CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 543 DE 27 DE JUNHO DE 2017

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Ano 3 | nº 54327 de junho de 2017

NOTÍCIAS

Falhas na inspeção da carne apontam novo golpe para o setor do Brasil

Número de inspetores do país caiu para 2.600 ante 3.200 em 2002

A indústria de carnes do Brasil não tem fiscais suficientes para garantir que o produto seja seguro, disse um sindicato de inspetores sanitários na segunda-feira, apontando os cortes de verbas do governo como responsáveis pelos problemas sanitários generalizados citados pelos Estados Unidos. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa) reforçou suas antigas críticas sobre os cortes de verbas e falta de equipe após os Estados Unidos suspenderem a compra de carne bovina in natura do Brasil na semana passada, alegando terem encontrado abscessos na carne e indícios de falência sistemática das inspeções. A suspensão, somada à revelação de que a União Europeia encontrou as bactérias E.coli e salmonela na carne bovina e de frango exportadas pelo Brasil, foi o mais recente abalo para um importante setor da economia agrícola do país. O Presidente da Anffa, Maurício Porto, disse em uma entrevista que o número de inspetores do país caiu para 2.600 ante 3.200 em 2002, ainda que o número de unidades processadoras de carne tenha mais que dobrado. Enquanto não é anormal que sindicatos do governo reclamem sobre cortes de orçamento que diminuem suas próprias categorias, o criticismo de inspetores ganhou uma ressonância maior dados os problemas de exportação, que ocorrem após um escândalo envolvendo supostas propinas a auditores que abalou o setor em março. “Isso pode piorar, porque mais da metade dos atuais inspetores tem tempo de trabalho suficiente para se aposentar, e é provável que eles façam isso para conseguirem condições melhores de aposentadoria antes que a reforma da previdência seja aprovada”, disse Porto, referindo-se a uma proposta de reforma que é meta central do governo do Presidente Michel Temer. O Ministério da Agricultura estava ciente das críticas pelo sindicato, disse uma porta-voz, mas não tinha nenhum comentário adicional. O governo brasileiro anunciou em março um corte de 45 por cento no orçamento do Ministério da Agricultura, parte de um plano para reduzir gastos enquanto combate um déficit fiscal que alcançou níveis recordes nos dois últimos anos. O Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, disse na sexta-feira que nenhum dos problemas encontrados representava riscos à saúde de consumidores, acrescentando que alguns dos animais haviam tido reações adversas a vacinas contra a febre aftosa. Ele reconheceu que houve falhas no sistema do Brasil, mas disse que também poderiam haver motivações comerciais para a suspensão. A relação apontada pelo Ministério da Agricultura entre os abscessos e as vacinas foi questionada por alguns especialistas. Vacinas para febre aftosa são as vacinas mais utilizadas em animais ao redor do mundo, disse James Roth, Diretor do Centro de Segurança Alimentar e Saúde Pública da Iowa State University. No Brasil, empresas farmacêuticas como Merck & Co e Bayer Saúde Animal têm autorização para vender vacinas contra a doença, segundo o centro. Roth disse que qualquer injeção em um animal pode produzir um abscesso, se a agulha estiver suja. No entanto, “se abscessos estão aparecendo na carne, deve haver uma falha no abatedouro, porque esses deveriam ser vistos e removidos”, disse ele. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) não teve nenhum comentário imediato sobre se as vacinas da febre aftosa ou cortes orçamentários podem ter contribuído aos problemas com a carne bovina in natura do Brasil. A suspensão dos EUA à carne brasileira ocorre três meses após uma crise generalizada causada pela Operação Carne Fraca, investigação sobre supostas propinas pagas a autoridades sanitárias por processadoras. O sindicato disse que a falta de pessoal também estava contribuindo com casos de corrupção. Embora apenas os Estados Unidos tenham implementado uma suspensão absoluta à carne bovina in natura do Brasil, autoridades no Canadá e na União Europeia disseram na sexta-feira que haviam rejeitado alguns embarques de carne brasileira nos últimos meses.

