CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 518 DE 22 DE MAIO DE 2017

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Ano 3 | nº 51822 de maio de 2017

NOTÍCIAS

Funrural: Meirelles acelera a pauta e deve anunciar a MP nesta segunda

Em meio à crise, Meirelles acelera conclusão de medidas econômicas — Para tentar mostrar que não ficou paralisada por conta da turbulência que atingiu o governo, Fazenda acerta tramitação de medidas que já estão no Congresso, como o projeto que parcela dívidas de empresas e o que muda o Funrural

Na contramão da crise política ainda sem desfecho, o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, acelerou a conclusão de medidas que já vinham sendo negociadas nas últimas semanas, como os parcelamentos de dívidas de produtores rurais e de empresas. A equipe econômica busca mostrar que não está refém dos últimos acontecimentos, que culminaram na abertura de inquérito para investigar o Presidente Michel Temer por organização criminosa, corrupção passiva e obstrução à Justiça. A área econômica fechou acordo com lideranças políticas para a edição de duas MPs que permitirão o parcelamento de dívidas de produtores rurais com o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) e de empresas com autarquias, fundações e órgãos de governo. Ambos os Refis preveem descontos em multas e juros. A notícia surpreendeu até mesmo o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e que estava à frente da negociação sobre o Funrural. Leitão disse que o motor das discussões estava “desligado” e esperava apenas para segunda-feira uma reunião sobre o tema. A nova Medida Provisória (MP) deverá ser publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira. A partir daí segue para tramitação na Câmara dos Deputados, quando receberá novas emendas. Meirelles tomou café da manhã no sábado com o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e acertou um acordo para votar o Programa de Regularização Tributária (PRT) na próxima semana. Após de os parlamentares terem desfigurado o texto original, criando um Refis com descontos generosos nas dívidas das empresas, a área econômica concordou em abater juros, multas e encargos para que empresas possam quitar débitos com a União, segundo uma fonte do governo. A alteração costurada entre Meirelles e Maia evita os prejuízos que o Fisco teria com a proposta aprovada na comissão especial que analisou o PRT. Inicialmente, a equipe econômica trabalhava com a possibilidade de deixar a medida provisória do programa caducar, para então enviar novo texto ao Congresso. Para a nova estratégia funcionar, porém, será preciso votar a MP até 1.º de junho. A equipe econômica também discutiu o encaminhamento na segunda-feira do relatório de avaliação de receitas e despesas, que aponta o tamanho do corte que será preciso fazer no orçamento para cumprir a meta fiscal, de déficit de R$ 139 bilhões. “Estamos mirando para que fique zero a zero, sem aumento do corte ou liberação”, informou uma fonte do governo. Ainda há, no entanto, risco de um pequeno aumento do corte, mesmo com a receita adicional de R$ 1 bilhão da venda das hidrelétricas da Cemig. As reformas da Previdência e trabalhista, no entanto, devem continuar paradas no Congresso Nacional, admitem técnicos do governo. Elas não são as únicas medidas econômicas impactadas no Congresso Nacional. A votação do projeto que acaba com a guerra fiscal entre os Estados ao prever o fim de incentivos fiscais está marcada para a próxima terça-feira (23), mas os governadores duvidam que os deputados de fato analisem a matéria nesse dia. As principais pendências da área econômica: Parcelamento de Estados e municípios. Governo editou Medida Provisória para parcelar R$ 90 bilhões em débitos de governos estaduais e municipais com o INSS, mas texto precisa ser votado pelo Congresso Nacional. MP do Refis. Texto foi desfigurado pelo Congresso, anulando a expectativa de arrecadação de R$ 8 bilhões. Governo acertou mudanças para tentar votar o texto na semana que vem, antes do prazo final para a MP perder a validade. Recuperação dos Estados. Texto foi sancionado ontem por Temer. Presidente da República precisa homologar os planos de recuperação, que concedem os benefícios aos Estados em crise. Guerra fiscal. Projeto que acaba com os incentivos fiscais de Estados concedidos fora do âmbito do Confaz seria votado na próxima terça-feira, mas governadores já dão o atraso como certo.

