CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 719 DE 28 DE MARÇO DE 2018

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Ano 4 | nº 719 | 28 de março de 2018

NOTÍCIAS

Governo negocia derrubada de vetos à Lei do Funrural, diz Padilha

O governo federal está envolvido em negociação para derrubada de alguns vetos do Presidente Michel Temer à Lei do Funrural, disse nesta terça-feira o Ministro-Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha

Logo após a publicação da lei do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) anunciou que iria trabalhar para derrubar os vetos, que deixaram o setor insatisfeito –a bancada ruralista é uma das mais fortes do Congresso. O Presidente vetou a redução da alíquota de contribuição de 2,5 para 1,7 por cento ao produtor rural pessoa jurídica a partir de fevereiro e os descontos de 100 por cento das multas e encargos legais para produtor rural pessoa física e jurídica. “Neste momento há uma negociação para a derrubada de alguns vetos, e o governo está envolvido nessa negociação também”, destacou Padilha na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, sem entrar em detalhes. Sancionada no começo de janeiro, a Lei 13.606 criou o programa de renegociação de dívidas de agricultores no âmbito do Funrural, prevendo a redução de 4 para 2,5 por cento do valor total da dívida na entrada à vista até 28 de fevereiro. “Há neste momento uma negociação com relação a esses vetos, realmente é um setor que acabou ficando, vamos assim dizer, desprotegido, porque imaginou que iria acontecer uma determinada realidade e… nós tivemos judicialmente uma decisão diametralmente oposta”, afirmou Padilha em audiência. “Com isso abriu-se um déficit, um débito muito grande, e à primeira vista… o devedor não está tendo condições de honrar na forma com que o projeto foi constituído.”

Reuters

Demanda ruim pressiona as cotações do sebo bovino

Mesmo com as altas observadas no mercado da soja e, consequentemente, de seus subprodutos, a demanda pelo sebo segue em baixa

Com isso, o viés baixista persiste no mercado. No Brasil Central, a gordura animal está cotada, em média, em R$2,10/kg, livre de imposto. Desvalorização de 8,7% frente ao início do ano. No Rio Grande do Sul o produto está cotado, em média, em R$2,25/kg, nas mesmas condições.

Para os próximos dias a expectativa é de que a demanda ruim continue pressionando o mercado.

SCOT CONSULTORIA

Está mais caro fazer recria no Paraná

Desde o início do ano, o preço de bezerros desmamados (6@) e bezerros de ano (7,5@) aumentou, em média, 4,0%. Por outro lado, a cotação de animais mais erados, boi magro (12@) e garrote (9,5@), caiu 0,8%

Em adição a esses fatores, a referência para arroba do boi gordo ficou praticamente estável, acumulando reajuste positivo de 0,3% no mesmo intervalo. Frente a esse cenário de movimentação de preços, a relação de troca ficou mais favorável para o pecuarista que investe na engorda do que para o recriador. A exemplo disso, em janeiro de 2018, com o preço de venda de um boi gordo de 16@ compravam-se 2,16 bezerros desmamados e atualmente compram-se 2,07. Declínio de 4,3% no poder de compra do recriador. Já o poder de compra do pecuarista na troca com o boi magro teve incremento de 2,3%, nas mesmas condições, saindo da aquisição de 1,28 cabeça para 1,31. Apesar da relação positiva para alguns, são poucos os negócios concretizados no estado com qualquer categoria de reposição. Os produtores aguardam uma melhor sustentação da arroba para se lançarem aos negócios com mais precisão. 

SCOT CONSULTORIA

Aumento dos abates e escoamento lento da produção mantém mercado do boi travado

Seguindo o ritmo das últimas semanas, o mercado do boi gordo continua parado e sem indícios de recuperação

Este cenário é resultante de um lento escoamento da produção associada a um aumento de abate de bovinos no primeiro bimestre de 2018, que resultou em maior disponibilidade de carne bovina no mercado frente a demanda existente. Com isso, as indústrias não veem necessidade de sair as compras com mais afinco. Vale lembrar que o feriado desta semana deve trazer uma redução na demanda por carne bovina, o que pode pressionar ainda mais a cotação da arroba do boi gordo. Desde o início do mês, na média de todas as praças pecuárias pesquisadas, a arroba do boi gordo apresentou queda de 0,7%. Para o curto prazo fica a expectativa de como a demanda irá se comportar no início do próximo mês, já que este tem sido o fator determinante do rumo do mercado.

