CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 705 DE 8 DE MARÇO DE 2018

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Ano 4 | nº 705 | 08 de março de 2018

 NOTÍCIAS

Ministério centraliza fiscalização de frigoríficos

De acordo com nova portaria, comando das operações de inspeção ficará a cargo de dez unidades do Sistema de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa)Objetivo das mudanças é reduzir a influência política no sistema de inspeção

O Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União (DOU) de quarta-feira, 7, portaria com mudanças no Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa). A portaria define a localização física da sede do Sipoa e do Serviço de Auditoria em Estabelecimentos e da Divisão de Auditoria. O objetivo é centralizar a fiscalização dos frigoríficos do país e vem na sequência da deflagração da terceira fase da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, a Trapaça. O decreto foi assinado na terça-feira, 6, pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Segundo o jornal Estado de S. Paulo, a mudança começou a ser gestada no ano passado, após a primeira fase da Carne Fraca, que detectou esquemas de corrupção entre frigoríficos e as superintendências estaduais, grande parte delas de indicação política. Para reduzir a influência desses superintendentes, a decisão sobre fiscalizações passará a ser federal. Pelas novas regras, o país será dividido em dez regiões coordenadas pelo Sipoa. O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) comandará toda a operação. Com isso, a definição das inspeções sai da esfera das superintendências estaduais da pasta. Ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Camargo Neto afirma que a mudança atende a um pleito do setor, embora ainda não resolva os problemas. “É um passo importante, mas não é o suficiente”, diz. “Tem muita coisa ainda para ser feita. Precisa alterar a sistemática, as empresas precisam assumir mais responsabilidades”, diz. Segundo ele, o sistema atual ainda é antigo e precisa ser modernizado. O setor privado pediu essa mudança na sequência da primeira fase da Operação Carne Fraca da Polícia Federal. “Agora, já era para estarmos tratando de outras questões”, lamenta. Em relação aos fiscais agropecuários federais, Camargo Neto afirma que essa questão precisa ser enfrentada “não só em números”. A referência é sobre discussão em curso no setor sobre a necessidade de contratação de mais profissionais concursados ou terceirizados. “Tem de se pensar em uma maneira mais inteligente de se fazer, usando defesa do consumidor, fiscalizações aleatórias e não permanentes”, cita como exemplos. O governo estuda editar uma Medida Provisória (MP) ou elaborar um projeto de lei para modernizar o sistema de inspeção federal na produção agropecuária, disse Maggi nesta quarta-feira, 7. Ele informou ter conversado com o Presidente Michel Temer a esse respeito. “É um compromisso que o ministério assumiu em 2017, com a Carne Fraca: extinguir as possibilidades de interferência política nos processos de fiscalização de sanidade”, disse o ministro. “A medida veio nessa direção de deixar blindado o processo de fiscalização.” A Carne Fraca investigou esquemas de corrupção de frigoríficos a partir das superintendências estaduais, que na maior parte são preenchidas por indicação política. O processo de centralização da fiscalização é discutido desde o ano passado e, coincidentemente, teve a portaria publicada nesta quarta, explicou o ministro. Ele espera assinar também nesta quarta-feira o regimento para a operação desse novo sistema. Uma novidade, segundo Maggi, é que haverá um canal para a chegada de reclamações. Além de União Europeia e Hong Kong, outros mercados que compram carne de aves do Brasil pediram informações adicionais ao governo brasileiro, afirmou Maggi, sem, porém, especificar quais foram os outros países. “Acho que todos vão pedir”, comentou. “Acho legítimo. Eu, na posição de Ministro da Agricultura, faria o mesmo.” Corrigindo uma falha de comunicação ocorrida na Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em março de 2017, o governo enviou informações aos mercados consumidores assim que a Operação Trapaça foi acionada, na última segunda-feira. Informações adicionais serão divulgadas nesta quarta. “Agora vamos detalhar com mais profundidade as ações que estamos tomando e qual a extensão do problema levantado”, disse o Ministro. Ele acrescentou que os problemas apontados pela Trapaça, que teve como alvo principal a BRF e cinco laboratórios certificadores, ocorreram antes da Carne Fraca. Os fatos relatados ocorreram em 2014 e 2015. A intenção do ministério é traçar uma linha divisória antes e depois da operação, para apartar as irregularidades no período anterior a ela.

