticam venda de gado vivo

Diferença na tributação de gado vivo prejudica indústria mato-grossense, diz sindicato 

A venda de gado vivo de Mato Grosso, principal produtor do país, para outros Estados ou mesmo países preocupa os frigoríficos mato-grossenses. Em nota, o Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo) sustenta que pode faltar gado para abate no Estado em 2021. A entidade também citou o recente relatório no qual o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) relatou que frigoríficos do Estado deram férias coletivas por causa da menor oferta de gado. “A evasão da matéria-prima com a saída de mais de 93 mil animais em único mês representa o abate de nove indústrias de porte médio”, disse o Presidente do Sindicato, o empresário Paulo Bellincanta, em nota. Na avaliação do Sindifrigo, a diferença de tributação do gado vivo no comércio interestadual é prejudicial para os frigoríficos de Mato Grosso. O empresário, que é sócio do frigorífico Frialto, levanta a possibilidade do gado da região amazônica de Mato Grosso estar sendo abatido na região Sudeste sem a mesma diligência que redes varejistas tem com as empresas mato-grossenses devido ao risco de vínculo com o desmatamento. “Desavisadas redes varejistas e ONGs estão vigiando com lupa o abate de animais na região Amazônica, enquanto este gado está morrendo em São Paulo ou outros estados da região sudeste”, afirmou Bellincanta, sem dar detalhes sobre a prática. A nota de preocupação do Sindifrigo acontece em um momento forte pressão de custos. O preço do boi gordo, que representa cerca de 80% do custo de produção dos frigoríficos, vem batendo recorde seguidamente nas últimas semanas. Em meio à escassez de gado, resultado do ciclo da pecuária — os criadores estão retendo vacas que seriam abatidas para estimular a produção de bezerros —, a arroba do boi gordo subiu mais de 8% em setembro, conforme o indicador Cepea/B3 para o animal em São Paulo, referência de preço para o restante do país.

VALOR ECONÔMICO

Mercado de boi tende a continuar com oferta restrita, mesmo com confinamentos

O mercado de boi gordo no Brasil tende a continuar observando uma oferta limitada de animais prontos para o abate neste mês, ainda que seja esperado algum alívio com a entrada no mercado de animais dos confinamentos, avalia o banco Itaú BBA

Em relatório mensal sobre commodities, analistas reforçam que as chuvas devem começar na região central do País a partir da segunda metade de outubro, o que não deve permitir que haja oferta de animais terminados a pasto antes do início de dezembro. O banco chama a atenção para a percepção de até que ponto os preços da carne continuarão aumentando. “Afinal, como as margens do mercado doméstico estão bem pressionadas, seria improvável um descolamento do boi do mercado interno de carne”, diz o relatório. Dessa forma, se não houver novos reajustes na cotação da carcaça do boi casado, os frigoríficos podem moderar as ofertas de preço pelos animais, segundo o Itaú BBA. Na ponta da demanda, o destaque é o auxílio emergencial disponibilizado pelo governo federal em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o que levou a uma demanda atípica e positiva. Foi por causa desse cenário que os níveis de preços do boi, do bezerro e da carne chegaram a recordes neste ano. Entretanto, o resultado dos últimos meses pode não se repetir nos próximos, ponderam analistas. Eles citam as exportações, que continuam aquecidas, mas com reajustes das cotações aquém da variação da matéria-prima. “Para o produtor rural, o risco que observamos é a reposição (principal insumo) muito cara entrando nos sistemas de recria e engorda, o que não deixa margem de segurança, caso o boi inflacione mais adiante, sendo prudente o cuidado com escalar as operações neste patamar”, conclui o relatório.