O Estado de S.Paulo

Mercado do boi gordo especulado e com muita incerteza

As delações da semana que passou não refletiram somente no cenário político do país. Incerteza e especulação cresceram no mercado do boi gordo

A sexta-feira (19/5), que normalmente é mais parada do que os demais dias da semana para os negócios entre pecuaristas e frigoríficos, ficou ainda mais devagar. Em algumas praças, como Norte do Tocantins e Goiânia-GO, por exemplo, a maior parte dos frigoríficos ficou fora das compras. Escalas confortáveis dão aos compradores a possibilidade de aguardarem o mercado responder mais claramente aos acontecimentos recentes. Quem seguiu no mercado testou preços menores. Em São Paulo também havia uma quantidade considerável de indústrias sem negociar. A pressão de baixa existiu. As escalas de abate cresceram e o consumo não evoluiu, aliás, o prognóstico para o final de mês não é dos melhores para a venda de carne, e tudo isso permite às indústrias testarem o mercado. Isso cria dificuldade para estabelecer referências fiéis ao mercado em grande parte das regiões. No mercado atacadista de carne bovina, preços estáveis, apesar do escoamento ruim. As margens das indústrias estão em patamares historicamente elevados.

SCOT CONSULTORIA

Acrimat cobra intervenção do Mato Grosso

Entidade que representa bovinocultura de corte, em Mato Grosso, quer alternativas à atividade, bem como para manutenção da livre concorrência

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) apresentou duas propostas ao governo do Estado como forma de garantir a legitimidade do mercado pecuário, ameaçado após a Operação Carne Fraca e agora com o escândalo político envolvendo a maior indústria de carne bovina brasileira. São elas a isenção do ICMS para comercialização de gado para outros estados e celeridade no processo de adesão de Mato Grosso ao Sistema de Fiscalização do governo federal. A isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) para o gado em pé, como é chamada a taxação para venda de animais ao abate em outros estados, daria ao produtor mato-grossense a oportunidade de vender seus animais à vista, direito que vem sendo violado por imposição das indústrias frigoríficas, como o DIÁRIO noticiou na edição do último dia 18, com novo posicionamento de mercado da JBS, que passou a comprar gado apenas para pagamento com prazo de 30 dias, abolindo a prática de compra à vista. Atualmente, o pecuarista que abate animais em indústrias de outros estados paga 7% de ICMS, que somado ao custo do frete, inviabiliza a comercialização. “Há anos os pecuaristas mato-grossenses vêm sendo penalizados pela concentração da indústria frigorífica no Estado. Se antes não havia opção de empresas para vender, agora o produtor não tem a oportunidade de receber à vista, o que é essencial para a segurança do produtor”, afirma o Vice-Presidente da Acrimat, Luís Fernando Conte. A falta de opção de empresas é uma realidade que atinge Mato Grosso há quase 10 anos, quando a concentração da indústria frigorífica se intensificou. Com isso, 70% dos abates no Estado atualmente são realizados por apenas quatro grupos. Além disso, alguns desses grupos restringiram as compras de animais com pagamento a prazo. Outra proposta apresentada pela Acrimat para o segmento no Estado seria acelerar a adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), que faz parte do Sistema Unificado de Atenção a Sanidade Agropecuária (SUASA). Este modelo federal padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal para garantir a inocuidade e segurança alimentar. Quando finalizar a adesão SISBI-POA, todos os frigoríficos com inspeção estadual estarão de acordo o padrão federal e poderão ampliar suas vendas. “Com Sisbi, os frigoríficos de pequeno e médio porte poderão vender para mais regiões, aumentando a demanda e com isso a concorrência no setor e o consumidor ainda terá maior segurança ao adquirir a carne de Mato Grosso. Todos os setores sairiam fortalecidos com isso”, defende Marco Túlio Duarte Soares, Presidente da Acrimat. Com a adesão ao SISBI-POA, as indústrias com certificados para venda estadual e municipal passam a seguir o padrão federal e conseguirão comercializar com outros estados da Federação. As duas propostas foram apresentadas, por meio de ofícios, aos órgãos responsáveis, como Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), Instituto de Defesa de Agropecuária de Mato Grosso (Indea/MT) e gabinete do Governador.