REUTERS

Mercado do boi gordo em ritmo lento

Poucos foram os ajustes registrados na abertura do mercado da última segunda-feira (26/6). De maneira geral as cotações ficaram estáveis em relação ao fechamento da semana passada

Muitas indústrias ainda aguardavam fora do mercado para traçarem suas estratégias de compra para o restante da semana. Em São Paulo, a referência para a arroba do boi gordo ficou em R$127,50, à vista, livre de Funrural, estabilidade frente ao levantamento da última sexta-feira (23/6). No mercado atacadista, após a queda da referência para a carcaça bovina na última semana, não houve alteração. O boi casado de animais castrados está cotado em R$8,90/kg.

SCOT CONSULTORIA

Exportações de carne bovina in natura podem aumentar em volume em junho

Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em junho, até a quarta semana, o Brasil exportou 78,9 mil toneladas de carne bovina in natura, com faturamento total de US$332,4 milhões no período

A média diária embarcada foi de 4,9 mil toneladas, uma alta de 20,0% em relação a maio deste ano e aumento de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Caso o ritmo das exportações continue, o volume total embarcado pode chegar a 102,9 mil toneladas, uma alta de 6,5% em relação a junho de 2016. Vale destacar que esse ano, somente em janeiro as exportações foram maiores que em igual período de 2016.

SCOT CONSULTORIA

Embargo à carne brasileira pode causar “crise de imagem”; bovinocultura sofre

A suspensão das importações de carne bovina in natura brasileira pelos Estados Unidos anunciada na semana passada pode causar uma “crise de imagem” do produto e a queda na arrecadação com exportações não deverá ser o principal problema resultante do bloqueio, segundo avaliação do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgada na segunda-feira (26)

“Apesar de representarem apenas 2,79% das exportações brasileiras de carne in natura (acumulado de janeiro a maio/17), os envios de proteína bovina para os EUA são envoltos de grande simbolismo, pois representam a entrada da carne brasileira no maior mercado consumidor de carne do mundo e um dos públicos mais exigentes”, avaliaram analistas do Imea em relatório. O Departamento de Agricultura dos EUA anunciou na quinta-feira (22) o embargo à carne bovina in natura brasileira, alguns dias após o Ministério da Agricultura do Brasil (Mapa) ter bloqueado as exportações de cinco frigoríficos brasileiros por abscessos encontrados nas carnes, que seriam reações à vacina contra a febre aftosa. Após o anúncio do embargo, o Mapa informou que vai investigar os motivos da reação à vacina e auditar plantas frigoríficas que exportaram para os EUA, para dar respostas ao governo e aos importadores norte-americanos. O Brasil exporta carne bovina in natura para os EUA desde setembro do ano passado. Segundo o Mapa, de janeiro a maio deste ano, o país exportou 11 mil toneladas aos EUA, o equivalente a US$ 49 milhões em receita. Queda do boi gordo. O contrato futuro do boi gordo para outubro de 2017 atingiu o menor valor desde que começou a ser negociado na semana passada, segundo o Imea, enquanto os produtores enfrentam um momento difícil diante das notícias envolvendo o segmento de carnes brasileiras. O valor do contrato caiu 4,38% na semana passada, fechando a R$ 120,79 por arroba, segundo o Imea.

CARNETEC

Preço futuro do boi deve sentir mais o efeito Estados Unidos, avalia Scot

A suspensão das importações de carne bovina in natura do Brasil, anunciada nesta semana pelo governo dos Estados Unidos, deve ter mais efeito sobre os preços futuros do que no mercado físico de boi gordo no Brasil. É em que acredita Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria

Nos dias que antecederam a sanção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o mercado futuro de boi gordo na B3, a bolsa brasileira, acumulou forte baixa. De 16 a 21 de junho, a cotação para outubro de 2017 passou de R$126,21 para R$119,50, queda de 5,31% no período. Alcides Torres avalia que esse movimento esteve ligado a dois motivos. O primeiro foi a interrupção das vendas de ativos da JBS para o Minerva em países do Mercosul. O segundo, a suspensão preventiva de cinco dos 31 frigoríficos habilitados a exportar para o mercado norte-americano, feita pelo Ministério da Agricultura. Na quinta-feira (22/6), dia do comunicado do USDA, o mercado futuro de boi voltou a subir. O contrato com vencimento em outubro de 2017 retomou o nível de R$123,00 por arroba. Esta sexta-feira (23/6) foi outro dia de baixa, com a arroba valendo R$121,04 para daqui três meses. “O mercado físico tem passado incólume. A bolsa deve reagir. Se for mantido o atual quadro, passar pelo menos um mês sem nenhuma surpresa, o mercado futuro reage”, acredita Alcides, sem ignorar o cenário de incerteza que vem atingindo a pecuária brasileira nos últimos meses. O consultor chama a atenção para o fato de que os níveis atuais de preço não favorecem o confinamento de gado. Alcides Torres avalia que a situação “deixa de fora” dos cochos um volume entre 1,5 milhão e 2 milhões de cabeças. A expectativa dele é de 3 milhões de animais confinados.

GLOBO RURAL

Fiscalização contra febre aftosa é intensificada em Roraima O Ministério da Agricultura começou hoje uma fiscalização intensa contra a febre aftosa em Pacaraima, cidade brasileira que faz fronteira com a Venezuela, divulgou o portal G1

A ação foi determinada por Brasília após um foco de contaminação ser identificado na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, a 1,2 mil quilômetros de Roraima. “Todo carro que passar pela fronteira será inspecionado. Qualquer produto de origem animal vindo da Venezuela será apreendido e destruído”, afirmou o Superintendente Federal de Agricultura, Plácido Alves, à reportagem. Conforme o Superintendente, o caso de aftosa foi confirmado na cidade de Tame, na Colômbia. Apesar da distância com Roraima, o risco de contaminação do rebanho do estado é real. “São 1,2 mil quilômetros do foco até Roraima e 600 quilômetros até o Estado do Amazonas. Só que o trecho de 1,2 mil é trafegável, existe um trânsito muito grande de carros e pessoas, e os 600 do Amazonas têm barreiras naturais, floresta, mata, têm água, então é mais difícil chegar lá”, explicou. Por um período indeterminado, todos os carros que cruzarem a fronteira da Venezuela com o Brasil serão rigorosamente fiscalizados por agentes do ministério. “Pedimos o apoio e compreensão da população. Serão causados transtornos, mas é necessário garantir a sanidade do nosso rebanho e das pessoas. Estamos falando de aftosa que é uma doença que chega ao ser humano. Além dos prejuízos econômicos existem riscos à saúde pública”, disse. Além do reforço das inspeções com fiscais do ministério, agentes da Agência de Defesa (Aderr) também irão participar da ação de fiscalização no posto fixo e em rotas alternativas usadas para o transporte de produtos suspeitos.

VALOR ECONÔMICO

Em defesa de uma nova ‘plataforma’

Num mundo em que vários países têm procurado sedimentar as bases de plataformas específicas para o fortalecimento de suas economias, é hora de o Brasil adotar estratégia semelhante e aproveitar melhor as vantagens comparativas e competitivas de seu agronegócio