ESTADÃO CONTEÚDO

Oferta e demanda equilibradas no mercado de boi gordo

O mercado do boi gordo está sem um viés claro

Oferta não está abundante, mas a demanda também não. Em São Paulo as programações de abate atendem entre três e quatro dias na maioria dos casos. Quando as ofertas de compra aumentam, é possível manter as escalas, o que evidencia que há uma parcela de retenção, normal para o período. Por outro lado, é perceptível uma oferta crescente de fêmeas em algumas regiões, como Mato Grosso do Sul. O início de mês não trouxe ofertas de compra maiores pelos frigoríficos, o que ilustra uma demanda modesta, mesmo com o contexto de melhoria econômica. De toda forma, estamos em período de melhoria nas vendas. Em geral, os salários estão caindo nas contas (quinto dia útil), então é possível que o escoamento reaja no curto prazo.

Boi gordo no mercado físico – R$ por arroba (pagamento à vista)

Araçatuba (SP): 145,00

Belo Horizonte (MG): 138,00

Goiânia (GO): 133,00

Dourados (MS): 133,00

Mato Grosso: 128,50 – 133,00

Marabá (PA): 130,00

Rio Grande do Sul (oeste): 4,75 (kg)

Paraná (noroeste): 141,50

Tocantins (norte): 128,00

SCOT CONSULTORIA

Mais países questionam Brasil sobre Operação Trapaça

Depois de União Europeia e Hong Kong, o Valor apurou que China, Japão, Coreia do Sul, Egito, Chile e Ucrânia também pediram informações ao Ministério da Agricultura sobre a Operação Trapaça, deflagrada pela Polícia Federal na segunda-feira com foco na investigação de fraudes na análise de salmonela em carne de frango envolvendo a BRF e laboratórios

Apesar dos novos questionamentos, o Ministério da Agricultura permanece firme em sua estratégia de tranquilizar a sociedade e o setor produtivo e de frisar que os problemas revelados pela Operação Trapaça são anteriores a março de 2017, quando a PF deflagrou a Operação Carne Fraca – a Trapaça é a terceira etapa da Carne Fraca Questionado sobre possíveis embargos que poderão ser erguidos por países importadores, como aconteceu em março do ano passado, o Ministro Blairo Maggi afirmou ontem que “vários países” deverão pedir explicações ao ministério, sobretudo os 12 mercados que importam carne de frango do Brasil e fazem exigências específicas para testes com salmonela: União Europeia, Rússia, Cingapura, África do Sul, Coreia do Sul, Vietnã, Ilhas Maurício, Macedônia, Argélia, Israel, Irã e Tadjiquistão. “Nós já nos antecipamos e demos uma primeira explicação aos importadores. Bem genérica, e é claro que isso suscita questionamentos. Mas vários países já pediram explicações”, afirmou Maggi. Para tentar melhorar o controle sanitário na carne de frango, o Ministério da Agricultura também decidiu que vai começar neste semestre a avaliar os laboratórios que credencia para análises com salmonela com uma estratégia inspirada nos testes antidoping esportivos usados pelo Comitê Olímpico Internacional. O Secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Luís Eduardo Rangel, explicou ao Valor que o órgão vai usar sua rede oficial de laboratórios, formada por seis unidades chamadas de Lanagro, para aplicar provas surpresa no intuito de avaliar se eles de fato têm competência para auferir se há salmonela ou outros microoganismos em amostras de carne. Segundo Rangel, dois dos seis Lanagro do país aplicarão essas “amostras pareadas” – as provas surpresa – aos 15 laboratórios credenciados para fazer análises para frigoríficos ou outras indústrias de alimentos: o de Goiânia (GO) e o de Pedro Leopoldo (MG). Os 15 laboratórios respondem por 90% das análises microbiológicas com alimentos realizadas no Brasil. “Se o laboratório acertar o que tem nas amostras, segue atuando; se errar, perde o credenciamento”, disse.