DIÁRIO DE CUIABÁ

Turbulência política deve adiar retomada de consumo

De acordo com analista da Informa FNP, crise após delação da JBS compromete as expectativas de crescimento econômico do País

A delação dos proprietários da JBS segue causando danos a diversos setores da economia brasileira. De acordo com levantamento da Informa FNP, o mercado de boi gordo, que já vinha com baixa movimentação, segue estagnado. “Quase não foram fechados negócios em dois dias. Tanto a indústria quanto os produtores estão receosos”, destaca o analista de pecuária da consultoria, José Vicente Ferraz. Embora o momento atual seja conturbado, o analista afirma que a paradeira não deve se manter por mais de uma semana. No entanto, ele acredita que a turbulência política causada pelas denúncias comprometeu as previsões de um possível crescimento econômico do País e, consequentemente, a retomada do consumo interno de carne bovina. “O mercado não deve ficar parado por muito tempo, afinal as pessoas precisam se alimentar. O grande problema é saber como o País será conduzido. Muitos levantamentos apontavam que a economia voltaria a crescer em 2018, mas, agora será muito difícil que isso aconteça. O desemprego deve continuar alto, mantendo o consumo em baixa”. Outro impacto das denúncias, as oscilações cambiais, também podem prejudicar a situação econômica do Brasil. Um dia após a divulgação da delação o dólar teve sua maior alta diária dos últimos 18 anos ao subiu 8,15%, para R$ 3,40. Já na manhã seguinte (hoje) a moeda norte-americana sentiu os efeitos da intervenção do Banco Central e está cotada a R$ 3,26. “O dólar alto ajuda nas exportações, mas mudanças tão severas de um dia para o outro causam um imenso impacto negativo na economia interna. Vale lembrar que apenas 20% da carne que produzimos é vendida para o exterior”, explica. Mesmo com o escândalo estourando pouco tempo após a operação Carne Fraca, em que a JBS também foi citada, o analista acredita que isso não prejudicará a imagem da empresa, nem do Brasil, no mercado externo. “A Carne Fraca questionava o sistema de processamento de carne, o que coloca em risco a vida das pessoas. Agora o que vemos é uma denúncia de corrupção dos gestores de uma empresa. Nesse caso, temos que separar a conduta da pessoa física da pessoa jurídica. Se a JBS continuar entregando produtos de qualidade, deve manter participação no mercado”. Sem a sustentação do consumo interno, os preços do boi gordo devem seguir em baixa, afetando toda a cadeira produtiva da pecuária. Esse movimento também deve se repetir nas demais áreas da economia brasileira, pressionando a renúncia do atual governo. “O cenário é muito parecido com o do ano passado, que ocasionou o impedimento da ex-presidente Dilma. O governo perdeu a sua credibilidade. Somente uma mudança será capaz de reverter a situação e trazer o otimismo de volta”, concluiu José Vicente Ferraz.

Portal DBO

Pecuaristas não querem vender gado pra JBS

Em algumas regiões, criadores cancelaram vendas de gado aos frigoríficos de Joesley Batista e passaram a negociar com outras empresas. Negociações entre pecuaristas e frigoríficos devem ser retomadas só na terça-feira, após “boicote” ao JBS

