CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1281 DE 20 DE JULHO DE 2020

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Ano 6 | nº 1281| 20 de julho de 2020

 

NOTÍCIAS

Semana terminou com mercado do boi gordo calmo, mas firme

Na praça paulista, em decorrência dessa calmaria, a cotação do boi gordo encerrou a semana estável na comparação feita dia a dia, em R$218,00/@, bruta e à vista para o boi comum, e R$225,00/@ para as boiadas jovens

Para a vaca gorda e novilha gordas, as cotações estão em R$200,00/@ e R$210,00/@, respectivamente, à vista e sem descontar os impostos. Escalas de abate enxutas e dificuldade na originação da matéria-prima continuam sendo tônica geral do mercado neste momento. Para os próximos dias, embora a segunda quinzena do mês seja de menor consumo de carne bovina no mercado interno, a abertura de bares e restaurantes são fatores positivos para o mercado. Além disso, temos as exportações em bom ritmo, colaborando e dando sustentação às cotações.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi gordo segue firme, sem espaço para queda, diz Safras

Segundo analista, a oferta de animais terminados permanece restrita, mantendo as escalas de abate encurtadas

A arroba do boi gordo ficou estável no mercado físico brasileiro na sexta-feira, 17, segundo a consultoria Safras. “Os preços no geral ainda denotam firmeza em grande parte do país. O spread entre animais destinados ao mercado doméstico e animais que cumprem os requisitos destinados ao mercado chinês se sustenta entre R$ 5 e R$ 10 por arroba”, diz o analista Fernando Henrique Iglesias. Segundo ele, a oferta de animais terminados permanece restrita, mantendo as escalas de abate encurtadas. “Além disso, a retomada das atividades na cidade de São Paulo estimulou a reposição ao longo da cadeia produtiva, motivando reajustes no atacado ao longo da primeira quinzena do mês. Ou seja, os elementos de firmeza ainda estão presentes no mercado pecuário brasileiro, havendo pouco espaço para queda no curto prazo”, afirma. Na capital de São Paulo, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 221 por arroba. Em Uberaba (MG), permaneceram em R$ 217 a arroba. Em Dourados (MS), continuaram em R$ 212 a arroba. Em Goiânia (GO), o preço indicado foi de R$ 211 a arroba. Já em Cuiabá (MT), ficou em R$ 198 a arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem firmes. Conforme Iglesias, o saldo da primeira quinzena de julho foi bastante positivo para a agroindústria, com registro de bom ritmo de vendas no atacado paulista, consequência da reabertura de restaurantes e de outros estabelecimentos na cidade de São Paulo. “Além disso, as exportações permanecem em bom nível, mantendo a oferta doméstica equilibrada”, diz Iglesias. Com isso, a ponta de agulha continuou em R$ 12,10 o quilo. O corte dianteiro seguiu em R$ 12,65 o quilo, e o corte traseiro permaneceu em R$ 14 por quilo.

AGÊNCIA SAFRAS 

Após pressão da indústria, Paraná revoga normas sobre Covid-19 em frigoríficos

Em ofício enviado ao governo do Paraná, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estimou que o distanciamento mínimo de dois metros poderia levar a uma queda de 50% na produção da indústria frigorífica paranaense

Após duas semanas de vigência, a Secretaria de Saúde do Paraná revogou na noite de quinta-feira (16/7) o protocolo estadual para controle e prevenção à Covid-19 em frigoríficos. A norma, publicada no início deste mês, foi criticada pela indústria por conter exigências mais rígidas que o estabelecido pelo governo federal, com distanciamento mínimo obrigatório de dois metros. “A resolução 855/20 era a norma mais avançada em garantir a proteção dos trabalhadores de frigoríficos no Brasil. Não há qualquer fundamento sobre a motivação para a revogação da resolução”, critica o procurador o trabalho e Vice-Gerente do projeto nacional de adequação do trabalho em frigoríficos do Ministério Público do Trabalho (MPT), Lincoln Cordeiro. Segundo ele, “o MPT vê com perplexidade a revogação e vai apurar, dentro de sua esfera de atribuição, os motivos do ato”. “O órgão vai permanecer no seu dever de promotor direitos, priorizando sempre a saúde e a vida dos trabalhadores paranaenses e do país”, ressaltou Cordeiro. As normas paranaenses para prevenção da Covid-19 foram editadas semanas após o governo federal publicar a Portaria nº 19, questionada pelo MPT e por entidades representativas dos trabalhadores de frigoríficos. A indústria, por outro lado, tem defendido a adoção do protocolo federal editado pelos ministérios da Economia, Agricultura e Saúde, que prevê a possibilidade de distanciamento inferior a um metro nos casos em que houver uso de máscaras ou equipamentos de proteção individual.