Estadão Conteúdo

ECONOMIA 

Real tem um dos piores desempenhos globais no dia com incerteza fiscal

O dólar voltou a subir na quarta-feira, com o real figurando entre as moedas de pior desempenho no dia e descolando dos ganhos vistos em pares emergentes, conforme investidores evitaram tomar risco diante das persistentes incertezas sobre as contas públicas domésticas

O dólar à vista fechou em alta de 0,46%, a 5,6235 reais na venda. Na B3, o dólar futuro tinha ganho de 0,68%, a 5,6360 reais, às 17h17. O real esteve entre as sete moedas (de uma lista das 33 principais) que caíram contra o dólar nesta sessão, ocupando a terceira pior posição –melhor apenas que peso argentino e lira turca, divisas de dois dos mais problemáticos mercados emergentes. A saraivada de informações ao longo do dia sobre o Renda Cidadã e o risco de extensão do estado de calamidade pública, combinada com ausência de clareza sobre quando o governo definirá as fontes de financiamento para o programa, manteve o sentimento do mercado sob pressão. Depois de cair à mínima do dia (de 5,5515 reais, queda de 0,83%) ainda na primeira hora de negócios, o dólar foi à máxima da sessão (de 5,6403 reais, alta de 0,76%), enquanto o mercado recebia informações sobre possível extensão do auxílio emergencial para o ano que vem e prorrogação do estado de calamidade pública. “O mercado até repercute as falas do Paulo Guedes, mas falta ação neste governo. É muita fala e pouca ação, tanto de um lado quanto do outro”, disse Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos. “Guedes tem boa intenção, mas já vimos que ele não dá a palavra final. Isso vai minando a credibilidade –não dele Guedes, mas da posição dele, porque cria expectativa que na maioria das vezes não se concretiza”, acrescentou, citando fragilidade do mercado mesmo em momentos mais positivos. Investidores temem que o governo recorra a medidas para financiar o Renda Cidadã –programa de transferência de renda que substituirá o Bolsa Família– que impliquem descumprimento do teto de gastos, considerado a âncora fiscal do Brasil no momento. João Leal, economista da Rio Bravo, ainda tem como cenário-base preservação do teto de gastos, mas reconhece que, pelo fluxo atual de notícias, “é difícil enxergar um cenário mais confortável (para o mercado) nas próximas semanas”. “Sem o teto de gastos, o dólar ficaria mais na casa de 6 reais. O abandono do teto é uma situação muito drástica”, finalizou.

REUTERS

Ibovespa fecha quase estável em sessão marcada por volatilidade

Numa sessão volátil do começo ao fim, o principal índice brasileiro de ações virou pra baixo nos ajustes da quarta-feira, uma vez que o receio com o cenário fiscal do país se sobrepôs à influência positiva das bolsas norte-americanas

O índice recuou 0,09%, a 95.526,26 pontos. O volume da sessão somou 24,8 bilhões de reais. Na máxima da sessão, o Ibovespa chegou a subir 0,8%, mas também operou em queda de 0,77% no seu pior momento. Notícias ligadas às contas públicas pautaram os negócios. O impasse sobre o financiamento do novo programa de transferência de renda do governo Jair Bolsonaro, Renda Cidadã, era um dos principais fatores adicionando volatilidade à bolsa. Mais cedo, uma fonte da área econômica do governo disse que a definição do programa ficará para após as eleições municipais e terá que ser sujeitar ao teto de gastos. Investidores repercutiram notícias de que, sem definição para o Renda Cidadã, o governo avalia estender o auxílio emergencial até meados de 2021. Mas o Ministro da Economia, Paulo Guedes, negou a prorrogação do auxílio ou do estado de calamidade para além de dezembro deste ano. Pouco após a declaração de Guedes, o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), publicou o link da matéria da Reuters sobre a fala de Guedes e afirmou: “A posição da presidência da Câmara é a mesma.” Para a Verde Asset Management, a discussão deve considerar que o país não tem espaço fiscal para acomodar mais gastos. “Não é por capricho, portanto, que as reações dos preços de ativos, câmbio, juros e bolsa, são extremamente fortes quando o governo dá mostras de querer abandonar a única âncora que segura toda a sustentabilidade da dívida, que é o teto de gastos.” Nos EUA, o mercado recuperou o otimismo de que pelo menos um acordo parcial sobre mais estímulos fiscais possa acontecer. O S&P 500 teve alta de 1,74%. Na véspera, uma decisão do Presidente Donald Trump de suspender negociações com o Congresso sobre os estímulos derrubou os índices de Wall Street.