O escândalo gerado pelas delações dos empresários Joesley Batista e Wesley Batista, proprietários da JBS, companhia que possui no Brasil 36 unidades de abate de bovinos, gerou um clima de apreensão e especulação entre os pecuaristas. Muitos se negaram a fechar novos negócios com a empresa ou simplesmente não entregaram, nesta semana o gado, que já havia sido vendido antecipadamente, com o objetivo de vender para outros frigoríficos. Especialistas do setor aconselham o criador, neste momento, a ter cautela. Na sexta-feira (19/5), em todas as praças brasileiras, as vendas estavam mais lentas que o usual. A sexta-feira, segundo o consultor Alcides Torres, da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), é um dia em que as negociações, tradicionalmente já são mais paradas e, hoje, elas ficaram “praticamente paradas”. “Em algumas praças, como Norte do Tocantins e Goiânia, por exemplo, a maior parte dos frigoríficos ficou fora das compras”, disse Torres. “Escalas confortáveis estão dando aos compradores a possibilidade de aguardarem o mercado responder mais claramente aos recentes acontecimentos. Quem seguiu no mercado, testou preços menores”. As vendas de gado para os frigoríficos da JBS começaram a diminuir na quinta-feira pela manhã. Na noite anterior, o jornal O Globo divulgou com exclusividade que Joesley e Wesley Batista estavam envolvidos em um esquema de delação premiada que envolvia o Presidente da República Michel Temer, o presidente do PSDB, Aécio Neves, e outros políticos. A denúncia ainda levou ao conhecimento público vídeos e áudios que teriam sido feitos pelo empresário durante o pagamento de propina e encontros com o presidente. Receio de vender Grande parte dos pecuaristas brasileiros estão receosos em vender gado para as unidades da JBS, com medo de sofrer calote. Pecuaristas afirmaram à GLOBO RURAL que estão evitando fechar novos negócios com frigoríficos da empresa e muitos afirmaram que não entregaram os bois negociados antecipadamente. A JBS tem 36 unidades de abates espalhadas pelo Brasil, com capacidade de abater 45 mil cabeças de gado por dia. No ano passado, de acordo com relatório da empresa, foram abatidos 2,2 milhões de cabeças durante o ano e, desse volume, 15% vem de “boi a termo”, tipo de negociação antecipada. Na região do Pantanal (MS), segundo o pecuarista A.H, a classe está ‘dividida’. “Muitos estão tirando bois da escala e há aqueles, uns poucos, que acreditam que eles [a JBS] continuem pagando. Eu tirei o meu gado que estava escalado para eles”, declarou o criador. “Fiz frigoríficos pequenos”, disse ele. “Estamos mortos”.  O medo disseminado pelas redes sociais e pelos aplicativos de mensagens instantâneas no smartphone – reflete no fato de a JBS concentrar frigoríficos em todo o país. Uma das estratégias da empresa, ao longo dos anos, foi comprar empresas do setor, deixando poucas opções de negociação para quem quer vender. “É uma concentração dos frigoríficos deles em todas as regiões”, disse. Atílio Gusson, Diretor Geral do frigorífico Mercúrio, que tem duas unidades de abate no Pará (Xinguara e Castanhal) diz que na região, há quatro frigoríficos JBS e, desde quinta-feira, os criadores de gado da região também estão receosos em vender gado para eles, assim como no Pantanal. “Eles [vendedores] estão com medo de vender gado para as empresas deles [da JBS] e nos procuraram”, contou. “Só que, por precaução, nós não embarcamos nada”. O executivo diz que o Mercúrio ficou fora das compras nesta sexta-feira e só vai retoma-las na próxima terça-feira (23/5). “O mercado está cauteloso com os últimos acontecimentos e precisamos aguardar”. O receio da parte de quem compra é que, com a maior oferta no mercado, os preços caiam, o que já vem acontecendo desde março deste ano, quando foi deflagrada pela Polícia Federal a Operação Carne Fraca. “Por outro lado, sem os abates da JBS, o mercado consumidor vai sentir a falta de carne e a demanda pode aumentar”, disse. “Mas o que temos que fazer agora é esperar, tentar enxergar o mercado com mais clareza e estabilidade e acompanhar o comportamento do dólar”, afirmou. De acordo Alcides Torres, também em São Paulo, uma quantidade considerável de indústrias também não negociou gado nesta sexta-feira. “A pressão de baixa existe”, reforçou. “Não há terrorismo no mercado”. Para analistas de economia, apesar da gravidade das denúncias que envolvem as empresas da holding J&F, dona da JBS, a companhia tem “conforto” para honrar seus pagamentos a fornecedores em um curto prazo, principalmente porque a maior receita da companhia vem do exterior. A JBS atua em pelo em pelo menos 56 países.