Mas para caminhar nessa direção, valorizar o setor como seu principal alicerce e estabelecer uma plataforma de segurança alimentar de alcance global, o país ainda tem muitos desafios pela frente, sobretudo no que se refere à proteção da renda de agricultores e pecuaristas, especialmente os de pequeno porte, e à defesa sanitária da produção, novamente em xeque após a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março. É o que pensa Roberto Rodrigues, que, aos 75 anos, é a liderança do setor mais respeitada. Engenheiro agrônomo formado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), empresário, ex­-presidente de entidades como Sociedade Rural Brasileira (SRB), Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Aliança Cooperativa Internacional (ACI), ex­-Secretário da Agricultura de São Paulo (entre 1993 e 1994) e ex-­ministro da Agricultura (de 2003 a 2006), Rodrigues não perde o pique. E hoje como coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e embaixador especial da FAO Agência para o Cooperativismo, mais uma vez renova suas propostas, que nas últimas décadas têm sido vitais para encurtar a distância entre o “Brasil urbano” e o “Brasil rural”. “O Brasil é um só, e precisa definir sua plataforma, como já o fizeram países que puseram o foco no setor industrial, no turismo ou nas exportações ­caso da China. E essa plataforma é a segurança alimentar. É nessa frente que o país é capaz de acelerar a geração de riqueza, investimentos e empregos, com reflexos importantes tanto ‘antes da porteira’ como ‘depois da porteira’. Temos toda uma tecnologia tropical sustentável desenvolvida, em grande medida pela Embrapa, mas não podemos parar ­ e temos gente capaz de dar continuidade a esse trabalho. E temos toda uma indústria de transformação, por exemplo, que pode se beneficiar dessa estratégia. Há condições para que tenhamos garantia de abastecimento interno, com qualidade, preço e renda, e para ampliarmos nossa posição como player mundial relevante”, observa. Em defesa da renda dos produtores, Rodrigues continua a defender um modelo de seguro rural ‘digno desse nome’, mais amplo e menos dependente de recursos do orçamento federal ­ sempre sujeito a contingenciamentos ­, e também em novos títulos do agronegócio para ampliar o volume de recursos privados à disposição. “Mas isso não depende apenas do governo. Para terem mais garantia de renda, os produtores, principalmente os de pequeno porte, que estão cada vez mais apertados, têm que ser organizar. E as cooperativas são o melhor caminho, como comprovam os grupos vencedores estabelecidos no Sul e em outras regiões do país”, diz o ex­-ministro. O avanço do cooperativismo, afirma Roberto Rodrigues, faz parte de um processo educacional e cultural. “Me lembro da época da queda do Muro de Berlim, quando as cooperativas do Leste Europeu, que eram estatais, passaram a ser encaradas como agentes de corrupção. Países como Hungria e Polônia queriam acabar com elas [a Hungria chegou a devolver as terras aos proprietários pré-­regime comunista], mas depois entenderam, com a ajuda da ACI [Aliança Cooperativa Internacional], que a corrupção era um mal causado pelas pessoas, não pelas cooperativas. E que, na verdade, o cooperativismo era o melhor caminho para a reconstrução das atividades rurais”. A crise da JBS, continua Rodrigues, volta a chamar a atenção para a necessidade de um melhor equilíbrio de forças no campo. Com os problemas derivados da delação premiada dos irmãos Batista, a empresa, que lidera os abates de bovinos no país ­ é responsável por mais da metade dos abates em Mato Grosso ­, diminuiu o ritmo de suas atividades e ampliou prazos de pagamento, colaborando para uma forte queda de preços dos animais, o que deixou muitos pecuaristas em dificuldades. “Num momento como este, quem está organizado em uma cooperativa sofre menos”, diz ele. Para atender às expectativas globais de ser cada vez importante também para a segurança alimentar externa, o Brasil precisa, segundo Rodrigues, estabelecer uma logística de fato articulada entre os diferentes modais. E, para isso, tem de estimular parcerias público­privadas para ampliar aportes em hidrovias e ferrovias. Puxado por grandes tradings nacionais e estrangeiras, esse movimento já vem sendo responsável pela expansão da infraestrutura necessária para o escoamento da produção de grãos no chamado Arco Norte, mas, segundo ele, é preciso acelerá-­lo. “Para que a economia mundial cresça 20% em dez anos, estima-­se que o Brasil tenha de elevar sua oferta de alimentos em 40%. Para fechar a equação, entretanto, é preciso levar em conta outros dois fatores: o primeiro é que, além de investir logística, o país tem de desenvolver um bom programa de acordos comerciais, com a consolidação de mercados antigos e abertura de novos. Nesse contexto, tem de negociar a redução de picos tarifários em alguns mercados e, necessariamente, tem de garantir a sustentabilidade de sua produção. E não só ambiental, ainda que não possa haver qualquer brecha nessa frente. Precisamos eliminar um calcanhar ­de ­Aquiles que voltou a dar dor de cabeça, que é o nosso sistema de defesa agropecuária”, afirma ele. Por mais que tenham sido focadas em casos de corrupção entre fiscais agropecuários e funcionários de frigoríficos, as investigações no âmbito da Carne Fraca geraram incertezas quanto à qualidade e expuseram fragilidades no sistema brasileiro de defesa, que em um primeiro momento resultaram em barreiras de dezenas de importadores às carnes brasileiras ­ eliminadas nas semanas posteriores ­, mas que, na semana passada, geraram duras críticas da União Europeia e veto à carne bovina in natura do país nos EUA. “A Operação Carne Fraca mostrou que ainda há falhas, e deixou claro que é impossível o governo fiscalizar todas as empresas de alimentos de todo o país de maneira eficiente. Quando fui ministro, defendi a criação de uma Agência de Defesa Sanitária, por meio da qual o governo exponha uma posição clara sobre as regras, mas terceirize o processo e fiscalize sua execução. O que mais preocupa atualmente é que quem faz tudo certo é fiscalizado com rigor ­ até porque é mais fácil ­, mas quem está devendo muitas vezes não é punido. E os importadores sempre vão aproveitar para tirar vantagem dos problemas que forem identificados”, conclui Rodrigues.