VALOR ECONÔMICO

EMPRESAS

Moody’s rebaixa BRF por fraco desempenho; suspensão de plantas tem impacto pequeno

A Moody’s Investors Services rebaixou os ratings corporativos da BRF de “Ba1” para “Ba2” na terça-feira (06), refletindo persistentes baixas métricas de crédito e expectativa de que uma recuperação na performance da empresa irá demorar mais que o inicialmente esperado.

A perspectiva para os ratings continua negativa

“Entre os fatores que contribuíram para a deterioração da alavancagem e métricas da companhia estão os desembolsos relativos às atividades de fusões e aquisições, fracas margens em 2016 e 2017 após o aumento acentuado dos preços de milho no Brasil, assim como pobre performance operacional nos mercados doméstico e internacional, especialmente no Oriente Médio”, disse a Moody’s em relatório. O endividamento da BRF medido por dívida líquida/EBITDA aumentou de 4,6x em 2016 para 5,6x em 2017. Impacto da Operação Trapaça. A Moody’s considera que as três unidades de abate da BRF suspensas pelo governo brasileiro de exportar carnes para 12 países, como resultado da Operação Trapaça da Polícia Federal, representam um “pequeno impacto potencial de menos de 1% das exportações” da empresa, em volume. As unidades investigadas estão localizadas em Rio Verde (GO), Mineiros (GO) e Carambeí (PR).  A agência de classificação de risco espera que as investigações conduzidas pela Polícia Federal, além das pressões para mudanças no Conselho de Administração da companhia, sejam uma distração num momento em que o foco da empresa deveria estar concentrado na execução para melhora do desempenho operacional. A BRF reportou um prejuízo líquido de R$ 1,1 bilhão em 2017.

CARNETEC

INTERNACIONAL

Concorrência de carne australiana deverá se intensificar em 2018

A concorrência em muitos dos mercados internacionais da Austrália se intensificará nos próximos dois anos, já que quase todos os principais produtores de carne bovina aumentam a produção, melhoram o acesso ao mercado e acumulam embarques para a Ásia e o Oriente Médio

Os EUA continuarão sendo o principal concorrente da Austrália nos principais mercados de alto valor nos próximos anos, à medida que buscam fortalecer sua presença no Japão e na Coreia. A Austrália atualmente tem sobreposição limitada com o Brasil e os principais destinos de exportação da Índia, porém isso está mudando com as melhorias no acesso ao mercado, como a entrada de carne de búfalo indiana na Indonésia. Os destinos de carne bovina da América do Sul estão evoluindo com os embarques agora altamente concentrados na Ásia (especialmente na China) e no Oriente Médio, e apenas uma competição mais forte é antecipada nessas regiões. A Índia continua liderando as exportações globais de carne bovina, embora as vendas tenham diminuído em 2017. As exportações indianas continuam altamente concentradas no Vietnã, que representa mais de 50% das exportações totais e é responsável pelo volume de 687 mil toneladas. Para referência, isso é agora mais do que a Austrália enviou para o Japão, a Coreia e os EUA combinados em 2017. As exportações de carne brasileira e uruguaia tiveram um aumento considerável em 2017, 12% e 4% respectivamente, com China e Hong Kong continuando a ser destinos chave. Os EUA registraram um ano recorde de exportações de carne bovina, um aumento de 13% com relação ao ano anterior, com embarques para todos os principais mercados registrando crescimento, particularmente Japão e Hong Kong. Em 2018, espera-se que todos os principais exportadores de carne bovina aumentem a produção, com as exportações de carne bovina também devendo aumentar, aumentando a concorrência – particularmente na Ásia. Os EUA estão no caminho certo para um ano recorde da produção de carne bovina em 2018 e novamente em 2019, enquanto a produção brasileira de carne também aumentará em 2018, com um aumento nos abates e com pesos de carcaça um pouco mais pesados. O crescimento da produção indiana de carne bovina e de búfalo será impulsionado pelo progresso doméstico no setor de produtos lácteos, à medida que o investimento privado e o apoio do governo aumentam. Em contraste, prevê-se que a produção uruguaia de carne caia como resultado da diminuição dos abates.

Meat and Livestock Australia (MLA)

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