GLOBO RURAL

EMPRESAS

JBS pagou US$ 220 milhões em propinas ligadas a operações com o BNDES

­ A JBS calcula que pagou cerca de US$ 220 milhões de propina relacionada às operações com Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e fundos de pensão, segundo um dos depoimentos em que o Presidente da empresa Joesley Batista prestou à Procuradoria Geral da República (PGR) dentro da delação premiada dos executivos do grupo J&F

Desse total, um terço foi para um empresário amigo de Mantega e outros dois terços foram acumulados e se transformaram, em 2014, nas doações da empresa ao PT e aliados. Apesar de relacionar esse pagamento aos empréstimos e aos aportes de capital que o banco fez na empresa, Joesley afirmou que sua vida “nunca foi fácil na instituição” e isentou o ex­-presidente do banco, Luciano Coutinho, e todo corpo técnico e dirigente da instituição de qualquer ato ilícito ou pedido de propina. Seu contato, explicou, sempre passou pelo ex-­ministro da Fazenda Guido Mantega. A proximidade entre eles começou quando Mantega estava no Planejamento, se aprofundou na sua gestão como presidente do BNDES e continuou quando Mantega assumiu o Ministério da Fazenda. Na narrativa de Batista, cerca de dois terços desse valor (US$ 150 milhões) são usados para irrigar duas contas no exterior abertas como se fossem créditos para os ex-­presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As off shores, afirma, nunca estiveram nos nomes deles. As contas sempre estiveram sob domínio da JBS e o valor foi usado na campanha de 2014 — para a chapa Dilma­Temer como para aliados (PMDB e outros partidos) e campanhas estaduais. O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, por exemplo, recebeu pelo menos R$ 30 milhões. Esse valor especificamente foi pago através da compra real de uma participação de 3% no estádio do Mineirão. Batista apresentou como prova o contrato dessa compra, feito com a empresa HAP Engenharia, bem como os recibos de transferência do recurso. A história contada por Joesley traz à cena um personagem pouco conhecido. Segundo ele, nos primeiros anos do governo do PT, ele conheceu Victor Sandri, que se apresentou como amigo do ministro Guido Mantega (então no Planejamento), com quem teria “intimidade”. O executivo da JBS descreve Sandri como um empresário do setor imobiliário, que também manteve durante um tempo uma distribuidora de cimento. É para Sandri que Batista pagava 4% do valor de todas as operações feitas com o banco entre 2005 e 2009. Ele lista três: a compra da Swift Armour argentina (US$ 80 milhões, o primeiro empréstimo liberado pelo BNDES, que “foi mais caro que o normal”), a primeira entrada do BNDES como sócio (em torno de US$ 500 milhões, em 2007) e a segunda participação (US$ 1 bilhão, sendo US$ 500 milhões do banco e US$ 500 milhões dos fundos Petros e Funcef, todos reunidos no fundo Proti). “Paguei 4% do valor de cada operação para o Vic, o que deu cerca de US$ 60 milhões, US$ 70 milhões, tudo no exterior. Ele dizia que era metade para ele e metade para o Guido, mas nunca falei com ele [Guido] sobre isso”, disse o empresário. Mantega foi presidente do BNDES de novembro de 2004 a março de 2006, quando é substituído por Demian Fiocca (indicado por Mantega), que fica até maio de 2007, quando assume Luciano Coutinho. “Minha relação sempre foi com o Guido. Primeiro, até 2009 ela passava pelo Vic. Até lá, toda vez que eu precisava falar com o Mantega, acionava o Vic. Não sei como funcionava com o Guido e o banco. Acho que ele [Guido] pressionava o Luciano, que sempre foi muito formal comigo”, contou o empresário. Ele relata, inclusive, uma ocasião quando Mantega teria uma reunião com Coutinho e esse ficou contrariado quando percebeu que Joesley estava presente. Mais tarde, perguntado, disse que nunca soube de nenhum ilícito de Luciano Coutinho e de nenhum funcionário do banco. Em 2009, conta Batista, ele se afastou de Victor Sandri e passou a falar diretamente com Mantega. No segundo ou terceiro encontro “direto” com