CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 609 DE 29 DE SETEMBRO DE 2017

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Ano 3 | nº 609 29 de setembro de 2017

NOTÍCIAS

Carne bovina: Perspectivas melhores para o final do ano

O preço médio nominal dos cortes sem osso vendidos no atacado na última quinzena de setembro, em São Paulo, é o menor desde 2015

A expectativa agora é para o crescimento das vendas nestes meses finais de ano, comportamento sazonal, mas que não ocorreu em 2016. Por enquanto, desde julho, quando os preços no atacado afundaram para o menor patamar de 2017, o mercado, apesar das desvalorizações das duas últimas semanas, já acumula alta de 6,0%. Ou seja, a curva de crescimento de preços descreve a trajetória esperada para o período. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), este ano as contratações temporárias devem crescer 10,0% em relação aos postos criados no ano passado, é o primeiro crescimento em dois anos. Os salários deverão crescer 7,1% em relação ao de 2016 para este tipo de vaga. Este tipo de movimento, associado ao pagamento de décimo terceiro salário é o motor para aumento nas vendas no último trimestre do ano. E, população mais capitalizada é quase sempre igual a aumento de consumo de carne bovina. Outro índice produzido pela CNC que vale a pena ficar de olho é de Intenção de Consumo das Famílias (ICF). Embora o desempenho de setembro seja 6,4% superior ao de doze meses atrás, o índice caiu 0,7% em relação a agosto e segue abaixo dos 100 pontos, o que segundo a Confederação indica uma percepção de insatisfação com a situação atual. Ou seja, em resumo, é claro que a situação melhorou frente ao que se viu no último ano, mas é bom regular, ser comedido com as expectativas, principalmente para quem tem boi para vender no final do ano, já que o comportamento do mercado de carne é determinante para o preço da arroba do boi gordo.

SCOT CONSULTORIA

Preço do boi gordo cai, impactado por insegurança no mercado

Os preços do boi gordo apresentam queda no acumulado de setembro, até o dia 27, afetados pela insegurança do mercado diante das prisões recentes dos irmãos Batista, controladores da JBS, segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgadas na quinta-feira (28)

O indicador Esalq/BM&FBovespa, referente ao mercado no estado de São Paulo, fechou a R$ 141,11 na quarta-feira (27), acumulando queda de 1,29% no mês de setembro. Também houve queda de 1,3% nos preços praticados no Rio Grande do Sul, para R$ 9,15 por quilo. “As desvalorizações no estado sul-rio-grandense refletem o aumento da oferta de animais na região, devido à necessidade de liberação de áreas para o plantio de soja onde se pratica a integração lavoura-pecuária”, informaram pesquisadores do Cepea em nota. Os preços do boi gordo tiveram uma recuperação no mês de agosto, diante da reduzida oferta de animais para abate, entrada da entressafra e retomada das compras pela JBS, que havia interrompido as aquisições por algumas semanas após revelado escândalo de corrupção envolvendo controladores da companhia em maio. Depois da prisão dos irmãos Wesley e Joesley Batista, em meados de setembro, as vendas no mercado de boi também ficaram momentaneamente paralisadas, refletindo a insegurança do mercado.

CARNETEC

Mercado do boi gordo retoma firmeza

Mercado do boi com cotações sustentadas

Após a correção nos preços da arroba ocorrida nas últimas semanas, o mercado trabalha em ambiente mais firme. Aparentemente esta é a resposta dos frigoríficos a um processo de redução das escalas de abate. Em São Paulo, as programações atendem, em média, até meados da semana que vem, mas existem indústrias com escalas de apenas dois dias. Dessa forma, ofertas de compra acima das referências voltam a ganhar força e aparecem com maior frequência. No mercado atacadista de carne bovina com osso, preços estáveis. A definição dos preços neste mercado na abertura de outubro será um termômetro para os preços do boi em curto prazo.