GLOBO RURAL

ECONOMIA 

dólar fecha em firme alta ante o real na sexta-feira

O dólar à vista subiu 1,02%, a 5,3824 reais na venda. A moeda oscilou entre alta para 5,3915 reais (+1,19%) e queda a 5,3164 reais (-0,22%). No ano, o dólar dispara 34,13% 

Com os ganhos da sexta, o dólar fechou a semana com valorização acumulada de 1,10%. Em julho, a divisa recua 1,06%. No ano, o dólar dispara 34,13%. Mais uma vez, o real liderou as perdas globais a despeito do dia bastante positivo no mercado acionário brasileiro. “Mais uma vez real depreciando enquanto a bolsa sobe. Esse combo reforça a análise de que o mercado compra dólar para proteção”, disse Thomas Gilbertoni, especialista em investimentos da Portofino. A sexta também foi de queda nos juros futuros, o que pode indicar expectativas de novos cortes da Selic, atualmente na mínima recorde de 2,25% ao ano. No fim de 2019, o juro estava em 4,50%, contra 6,50% ao final de 2018. O mercado compra bolsa, mas, para reduzir o risco associado a incertezas domésticas, ao mesmo tempo toma dólares, cujo custo de carregamento está mais barato por causa dos juros no piso. A Selic perto do que seria um limite mínimo suscita debates sobre o risco de a taxa estar ou entrar em desequilíbrio com os patamares de risco macro, o que segundo algumas teses estaria contribuindo para a pressão cambial e volatilidade mais alta. Nesse contexto, analistas discutem os níveis de tolerância do Banco Central à volatilidade da taxa de câmbio doméstica, a mais alta entre as principais divisas emergentes. A volatilidade implícita para o real dentro de três meses está em 17,2% ano, contra cerca de 14% do peso mexicano e 11% da lira turca. Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, calculou que o real está cerca de 21 centavos de real desvalorizado em relação a uma cesta de emergentes, depois de, em março, a moeda ter mostrado sobra de valorização na casa de 40 centavos de real. “Houve o choque da pandemia, o que mudou a dinâmica das contas públicas e gerou incerteza sobre a dívida pública no médio e longo prazo”, disse.

REUTERS 

IBOVESPA sobe MAIS DE 2%

A MARFRIG ON valorizou-se 8,71%, entre as maiores altas, em meio a expectativas positivas para o resultado do segundo trimestre. No setor, MINERVA ON avançou 4,18% e JBS ON fechou com elevação 4,06%

