CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1161 DE 23 DE JANEIRO DE 2020

abra

Ano 6 | nº 1161| 23 de janeiro de 2020


NOTÍCIAS

Menor consumo segue pressionando preços do boi gordo no Brasil

Os frigoríficos usam o argumento do arrefecimento do consumo, interno e externo, como justificativa para todo esse movimento no início de ano

O mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com pressão de queda no decorrer desta quarta-feira. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos usam o argumento do arrefecimento do consumo, interno e externo como justificativa para todo esse movimento no início de ano. “Importadores chineses passam a renegociar os contratos de importação de carne bovina brasileira, alegando que os preços estão muito elevados. No entanto, os preços só atingiram esse patamar pela ampliação dos embarques com destino à China”, observou. Em São Paulo, Capital, preços a R$ 192 a arroba para pagamento à vista, estável ante a terça-feira. Em Minas Gerais, preços de R$ 186 a arroba, em Uberaba, também estável. Em Mato Grosso do Sul, preços caíram para R$ 178, em Dourados. Em Goiás, o preço indicado estabilizou em R$ 183 a arroba em Goiânia. Já no Mato Grosso, o preço seguiu em R$ 174 em Cuiabá, inalterado. O mercado atacadista apresenta acomodação em seus preços, a tendência de curto prazo ainda remete a correção dos preços, em linha com o arrefecimento do consumo, tanto interno quanto externo. Os frigoríficos encontram dificuldades no escoamento da carne, levando a uma mudança radical na estratégia de aquisição de animais no início deste ano, com forte pressão de baixa. Corte traseiro ainda é cotado a R$ 13,10. Corte dianteiro permanece precificado a R$ 10,70, por quilo. Ponta de agulha segue cotada a R$ 9,80, por quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Boi gordo caiu em São Paulo e em mais dezessete praças

Segundo levantamento da Scot Consultoria, a referência para a arroba do boi gordo em São Paulo caiu 0,7% na última comparação feita dia a dia, e ficou em R$192,50/@, à vista, bruto

Além da melhora da oferta de boiadas, a demanda fraca no mercado interno explica essa queda de preços. A cotação também recuou em outras dezessete das trinta e duas regiões monitoradas pela Scot Consultoria. Considerando a média de todas regiões pesquisadas, a cotação da arroba caiu 0,7% na comparação diária e 1,7% no acumulado desta semana.

SCOT CONSULTORIA

Na China, vender carne é coisa de frigorífico grande?

Frigoríficos de médio porte sofrem com descontos impostos por chineses

“Ainda não conhecemos o chinês”. Dita em tom de lamento, a constatação do dono de um frigorífico brasileiro ilustra o problema dos recém-chegados ao cobiçado mercado do país asiático. É também uma indicação de que o jogo na China pode ficar mais concentrado nos grandes frigoríficos, que têm poder de fogo para lidar com os solavancos e estão mais acostumados ao mercado do país asiático. Para os médios frigoríficos, a montanha-russa chinesa teve início em setembro. Exultantes com a habilitação de 17 abatedouros de bovinos do Brasil, muitos correram para vender, mas se descuidaram dos riscos de crédito e negligenciaram a sabedoria milenar do comércio chinês. Enquanto habilitava frigoríficos brasileiros para abastecer a demanda para o Ano Novo Chinês e atenuar os efeitos da peste suína africana sobre a oferta de alimentos, Pequim também liberava a carne de países pouco tradicionais no comércio de carne bovina. O resultado é que, poucos meses após euforia dos empresários brasileiros, os importadores chineses impuseram descontos expressivos — de até 30% — sobre cargas de carne que estavam a caminho dos portos, deixando pouca margem de negociação para os frigoríficos. Se os frigoríficos de médio porte tivessem ações listadas na bolsa, o estrago seria grande. A despeito do impacto negativo sobre as ações dos três maiores frigoríficos do país, a percepção de fontes do setor é que, após o Ano Novo Chinês, serão os grandes frigoríficos os maiores beneficiados pela retomada da demanda do país asiático. Com acesso ao mercado chinês há anos, JBS, Marfrig e Minerva conhecem melhor o mercado e tinham as condições para atenuar a sazonal queda de encomendas que precede o Ano Novo Chinês. Os grandes frigoríficos também já tiveram de lidar com o estilo de negociação chinês. Em junho de 2016, ficaram quase 50 dias sem fechar vendas em meio a uma queda de braço com importadores do país asiático.