o já ministro da Fazenda, ele abordou os repasses, sem falar em percentual. “É um problema porque você nunca sabe o que o intermediário diz, se ele contava mesmo de quanto era o total fixo, e eu não queria confusão”, disse Joesley. “Aí na primeira oportunidade que falei, ele me disse: “Eu não quero que você mande o dinheiro para conta nenhuma. Quando eu precisar eu te falo. Vamos vendo caso a caso, quando for importante para você, você credita lá para mim o que você acha que vale”, relatou o empresário, contando o que teria ouvido de Mantega. Na sequência, Batista relata que ainda na era Lula essa conta aberta acumulou cerca de US$ 70 milhões. Depois, entre 2011 e 2014, outros US$ 80 milhões foram creditados em uma conta para Dilma, mas nunca aberta em nome da ex-presidente. Mantega, disse ele, lhe orientou para manter as duas contas separadas. Nesse período, a propina relacionada ao empréstimo de R$ 2 bilhões para a construção da Eldorado Celulose abasteceu a conta aberta para a presidente Dilma. “Nunca me aprofundei se isso era do presidente Lula, se era do governo Lula”, disse o empresário. Ele conta que em diversas ocasiões levou a Mantega os extratos das duas contas. Ao longo desses anos, Mantega pediu uma vez que ele investisse R$ 5 milhões na Pedala Equipamentos (uma empresa que depois quebrou) e outros R$ 20 milhões que acabaram voltando para a JBS (mas ele não explica essa volta). Na prática, só em 2014, Mantega começa a usar esse dinheiro. Ele teria chamado Batista várias vezes e em cada oportunidade dado uma lista de aliados ou de candidaturas petistas que deveriam receber recursos, e combinado com ele que Edinho [Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma] o procuraria para acertar os detalhes. Edinho referendava a lista, mas depois cada partido escolhia como receber o dinheiro. “Cada partido decidia se queria por dentro, por fora, nota fria, caixa dois”, disse ele. “Mas não sei se Edinho sabia a origem desse recurso”, acrescentou Joesley. Assim, explicou o dono da JBS, todas as doações (legais e ilegais) feitas pela empresa em 2014 foram pagas com esse caixa feito a partir dos US$ 150 milhões acumulados em nome de Lula e Dilma. Em reais, disse ele, as doações originadas nesse caixa representaram cerca de R$ 360 milhões naquele ano. Batista ainda conta que preocupado por estar usando uma reserva feita em nome de Lula e de Dilma procurou os dois, separadamente. Para Lula, ele não mencionou BNDES. “Eu falei para ele: ‘Não sei se o senhor tem a ver com isso ou não, somos o maior doador e essa conta já passou de R$ 300 milhões, o senhor tá entendendo a exposição?’, e ele não falou nada, só ficou olhando, em silêncio.” Com Dilma ele diz que foi bem mais explícito. “Eu contei tudo, falei que estava acabando o que era do Lula, e também a conta dela. A presidente sabia que tinha relação com o BNDES, mas não mencionamos isso. Mas falei que o dinheiro estava acabando. Aí ela me pediu para dar mais R$ 30 milhões para o Pimentel. ‘Se você puder, encontre ele e ajude’, ela falou”, relata o empresário. Joesley conta que foi para Belo Horizonte e encontrou Pimentel no hangar do aeroporto, quando este lhe disse que havia sido informado por Dilma do apoio que ele daria. Nessa conversa, Pimentel pediu para a ajuda ser viabilizada pela compra de participação em um estádio de futebol. “E assim a JBS virou sócia do Mineirão com uma participação de 3%, que temos até hoje”, contou Batista. Ele comprou a participação da empresa HAP Engenharia, de Roberto Senna. “E foi feito com uma transferência bancária, tudo legal”, acrescentou. Nos documentos entregues à PGR, estão o contrato e cópia das transferências feitas. Joesley faz questão de reforçar, no depoimento, que a relação da empresa com o BNDES sempre foi técnica, sem nenhum comportamento ilícito. “Minha relação sempre foi difícil com o banco. Acho até que eles eram mais rigorosos comigo que com meus concorrentes. Não sei se era para me obrigar a pagar propina”, ponderou em sua delação.