O Ibovespa fechou em alta de 2% nesta sexta-feira, acima dos 102 mil pontos. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com elevação de 2,32%, a 102.888,25 pontos, maior patamar de fechamento desde 4 de março. Na semana, registrou ganho de 2,86%, ampliando a alta no mês para 8,2%. No ano, ainda recua 11%. O volume financeiro somou 29,5 bilhões de reais neste pregão, também refletindo últimos ajustes de posições antes do vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista na segunda-feira. Nesta semana, também começa a temporada de resultados no Brasil, com WEG abrindo o calendário das empresas listadas no Ibovespa no dia 22. Para o gestor Werner Roger, da Trígono Capital, a alta nesta sessão reflete um pouco de “mais do mesmo”, uma combinação de fatores que partem de juros baixos e perspectivas de ainda mais fluxo para a bolsa, sem notícias ruins mais recentemente. “Investidores institucionais não estão encontrando ativos de renda fixa para cobrir as metas atuariais e estão subalocados em bolsa. Ainda estão tímidos, mas poderão ser a ‘segunda onda’ após a migração de recursos de pessoas físicas”, avaliou. Dados da B3 mostram que a parcela de investidor pessoa física nas negociações – compra e venda – no segmento Bovespa neste mês já alcança 26,7%, contra 23,6% dos institucionais. Os estrangeiros respondem por 44,3%, conforme os dados até o dia 15. Estrategistas do Itaú BBA citaram em relatório que veem os fundos de pensão no país aumentando a exposição a ativos mais arriscados em busca de retornos mais elevados para cumprirem suas metas atuariais.

REUTERS 

Economistas veem contração de menos de 5,95% da economia este ano no Focus

O mercado voltou a ajustar a expectativa de contração da economia brasileira neste ano, esperando agora queda de menos de 6% do PIB, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira

Os economistas passaram a ver retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,95% este ano, contra recuo de 6,10% estimado na semana passada. Essa foi a terceira vez seguida em que a pesquisa mostrou melhora da estimativa. O resultado reflete uma contração também menor esperada para a indústria este ano, de 7,86% contra queda de 9% prevista para a produção antes. Para 2021, os especialistas consultados continuam vendo um crescimento do PIB de 3,50%, com a indústria apresentando avanço de 4%. O levantamento semanal mostrou ainda que a inflação permanece estimada em 1,72% este ano e 3,0% no próximo. O centro da meta oficial de 2020 é de 4% e, de 2021, de 3,75%, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para a taxa básica de juros também não houve mudanças, e a Selic segue sendo calculada a 2,0% ao fim de 2020 e a 3,0% em 2021. O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, elevou ligeiramente a conta para a Selic este ano a 2,0%, de 1,88% na mediana das projeções antes. Para 2021, permanece em 2,38%.

REUTERS 

EMPRESAS 

China retira suspensão que impedia exportações do frigorífico Agra

Chineses também autorizaram a retomada das exportações de um frigorífico argentino e um de alemão que se encontravam na mesma situação do frigorífico mato-grossense

Após quase um mês de suspensão, o frigorífico mato-grossense Agra pode voltar a exportar carne bovina à China. A Administração Geral de Alfândegas do país asiático (GACC, na sigla em inglês) atualizou neste sábado (18) a lista de estabelecimentos aptos a exportar ao país, incluindo novamente o Agra. Os chineses também autorizaram a retomada das exportações de um frigorífico argentino e um de alemão que se encontravam na mesma situação do Agra. A decisão chinesa representa um alívio ao setor frigorífico. Ao retirar a barreira, o país asiático mostra que as suspensões, feitas como precaução para evitar o risco de contaminação por covid-19, são temporárias e podem ser retiradas após explicações. Desde junho, seis frigoríficos brasileiros tiveram a licença para exportar à China suspensa por causa de casos de covid-19 entre funcionários. Além do Agra, um abatedouro de bovinos que pertence ao Grupo Alibem, a JBS teve duas plantas suspensas (uma de carne de frango e outra de carne suína). BRF, Marfrig e Minuano tiveram uma planta suspensa. As autoridades chinesas pediram ao Brasil informações sobre 15 frigoríficos e solicitaram a suspensão de outros dois abatedouros do país por causa da covid-19. A China é o principal destino as exportações de carnes do Brasil.