VALOR ECONÔMICO

Ações de frigoríficos caem em meio a especulações sobre a China

Exceção foi a BRF, que divulgou nota negando que seus contratos com clientes chineses estejam sendo renegociados

A quarta-feira (22/1) foi de queda para ações de frigoríficos na B3, em meio a informações que circulam no mercado, segundo as quais a China estaria pressionando por preços mais baixos pelo produto brasileiro. A maior perda foi registrada nos papeis da Minerva Foods, de 7,36%. Já a Marfrig Global Foods encerrou o dia em baixa de 2,83%, a maior entre as empresas que compõem o Índice Bovespa. As ações da JBS fecharam o pregão próximas da estabilidade em relação ao dia anterior, indicando baixa de 0,03%. De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, frigoríficos, especialmente os de carne bovina, já trabalham com expectativa de margem negativa de vendas para a China. A publicação informa que desde o mês de dezembro, os importadores chineses vêm imposto descontos de até US$ 1 mil por tonelada de carga que estava no mar ou até mesmo já atracada nos portos do país. A exceção entre as ações de empresas de carne na bolsa foi a BRF, com alta de 0,48%. A empresa divulgou nota negando que contratos com clientes chineses estejam sendo renegociados. No comunicado, afirma que seu relacionamento com o mercado do país asiático é sólido, equilibrado e de longo prazo. “A Companhia desenvolveu e mantém sólido relacionamento comercial com os principais clientes no mercado chinês ao longo dos últimos 10 anos, envidando todos os esforços para atendimento da demanda chinesa por proteínas, bem como sustentando um relacionamento equilibrado e de longo prazo”, diz a nota. Até a publicação desta reportagem, não havia comunicado sobre o assunto nos sites oficiais de JBS, Marfrig Global Foods e Minerva Foods.

GLOBO RURAL

Sindicarne-PR diz que saída de animais do PR compromete abastecimento local

O Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne-PR) diz que começa a faltar boi gordo para atender o mercado local e de exportação do Estado

Isso porque, depois que o Paraná deixou de vacinar seu rebanho contra a febre aftosa, é proibida a entrada de animais de outros Estados onde a vacinação é adotada para reposição do plantel. Os frigoríficos paranaenses passaram a depender quase que exclusivamente da oferta local de bois gordos para o abate, diz a entidade. Além do Paraná, que pleiteia o status de área livre da doença sem vacinação (a Organização Mundial de Saúde Animal precisa dar esse aval), Santa Catarina é o único Estado que não vacina mais o rebanho bovino contra a aftosa. “Há uma saída muito elevada de animais para abate do Paraná para outros estados, devido a adquirentes de outros estados que colocam na documentação fiscal que se tratam de bezerros para engorda e não de animais terminados. Com isso pagam preços menores e quase não recolhem impostos”, disse, em nota, o Presidente do Sindicarne-PR, Péricles Salazar.

Segundo a entidade, antes do fim da vacinação, entravam por ano no Paraná mais de 100 mil animais para engorda ou abate e esse trânsito foi praticamente proibido. “O resultado é que essa saída irregular, que gira em torno de 50 mil animais anualmente, é que está provocando escassez de animais na oferta local porque agora o Estado depende só da sua produção interna, disse o Sindicarne. “Nós já entramos em contato com a Secretaria da Agricultura e com a Secretaria de Fazenda solicitando a criação de uma pauta fiscal para que as saídas sejam efetivamente fiscalizadas pelo governo porque o Estado está perdendo receita de impostos e os frigoríficos estão sendo muito prejudicados. Com isso, a oferta interna certamente irá crescer”, argumenta Salazar.

