CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1160 DE 22 DE JANEIRO DE 2020

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Ano 6 | nº 1160| 22 de janeiro de 2020

 

 NOTÍCIAS

Arroba do boi gordo cai para R$ 180 com China renegociando contratos

Analista diz que um grande frigorífico da América do Sul aceitou valores menores

A notícia de que a China está renegociando os preços da carne importada pressionou a arroba do boi gordo na terça-feira, 21. No Centro-Oeste, por exemplo, há negócios abaixo de R$ 180, de acordo com a Safras & Mercado. Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, há relatos de que um grande frigorífico da América do Sul já aceitou valores mais baixos e este se tornou o padrão para as demais negociações. “Essa é a grande justificativa para a desaceleração das exportações em janeiro, o que também favorece a compreensão do forte movimento de correção dos preços evidenciada nesse início de ano. A tendência é que esse movimento ganhe ainda mais corpo”, comenta. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Frigoríficos (Sindifrigo) de Mato Grosso, sem preços, os embarques de carne bovina para a china devem cair pela metade no primeiro semestre em relação ao semestre anterior. “A redução tem um motivo principal, que são os custos elevados da matéria-prima frente aos preços do produto no mercado final. A indústria tem segurado a arroba acima do que é vendido a carne e o produtor tem custos muito elevados e não consegue produzir um boi mais em conta; isso precisa ser equacionado”, diz o Presidente do Sindicato, Paulo Bellincanta. Na capital de São Paulo, a arroba para pagamento à vista caiu de R$ 193 para R$ 192. Em Uberaba (MG), continuou estável, a R$ 186. A praça de Dourados (MS) também registrou queda, de R$ 181 para R$ 179/R$ 180. Em Goiânia (GO), a cotação recuou de R$ 185 para R$ 183 por arroba. Em Cuiabá (MT), seguiu a R$ 174. O mercado atacadista volta a se deparar com forte queda dos preços no decorrer da semana, de acordo com a Safras. O ambiente de negócios, conforme Iglesias, sugere pela continuidade do movimento de correção, avaliando o perfil de demanda mais discreto, tanto interno quanto externo. “Os frigoríficos ainda se deparam com câmaras frias lotadas, levando a um movimento de maior pressão na compra de gado”, diz. O corte traseiro foi cotado a R$ 13,10, queda de R$ 2,05. Já o corte dianteiro foi precificado a R$ 10,70 por quilo, recuo de R$ 0,05. A ponta de agulha foi cotada a R$ 9,80 por quilo, desvalorização de R$ 0,40.

CANAL RURAL

Boi gordo: mercado lento

Normalmente, às terças-feiras, o mercado do boi gordo está mais definido e o fluxo de negócios é maior

Contudo, no fechamento da última terça-feira (21/1) algumas indústrias estavam fora das compras. Este cenário se deu, principalmente, em São Paulo. As programações de abate dos frigoríficos paulistas estão, em média, com quatro dias. E não há interesse em prolongamento, já que os compradores não querem trabalhar com estoques caros caso o mercado da carne desande. Por outro lado, como a oferta de gado está comedida, quando há pressão sobre os preços da arroba do boi gordo, é difícil fechar negócio.

SCOT CONSULTORIA

China derruba rentabilidade dos frigoríficos

Importadores do país asiático impuseram descontos de 30% sobre o valor da carne sul-americana. Apesar da escassez de carne suína na China, disparada da carne bovina encontrou resistência no consumidor do país