REUTERS 

TRT manda todos os funcionários de fábrica da JBS no RS ficarem em casa por Covid-19

O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª região decidiu que todos funcionários de uma fábrica de produtos de carne suína da JBS em Três Passos (RS) fiquem em casa por pelo menos 14 dias por causa de surto de coronavírus entre os trabalhadores

Procuradores do trabalho afirmam que o surto afetou 40% dos funcionários da fábrica. O tribunal tomou a decisão na quinta-feira. A fábrica tem cerca de 1.000 trabalhadores, segundo os procuradores e é uma de seis unidades do setor no Brasil impedidas de exportar para a China por causa de preocupações com o coronavírus. Em nota, a JBS disse que não comenta processos em andamento. “A companhia reforça que não tem medido esforços para a garantia do abastecimento e da produção de alimentos dentro dos mais elevados padrões de qualidade e segurança além da máxima proteção dos seus colaboradores”, afirmou. A JBS ainda destacou que foi implementado um robusto protocolo de controle, prevenção e segurança dos funcionários em suas unidades. Segundo o comunicado, este protocolo está em conformidade com a portaria interministerial número 19, de 18 de junho de 2020 (Ministérios da Saúde, Agricultura e Economia) e segue as orientações de instituições de referência, como o Hospital Albert Einstein.

REUTERS 

BRF anuncia captação de R$ 2,2 bilhões por meio de CRA

Medida foi aprovada no conselho nesta semana

A BRF anunciou na sexta-feira a captação de R$ 2,2 bilhões através da emissão, com esforços restritos, de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). A medida foi aprovada em reunião do Conselho de Administração realizada nesta semana. A companhia informou, em nota, que os recursos serão utilizados integral e exclusivamente em investimentos, custos e despesas relacionados à sua cadeia de produção. A primeira série dos CRAs tem valor de R$ 705 milhões com vencimento em sete anos. A segunda série, de R$ 1,495 bilhão, tem vencimento em 10 anos. “Essa transação está em consonância com a estratégia de gestão da estrutura de capital da companhia, cujas metas objetivam a sustentação da liquidez, o aumento de prazo médio de endividamento e a diversificação das fontes de financiamento”, afirmou a BRF, em comunicado.

REUTERS 

Após suspensões, China faz inspeção virtual para habilitar novos frigoríficos no Brasil

Apesar do maior rigor na fiscalização, país continua demandando a carne brasileira 

Ao mesmo tempo que suspendeu a autorização de exportação de seis frigoríficos brasileiros, a China tem realizado inspeções remotas em busca de novos fornecedores de proteína animal no Brasil. No último mês, dois frigoríficos foram inspecionados pelo país, revelou Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), durante a segunda live sobre Covid-19 em frigoríficos promovida pela Revista Globo Rural, na quinta-feira (16/7). “Eles suspendem temporariamente e, ao mesmo tempo, buscam outros fornecedores porque estão absolutamente demandantes”, observou Turra. Ele ressaltou que, apesar do maior rigor chinês com as cargas, “não há nenhuma razão científica” para que os produtos sejam testados. Por isso, a indústria brasileira não tem se preocupado em testar embalagens para exportação. “Mesmo que a nossa indústria estivesse realizando esse trabalho de testagem em embalagens, a gente ficaria à mercê porque, depois, isso é manuseado por outras pessoas tanto no transbordo de carregamento quanto no descarregamento”, destacou Decio Coutinho, Presidente Executivo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), ao ressaltar a segurança sanitária dos produtos brasileiros. No primeiro semestre deste ano, a China já importou 941,7 mil toneladas de carne do Brasil, volume 87,3% superior ao registrado em igual período do ano passado. Desse total, 230,7 mil toneladas foram de carne suína, montante quase três vezes superior às 92,3 mil toneladas exportadas nos seis primeiros meses de 2019.