Estadão Conteúco/ Isto é Dinheiro/ Canal Rural/ Agroemdia/NOTÍCIAS AGRÍCOLAS/CARNETEC/AGROLINK

Justiça do Paraná condena 10 pessoas no âmbito da Operação Carne Fraca

Juiz determinou a perda dos cargos públicos de quatro servidores federais condenados

A Justiça Federal no Paraná condenou na terça-feira 10 pessoas e absolveu outras três investigadas na Operação Carne Fraca, do Ministério Público Federal, que apura o esquema de corrupção e cobrança de propina de empresas frigoríficas na Superintendência Federal do Ministério da Agricultura no Paraná desde 2017. A sentença foi dada pela 14ª Vara Federal de Curitiba. Nenhum político é citado nessa ação. O juiz Ricardo Rachid de Oliveira também determinou a perda dos cargos públicos de quatro servidores federais condenados. Um deles é Maria do Rocio Nascimento, ex-chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal no Paraná. A servidora do Ministério da Agricultura recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão em regime fechado por corrupção passiva. Procurado, o Ministério da Agricultura informou que reintegrou a servidora por determinação da Justiça. “A 1ª Vara Federal de Curitiba determinou a concessão de aposentadoria à servidora, conforme tempo de contribuição e idade. Em cumprimento à decisão judicial liminar, o Mapa procedeu à reintegração da servidora, para posterior concessão de aposentadoria conforme determinação judicial. Outro servidor condenado na ação foi Daniel Gonçalves Filho, ex-superintendente da Pasta no Paraná, apontado como chefe do esquema de corrupção. Ele foi condenado a 8 anos, 4 meses e três dias em regime fechado pelo crime de corrupção passiva e violação de sigilo funcional. Gonçalves Filho também foi demitido em julho do ano passado. Os fiscais federais agropecuários Eraldo Cavalcanti e Renato Menon foram condenados a 5 anos e 6 anos de prisão em regime semiaberto por corrupção passiva, respectivamente. Eles também já perderam os cargos públicos e têm os nomes no Cadastro de Expulsões da Administração Federal (CEAF), da CGU. Os outros condenados foram Alice Mitico Gonçalves (esposa de Daniel Gonçalves Filho), Daniel Ricardo dos Santos (químico industrial e representante do frigorífico Souza Ramos), Flavio Cassou (médico veterinário e funcionário da Seara, empresa da JBS), Mara Rubia Mayorka (irmã da fiscal federal Maria do Rocio), Roberto Borba Coelho e Sonia Mara Nascimento.

VALOR ECONÔMICO

Maranhão: piora na relação de troca do recriador

A pouca disponibilidade de animais na maior parte do estado tem resultado em valorizações contínuas nas categorias de reposição

No acumulado dos últimos doze meses, a valorização do mercado de reposição em ritmo mais forte que o boi gordo reduziu o poder de compra do recriador em 2,7% no período, considerando a média de todas as categorias. A maior demanda tem sido pelo boi magro anelorado (12@), com alta de 36,2% nos últimos doze meses, e atualmente está cotado em R$2.320,00. Em janeiro/19, com a venda de um boi gordo de 18@ comprava-se 1,46 boi magro, atualmente compra-se 1,35. Piora de 7,5% no poder de compra.

SCOT CONSULTORIA

Economia

Ibovespa recupera os 118 mil pontos com melhora externa

O principal índice da bolsa paulista subiu na quarta-feira, acompanhando a recuperação dos mercados no exterior, em movimento favorecido pela trégua nas fortes perdas no setor bancário

O Ibovespa avançou 1,17%, a 118.391,36 pontos. O volume financeiro da sessão somou 22,5 bilhões de reais. Na véspera, o Ibovespa caíra 1,54%, com forte declínio de papéis de bancos e da Vale, além de receios sobre um novo vírus na China que adicionaram aversão a risco aos mercados globais. Na avaliação de Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável do BTG Pactual digital, parte do desempenho das ações brasileiras nesta sessão refletiu um ajuste a exageros da terça-feira, quando, na dúvida sobre o que se tratava o novo vírus, muitos preferiram realizar lucros. A expectativa de novo corte na taxa básica de juros, que já está em mínima histórica, acrescentou, é mais um elemento que endossa o viés positivo para a bolsa. No exterior, os norte-americanos S&P 500 e Nasdaq renovaram recordes, com previsões da IBM favorecendo apostas otimistas para a temporada de resultados corporativos, enquanto investidores continuavam avaliando os riscos ligados ao surto de um novo vírus na China. A MARFRIG ON perdeu 2,02%. JBS cedeu 0,13%, em meio a notícias de renegociação de contratos de carne com importadores chineses. A MINERVA ON perdeu 7,69%, também pressionada por relatório do Goldman Sachs, que cortou a recomendação da ação a ‘venda’. No setor, a BRF, que anunciou que não está renegociando com suas contrapartes no país asiático, fechou com variação positiva de 0,48%.