VALOR ECONÔMICO

270 frigoríficos exportadores não têm auditoria

Anffa Sindical diz que embargo dos Estados Unidos à carne brasileira é culpa do Mapa

Há 270 frigoríficos que atuam no mercado externo e não têm nenhum auditor federal agropecuário (Affa) fiscalizando diariamente suas atividades. A denúncia é do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), segundo o qual o embargo dos Estados Unidos à carne brasileira é culpa do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com a entidade, a suspensão das importações de carne in natura, anunciado na última semana, é resultado da “falta de atitude do Ministério em tomar medidas já conhecidas para solucionar problemas na fiscalização, como a falta de pessoal e o fim das indicações políticas para cargos eminentemente técnicos”. O Anffa lembra que o mercado agropecuário brasileiro cresceu mais de 200% nos últimos 20 anos, enquanto o quadro de servidores responsáveis pela fiscalização caiu mais de 35%. No último dia 9 de Junho, o sindicato protocolou ofício solicitando a realização de concurso público para contratação de 1.600 Affas. “Estamos trabalhando com déficit de quase 40% dos servidores. Há Affas que passam mais de uma semana fora de sua cidade, viajando, para não deixar frigorífico sem fiscalização. Os auditores estão comprometidos com a saúde da população e com a economia brasileira”, afirma o Presidente do Anffa Sindical, Maurício Porto. Além da defasagem na fiscalização, o sindicato aponta a indicação política para cargos eminentemente técnicos, especialmente em cargos de chefia. Explica que está em vigor decreto que os superintendentes regionais do Mapa só poderiam ser servidores com curso superior completo e estágio probatório concluído. Hoje, 16 superintendentes não preenchem esses requisitos, e o ministério afirma que só cumprirá o decreto para as novas nomeações, mantendo os 16 nos cargos. “Para nós, esses são requisitos mínimos, porque defendemos o critério de que a escolha leve em consideração, além dessas exigências, uma prova de títulos e a apresentação de um plano de trabalho”, argumenta Porto.

AGROLINK

EMPRESAS

BNDES pretende ‘profissionalizar’ comando da JBS

Segundo principal acionista da JBS, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reforçou ontem a intenção de “profissionalizar” a gestão da companhia, o que pode implicar na saída de Wesley Batista do conselho de administração da JBS e do cargo de CEO da companhia

