Opinião: Os esforços para a inserção da carne brasileira nos EUA

Adriano Machado e Raphael Garrone, PwC Brasil

Em 2016, após quase duas décadas de negociação, os Estados Unidos liberaram a compra da carne brasileira in natura. Em março do mesmo ano, após a Operação Carne Fraca, os americanos intensificaram os testes sobre os produtos oriundos do Brasil. Pouco tempo depois, análises detectarem abscessos na carne brasileira e o governo dos EUA suspendeu as importações.

No último “Brazil Day in Washington”, porém, a pauta foi evidenciada após o anúncio das medidas acordadas na reunião entre os dois presidentes, Donald Trump e Jair Bolsonaro. Para o Brasil, a principal notícia foi que a Casa Branca divulgou o interesse dos EUA na liberação das importações da carne bovina brasileira in natura.

O primeiro passo para que isso ocorra envolve a inspeção dos abatedouros brasileiros, prevista para junho. Somente após a visita é que os EUA irão tomar uma decisão definitiva sobre o caso.

Caso as exportações sejam liberadas, a estimativa é que cerca de 50 mil toneladas possam ser enviadas aos EUA. Para os pecuaristas americanos, porém, o fator-chave da abertura comercial é o aval americano sobre as condições sanitárias do rebanho brasileiro. Dessa forma, o Brasil também poderia conquistar o reconhecimento e o acesso a mercados importantes, como Canadá, México, Japão e Coreia do Sul.

Em contrapartida, Bolsonaro se comprometeu a importar carne suína norte-americana. A expectativa é que a negociação envolvendo as duas proteínas se desenvolva de forma rápida, já que a pecuária brasileira vem enfrentando dificuldades para ampliar suas exportações por conta de restrições da China e da Rússia.

Como um segundo gesto de reciprocidade, Bolsonaro também anunciou a criação de uma cota permitindo a importação de 750 mil toneladas anuais de trigo sem tarifa. Essa decisão causou desconforto com a Argentina, nosso principal fornecedor externo de trigo e parceiro no Mercosul.

Ainda é cedo para avaliar os resultados da visita, mas a impressão deixada pela comitiva brasileira em Washington diante dos investidores norte-americanos foi positiva. Contudo, aqui no Brasil, as decisões tomadas por Bolsonaro dividiram opiniões quanto ao equilíbrio e reciprocidade das concessões. Resta agora ficarmos atentos e aguardarmos o desenrolar das negociações nos próximos meses, o que irá depender principalmente da boa vontade do governo americano.

Autores

Adriano Machado é sócio e especialista em Agribusiness da PwC Brasil

Raphael Garrone é analista sênior de Agribusiness da PwC Brasil

Fonte: Carnetec

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