SCOT CONSULTORIA

Temer diz que Putin está disposto a avaliar liberação de carnes brasileiras

Governo de Moscou aumentou barreiras aos produtos cárneos de bovinos e suínos do Brasil, alegando presença de substância proibida, entre outras questões

O Presidente Michel Temer disse na segunda-feira, dia 26, em evento da Fecomercio-SP que teve uma conversa pelo telefone com o Presidente da Rússia, seu colega Vladimir Putin, sobre agronegócio, e mais especificamente sobre a questão das carnes. “Conversei hoje por telefone com o Presidente Putin sobre questões do agronegócio e mais especificamente sobre a carne, que andou tendo alguns problemas. Ele se mostrou interessado e vai avaliar a questão”, disse Temer. O governo de Moscou aumentou as barreiras às importações de carnes brasileiras de bovinos e suínos em 1º de novembro do ano passado sob a alegação de ter detectado presença de ractopamina nas carnes, entre outros motivos. Desde então autoridades sanitárias russas têm proibido a entrada das carnes originárias do Brasil no seu país. De acordo com Temer, o Presidente Putin ficou de examinar a questão. Ractopamina é uma substância usada na ração animal e atua como agente que produz o crescimento do animal. Embora a literatura veterinária assegure que a ractopamina não faz mal à saúde humana, em alguns países ela é proibida.

CANAL RURAL

Desempenho externo das carnes na 4ª semana de março

Média diária é negativa para as três carnes em relação ao mês anterior. Apenas a carne bovina sinaliza variação positiva

A quarta semana de março (18 a 24, cinco dias úteis) foi, neste mês, a que apresentou os melhores resultados para as exportações de carnes. Pois a receita cambial, calculada pela média diária, superou a das três semanas anteriores. Assim, transcorridos 17 dos 21 dias úteis do período, ela chega aos US$59,740 milhões/dia, valor que representa incremento de meio por cento sobre fevereiro passado e de 4,2% sobre março de 2017. Já no tocante ao volume, a média diária é negativa para as três carnes em relação ao mês anterior. Mas como março corrente é mais longo, as projeções de embarque se tornam positivas. Assim, o volume mensal ora previsto – de 46,5 mil/t para a carne suína, de 117,2 mil/t para a carne bovina e de 336 mil/t para a carne de frango – corresponderá a aumentos de, respectivamente, 30%, 19,5% e 16,3%. Porém, no tocante a março de 2017, apenas a carne bovina sinaliza variação positiva – seus embarques podendo superar em 20% os de um ano atrás. Ou seja: a carne suína tende a um recuo da ordem de 15%, enquanto o volume de carne de frango pode sofrer queda de até 2%.

AGROLINK

EMPRESAS

Marfrig registrou prejuízo menor no 4º trimestre

O aumento de capacidade de abate de bovinos nos últimos meses de 2017 surtiu efeito e a Marfrig Global Foods reduziu o prejuízo para R$ 7,5 milhões no quarto trimestre