REUTERS 

EMPRESAS

BRF enfrenta discussões salariais difíceis em Santa Catarina

Um sindicato de trabalhadores da BRF em Chapecó (SC) espera alcançar um acordo salarial com a companhia depois que um impasse nas discussões culminou com a interrupção parcial de produção na sexta-feira passada, afirmou um representante da entidade na quarta-feira à Reuters

Jenir de Paula, Presidente do Sindicato Sitracarnes, afirmou que a BRF propôs aumento de 1% nos salários e que o valor é inaceitável. A fábrica da BRF em Chapecó emprega cerca de 5.700 funcionários e processa produtos de peru e frango. Os trabalhadores cobram 10% de reajuste anual. Uma nova rodada de negociações deve ocorrer na quinta-feira e se nenhum acordo for alcançado, os trabalhadores poderão optar por greve em assembleia marcada para a sexta-feira, disse De Paula. A BRF afirmou que a interrupção temporária de parte da linha de peru foi causada “por manifestação, sem respaldo legal, de um pequeno grupo de trabalhadores”. A empresa disse ainda que a paralisação não tem correlação com a negociação coletiva entre o sindicato e a BRF. As tratativas salariais deveriam ter ocorrido em junho, mas a epidemia de Covid-19 adiou as discussões, disse o presidente do sindicato. A BRF tem testado funcionários regularmente e houve cerca de 1.500 casos confirmados em Chapecó, acrescentou. Na última segunda-feira, um grupo de cerca de 60 empregados foi suspenso após a manifestação da sexta anterior, disse o sindicato e uma fonte próxima aos trabalhadores. O Sitracarnes tenta impedir que eles sejam demitidos, ao mesmo tempo que procura avançar com as negociações salariais, De Paula afirmou. A BRF não comentou as suspensões. As ações da BRF encerraram o dia em queda de 1,2%, cotadas a 17,70 reais. O Ibovespa teve oscilação negativa de 0,09%.

REUTERS

JBS antecipa R$ 357,5 milhões em recebíveis no Banco Original

Custo efetivo das operações realizadas foi de R$ 1,9 milhão

A JBS informou no fim da noite de ontem que assinou contratos para a antecipação de R$ 357,5 milhões com a cessão de recebíveis para o Banco Original, que também é controlado pela J&F — holding da família Batista. Ao considerar apenas o efetivo custo das operações para a JBS – taxa de deságio aplicado sobre o valor total dos créditos cedidos – o montante das transações realizadas chegou a R$ 1,9 milhão. As transações foram firmadas entre 29 de setembro e 5 de outubro. De acordo com o documento enviado ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a responsabilidade pela cobrança dos títulos é da JBS, porém o risco de crédito é do Banco Original. A informação sobre os contratos entre Banco Original e JBS precisa ser DIVULGADA ao mercado porque são entre partes relacionadas. “O Banco Original, seus administradores e/ou seus acionistas não participam ou têm qualquer influência sobre a tomada de decisões pela JBS acerca das transações e tampouco participam da negociação das transações como representantes da JBS”, comunicou a empresa.

VALOR ECONÔMICO 

MEIO AMBIENTE

Reino Unido vai respeitar desmate legal

Gabinete de Boris Johnson reconhece que o Brasil tem leis contra destruição da Amazônia, mas cobra sua aplicação

O Brasil precisa basicamente aplicar as leis que já tem para proteger a floresta Amazônica, manifestou-se o governo do Reino Unido no âmbito das discussões sobre a proposta do gabinete de Boris Johnson de impor exigências mais rígidas aos importadores de commodities para coibir a entrada de produtos como carne bovina e soja de áreas com risco de desmate. Na segunda-feira, grandes grupos como Tesco, McDonald’s e Nestlé sinalizaram sua disposição de seguir futuras exigências de due dilligence, caso sejam adotadas, e sugeriram sua aplicação a todo tipo de desmatamento, ilegal ou legal – o Código Florestal brasileiro permite que 20% da vegetação de uma propriedade na Amazônia seja suprimida. Mas um porta-voz do Departamento de Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais do Reino Unido reagiu posteriormente, e afirmou que a abordagem britânica é “para combater o desmatamento ilegal, responsável por quase 50% do desmatamento globalmente, e quase 90% em biomas importantes, incluindo parte da Amazônia”. O porta-voz deixou claro que o Brasil já tem leis, o que falta é implementação: “Se as leis florestais existentes no Brasil fossem devidamente aplicadas, os especialistas acreditam que a cobertura florestal aumentaria em 10%”. No texto da consulta pública sobre o projeto de lei que poderá obrigar a cadeia de suprimentos a fazer due dilligence na importação de commodities, o Reino Unido já havia realçado que o reforço de leis florestais e sua efetiva aplicação foram as principais razões que levaram à queda do desmatamento na Amazônia brasileira entre 2004 e 2012. “A conformidade apenas com o Código Florestal brasileiro já levaria a um aumento da cobertura florestal de mais de 15% até 2050”, apontou o documento da consulta pública. Como informou o Valor, o governo de Jair Bolsonaro alertou o Reino Unido que poderá denunciar o país na Organização Mundial do Comércio (OMC) por discriminação por causa do projeto de lei.