REUTERS

Dólar volta a R$4,17 com alívio externo

O dólar teve nesta quarta-feira a maior queda percentual diária de 2020, voltando à casa de 4,17 reais em ajuste depois de na véspera ter fechado acima do patamar psicológico de 4,20 pela primeira vez desde o começo de dezembro

O dólar à vista fechou em queda de 0,71%, a 4,176 reais na venda. É a maior desvalorização percentual diária desde 30 de dezembro do ano passado (-0,91%). Na B3, o dólar futuro tinha baixa de 0,82%, a 4,1805 reais. A queda do dólar no Brasil nesta sessão espelhou o movimento contra outras divisas emergentes, em dia de alívio nos mercados globais pelo entendimento de que a China está empenhada em conter o surto de um novo vírus que já matou 17 pessoas no país asiático e infectou mais de 540. O dólar cedia frente a várias divisas emergentes pares do real nesta sessão, com destaque para peso mexicano e rand sul-africano. Na véspera, a moeda havia subido para 4,2060 reais, máxima desde 2 de dezembro, entre os piores desempenhos do dia e liderando as perdas no ano.

REUTERS

FRANGOS & SUÍNOS

China continuará vendendo reservas estatais de carne suína após Ano Novo Lunar

A China continuará vendendo reservas estatais de carne suína congelada após o feriado de Ano Novo Lunar, que dura uma semana, de acordo com um comunicado no site do Centro de Gerenciamento de Reservas de Mercadorias da China na quarta-feira

O governo chinês liberou 20 mil toneladas de carne suína congelada das reservas na terça-feira para aumentar a oferta durante o feriado nacional, quando o consumo do produto costuma ter seu pico. Desde o início de dezembro, a China já liberou mais de 200 mil toneladas das reservas estatais, após um surto de peste suína ter reduzido em mais de um quinto a produção de carne suína do país no ano passado.

REUTERS

INTERNACIONAL

Caso de peste suína africana é detectado a apenas 12 km de fronteira da Alemanha

Um novo caso de peste suína africana na Polônia foi detectado em um javali selvagem a apenas 12 quilômetros da fronteira com a Alemanha, informou na quarta-feira o Ministério da Agricultura alemão

A Alemanha está intensificando discussões com o governo polonês a respeito da criação de uma “zona neutra” cercada, visando impedir que javalis com a doença entrem no país, disse a pasta em comunicado. A Polônia registrou cerca de 55 surtos de peste suína africana em javalis selvagens em dezembro, com uma série de casos ocorrendo nas proximidades da fronteira com a Alemanha, um dos principais países exportadores de carne suína da União Europeia. Países asiáticos —incluindo a China— costumam estabelecer proibições às importações de carne de porco provenientes de regiões onde a doença tenha sido detectada, o que gera uma grande perda de negócios para exportadores do produto. Com javalis espalhando a peste pela região, há temores de que as significativas exportações de carne da Alemanha para a China sejam ameaçadas. A Ministra da Agricultura alemã, Julia Kloeckner, e seu par polonês, Jan Krzysztof Ardanowski, chegaram a um acordo no início desta semana para intensificar medidas conjuntas para conter o surto de peste suína africana na Polônia e evitar a chegada da doença à Alemanha. Os dois países ainda discutirão se a força de defesa civil da Alemanha deve ajudar na instalação de cercas no lado polonês da fronteira, acrescentou o comunicado do ministério.

REUTERS

Maiores informações:

ABRAFRIGO

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

Powered by Editora Ecocidade LTDA

041 3088 8124

https://www.facebook.com/abrafrigo/

 

abrafrigo

Leave Comment