CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 668 DE 11 DE JANEIRO DE 2018

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Ano 3 | nº 668 11 de janeiro de 2018

NOTÍCIAS

Funrural: nova alíquota pode aumentar a renda dos pecuaristas

O mercado físico de boi gordo teve diferentes variações de preços nesta quarta-feira, dia 10, com regiões em alta e outras em baixa

Em algumas praças a oferta de animais prontos para o abate, apesar de discreta, vem aumentando no decorrer desta semana. Com isso, os frigoríficos estão conseguindo avançar em suas escalas de abate. Por outro lado, em outros lugares oferta de boiadas não está abundante e, com parte dos pecuaristas ainda fora dos negócios, as indústrias encontram dificuldade em alongar a escala de abate. Em São Paulo, a arroba do boi gordo está cotada em R$ 146,50, à vista, livre do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), alta de 0,7% frente ao fechamento anterior. Vale salientar que apesar da alta observada no estado, a tendência para o curto prazo é de que a demanda por carne bovina não melhore significativamente, o que deve limitar a valorização. Outro destaque da quarta-feira foi a sanção da lei do Funrural pelo Presidente Michel Temer. Na pratica, a medida diminuirá o desconto atual de 2,3% para 1,5% sobre os preços pagos aos animais. Caso a alteração realmente se consolide, o desconto menor poderá incrementar a receita dos pecuaristas, desde que os frigoríficos não reduzam os montantes pagos pela arroba simultaneamente.

Boi gordo no mercado físico – R$ por arroba

Araçatuba (SP): 146,50

Belo Horizonte (MG): 141,50

Goiânia (GO): 138,00

Dourados (MS): 132,00

Mato Grosso: 128,00-132,50

Marabá (PA): 129,00

Rio Grande do Sul (oeste): 4,80 (kg)

Paraná (noroeste): 141,50

Tocantins (norte): 132,00

CANAL RURAL

Mercado do boi deve melhorar em 2018

Cepea espera cenário favorável tanto no mercado interno quanto no externo, mas com desafios. Uso de diferentes instrumentos de comercialização são importantes para esse momento

Passado o momento turbulento e constatada a importância da reorganização e da capacidade de reagir às diferentes intempéries de 2017, o setor pecuário inicia 2018 mais otimista, porém, bastante atento, segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Em termos gerais, espera-se um cenário economicamente favorável neste ano, tanto na esfera internacional como na nacional, que pode beneficiar toda a cadeia da carne bovina. Para o mercado mundial, estimativas diversas apontam bom crescimento da economia em muitos países. Tal contexto pode levar à diminuição de barreiras, ampliar e/ou até mesmo criar novas possibilidades comerciais para a carne brasileira, o que tende a manter a tendência de aumento das exportações nacionais. Quanto ao cenário doméstico, esperam-se recuperação da economia e retomada do crescimento, pautadas na diminuição da taxa de juros, no controle da inflação, na relativa estabilidade do câmbio, na redução do índice de desemprego e na melhoria do PIB (Produto Interno Bruto). Esse contexto favorece o aumento no consumo geral da população e, por sua vez, gera expectativa de aquecimento na demanda por carnes, principalmente pela bovina, que é mais sensível à elevação de renda. O consumo interno, portanto, prejudicado no ano que se encerrou, deve ser aumentado em 2018. Com projeção de crescimento do PIB nacional em torno de 2,7% (estimativa do Banco Central no encerramento de 2017), o Cepea calcula que pode haver aumento de 2,2% no consumo interno de carne bovina. As projeções otimistas, contudo, podem ser afetadas por fatores que hoje ainda estão incertos, requerendo, portanto, cautela e também ações de operadores do setor pecuário. Aspectos políticos, assim como os relacionados às reformas da previdência e tributária, podem interferir diretamente nos resultados econômicos de 2018. Assim, neste momento, são de grande importância a implementação de ações que envolvam investimentos (como melhoramento genético), o uso de diferentes instrumentos de comercialização e também que visem o aumento da transparência de mercado. Ações como essas permitem que operadores de mercado diminuam a dependência de aspectos não controláveis e reduzem riscos inerentes à atividade. Além disso, possibilitam um melhor aproveitamento dos possíveis bons resultados que possam ser gerados ao longo do ano. Os principais concorrentes do Brasil no mercado internacional, como Estados Unidos, Austrália, Índia e China, têm desafios frente à produção, sejam eles estratégicos, climáticos ou de barreiras. Os norte-americanos são grandes exportadores, mas são atualmente os maiores importadores mundiais – vendem carne com alto valor agregado e compram carne barata. A Austrália passa por redução de rebanho, devido à seca, o que eleva seus preços e deixa sua carne menos competitiva. Com problemas religiosos e a indecisão de proibição ou não do abate de vacas, a Índia não possui uma cadeia organizada com carne de qualidade e de padrão para oferecer ao mundo. Por sua vez, a China tem grande rebanho, mas custos elevados de produção, sendo uma grande demandante. Neste ponto, os chineses estão sendo os grandes responsáveis pelos embarques crescentes do Brasil nos últimos anos. O país representou em torno de 40% do total embarcado em 2017, sendo um mercado estratégico e de expansão para a carne bovina. Vale lembrar que, de acordo com dados do Agribenchmark/Cepea, o Brasil é responsável por cerca de 1/5 da produção mundial de carne bovina, tendo um dos menores custos de produção.