VALOR ECONÔMICO 

FRANGOS&SUÍNOS

Exportação de carne de frango do Brasil recua 2,3% em setembro, indica ABPA

As exportações totais de carne de frango do Brasil recuaram 2,3% em setembro ante mesmo mês do ano anterior, totalizando 345 mil toneladas, informou na quarta-feira a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

Segundo a entidade, que não forneceu justificativas detalhadas para o resultado, a receita obtida com os embarques do produto (in natura e processado) no mês passado somou 479 milhões de dólares, recuo de 18,4% em relação a setembro de 2019. No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, porém, as exportações da proteína seguem à frente do registrado em igual período de 2019, com o volume de 3,178 milhões de toneladas representando alta de 1,3%. As receitas entre janeiro e setembro, por sua vez, somaram 4,619 bilhões de dólares, retração de 12,1% na comparação anual, acrescentou a ABPA. Apesar da queda de setembro, a associação indicou que a média de embarques no segundo semestre permanece à frente dos dados de 2019, projetando resultados positivos para as vendas. “A média de exportações registradas neste segundo semestre estão acima do obtido no mesmo período em 2019, um indicativo de que as vendas seguirão positivas. Isso, sem impactar na oferta de produtos para o consumidor brasileiro, que também aumentou este ano”, disse em nota o Presidente da ABPA, Ricardo Santin. Principal cliente do Brasil, a China importou 514,1 mil toneladas de carne de frango entre janeiro e setembro de 2020, alta de 28% no ano a ano, disse a entidade, que também mencionou vendas firmes para países como Cingapura, Coreia do Sul, Rússia, Vietnã, Jordânia e Líbia. “Considerando apenas as vendas de setembro, também são destaques as exportações para a África do Sul, com 23 mil toneladas (+38% em relação a setembro de 2019), Iêmen, com 11 mil toneladas (+73%), Emirados Árabes, com 25,9 mil toneladas (+11%), União Europeia, com 21,2 mil toneladas (+15%)”, acrescentou a ABPA em comunicado.

REUTERS

Reajuste do frango testa demanda interna

Diante da disparada dos preços dos grãos usados na ração, indústrias buscam repassar os custos

A disparada dos grãos que compõem a ração achatou as margens de lucro das agroindústrias processadoras de frango, desafiando a capacidade dos frigoríficos de repassar a alta de custos ao consumidor. A explosão dos preços de farelo de soja e milho, que chega a ser comparada por analistas ao problemático ano de 2016 – quando o milho no Brasil disparou prejuízos históricos -, só será amenizada com a redução da produção, com a queda dos alojamentos de aves nas granjas ou com reajuste de preços. Ao Valor, um executivo graduado de uma das maiores agroindústrias de alimentos do país afirmou que, para recompor as margens da carne de frango, será necessário um reajuste de algo entre 15% e 20%. “O aumento de preço tem um limite e achamos que está próximo”, afirmou Wagner Yanaguizawa, analista do Rabobank. Por outro lado, há quem prefira o copo meio cheio. “O mercado interno está absorvendo [os reajustes]”, afirmou Ivan Lauandos, Presidente da Aviagen na América Latina, empresa líder em genética avícola no país. Além da boa recepção dos reajustes promovidos o quarto trimestre é normalmente o período de maior consumo no ano, o que pode dar sustentação aos preços, avaliou o Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. Segundo a ABPA, a disponibilidade interna de frango crescerá mais de 5% em 2020, ao passo que a oferta interna de carne suína ficará estável e a de carne bovina recuará. A menor concorrência acabou ajudando a avicultura. A visão positiva dos empresários da indústria está na contramão das avaliações de César Castro Alves, analista da consultoria de agronegócios do Itaú BBA. Para ele, só a redução da produção de frangos equilibrará as margens, que se deterioraram nos últimos meses. Para Alves, “o jeito mais lógico” de reajustar os preços seria com um ajuste na produção, mas não há sinais de que isso esteja acontecendo no país. De fato, as estimativas de alojamentos de pintinhos de corte indicam aumento da oferta, ainda que o ritmo de crescimento venha em desaceleração. Em agosto, último dado disponível, os alojamentos cresceram 2,09% na comparação anual, de acordo com a Apinco. Como o período de engorda é de pouco mais de 40 dias, as aves alojadas em agosto chegarão ao mercado entre setembro e outubro. “E tenho certeza que em setembro o alojamento vai vir maior”, acrescentou Alves. Para os exportadores o cenário também é desafiador por causa da forte desvalorização do preço do frango no mercado internacional. Segundo cálculos de Alves, o indicador de margem bruta da criação de frango ficou negativo em 6% em setembro. Nas exportações, o spread (diferença entre o preço da carne de frango exportada e os custos de produção) encolheu. Em setembro, a diferença foi de 61%, pior patamar desde julho de 2016, disse o analista do Itaú BBA. Em abril, quando a forte valorização do dólar turbinou a rentabilidade da exportação, a diferença era de 105%.