Às vésperas do Ano Novo Chinês, os exportadores de carne bovina da América do Sul ainda tentam se refazer da ducha de água fria despejada por Pequim. Devido ao massivo movimento de renegociação dos contratos de exportação ao país asiático, os frigoríficos brasileiros já trabalham com margem negativa nas vendas para seu maior cliente. A esperança é que, após as festividades, o mercado chinês comece a se equilibrar, refletindo um cenário que ainda é de restrição na oferta de carne suína. Na indústria frigorífica brasileira – em especial as de pequeno e médio porte -, o humor quase não lembra o clima de euforia vivido poucos meses atrás, quando a disparada das cotações da carne bovina parecia não ter fim na China. “Foi uma febre, mas agora veio a conta para pagar”, diz um trader. Nas vendas à China, o resultado está no vermelho, afirmou o presidente de uma indústria brasileira. No auge, a margem de contribuição chegou a 20%, mas os novos contratos e os renegociados embutem uma margem de 8% a 9%. “No final, dá um resultado líquido negativo”, lamenta a mesma fonte. O Valor apurou que, desde dezembro, os importadores chineses vêm impondo descontos de pelo menos US$ 1 mil por tonelada sobre cargas que já estavam no mar e até mesmo nos portos do país. Há relatos de pedidos de US$ 2,5 mil, deságio significativo. O dianteiro bovino chegou a ser exportado por US$ 7,2 mil por tonelada, nível que encontrou resistência nos consumidores chineses. Atualmente, as cotações estão mais perto de US$ 4,2 mil, preço considerado insuficiente para sustentar o preço do boi gordo, segundo fontes. Em São Paulo, referência para os preços no restante do país, o animal pronto para o abate é negociado a R$ 192,60 por arroba. “Para um boi de hoje, precisamos de US$ 4,8 mil a US$ 5 mil por tonelada [na China]”, calcula um executivo do setor frigorífico. A avaliação geral é que a disparada dos preços no fim do ano levou a carne bovina a níveis fora da realidade – na China e também no Brasil. Nesse cenário, a demanda demonstrou resistência. Como praxe, a indústria exportadora recebe adiantado 30% do valor da carne. “Mas a desvalorização da carne no mercado chinês foi maior que o pré-pagamento aos frigoríficos”, ressalta um trader. Nesse cenário, o importador prefere não honrar os compromissos. A perda seria maior se os contratos fossem cumpridos. Nessa situação, os frigoríficos ficam sem saída. “O importador bota a faca no pescoço. Fica uma negociação de um lado só”, acrescenta o trader.

VALOR ECONÔMICO

Exportação de carne bovina perde força, mas preços sobem

A valorização foi de 35,21% quando comparado com a cotação média de janeiro de 2019

As exportações de carne bovina in natura referentes aos 12 primeiros dias úteis de janeiro deste ano atingiram 72,97 mil toneladas, com receita de US$ 369,87 milhões, de acordo com Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A média diária ficou em 6,08 mil toneladas, queda de 14% em relação à média do mês anterior, mas aumento de 30,6% frente ao desempenho do mesmo período de 2019. O valor médio por tonelada registrou-se em US$ 5.068,76, alta de 0,38% em relação a dezembro/19, e valorização de 35,21% quando comparado com o valor médio de janeiro/19. O destaque fica para o menor desempenho das exportações nesta metade do mês, com a média diária das exportações caindo 23% na terceira semana de janeiro quando comparada à semana anterior. Com isso, as projeções para os embarques da consultoria Agrifatto foram ajustadas na mesma medida, calculadas entre 120 e 125 mil toneladas até o final do mês.

PORTAL DBO

No Brasil, preço da carne também cai

Cotações recuam no atacado e varejo

Apontada como a vilã do churrasco do brasileiro no fim do último ano, a China agora deve contribuir com a queda dos preços da carne bovina no mercado doméstico, um movimento já em curso. No atacado paulista, o preço da carcaça bovina está em R$ 11,50 o quilo, conforme levantamento da consultoria Agrifatto. Em novembro do ano passado, quando o boi gordo atingiu o maior patamar da história na esteira da habilitação de vários frigoríficos pela China, a carcaça chegou a R$ 16 por quilo. Aos poucos, os indicadores de preços começam a mostrar o refluxo da carne bovina, também porque o consumidor reagiu aos preços altos. Nos supermercados, há casos de carnes próximas do vencimento vendidas com descontos. Divulgada ontem, a segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostrou a desaceleração da alta da carne bovina, de 15,4% para 2,74% entre dezembro e janeiro. “Há uma indicação de que a queda [no preço da carne] vai se intensificar”, disse o economista André Braz, da FGV. Nesse cenário, a tendência é que o preço do boi gordo, principal custo de produção dos frigoríficos, caia ainda mais. De acordo com o indicador Esalq/B3, a cotação do animal em São Paulo recuou quase 7% em janeiro. Desde o pico histórico, no fim de novembro, o indicador do boi gordo acumula retração de 17%.