Durante evento na capital paulista, o Presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, ressaltou que a BNDESPar, braço de participações em empresas do banco que detém 21,3% das ações da JBS, pretende “exercer o direito de saber depois da notória delação o que a empresa tem feito para manter os negócios de pé” e avaliar “possíveis prejuízos [causados] pelos administradores”. Na semana passada, a BNDESPar enviou carta à JBS pedindo uma assembleia extraordinária de acionistas para avaliar os impactos negativos na JBS das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A J&F, holding dos Batista, possui 42,3% do capital da JBS por meio da FB Participações S.A. Segundo Rabello de Castro, o ideal é que no longo prazo a companhia esteja “completamente profissionalizada” e que, se ela está passando dificuldades em função da situação de seus administradores, há “mais uma razão para que a composição seja revista”. Entre os executivos da J&F Investimentos que fecharam acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF), apenas Wesley Batista permanece na JBS. Então presidente do conselho de administração, Joesley Batista se afastou da função. Outro delator, Francisco de Assis e Silva renunciou na semana passada ao cargo de diretor de relações institucionais da JBS. No evento, o presidente do BNDES também indicou que o banco estatal está articulado com outros acionistas em seu movimento. Segundo ele, um bloco “minoritário ativo”, do qual o banco faz parte, possui aproximadamente 40% dos papéis da empresa, uma fatia próxima à detida pela J&F. Embora Rabello de Castro não tenha detalhado quais são os investidores privados que compõem o grupo de acionistas, o Presidente do BNDES disse que a Caixa Econômica Federal, que têm 4,3% das ações da JBS, faz parte do grupo. Em meio ao movimento dos minoritários ativos, Rabello de Castro também fez questão de elogiar Wesley Batista. De acordo com ele, o presidente da JBS “é provavelmente um dos gestores mais habilitados e bem-sucedidos que temos dentro do Brasil”. Rabello ainda negou qualquer objetivo de promover uma perseguição política com a convocação da assembleia e disse que o interesse é “manter o valor da companhia” e preservar os 250 mil empregos.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

EUA: em maio, foram alojados 11,1 milhões de cabeças em confinamento

O número de bovinos confinados nos Estados Unidos para estabelecimentos de engorda com capacidade de 1.000 ou mais cabeças totalizou 11,1 milhões de cabeças em primeiro de junho de 2017, 3% a mais que em 2016, de acordo com o Serviço Nacional de Estatísticas Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (NASS/USDA)

As colocações de animais em confinamento durante maio foram de 2,12 milhões de cabeças, 12% a mais que no mesmo período do ano anterior.  As colocações líquidas foram de 2,05 milhões de cabeças. A comercialização de boi gordo em abril totalizou 1,95 milhão de cabeças, 9% a mais que em 2016. Outras saídas totalizaram 70.000 em maio, 5% a menos que em 2016.

USDA

Novo esquema de distribuição da cota Hilton na Argentina

Com a publicação do Decreto nº 444/17 no Diário Oficial, ficou clara a forma de distribuição da cota Hilton na Argentina segundo o critério do novo governo. Será outorgado a cada grupo de empresa e de produtor o mesmo volume embarcado no último ano, com até 10% a mais. Haverá também um volume destinado às novas instalações

Este Decreto, que entrou vigor no sábado, devolveu a responsabilidade exclusiva de gestão da cota Hilton ao Ministério da Agro Indústria. Também se derrogou o decreto de 2009 estipulando como deve ser distribuída a cota Hilton, que foi sucessivamente prorrogado e tinha validade até o próximo ciclo da cota Hilton (2017-2018). Falta publicar a resolução de atribuição de cotas Hilton para este ano. De acordo com informações muito confiáveis, o governo estabeleceria um ano de transição, pelo menos, entre o critério em vigor durante os últimos 7 anos e o que deverá ser estabelecido no futuro. Assim, seria outorgado a cada grupo de empresa e grupo de produtores o mesmo volume embarcado, por cada um, no último ano, com até 10% a mais, caso for solicitado por eles. Além disso, um mínimo para as novas instalações seriam alocados: 300 toneladas para ciclo completo e ciclo I, e 200 toneladas para ciclo II. O saldo, que pode variar de 3 a 5 mil toneladas, estaria disponível para empresas habilitadas, à medida que vão esgotando a distribuição original.

El País Digital

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