No mesmo período de 2016, a companhia havia amargado uma perda de R$ 270 milhões. A expansão da área de bovinos fez a receita líquida da Marfrig crescer 8% no quarto trimestre, para R$ 5,3 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado totalizou R$ 493 milhões, aumento de 24%. A margem Ebitda também melhorou na comparação anual, de 8,1% a 9,3%. Os resultados, melhores que o esperado por analistas, acontecem em um momento no qual a Marfrig intensifica os esforços para reduzir o endividamento, o que poderá tornar a empresa estruturalmente lucrativa – a Marfrig está há anos no vermelho e espera reverter esse quadro em 2018. Em entrevista ontem ao Valor, o Vice-Presidente de Finanças e Relações com Investidores da Marfrig, Eduardo Miron, ressaltou que a empresa pretende vender uma fatia minoritária da subsidiária americana Keystone ainda neste semestre. Mas o IPO da Keystone na bolsa de Nova York, que até então era visto como a principal opção, não é a única alternativa. Segundo o executivo, a Marfrig pode vender uma fatia da Keystone em uma “colocação privada”. Miron não quis responder se já há negociações em curso. “Pensamos que o IPO é a melhor ferramenta, mas não queremos limitar a conversa à questão do IPO”, afirmou. A venda de uma fatia minoritária na Keystone, que é especializada no fornecimento de carnes para grandes redes de restaurantes e responde por cerca de 40% das vendas da Marfrig, é essencial nos planos para reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) para 2,5 vezes até o fim deste ano. Em dezembro, o índice estava em 4,5 vezes. Segundo Miron, atingir a meta para a alavancagem é um objetivo “inegociável” da companhia. O executivo também comemorou o resultado da agressiva expansão da capacidade de abate da empresa. Com a abertura de cinco frigoríficos em 2017, a Marfrig elevou a capacidade em mais de 70%. A expansão, que levantou preocupação entre analistas pela maior necessidade de capital de giro, já apresentou resultados positivos, disse. A Marfrig conseguiu fluxo de caixa operacional positivo de R$ 88 milhões no quarto trimestre. O fluxo de caixa livre ainda ficou negativo em R$ 599 milhões, mas Miron disse que isso reflete efeitos não recorrentes, como a adesão ao Refis e o maior ritmo dos investimentos. Em 2017, a companhia investiu R$ 824 milhões para suportar a expansão da Keystone nos EUA e na Ásia e a operação de bovinos no Brasil. Neste ano, o investimento voltará à casa dos R$ 500 milhões, afirmou o executivo.

VALOR ECONÔMICO

Justiça anula ato dos Bertin com ações de JBS

Uma decisão da 1ª Vara Federal Cível de São Paulo anulou as transferências de cotas (participação indireta na JBS) realizadas em 2010 pela Tinto Holdings (veículo de investimento dos Bertin) à Blessed Holdings, sediada em Delaware (EUA) e que pertence aos irmãos Batista

Na prática, a ação pode levar à redução da participação dos Batista na JBS. O objetivo da Fazenda Nacional, ao pedir para desfazer parte do negócio, é assegurar o pagamento, por meio das cotas, de cerca de R$ 4 bilhões em Imposto de Renda cobrados pela Receita. O Fisco entende que as operações montadas pelos Bertin para viabilizar a associação tiveram a finalidade de evitar a tributação do ganho de capital gerado pelo negócio.

VALOR ECONÔMICO

Decisão da Justiça em caso de IR pode ter reflexo no quadro societário da JBS

Uma decisão da Justiça Federal de São Paulo, que tem como pano de fundo a cobrança de Imposto de Renda (IR) sobre o negócio que resultou na união entre o grupo Bertin e a JBS, poderá ter reflexos no atual quadro societário da maior empresa privada não financeira do Brasil, reduzindo a participação dos irmãos Wesley e Joesley Batista