SCOT CONSULTORIA

Funrural: Receita deve manter cobranças suspensas

Autuações só devem ser retomadas após fim do período extra para adesão ao programa de refinanciamento, que deve ficar para 30 de novembro

Com provável prorrogação do prazo de adesão ao programa que refinancia a dívida do Fundo de Assistência do Trabalhador Rural (Funrural), a Receita Federal deve manter autuações suspensas e voltar a fazer cobranças após o fim do período extra. A bancada ruralista garante que o Presidente Michel Temer se comprometeu a prorrogar o prazo de adesão ao programa que refinancia o passivo da cobrança para 30 de novembro. A princípio, a data limite para entrar na renegociação seria esta sexta-feira, dia 29. De acordo com o deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT), Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a medida provisória que trará o novo prazo deve ser publicada até esta sexta. “Existem outras formas de recorrer, como STF ou a resolução do Senado, mas não está totalmente definido se têm eficácia ou não”, diz. Com a decisão, o Congresso deve ter tempo suficiente para fazer alterações na medida provisória que trata do refinanciamento. A relatora da comissão especial que trata do assunto, Tereza Cristina (PSB-MS), garante que o texto deve ficar pronto em duas semanas. A ideia é reduzir o índice de 4% do valor total da dívida que deveria ser pago ainda em 2017 e garantir que, caso o Supremo Tribunal Federal entenda que a constitucionalidade vale apenas daqui para frente, haja ressarcimento ao produtor que pagou parte do débito. “Eu aconselho que ninguém pague antes da medida provisória ser aprovada, pelo menos na comissão especial, depois ela vai a plenário”, afirma a relatora. A expectativa de que o STF possa perdoar a dívida de produtores aumentou após o Senado aprovar um projeto de resolução que prevê a suspensão da obrigatoriedade do pagamento retroativo. Com a decisão, advogados começaram a recomendar a produtores que esperem o Supremo se manifestar para aderir ao refinanciamento. O advogado tributarista Jacques Veloso afirma que vem orientando clientes com algum tipo de auto de infração ou cobrança façam a adesão. “O modelo de parcelamento que foi criado é benéfico e eu acredito que valha a pena fazer a adesão e não perder essa oportunidade. Para os demais, onde não há uma cobrança efetiva, eu tenho recomendado que aguardem. Apesar de eu acreditar que, ao final, todos terão que efetivamente pagar, é prudente aguardar para esses outros casos”, informa. A Receita Federal não assume oficialmente que a prorrogação até 30 de novembro vai realmente acontecer. Nos bastidores, entretanto, a informação é dada como certa. O órgão já teria, inclusive, recebido a documentação referente ao adiamento. Dessa forma, é bem provável que as autuações fiquem suspensas até o fim do período de adesão e, em seguida, voltem a ser cobradas de quem não entrou na renegociação. A Receita poderia dar prosseguimento à cobrança a qualquer momento, afirma o chefe da divisão de Administração e Parcelamento da entidade, Djalma Lustosa. Mas, por prudência, a ação foi suspensa até o final do prazo ou de uma eventual prorrogação. “(Depois disso) A Receita volta ao prosseguimento de cobrança normal, possibilidade de inscrição em dívida ativa, em ajuizamento de ação. Perdendo a validade a medida provisória, ele (produtor) poderá até optar por um parcelamento convencional, mas sem desconto nenhum”, diz Lustosa.

CANAL RURAL

Pesquisa do IBGE confirma curva de aumento da oferta de bovinos

A pesquisa Produção da Pecuária Municipal (PPM), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou aumentos nos rebanhos brasileiros de bovinos, equinos, caprinos e ovinos e no plantel de galináceos no ano passado