VALOR ECONÔMICO

Pecuaristas de MS emitiram R$ 33,4 milhões em notas frias para o JBS

Delação aponta para envolvimento de ex-prefeitos, secretário e deputado em pagamento de propina

Emissão de notas frias emitidas por pecuaristas de Mato Grosso do Sul para a empresa JBS somou R$ 33,4 milhões entre 2016 e 2017, segundo informações dadas pelos irmãos Joesley e Wesley Batista em delação premiada entregue à PGR (Procuradoria Geral da República). O documento foi divulgado na sexta-feira (19) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) após homologação e mostra, que no Estado era comum a emissão de notas falsas pela compra de gado ou carne bovina, para justificar o pagamento de propina em troca de incentivos fiscais. Conforme planilha divulgada pelos irmãos donos do JBS, as notas foram emitidas por nove produtores rurais do Estado além do frigorífico Buriti Comércio de Carnes. Entre eles estão ex-prefeitos, deputado estadual e secretário de Estado. O pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda, que atuava no Estado arrecadando recursos para campanhas políticas, é acusado pelo JBS de emitir R$ 5 milhões em notas frias em seu nome entre 11 de janeiro de 2016 e 5 de fevereiro de 2016. A planilha ainda mostra que Nelson Cintra Ribeiro, ex-prefeito de Porto Murtinho e presidente da Fundação de Turismo do Estado emitiu nota de R$ 296 mil no dia 3 de novembro de 2016. O atual secretário de Fazenda, Marcio Campos Monteiro emitiu uma nota de R$ 333 mil em 19 de dezembro de 2016. O ex-prefeito de Dois Irmãos do Buriti e ex-deputado estadual, Osvane Aparecido Ramos tem em seu nome, nota de R$ 847 mil emitida em 3 de novembro de 2011. O deputado estadual José Roberto Teixeira (DEM) emitiu duas notas, em 16 de setembro e 28 de outubro de 2016, no valor total de R$ 1,692 milhão. A lista ainda conta com outros seis nomes, sendo o pecuarista Elvio Rodrigues que somou R$ 7,682 milhões entre 17 de agosto de 2016 e 19 de dezembro de 2016 em notas frias. Rubens Massahiro Matsuda emitiu uma nota de R$ 383 mil em 9 de novembro de 2016. A Agropecuária Duas Irmãs Ltda emitiu nota no valor de R$ 886 mil. Em nome de Miltro Rodrigues Pereira no dia 16 de setembro de 2016 soma R$ 1,032 milhão. Em nome de Zelito Alves Ribeiro e Outro são três notas que somam R$ 1,758 milhão em 16 de setembro e 8 de novembro de 2016. Por fim, Francisco Carlos Freire de Oliveira emitiu R$ 583 mil, em 3 de novembro de 2016. Os outros R$ 12,9 milhões em notas falsas de compras de carne bovina foram emitidas pela Buriti Comércio de Carnes, entre 10 de março de 2015 a 15 de julho de 2017. Defesa – Em nota, o secretário Marcio Monteiro nega a prática ilícita e afirma que em 2016 vendeu gado aos frigoríficos da JBS, assim como fez com unidades de outras empresas, sendo o rebanho da fazenda que ele é dono em Jardim, há mais de 30 anos. Ele ainda frisa que o gado está devidamente declarado à Receita Federal, assim como todo o seu patrimônio, não havendo ilegalidade. “Oportuno ainda esclarecer que não conheço os irmãos Wesley e Joesley Batista; nunca conversei ou encontrei os mesmos, e os desafio a provar os fatos alegados referente à minha pessoa”. Em resposta à reportagem, Nelson Cintra, afirmou que desconhece os termos da delação. Ele completa que ele vende gado para a JBS há vários anos e, prova disso, é que ele vai embarcar mais de 300 bois para abate no domingo (21), sendo que a nota fiscal foi emitida hoje. “São 144 da fazenda de Porto Murtinho e outros 180 de Caracol”, frisou. A assessoria do deputado Zé Teixeira disse que o parlamentar ainda não teve acesso aos documentos e, por isso, não vai comentar o caso. O celular de Ivanildo está desligado. A reportagem não conseguiu contato com os demais envolvidos no caso.