O Judiciário, ao julgar uma ação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, anulou a última etapa da longa operação estabelecida entre as empresas a partir de 2009. O efeito prático do entendimento será a devolução à Tinto Holding (que pertence aos Bertin) de 86% das cotas do Bertin Fundo de Investimentos em Participações Fip (atual Pinheiros Fundos de Investimentos) que haviam sido transferidos para a Blessed, empresa localizada em Delaware (EUA). O objetivo do pedido à Justiça é, ao desfazer parte do negócio, assegurar o pagamento por meio dessas cotas, de cerca de R$ 4 bilhões de IR cobrados pela Receita Federal e hoje em discussão no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O Fisco entende que as várias operações montadas para viabilizar a associação entre as empresas são fraudulentas e tiveram a única finalidade de impedir a tributação do ganho de capital gerado pelo negócio. A titular da Delegacia de Maiores Contribuintes (Demac) da Receita Federal em São Paulo, Márcia Cecília Meng, afirma que a Tinto Holding (na época controladora do grupo Bertin), poucos dias antes de fechar a transação com a JBS, criou o Fundo Bertin para o qual foram transferidas todas as cotas do frigorífico Bertin. Para ela, trata-se de um fundo de fachada cuja finalidade foi adiar o pagamento do IR sobre o ganho de capital e que só seria recolhido se ocorresse a vendas das cotas. “A estrutura foi formada como se fosse um fundo, mas não era, e este tinha um único investidor”, afirma ela. Segundo Márcia, com a transferência das cotas para uma empresa estrangeira, o IR sobre o ganho de capital não poderia ser cobrado, pois a legislação brasileira libera não residentes da tributação sobre ganho de capital. “O ativo foi tirado do Brasil para a blindagem patrimonial e proteção de uma eventual execução fiscal”, afirma ela. De acordo com a delegada, foi a partir dessa percepção que a Procuradoria da Fazenda buscou a Justiça para anular a transferência das cotas para a empresa estrangeira, que pertenceria aos irmãos Batista. O procurador da Fazenda Nacional e um dos responsáveis pelo processo na 1ª Vara Federal Cível de São Paulo, Leonardo Curty, afirma que a transferência da propriedade das cotas da Tinto Holding à empresa no exterior teve repercussão direta sobre a possibilidade de recuperação do crédito tributário no Brasil. “Passando a propriedade para uma empresa no exterior tirou-se a cobrança do alcance da Receita”, afirma. Além disso, ele acrescenta ser clara a fraude nessa situação, pois o valor envolvendo a transação, dentre outros pontos, foi irrisório. Ao contestarem o processo, as partes envolvidas alegaram, dentre outras questões, que a PGFN não poderia postular a anulação do negócio jurídico, uma vez que este estaria na seara cível e não tributária. Também apontaram a incompetência do juízo federal para avaliar a disputa, pontos estes que foram desconsiderados pelo magistrado. Por se tratar de uma discussão ainda em primeira instância, as partes podem recorrer ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e eventualmente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Paralelamente a esse processo, há a discussão da cobrança de Imposto de Renda no Carf. Em uma decisão de turma do órgão, a Tinto Holding perdeu a disputa, mas ela ainda poderá recorrer dentro do próprio órgão ou mesmo ir para o Judiciário. Sócios da holding J&F Investimentos, Joesley e Wesley Batista ainda têm 40,4% da JBS, mas essa fatia poderá ser reduzida drasticamente se, ao fim da tramitação do processo, a decisão da 1ª Vara Federal Cível de São Paulo for mantida. Com a anulação do negócio entre Tinto e Blessed, os Bertin voltaram a deter cotas que representam participação indireta na JBS. Quando vendeu em 2009 o frigorífico Bertin, que enfrentava sérias dificuldades financeiras, os Bertin receberam 680 milhões de ações da JBS. Posteriormente, a participação dos Bertin foi integralizada em um aumento de capital para a FB Participações, controladora direta da JBS. Pela constituição inicial, os Batista tinham 51% da controladora da JBS e os Bertin, 48%. Em 2010, os Bertin transferiram a maior parte de sua participação – 86% da fatia que detinham na FB Participações – para a Blessed. Agora, se esses 86% voltarem aos Bertin, a fatia dos Batista na JBS cairá a 25%. A suspeita, reforçada pelas investigações da Demac, é que a família Batista já era dona das Blessed. Em 2009, o J.P. Morgan, que era o custodiante da Blessed, recebeu informações sobre a estrutura da Blessed. Nessa estrutura, a Lunsville Internacional constava como administradora da Blessed. A Lunsville era detida pelo patriarca dos Batista (José Batista Sobrinho) e pelos seis filhos. Em 2010, a Blessed foi doada para um trust nas Bahamas (“Graal Trust”) Esse trust tinha como “protectors” Demilton Castro e Florisvaldo Oliveira. Funcionários de confiança dos Batista, os dois integram o grupo de sete pessoas do grupo J&F que fizeram delação. Procurada, a J&F informou não ser parte no processo. Blessed e Bertin não comentaram a decisão.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

A carne bovina está preparada para lidar com o aumento de vendas online e kit de refeições?

