Blog do Rosalvo: Riscos da amônia para a indústria frigorífica (parte 2)

(Para acompanhar a primeira parte, clique aqui)

Principais efeitos da inalação ou contato com a amônia

O gás é um irritante poderoso das vias respiratórias, olhos e pele. Dependendo do tempo e do nível de exposição, podem ocorrer efeitos que vão de irritações leves a severas lesões corporais.

A inalação pode causar dificuldades respiratórias, broncoespasmo, queimadura da mucosa nasal, faringe e laringe, dor no peito e edema pulmonar.

A ingestão causa náusea, vômitos e inchaço nos lábios, boca e laringe.

A amônia produz, em contato com a pele, dor, eritema e vesiculação. Em altas concentrações, pode haver necrose dos tecidos e queimaduras profundas.

O contato com os olhos em baixas concentrações (10 ppm) resulta em irritação ocular e lacrimejamento. No caso de concentrações ainda mais altas, pode haver conjuntivite, erosão na córnea e cegueira temporária ou permanente. Reações tardias podem acontecer, como fibrose pulmonar, catarata e atrofia da retina.

Como esses riscos podem ser evitados:

– Cumprindo as normas de Segurança e Saúde vigentes;

– Execução de projeto apropriado dos sistemas de refrigeração, orientado por normas e códigos de engenharia;

– Esquema de manutenção preventiva com uma inspeção visual em todos os pontos críticos – soldas, curvas, junções, selos mecânicos – ao menos a cada três meses;

– Monitoramento e operação eficazes dos sistemas de refrigeração, sendo que tanques e reservatórios devem passar por inspeção de SSMA completa, nos prazos máximos previstos na legislação nacional (NR13), recomendando-se radiografia de soldas e testes de pressão;

– Análise preliminar dos riscos existentes;

– Informações de segurança do processo;

– Procedimentos operacionais e de emergência devidamente descritos e divulgados aos trabalhadores envolvidos nas operações;

– Capacitação técnica dos trabalhadores;

– Mecanismo e gestão de mudança;

– Auditoria periódica;

– Investigação de incidentes.

As principais causas de vazamentos nesses sistemas de refrigeração são:

– Falhas nas válvulas de alívio, tanto mecânicas quanto por ajuste inadequado da pressão;

– Abastecimento inadequado dos vasos comunicantes;

– Danos provocados por impacto externo por equipamentos móveis, como empilhadeiras;

– Corrosão externa, mais rápida, em condições de grande calor e umidade, especialmente nas porções de baixa pressão do sistema;

– Rachaduras internas de vasos que tendem a ocorrer próximas aos pontos de solda;

– Aprisionamento de líquido nas tubulações, entre válvulas de fechamento;

– Excesso de líquido no compressor;

– Excesso de vibração no sistema, que pode levar à sua falência.

Continuamos no próximo mês; e permaneço à disposição dos leitores a qualquer tempo. Até a próxima!

Fernando Marques Rosalvo após treinamento recente na Minerva Fine Foods sobre Segurança em Sistemas de Refrigeração por Amônia (Divulgação)

Sobre o autor

Graduando em engenharia ambiental e sanitária, o técnico em segurança no trabalho e coach Fernando Marques Rosalvo tem sólida experiência nas áreas de segurança e saúde no trabalho: 1º Lugar – Curso Técnico de Segurança do Trabalho / Centro Paula Souza – Intercâmbio para os EUA (2012); 1º Lugar – Prêmio DuPont de Segurança e Saúde do Trabalhador / Sede Mundial DuPont – EUA (2016); 1º Artigo Publicado no The Glow Worm da América Latina – Proteção Química – NH3 – EUA / DuPont EUA (2017); Projetos: Workshop NR36; Ansell – Dupont – Honeywell – Corpo de Bombeiros – Ministério do Trabalho e Emprego.

Mais informações: fernandorosalvo@gmail.com

Fonte: Carnetec

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