Mas também confirmou que houve forte redução da produção de leite. Segundo a PPM, o rebanho bovino do país alcançou o recorde de 218,23 milhões de cabeças em 2016, 1,4% mais que em 2015. Mas o aumento não se refletiu nos abates – foram abatidas 29,67 milhões de cabeças de bovinos, queda de 3,2%. “A oferta de animais prontos para abate e para reposição continuou restrita em função do grande abate de matrizes nos anos anteriores, elevando o preço da arroba e do bezerro”, informou o IBGE. De acordo com os dados da PPM, o Brasil continuou com o segundo maior efetivo de bovinos do mundo e representou 22,2% do rebanho global em 2016, atrás da Índia. O país foi também o segundo maior produtor de carne bovina, com 15,4% do total mundial. O plantel de galináceos também cresceu no país no ano passado – 1,9%, para 1,35 bilhão de cabeças. Conforme o IBGE, a crise econômica, que achatou o poder de compra dos brasileiros, levou ao aumento do consumo de carne de frango e levou os produtores a investir em expansão. O movimento ajudou o Brasil a manter o status de maior exportador mundial de carne de frango. A produção de ovos de galinha, por sua vez, foi de 3,82 bilhões de dúzias em 2016, 1,3% superior a 2015. Isso representa um rendimento de R$ 11,46 bilhões. Em relação aos suínos, o rebanho brasileiro cresceu 0,4% no ano passado, para 39,95 milhões de cabeças, o quarto maior do mundo, atrás de China, UE e EUA. A pesquisa também contabilizou um rebanho efetivo de 1,37 milhão de cabeças de bubalinos e de 5,58 milhões de cabeças de equinos. O efetivo de caprinos somou 9,78 milhões de cabeças em 2016, crescimento de 1,7% na comparação ao ano anterior, enquanto o rebanho efetivo de ovinos chegou a 18,43 milhões de cabeças, praticamente estável. A produção de leite, por sua vez, foi de 33,62 bilhões de litros em 2016, 2,9% menor do que no ano anterior. Minas Gerais continuou como maior produtor de leite do país, apesar de ter produzido 1,9% a menos do que em 2015 (8,97 bilhões de litros). A produção mineira representou 26,7% da produção nacional. O preço médio nacional do leite ao produtor foi de R$ 1,17 por litro, um aumento de 15,2% em relação a 2015. Isso representou um valor de produção de R$ 39,44 bilhões. A pesquisa do IBGE também mostrou que, liderada pelo município amazonense de Rio Preto da Eva, na região metropolitana de Manaus, a produção brasileira de peixes cresceu 4,4% em 2016, para 507,12 mil toneladas. A tilápia, cuja produção aumentou 9,3%, respondeu por 47,1% desse volume. Mais em www.ibge.gov.br

VALOR ECONÔMICO

EMPRESAS

‘Estamos na hora errada, no lugar errado’

A delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista contaminou a análise feita pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a compra do frigorífico Mataboi pela JBJ, empresa de José Batista Júnior, irmão mais velho dos donos da J&F, holding que controla a JBS