Cepea

Oferta limitada de boiadas em São Paulo

Apesar do lento escoamento de carne bovina neste início de ano, em São Paulo a oferta de boiadas não está abundante e, com parte dos pecuaristas ainda fora dos negócios, os frigoríficos encontram dificuldade em alongar a escala de abate

Com isso, o mercado ganhou firmeza na última quarta-feira (10/1). No estado, segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo ficou cotado em R$146,50/@, à vista, livre de Funrural, alta de 0,7% frente o fechamento de ontem. Vale salientar que apesar da alta observada em São Paulo, a tendência para o curto prazo é de que a demanda por carne bovina não melhore significativamente, o que deve limitar a valorização.

SCOT CONSULTORIA

Aumento no volume de gado em pé exportado pelo Brasil em 2017

Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em dezembro de 2017 o Brasil exportou 60,32 mil cabeças de bovinos vivos, uma alta de 78,1% em relação ao mês anterior

O faturamento total foi de US$39,9 milhões. Do total, 98,5% ou 59,4 mil animais, foram enviados para a Turquia, principal comprador de gado em pé do Brasil em 2017. Assim, o país fechou o ano passado com um total de 400,66 mil cabeças exportadas, volume 41,9% maior que o registrado no acumulado de 2016. Em 2017 os principais compradores foram: Turquia com importação de 55,2% do total, Egito com 13,9%, Líbano com 9,6% e Jordânia com 9,5%.

SCOT CONSULTORIA

PIB do agro deve ter alta menor em 2018

No caso dos bovinos, deveremos observar uma retomada no preço, uma vez que a oferta da carne deve diminuir porque se iniciou o ciclo de abate de matrizes. Mesmo assim, esta recuperação de preços não deve compensar as perdas causadas pela operação Carne Fraca e a queda sentida nos últimos três anos no consumo das famílias

O ano de 2018 já começa com um grande desafio para o setor do agronegócio brasileiro: aproximar-se, mesmo que de forma tímida, dos resultados obtidos em 2017. Em meio a uma economia ainda caducante, o PIB do setor acumula nos três primeiros trimestres do ano passado alta de 14,5%. Para este ano, no entanto, as previsões de mercado são de um desempenho entre 0,5% e 2%. O analista Felipe Novaes, especialista em agronegócio na consultoria Tendências, prevê que o PIB do setor deva ter expansão de 0,8% em 2018, em um cenário da economia total do país crescendo 2,8%. Um pouco mais otimista é Rodrigo Furlan, sócio da consultoria Mazars, que estima alta do agro entre 1,5% e 2% e o PIB nacional, de 3%. Quando analisados por segmento, a soja, carro-chefe das exportações da agricultura brasileira, deve ter um ano mais tímido. Para analistas, será praticamente impossível manter o fôlego e os resultados recordes de 2017. A soja e o milho estão com alto nível de estocagem. Por serem dois insumos utilizados na fabricação de ração, este esperado recuo nos preços traz em contrapartida uma boa notícia para os produtores de proteína animal. “O custo da produção cai para suínos e aves. No caso dos bovinos, deveremos observar uma retomada no preço, uma vez que a oferta da carne deve diminuir porque se iniciou o ciclo de abate de matrizes. Mesmo assim, esta recuperação de preços não deve compensar as perdas causadas pela operação Carne Fraca e a queda sentida nos últimos três anos no consumo das famílias”, segundo o analista, Rodrigo Furlan.

SNA

Custos do confinamento crescem em dezembro

Custos da diária-boi das propriedades representativas de SP e GO aumentaram entre 1,07% e 1,62%. Itens alimentares, como milho e polpa cítrica, ficaram mais caros em dezembro