VALOR ECONÔMICO 

Aurora compra abatedouro em SC por R$ 174 milhões

Frigorífico de aves de Xaxim (SC) pertence à massa falida da Chapecó

A Aurora Alimentos, central de cooperativas catarinense, está perto de assumir a propriedade definitiva do abatedouro de aves de Xaxim, no oeste de Santa Catarina. Em certame realizado ontem, a cooperativa fez uma proposta de R$ 173,8 milhões para adquirir a unidade, que pertence à massa falida da Chapecó e que já é operada pela Aurora por um contrato de arrendamento. A Aurora foi a única a fazer proposta. Segundo o advogado Alexandre Araújo, o escritório Cavallazzi, Andrey, Restanho & Araújo, síndico de massa falida, já se manifestou favoravelmente à proposta. Segundo a Aurora, que já arrenda a unidade desde 2012, “a unidade emprega diretamente 2.379 trabalhadores, está habilitada para exportar para vários mercados e tem capacidade para abate de 191 mil frangos por dia, ou 47,7 milhões de aves por ano”. Terceira principal agroindústria produtora de aves e suínos do Brasil, a Aurora faturou R$ 10,9 bilhões no ano passado, e reportou sobras (o equivalente ao lucro das cooperativas) de cerca de R$ 545 milhões. A oferta feita pela Aurora ficou no valor mínimo exigido pelo edital do certame – 50% do laudo de avaliação do abatedouro. De acordo com Araújo, o abatedouro de Xaxim estava avaliado em R$ 347,7 milhões. A expectativa de Araújo é que a proposta seja aprovada pela Justiça rapidamente. Em nota, a Aurora – que não divulgou o valor da oferta pela planta – informou que “uma decisão a respeito deverá ser divulgada nas próximas semanas”. Para adquirir o abatedouro, a Aurora desembolsará 50% do valor assim que o negócio for aprovado – o edital do certame previa o sinal mínimo de 30%. O saldo restante será pago em cinco parcelas mensais. Para a massa falida da Chapecó, a venda representa um dos últimos ativos disponíveis para a venda – o dinheiro será usado, é claro, para amenizar o prejuízo dos credores da Chapecó, grupo que era controlada pelo empresário Franco Macri – pai do ex-presidente argentino Mauricio Macri – e que teve a falência decretada em 2005. Na Justiça, a massa falida ainda busca reverter a venda de um abatedouro em Santa Rosa (RS) para a Alibem. De acordo com Araújo, a massa falida venceu a disputa em primeira e segunda instância, alegando a que a venda, feita em 2003, ocorreu sem o aval dos credores. O grupo Alibem recorreu.

VALOR ECONÔMICO

ABRAFRIGO 

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

POWERED BY EDITORA ECOCIDADE LTDA 

041 3088 8124 

https://www.facebook.com/abrafrigo/

abrafrigo

Leave Comment