GLOBO RURAL 

LEGISLAÇÃO 

Frigorífico vence no TRF disputa com a Previdência

INSS exigia indenização por pagamento de benefícios

Previdência não analisou as causas das enfermidades e cometeu exageros

O Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, que abrange a região sul, negou pedido da União e livrou o Frigorífico Agrícola Jandelle, uma das empresas da JBS, do pagamento de indenização à Previdência Social por benefícios que foram concedidos a empregados com doenças ocupacionais. A disputa envolve a reposição dos gastos com 497 funcionários, o que totaliza cerca de R$ 3,6 milhões. Trata-se de uma das maiores ações regressivas do país. Os pedidos de ressarcimento das despesas decorrentes de acidente de trabalho e doenças ocupacionais costumam ser feitos quando a União entende que o dano sofrido pelo trabalhador ocorreu por negligência da empresa, que deixou de cumprir normas de segurança ou higiene, por exemplo. No caso do frigorífico, a ação foi ajuizada em 2015, após uma operação do Ministério Público do Trabalho (MPT) que apontava irregularidades na empresa. Entre elas, ritmo intenso de trabalho, equipamentos inadequados e exposição dos trabalhadores ao frio, ruído e agentes químicos. A Advocacia-Geral da União (AGU) busca o ressarcimento de benefícios concedidos entre dezembro de 2010 e outubro de 2015. Afirma, no processo, que todos os beneficiários “desempenhavam idêntica função” e “nas mesmas condições inadequadas” de trabalho. Para a 4ª Turma do TRF, no entanto, pedidos de ressarcimento só são possíveis quando há comprovação efetiva de que a empresa agiu de forma negligente em cada um dos casos em que houve o recebimento do benefício. Para os desembargadores, isso não ficou demonstrado na ação coletiva que foi movida contra o frigorífico. A decisão foi unânime (processo nº 5016349-65.2015.4.04.7001). O Frigorífico Agrícola Jandelle, que tem sede no Paraná, já havia vencido em primeira instância. A juíza Georgia Zimmermann Sperb, da 1ª Vara de Londrina, diz, na sentença, que apesar das possíveis semelhanças entre os benefícios – concedidos a trabalhadores da mesma empresa e sujeitos às mesmas condições – não se poderia afirmar que os casos eram idênticos e que mereciam o mesmo julgamento. Segundo a magistrada, são necessários três elementos para responsabilizar o empregador: culpa, na forma de negligência quanto às normas de segurança e higiene do trabalho; dano e nexo causal entre a conduta culposa e o dano. A negligência quanto às normas, afirma, a princípio, estaria configurada, mas se trataria de “negligência genérica”, sem “correlação concreta aos supostos acidentes de trabalho”. “Vale ressaltar que essa negligência da empresa já foi objeto de punição no âmbito administrativo”, frisa a juíza, acrescentando não ter ficado demonstrado, de forma individualizada, de que maneira as doenças que motivaram os benefícios foram ocasionadas pela atuação negligente da companhia.

VALOR ECONÔMICO 

MEIO AMBIENTE 

Marfrig rastreará gado para se blindar de boicote do exterior

Iniciativa ocorre em meio à pressão de investidores contra desmatamento

A pressão de importadores e investidores sobre empresas brasileiras cresce na tentativa de barrar a produção na Amazônia. Para evitar boicote, como o feito à indústria do couro, companhias buscam dar respostas. Uma das primeiras a se movimentar é a Marfrig. A empresa deverá adotar a rastreabilidade de gado. A companhia não confirmou oficialmente a informação. Porém, a empresa marcou para esta quinta-feira (23) o lançamento de um compromisso com o desmatamento zero e a rastreabilidade. A intenção é comprovar que a origem da proteína servida nas mesas da Europa e das maiores economias não saiu de área desmatada. Com isso, evita-se entrave à exportação. No mercado, a avaliação é que, se uma empresa adotar o mecanismo de rastreabilidade, outras terão de seguir a tendência. A medida é uma exigência de mercados compradores. A preocupação ganha força na Europa—entre 25% e 40% da carne importada pela União Europeia sai do Brasil. A iniciativa da segunda maior processadora de carne bovina do mundo ocorre em meio a restrições sofridas por outros produtos por causa da gestão ambiental do governo Jair Bolsonaro. O desmatamento na Amazônia preocupa. No mercado de couro, por exemplo, o artigo brasileiro enfrenta resistência no exterior. A dona de marcas como Vans, Timberland e Kipling já vetou o produto. A decisão foi tomada há mais de dez meses para garantir que o insumo não partiu de área desmatada. Na ocasião, a VF afirmou que suas marcas haviam optado por “não seguir abastecendo diretamente com couro e curtume do Brasil para negócios internacionais até que haja a segurança de que os materiais usados nos nossos produtos não contribuem para o dano ambiental no país. Na mensagem, a empresa também defendeu que visa “empoderar movimentos de estilo de vida ativo e sustentável”. A VF Corporation ainda não voltou a adquirir o couro brasileiro. Houve sinalizações de empresários e investidores estrangeiros de que retirariam recursos e deixariam de adquirir itens brasileiros por causa do desmatamento e das queimadas da Amazônia. Em junho, o desmatamento na Amazônia teve o 14º mês seguido de alta e atingiu o maior patamar desde 2016, segundo dados do Deter, programa do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Como pano de fundo, empresários de frigoríficos e tradings e representantes da indústria pressionam Bolsonaro a mudar o comando do Ministério do Meio Ambiente, hoje nas mãos de Ricardo Salles, conforme informou a Folha. A pressão é uma reação à ameaça de investidores que detêm US$ 3,7 trilhões em ativos administrados ao redor do mundo de retirar dinheiro do país caso o desmatamento na Amazônia não seja reduzido. Apesar das críticas, Bolsonaro disse na quinta (16) que não pretende demitir Salles. A Marfrig afirmou que não comentaria a iniciativa antes de quinta-feira.

