Frigoríficos autorizados a vender para UE podem ser próximos habilitados por China

Anna Flávia Rochas

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) disse na quinta-feira (02) que a autoridade aduaneira chinesa GACC solicitou dados sobre frigoríficos brasileiros já habilitados pela União Europeia, dentro do processo de negociação para autorizar novas plantas a exportar carnes ao país asiático.

“É entendimento do Mapa que as negociações com as autoridades chinesas devem ser iniciadas atendendo-se ao pleito da GACC, isto é, que sejam incluídos apenas questionários de estabelecimentos que já estejam habilitados para a UE”, disse o ministério em comunicado na quinta-feira (02).

O Mapa informou que tinha preparado outras três listas de frigoríficos para entregar às autoridades chinesas: de estabelecimentos inspecionados em novembro último, mas não habilitados para a UE; estabelecimentos de suínos habilitados para outros mercados exigentes (já que a UE não autoriza a importação desta carne); e estabelecimentos de bovinos, de aves e de asininos habilitados para outros mercados exigentes que não a UE.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que representa pequenos e médios frigoríficos de carne bovina, questionou a exigência dos chineses e reclamou da estratégia de negociação do Mapa em comunicado enviado à imprensa.

Segunda a entidade, das 24 plantas incluídas na lista a ser apresentada prioritariamente, 16 são de grandes exportadores que já vendem para o mercado chinês, como JBS e Minerva.

“Isso contraria frontalmente o discurso do governo de que democratizaria e criaria maiores oportunidades para empresas de médio porte exportarem para a China”, disse o presidente da Abrafrigo, Péricles Salazar, em comunicado à imprensa.

Caso a China exija somente plantas autorizadas à UE, a Abrafrigo pede que o Mapa priorize aquelas que ainda não têm nenhuma planta autorizada a exportar ao país asiático para evitar concentração do mercado entre grandes companhias.

O Mapa informou que realizou reunião na quinta-feira (02) com representantes de associações de indústrias de carnes brasileiras, incluindo a Abrafrigo, para explicar a estratégia que seria adotada nas negociações com a China.

“O Mapa trabalha pensando no interesse nacional e não no de empresas específicas, sejam elas pequenas, médias ou grandes”, disse o ministério. “Entende, por fim, que todas as empresas que cumpram os requisitos sanitários serão objeto de negociação com autoridades chinesas com vista à eventual habilitação.”

Fonte: Carnetec

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