CAMPO GRANDE NEWS

CVM confirma processos para investigar operações de controladores da JBS

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) confirmou na noite de sexta-feira (19) que instaurou cinco processos administrativos para investigar operações financeiras e condutas dos controladores do grupo JBS no mercado financeiro, após executivos revelarem em delação premiada um esquema de corrupção em que pagaram propina a políticos brasileiros

Entre os processos instaurados, a CVM investiga a JBS por indícios de eventual prática de crime de insider trading detectados em operações realizadas no mercado de dólar futuro e em negócios de ações de emissão da JBS no mercado à vista. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico publicada na semana passada, os controladores da JBS teriam realizado um grande volume de compras de dólares, excedendo US$ 1 bilhão em posição montada horas antes da divulgação da notícia sobre a delação do presidente do Conselho de Administração da JBS, Joesley Batista, em 17 de maio. Nesse dia, o jornal O Globo revelou que Batista apresentou uma gravação durante delação realizada em abril como parte da Operação Lava Jato, na qual discute o pagamento de propina ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha com o presidente Michel Temer. A posição cambial da JBS teria sido construída através de diferentes corretoras de câmbio a pedido da JBS, de acordo com o Valor. Depois que a notícia sobre o testemunho de Batista foi divulgada, o dólar apreciou 8,06% em relação ao real brasileiro, a maior valorização em um só dia desde 1999. A CVM ainda investiga a atuação da JBS no mercado de dólar futuro num segundo processo administrativo separado. Um terceiro processo analisa a atuação do Banco Original S.A., controlado pela J&F Participações Ltda., no mercado de derivativos. Um quarto processo administrativo busca esclarecimentos adicionais relativos às notícias envolvendo delação de acionistas controladores da JBS, e um quinto analisa as negociações do acionista controlador da JBS (FB Participações S.A.) com ações de emissão da JBS. Segundo o Valor, os acionistas controladores da JBS venderam o equivalente a R$ 327,4 milhões em ações da empresa quando os executivos já estavam realizando a delação premiada. A JBS disse em nota que utiliza instrumentos de proteção financeira “visando, exclusivamente, minimizar os seus riscos cambiais e de commodities provenientes de sua dívida, recebíveis em dólar e de suas operações”. “Reiteramos assim que as movimentações realizadas pela companhia nos últimos dias seguem alinhadas à sua política de gestão de riscos e proteção financeira”, acrescentou a companhia em nota. 

CARNETEC

JBS ajudou a financiar campanhas de 1.829 candidatos de 28 partidos

Apostando em um futuro bom relacionamento com prováveis candidatos que fossem eleitos em 2014, a J&F (holding controladora do grupo JBS) destinou mais de R$ 500 milhões para ajudar a eleger governadores, deputados estaduais, federais e senadores de todo o país, segundo os delatores

Em um dos depoimentos que prestou ao Ministério Público Federal (MPF), com quem firmou acordo de delação premiada já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F, Ricardo Saud, entregou um levantamento detalhado em que aponta todos os candidatos financiados pela empresa. De acordo com Saud, o total em dinheiro repassado por meio de “pagamentos dissimulados” alimentou as campanhas de 1.829 candidatos. Destes, 179 se elegeram deputados estaduais em 23 unidades da federação e 167, deputados federais por 19 partidos. O delator não deixa claro quais pagamentos foram feitos via caixa 2 e quais foram doações oficiais. No depoimento, divulgado após a retirada do sigilo da delação, ele dá a entender que os valores citados se referem apenas às campanhas de 2014. Em outro depoimento, o dono da JBS, Joesley Batista, também afirmou que a maioria das doações feitas pela empresa tratava-se de propina disfarçada por contrapartidas recebidas. “Doamos propina a 28 partidos”, contou Saud, admitindo que os mais de R$ 500 milhões destinados a agentes públicos para as eleições de 2014 formavam um “reservatório de boa vontade”. “Era para que eles não atrapalhassem a gente”, afirmou. O delator cita ainda que foram distribuídas “propina para 16 governadores eleitos e para 28 candidatos ao Senado que disputavam a eleição, a reeleição ou a eleição para governador”, acrescentou. Segundo ele, os governadores eleitos pertenciam ao PMDB (4), PSDB (4), PT (3), PSB (3), PP (1) e PSD (1). Ao entregar a documentação aos procuradores, Saud enfatizou a importância do “estudo” que fez por sua própria conta. “Acho que, no futuro, isso aqui vai servir. Aqui estão todas as pessoas que direta ou indiretamente receberam propina da gente”. Os documentos liberados pelo STF não trazem a lista de todos os nomes que fariam parte deste levantamento aponta por Saud.

Agência Brasil

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