VALOR ECONÔMICO

Preços dos animais de reposição recuaram neste início do ano

O mercado de animais para reposição tem trabalhado com cautela nesse início de ano, devido à pressão de baixa no mercado do boi gordo

Segundo levantamento da Scot Consultoria, a cotação do boi gordo recuou 1,1% desde o começo de 2020, considerando o preço à vista de todas as regiões monitoradas. No mercado de reposição, analisando os preços de machos e fêmeas anelorados e mestiços, a retração foi de 0,3% no mesmo período. Mesmo com a sutil queda de preços, os pecuaristas seguem resistentes em vender suas boiadas abaixo dessa referência, resultando no pouco volume de negócios.

SCOT CONSULTORIA

ECONOMIA

Ibovespa cai 1,42%, sob pressão de Vale e bancos 

O principal índice da bolsa paulista encerrou em queda nesta terça-feira, com forte declínio de papéis de bancos e da Vale, além de receios sobre novo vírus na China

Segundo dados fechamento, o Ibovespa caiu 1,42%, a 117.174,15 pontos. Entre as ações com maior participação no Ibovespa, Itaú Unibanco perdeu 1,99%. Bradesco caiu 3,25%. Banco do Brasil teve desvalorização de 2,77% e Santander Brasil apurou recuo de 4,52%. Vale fechou em baixa de 2,46% e Petrobras PN teve perda de 1,13%, enquanto Petrobras ON caiu 2,66%. Com o desempenho desta terça-feira, o Ibovespa acumula valorização de 1,5% no ano. O índice está 13,6% acima da média dos últimos 200 dias de negócios. Nas últimas 52 semanas, o Ibovespa acumula 22,2% de ganho.

REUTERS

Dólar volta a subir e fecha acima de R$4,20

O dólar fechou acima de 4,20 reais nesta terça-feira pela primeira vez desde o início de dezembro, com as operações locais novamente influenciadas pela força da moeda no exterior num dia de aversão a risco.

A ausência de sinais consistentes de melhora no fluxo cambial ao Brasil e as perspectivas mais sombrias quanto a isso têm deixado o real mais vulnerável às intempéries externas. “Por sermos um mercado líquido, acabamos ‘apanhando’ por tabela”, disse Luis Laudisio, operador da Renascença, referindo-se à má performance de divisas emergentes nesta sessão. O peso mexicano, uma das moedas de melhor desempenho neste ano, caía cerca de 0,6% no fim da sessão, entre as maiores quedas do dia. Outras moedas latino-americanas se desvalorizavam entre 0,4% e 0,8%. No Brasil, o dólar à vista terminou a sessão com ganho de 0,40%, a 4,2060 reais na venda. É o maior patamar para um encerramento de pregão desde 2 de dezembro de 2019 (4,2139 reais na venda). No pico do dia, a cotação foi a 4,2094 reais na venda. Na B3, o dólar futuro tinha alta de 0,42%, a 4,2125 reais. O clima mais arisco no mercado de moedas neste começo de ano tem contaminado o real e afetado projeções de analistas. Em sondagem do Bank of America com gestores de fundos, mais participantes (40% do total) passaram a ver o dólar entre 4,01 reais e 4,20 reais ao fim deste ano. No levantamento do mês passado, a maior parte esperava taxa entre 3,81 reais e 4,00 reais. Ao mesmo tempo, mais analistas consultados na pesquisa previram queda de juros. O fortalecimento recente de expectativas de corte da Selic também tem contribuído para o mau desempenho do real, diante de riscos de redução adicional no diferencial de taxas entre o Brasil e o restante do mundo, deixando o real menos atrativo como ativo de investimento.

REUTERS

Pecuária mantém a sustentação do PIB Agro de 2019

Cepea mostra o acumulado de janeiro a outubro, dando mostras do que pode ser o fechamento do período