A afirmação é do Presidente do Mataboi, José Augusto Carvalho, que pensa em judicializar a questão a depender da palavra final da autarquia. “A gente, de certa maneira, está na hora errada, no lugar errado”. Segundo Carvalho, o clima mudou na autoridade antitruste após a delação dos irmãos Batista, que não teve nenhuma participação do dono da JBJ, conhecido como Júnior Friboi. “A denúncia da JBS contra todos os poderes criou antipatia nacional em torno do tema e em espacial dentro do Cade”, disse. A autarquia é citada na denúncia no âmbito de uma tentativa da J&F de conseguir uma liminar que beneficiava uma de suas empresas controladas em negócios com a Petrobras. “Nós não temos nada a ver com isso, mas a vida é como ela é. A sensação que temos é que estamos sofrendo uma certa perseguição por parte do órgão, que está trazendo elementos que, segundo nosso advogado, nunca foram trazidos”, continuou. Ele se refere à hipótese de o Cade considerar a JBS e a JBJ como um mesmo grupo econômico para fins de análise concorrencial. Essa visão elevaria, e muito, a participação da JBJ no mercado, dificultando a operação. O Valor apurou que não está descartada a possibilidade de o órgão vetar completamente o negócio. Para Carvalho, quando o caso for analisado pelo plenário, as restrições deveriam ser comportamentais e não envolver a venda de ativos. “Nós não teríamos problema em aceitar um ‘castigo’. Nós assinamos na época um compromisso de reduzir a cláusula de não competição que temos com antigos proprietários. Também assinamos no ano passado um compromisso no qual o José Batista Júnior não teria uma posição na divisão de carne da JBS durante o período da análise pelo Cade. Isso poderia perdurar”, sugeriu. “Mas isso depende muito se o Cade realmente quer buscar solução”, afirmou. Carvalho se queixa de falta de atenção por parte do órgão. “O Cade poderia, se estivesse no melhor momento, nos receber melhor. O novo presidente do Cade [Alexandre Barreto] não nos recebeu. O relator [Alexandre Cordeiro] nos recebeu há três meses e depois não mais”, afirmou “O Mataboi tem dois frigoríficos. É muito pouquinho. A JBS é uma multinacional com mais de 30 frigoríficos”, apontou. Assim, continuou, qualquer venda de ativo inviabilizaria o funcionamento do Mataboi. “É uma empresa com duas fábricas, não dá para se desfazer de uma. Isso destruiria o valor da empresa”, disse. Se a análise prosseguir na trilha em que está, o mais provável é que a questão seja judicializada, o que não seria bom nem para a empresa e nem para o Cade, afirmou o executivo. “Se a decisão não for aceitável e possível, vamos ser obrigados a ajuizar decisão para defender nossa posição, porque tecnicamente não vemos nenhum sentido na situação que está se apresentando. É muito mais político do que técnico e, nesse caso, contamos com o judiciário”, acrescentou. O atual relator do caso, o conselheiro Alexander Cordeiro, foi indicado para a Superintendência Geral do Cade e repassará o assunto para sua provável substituta, a advogada Polyanna Vilanova, que aguarda pela sabatina do Senado Federal para ter seu nome ratificado. Carvalho, entretanto, não acha que isso muda algo em seu caso. “É uma nova conselheira chegando, mas, por mais que traga bagagem pessoal, chega em um ambiente com bagagem no nosso caso. Minha percepção é que não existirá muito espaço para que uma pessoa que está chegando, com pouco tempo, em um processo pré-concebido, conseguir fazer reversão”, pontuou. O caso precisa ter uma resolução até o início de novembro, de acordo com o prazo previsto em lei. Nesse cenário, Carvalho insiste em pedir “mais diálogo” com a autoridade antitruste. “Queremos diálogo e que o Cade deixe a empresa evoluindo. Temos sido responsáveis, pagando impostos e mantendo empregos. Somos uma empresa extremamente formal, e tentamos ajudar a organizar o mercado em um ambiente de formalização. Acho que poderíamos ter um diálogo com o Cade buscando uma solução que viabilizasse a aprovação do nosso processo”, concluiu o executivo.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

CoBank: produção de carne nos EUA deve avançar entre 3% e 5% em 2018 e em 2019

A produção de carne bovina nos Estados Unidos deve manter ritmo positivo e avançar entre 3% e 5% em 2018 e em 2019, acompanhando a expansão do rebanho nos últimos dois anos, segundo relatório divulgado na terça-feira, 26, pela cooperativa financeira norte-americana CoBank

O cenário é sustentado pela rentabilidade elevada e os anos de boas condições de pastagens. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a produção de bezerros em 2017 deve ser superior a 36 milhões de cabeças, alta de 2,9% em relação a 2016 e 8,3% acima do ciclo de baixa oferta de 2014. “O crescimento do rebanho que presenciamos entre 2014 e 2017 tem sido o mais agressivo já registrado”, disse Trevor Amen, economista do setor de proteína animal no CoBank. “Os números recentes de abate indicam que a taxa de crescimento está diminuindo, mas excluindo quaisquer interrupções significativas nas exportações ou eventos climáticos, a expansão vai continuar até o fim da década”, disse. O especialista destacou também que o consumo interno deve continuar no centro das atenções. A demanda, que surpreendeu as expectativas em 2017, e as exportações foram apontadas como fundamentais para manter a balança de oferta e demanda equilibrada e dar suporte aos preços, mostrou o relatório. “A exportação está caminhando para subir entre 7% e 9% em 2017 e entre 5% e 7% em 2018”. A capacidade de abate disponível atualmente nos Estados Unidos deve ser suficiente para suportar o crescimento esperado no volume de gado pronto nos próximos dois anos. O tempo de abate aos sábados tem aumentando desde meados de 2016. Entretanto, o documento apontou que é improvável que as empresas reabram unidades fechadas ou construam instalações adicionais.

Dow Jones Newswires

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