A rápida mudança do consumidor em direção a compras de refeições prontas em lojas on-line pode ter impactos importantes no futuro do setor de carne bovina

Don Close, economista e analista do grupo RaboResearch do Rabobank, disse recentemente que a mudança do consumidor para a compra online de refeições é uma oportunidade para a indústria de carne bovina conquistar participação de mercado, ou a perspectiva de perder ainda mais do que já perdeu nos últimos 40 anos. Além disso, ele disse que escolher ir atrás dessa oportunidade pode aumentar o spread de preço fazenda-varejo e o spread entre classes ou tipos de gado. Em suma, pode não melhorar o preço da carne bovina, além do proporcionado pela economia de participação de mercado. Close foi recentemente autor de um relatório especial sobre esse tema que ele chamou de “Food fight: Online and brick & mortar battle for business. How can beef ensure a seat at the table?” Foi nesta publicação que ele destacou as preocupações sobre esse crescente segmento de mercado e o potencial da carne para atendê-lo. Close disse: “A mudança para as compras online é a maior transição ocorrida nas compras de supermercado desde a introdução do supermercado no final da década de 1930.” Ele disse que dos US $ 15 trilhões que os consumidores americanos gastam em comida, gastam um pouco mais em refeições fora de casa. Ainda dentro de suas compras para consumo em casa, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e outras fontes projetam que 20% poderiam ser compras on-line até 2025. Basta dizer que Close descreve um grande crescimento nas compras on-line de alimentos. Close gastou um bom tempo em seu relatório descrevendo o crescimento das compras on-line e o crescimento simultâneo das refeições prontas para consumo, frequentemente chamadas de “kits de refeição”. A indústria de kits de refeição é extremamente competitiva agora, como tipicamente ocorre para novas categorias de negócios, mas Close disse que está sendo diluída por forças competitivas e aquisições. Além disso, já está sendo bem atendida por grandes varejistas como Amazon/Whole Foods, Walmart, Kroger e Albertson’s. Na verdade, explicou Close, o pensamento atual é que esses kits de refeição exigirão locais para coleta e seleção online. Isso sugere um tipo híbrido de mercado que inclui tanto as lojas de compras on-line quanto lojas físicas. Talvez o mais importante, sugeriu Close, essas mudanças nas compras e na preparação de alimentos poderiam oferecer novas oportunidades para o setor de carne bovina. Aqui estão algumas de suas ideias:

– O mercado on-line cobre um grupo de consumidores exponencialmente maior do que qualquer supermercado convencional ou cadeia pode alcançar.

– A capacidade de oferecer uma variedade quase infinita de produtos significa que os consumidores podem “coçar quase qualquer comichão” e os varejistas podem atender a solicitações de variedades de produtos antes inimagináveis.

– Os kits de refeições podem oferecer cortes de carne bovina de valor agregado que os consumidores geralmente negligenciam quando fazem compras por conta própria. Os kits de refeições podem atrair os usuários que não são consumidores de carne bovina ou os que consomem pouca carne a incorporar mais carne em suas dietas.

– A competição de preços entre fornecedores e entre fontes de proteína pode significar que o sucesso de kits de refeições pode ser prejudicial para o consumo per capita de carne bovina.

– O aumento da demanda por especificações de qualidade e produção de gado levará a um maior spread de preços em todas as classes de gado.

– Devido ao manuseio adicional de produtos e preparação de alimentos, os spreads de preço da fazenda para o varejo provavelmente aumentarão.

Entre os maiores obstáculos para o aumento das opções de marketing que a indústria de carne bovina precisaria fazer para enfrentar esses desafios on-line está a estrutura da indústria de embalagem, acrescentou Close. Todo o sistema é projetado para produção em larga escala de carne bovina commodity, e não para iniciar e parar infinitamente a linha de produção para alterações e rotulagem do produto. Ele também sugeriu problemas com a provável necessidade de armazenamento e manuseio muito diversificados de produtos de carne bovina.

Ele acredita que o crescimento desse mercado de carne bovina também pode exigir que os produtores verifiquem mais práticas e protocolos de produção. Haverá recompensas financeiras por essas etapas extras? Close também sugere que um crescimento adicional na compra e venda de alimentos on-line poderia fornecer pontos de entrada para pequenos produtores e comerciantes de carne por uma variedade de razões. De fato, este é um dos modelos utilizados pelos pequenos produtores de carne bovina a pasto. “Os mercados de alimentos estão mudando em ritmo acelerado”, concluiu Close. “O setor de gado e carne bovina pode adotar a transição e assumir um papel proativo na forma como a carne bovina é fornecida aos clientes – ou pode permanecer dentro de sua zona de conforto e esperar para ver quais mudanças são exigidas para preservar sua participação de mercado”.

Alan Newport, revista Beef Producer

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