O PIB do agronegócio brasileiro cresceu 1,15% no acumulado de janeiro a outubro de 2019, de acordo com cálculos realizados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e com a Fealq (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz). Esse resultado segue atrelado à expressiva alta de 13,09% no ramo pecuário no acumulado de 2019, tendo em vista a queda de 3,24% no agrícola. Quanto ao ramo pecuário, seguindo a tendência dos meses anteriores, continuou crescendo significativamente, acumulando alta em todos os segmentos no período. Segundo pesquisadores do Cepea, a ocorrência da PSA em países asiáticos e o consequente forte aumento das importações chinesas de carnes suína, bovina e de aves têm favorecido as cadeias pecuárias brasileiras. Além de impulsionar os preços, o bom desempenho das exportações tem estimulado também a produção, dentro e fora da porteira. Como os casos da PSA foram duradouros até o final de 2019, os seus efeitos devem continuar impulsionando o PIB nos próximos meses. Segundo pesquisadores do Cepea, o PIB do ramo agrícola continuou pressionado especialmente pela queda dentro da porteira. A renda do segmento primário agrícola tem sido prejudicada por quedas de preços na comparação anual para diversos produtos (como algodão, café, mandioca, milho e soja) e pelo aumento dos custos de produção, apesar das boas safras de culturas como milho, algodão, laranja, banana e mandioca.

PORTAL DBO

EMPRESAS

Frigol anuncia novo presidente

A Frigol S.A., quarta maior processadora de carne bovina brasileira, informou na terça-feira (21) que o atual presidente executivo, Luciano Pascon, está deixando a companhia

Pascon ficará na empresa até 29 de fevereiro, trabalhando na transição do comando para o novo Presidente Executivo, Marcos Câmara. “Marcos é um profissional com grande experiência em grandes corporações e chega à Frigol para comandar o processo de crescimento contínuo da empresa”, disse a Frigol em comunicado. Pascon continuará atuando como conselheiro consultivo da Frigol por período indeterminado. O executivo liderou a companhia durante o período de recuperação judicial finalizado em outubro do ano passado, após a Frigol cumprir a execução do plano de recuperação com credores. Com sede em Lençóis Paulista (SP), a Frigol também tem operações no Pará e em Goiás. A companhia processa 180 mil toneladas de bovinos e 7 mil toneladas de suínos por ano, segundo informações no site da empresa. A Frigol atende o mercado interno e também exporta para cerca de 60 países na América do Sul, Europa, África, Oriente Médio e restante da Ásia.

CARNETEC

FRANGOS & SUÍNOS

Acordo EUA-China deve ter efeitos limitados nas vendas de aves e suínos do Brasil

‘Demanda chinesa é tão volumosa que pode absorver as exportações do Brasil e EUA’, diz Ricardo Santin, Vice-Presidente da ABPA

A fase 1 do acordo comercial entre Estados Unidos e China deve ter efeitos limitados nas exportações de aves e suínos do Brasil para o gigante asiático, avalia o Vice-Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. “Nesse texto, não há menção de redução de cotas ou de tarifas da China à carne dos EUA, embora essas reduções ainda possam acontecer”, disse ele ao Broadcast Agro. “Além disso, houve alguns mecanismos no texto que a China já implementou no Brasil. Por exemplo, falou-se em facilitação de habilitação de plantas dos EUA. No ano passado, nós já tivemos plantas habilitadas via videoconferência”, afirmou. Ele disse, ainda, que a demanda chinesa é tão volumosa que pode absorver as exportações de Brasil e Estados Unidos. “Os EUA até podem vender mais para a China, mas a demanda reprimida na Ásia ainda é muito maior do que a nossa capacidade de exportação”, afirmou Santin, lembrando que outros países do continente, como Vietnã, também são fortemente afetados pela doença e têm a mesma necessidade de importar carne.

Santin vê as medidas sanitárias incluídas no acordo EUA-China como algo que também pode beneficiar o Brasil. “Os mecanismos colocados com os EUA podem ser um modelo de trabalho que a China vai implantar no resto do mundo”. O documento divulgado inclui um protocolo bilateral para uniformização dos processos em relação a doenças de frango, como gripe aviária, cooperação na área de peste suína, uniformização de padrões de idade e uso de ractopamina em bovinos, além de preenchimento de cotas tarifárias e aprovação de eventos transgênicos. No último ano, as exportações para a China ajudaram a elevar o volume embarcado pelo Brasil. O País aumentou em 15,7% o volume embarcado de carne suína in natura em 2019 ante 2018, para 635,5 mil toneladas; a receita subiu ainda mais, 56,2%, para US$ 1,741 bilhão. A carne de frango in natura também teve avanço considerável na mesma comparação, de 8,3% em volume, para 4,065 milhões de toneladas, e 10,7% em receita, para US$ 6,396 bilhões.

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