Abate kosher muda e exige mais investimentos no Mercosul

Mauro Zafalon

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Boxe giratório que deverá ser implantado nos frigoríficos para o abate kosher a partir de junho de 2018

A partir de junho do próximo ano, o processo de abate kosher mudará.

Esse tipo de abate é feito conforme a lei judaica. É uma exigência de Israel para a importação de carnes.

A mudança vai exigir investimentos dos frigoríficos habilitados para esse tipo de abate, mas também trará novas perspectivas para a carne kosher, segundo Felipe Kleiman, consultor nessa área.

No sistema de abate atual, os animais são imobilizados à força por várias pessoas antes da degola, provocando muito estresse.

A partir de agora, os frigoríficos deverão instalar um boxe rotativo para o abate kosher, buscando reduzir o sofrimento dos animais.

Trata-se de um boxe no qual o animal entra e, acionado um mecanismo giratório, é posto em posição ideal para a degola.

O abate kosher é feito por um rabino que, com uma faca afiada como um bisturi, faz uma incisão precisa, propiciando ao animal menos dor. “O procedimento é rápido e executado com respeito”, diz Kleiman.

O mercado está mudando, e os abates devem seguir as novas tecnologias apropriadas, segundo o consultor.

O Mercosul é o grande fornecedor de carne kosher para Israel, país que importa perto de US$ 400 milhões por ano desse tipo de proteína.

Pelo menos 80% do volume de carne comprada pelos israelenses sai dos frigoríficos do Mercosul.

Kleiman diz que os frigoríficos terão impacto econômico com a instalação desse boxe. Além do custo do equipamento, da exigência de maior espaço nos frigoríficos e de eventuais reformas, os abates serão mais lentos.

Serão abatidos, em média, 60 animais por hora no boxe rotativo, menos que os 80 do sistema convencional.

O mercado está se redesenhando e esse custo vai ser recompensado com uma valorização maior da carne, segundo Kleiman.

Israel abre espaço para carnes mais nobres, e os alimentos kosher têm forte demanda nos Estados Unidos.

Além disso, a Europa, atualmente autossuficiente na produção de carne kosher, não o será no futuro, necessitando de importações.

Com isso, o mercado mundial ficará aberto para os países do Mercosul.

Fonte: Folha de S. Paulo

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