FOLHA DE SP 

BRF adere a movimento empresarial pelo combate ao desmatamento ilegal na Amazônia

Para o CEO Lorival Luz, é necessário acompanhar com maior preocupação os possíveis impactos negativos do problema

A BRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, assinou o comunicado setorial — liderado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e destinado ao Presidente do Conselho Nacional Amazônia Legal, o Vice-Presidente Hamilton Mourão — que pede uma agenda de desenvolvimento sustentável e combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. A carta será protocolada no Supremo Tribunal Federal, no Senado Federal, na Câmara dos Deputados e na Procuradoria Geral da República (PGR). As empresas signatárias do documento se comprometem, entre outras questões, a colaborar com o combate inflexível e abrangente ao desmatamento ilegal na Amazônia e demais biomas brasileiros, a incluir social e economicamente comunidades locais para garantir a preservação das florestas e a aderir a mecanismos de negociação de créditos de carbono. Em nota, a empresa disse que seu CEO, Lorival Luz, entende ser necessário acompanhar com maior atenção e preocupação os possíveis impactos que o desmatamento pode gerar, incluindo uma percepção negativa da imagem do Brasil no exterior. Ainda em 2019, a BRF se tornou apoiadora da Colaboração para Florestas e Agricultura (CFA) com o objetivo de orientar as melhores práticas na gestão sustentável na cadeia de soja. Além disso, integra o Programa Brasileiro GHG Protocol e segue sua metodologia para cálculo de inventário de gases de efeito estufa. A empresa também informou que conta com uma norma interna de grãos e cláusulas contratuais que garantem a proibição da aquisição de matérias primas originárias de áreas de desmatamento do bioma amazônico, conforme a Moratória da Soja.

VALOR ECONÔMICO 

FRANGOS & SUÍNOS 

Mercado de suínos segue firme

O mercado suinícola segue com valorização na segunda semana de julho

Os animais terminados nas granjas paulistas estão cotados em R$110,00/@. No atacado, a referência está em R$8,80 por quilo. Em sete dias as cotações registraram alta de R$13,00/@ (+13,4%) nas granjas e de R$0,60/kg (+7,3%) no atacado. Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) relativos à exportação de carne suína in natura até a segunda semana de julho trazem um incremento de volume de 94% na média diária. Projetando o desempenho para o mês, teríamos embarques próximos de 120 mil toneladas. A evolução na exportação de carne suína não foi acompanhada da evolução de preço do produto no mercado externo, em relação a julho de 2019. O preço médio da carne suína em dólares vem registrou queda em torno de 8,5%, movimento compensado pelo câmbio.

SCOT CONSULTORIA 

ABRAFRIGO 

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