Os custos da diária-boi (CDB) para confinamentos representativos de São Paulo e Goiás cresceram em dezembro entre 1,07% e 1,62%, segundo o Índice de Custo de Produção de Bovinos Confinados do Laboratório de Análises Socioeconômicas e Ciência Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnica da USP. Os CDB foram de R$ 8,21 e R$ 8,16 para propriedades médias (3 mil animais/ano) e grandes de São Paulo (27 mil animais/ano), respectivamente. Já para a unidade representativa de Goiás (16,5 mil animais/ano), o valor ficou em R$ 7,59. Em dezembro, alguns itens alimentares, como o milho e a polpa cítrica, aumentaram de preço. O animal magro de 12 arrobas também ficou mais caro. Já os coprodutos do algodão tiveram recuo de cotações apenas em São Paulo. “Sendo assim, de forma geral, os custos das diárias-boi para o estado de Goiás ficaram 6,6% superiores ao início do monitoramento deste estudo (no mês de abril); o oposto foi registrado para o estado de São Paulo, em que os custos foram inferiores em 6,7% e 4,7% para médias e grandes, nesta ordem, em relação ao levantamento inicial”, informa a nota. Com isso, a diferença entre os custos de propriedades em São Paulo e Goiás vem diminuindo. A diferença de CDB que era de R$ 2,00 em junho, neste levantamento foi de apenas R$ 0,62. “Apesar dos aumentos de custos terem sido modestos neste comparativo, o produtor – para garantir o lucro econômico – teria que receber valores por arroba superiores ao Custo Total (CT), que em dezembro foram de R$ 145,93, R$ 144,65 e R$ 138,48 para médias e grandes de SP, e para a unidade de Goiás, respectivamente (Tabela 2)”, ressalta o texto do boletim. Sendo assim, o controle permanente dos custos das operações do confinamento pode ser decisivo para gerar resultados econômicos favoráveis nesta atividade. Todos os meses, o Laboratório de Análises Socioeconômicas e Ciência Animal faz o levantamento de preços de insumos para atualizar os dados do indicador, que tem periodicidade mensal. “Minhas bases são Pirassununga, SP, e Acreúna, GO. Meus fornecedores são voltados para essas regiões. Tudo que está incluído na atividade, como palanque para cerca, arame liso, polpa cítrica, cordoalha, cocho, para tudo nós pesquisamos valores em pelo menos três empresas”, explica. A FMVZ-USP também tem uma planilha de cálculo de custos de produção do confinamento. Quem quiser ter acesso à ferramenta e ao indicador pode acessar o site do LAE (http://paineira.usp.br/lae) ou mandar e-mail para lae-indicadores@usp.br ou gsartorello@gmail.com pedindo para receber o modelo de cálculo de custos e o boletim. Fornecedores que quiserem colaborar com o levantamento de preços de insumos também podem se cadastrar pelos e-mails acima.

Portal DBO

Congresso deve derrubar vetos do presidente em lei do Funrural em pelo menos 4 ou 5 pontos, confirma FPA

Entre os pontos vetados pelo Presidente Michel Temer e que devem ser revistos no congresso estão a suspensão de 100% de multa para pagamento do passivo, a permissão do uso de prejuízo fiscal para abatimento da dívida e a isenção da contribuição na comercialização de sementes, florestas plantadas e pecuária

O deputado federal Nilson Leitão (PSDB/MT), Presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), comenta ao Notícias Agrícolas nesta quarta-feira (10) a questão dos 24 vetos do presidente Michel Temer ao sancionar a lei que regulamenta o Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural), da qual Leitão é autor. Segundo ele, alguns desses vetos não possuem impacto direto ao produtor rural. Contudo, a FPA deve se posicionar na condição de derrubar os vetos que trazem situações prejudiciais no que diz respeito ao tamanho e ao pagamento das dívidas – como remissão de multas e encargos, que acrescem quase 30% no valor total. Ele destaca que os pontos positivos da sanção da lei estão na adesão do refinanciamento até o dia 28 de fevereiro, considerando a dívida até agosto de 2017 e uma redução na alíquota para 1,2% para o produtor rural pessoa física. Grande parte da dívida, 80%, será cobrada de adquirentes como cerealistas e frigoríficos. Dessa forma, Leitão também salienta que as pequenas e médias empresas deste ramo também podem ficar prejudicadas. Ele destaca que os vetos foram motivados por recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), mas que a situação inviabiliza a continuidade na atividade para alguns. A ideia, assim, é disseminar informações em relação aos vetos e o porquê de se querer derrubá-los até a primeira sessão do Congresso Nacional, na qual a FPA irá pedir para que este assunto entre em pauta. O deputado considera que será possível obter apoio para derrubá-los, apontando que a situação difere de outros casos já tratados no Refis.

Notícias Agrícolas

INTERNACIONAL

Americanos comerão mais carne do que nunca em 2018

Apesar de tudo o que se falou sobre a proteína do feijão e o hambúrguer de laboratório, os americanos estão preparados para comer mais carne do que nunca em 2018

Para ser mais preciso, o consumidor médio comerá 100,8 quilos de carne vermelha e de frango neste ano, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), e ultrapassará o recorde de 2004. Por sua vez, a produção local será superior a 45 bilhões de quilos pela primeira vez, pois os pecuaristas estão ampliando seus rebanhos graças aos grãos baratos para as rações. Embora a estimativa per capita do USDA não seja um verdadeiro indicador de consumo, funciona como um substituto. Muitos americanos estão evitando os carboidratos e comendo mais proteína. O governo recomenda que os adultos comam 141 gramas a 184 gramas de proteína por dia, porém o USDA projeta que em média cada pessoa comerá quase 283 gramas de carne e de frango por dia em 2018. Essa é uma guinada em relação ao período 2007-2014, quando a demanda per capita de carne e de frango caiu 9%, porque o aumento da demanda de etanol à base de milho e uma seca provocaram uma disparada nos preços das commodities. Embora hoje o gado bovino e os suínos sejam muito mais baratos do que no pico de 2014, os preços ainda podem se recuperar. As exportações de carne dos EUA cresceram com a melhoria da economia global e superaram os ganhos da demanda interna.

Bloomberg

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