CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 517 DE 19 DE MAIO DE 2017

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Ano 3 | nº 51719 de maio de 2017

NOTÍCIAS

Mercado sob bombardeio

A crise, deflagrada na quarta-feira (17/5) à noite, em função das revelações premiadas, dos donos do frigorífico JBS, e noticiadas pelo Jornal O Globo, afetaram o mercado e provocaram resistência para a venda a prazo para esse frigorífico

Apesar dos resultados deletérios da denúncia, não houve pressão negativa adicional sobre as cotações em relação à semana anterior e nem terrorismo de mercado. As compras a prazo, apesar da campanha para a venda à vista, disseminada nas redes sociais, aconteceram ao longo da semana e estavam na rotina dos compradores, mesmo com pouco volume de negócios fechados. Se as compras a prazo vingarem, isso representará ao vendedor, ao pecuarista, um custo financeiro de 5,3% ao mês caso precise do dinheiro à vista, que é o que os bancos cobram para um empréstimo por 30 dias, no hot money. A cotação da arroba do boi gordo vem sendo torpedeada desde o dia 17 de março, com o advento da operação Carne Fraca, quando as cotações caíram violentamente. De lá para cá vivemos a volta do Funrural, que sequestrará parte do lucro da atividade, do ICMS sobre a carne em São Paulo e agora a imposição do pagamento com 30 dias de prazo. Não está fácil.

SCOT CONSULTORIA

Após recentes altas, preços caem para a carne sem osso

A entrada da segunda quinzena do mês, quando normalmente o poder de compra do consumidor diminui, colaborou para a queda de preços no mercado atacadista de carne sem osso

Após duas semanas de alta, a queda foi de 1,2% na média de todos os cortes pesquisados pela Scot Consultoria. A queda foi puxada principalmente pelos cortes do traseiro, mais “caros” em relação aos cortes de dianteiro. Estes cortes tiveram queda 1,3%, em média, frente a redução de 0,9% para os cortes de dianteiro. Com o recuo nos preços a margem das indústrias (diferença entre o preço pago pela arroba e a venda da carne sem osso) ficou em 28,9%, recuo de 0,7 ponto percentual. Entretanto, quando comparada à média histórica, este valor é 9,0 pontos percentuais acima, o que mostra que apesar das dificuldades de escoamento, os frigoríficos estão em melhor situação que em igual período do ano passado, quando essa margem estava em 14,5%. Em curto prazo, novas quedas não são descartadas já que a segunda quinzena do mês não traz expectativas de melhora no consumo. Com a proximidade do final da safra ocorreu uma melhora na oferta de animais terminados, o que pode resultar em aumento nos estoques.

SCOT CONSULTORIA

“Política não deve afetar venda de carne”

Maggi afirma que delação da JBS não deve abalar a empresa, se ela mantiver a qualidade dos produtos

Em viagem ao Oriente Médio para reabrir mercados à carne brasileira o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse nesta quinta-feira, 18 de maio, que a política não deve atrapalhar as transações da JBS, “se eles tiverem produtos”. Ele comentou, porém, que as notícias sobre a delação do dono do frigorífico, Joesley Batista, implicando o Presidente Michel Temer, ainda não chegaram à Arábia Saudita, onde se encontra o Ministro. Segundo Maggi, os compradores de carne brasileira têm total atenção sobre a atitude dos produtores. “Vão continuar a entregar matérias primas para eles na confiança? É assim que este negócio funciona. Você vende e recebe depois de 20 a 30 dias”, explicou. Maggi iniciou na semana passada um giro por países do Oriente Médio para reafirmar a qualidade da carne brasileira, após as dúvidas lançadas pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal.

ESTADÃO CONTEÚDO

Vendas de carne seguem fracas em SP

Nem mesmo o dia das mães foi capaz de aquecer a demanda na primeira quinzena de maio

O ritmo de negócios envolvendo carne bovina está menor que o esperado

Segundo colaboradores do Centro de Estudos de Economia Aplicada (Cepea/Esalq- USP), nem mesmo o dia das mães, quando tradicionalmente o consumo aumenta, foi capaz de aquecer a demanda na primeira quinzena de maio. Assim, os preços da carne permanecem estáveis no atacado da Grande São Paulo. Nessa quarta-feira, 17 de maio, a carcaça casada de boi fechou a R$ 9,92/kg, ligeira queda de 1,3% no acumulado parcial deste mês. No mercado de boi gordo, embora a oferta de animais não seja considerada expressiva, a retração compradora tem resultado em quedas nos valores médios da arroba – muitas indústrias recuaram, especialmente após conseguir fechar alguns dias de escala de abate. O Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa fechou a R$ 136,98 na quarta, recuo de 1,52% no acumulado parcial de maio. 

Cepea/Esalq

MT discute novo status da aftosa

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apresentou plano para retirada da vacina em todo o país e até 2023

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e entidades do setor produtivo rural estiveram reunidas ontem quarta-feira para discutir o plano nacional da retirada da vacinação de febre aftosa em Mato Grosso. Os participantes avaliaram que existem pontos importantes que devem ser analisados antes da retirada definitiva da obrigatoriedade da vacina, para que o Estado passe ao status de ‘Livre da doença sem vacinação’. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apresentou plano para retirada da vacina em todo o país e até 2023 o Brasil deve conquistar do status de zona livre da aftosa sem vacinação. Para Mato Grosso, detentor do maior rebanho do país, o prazo é 2021. “O setor está reunido para fazer com que isso aconteça com maior segurança e com o mínimo de risco possível para a cadeia da carne. Ouvimos as entidades e chegamos à conclusão que alguns pontos devem ser analisados, como por exemplo, as fronteiras internacionais, quanto vai custar a vigilância nas fronteiras, avaliar quem vai arcar com as despesas e quais os órgãos estão aptos para isso”, argumentou o Vice-Presidente da Famato, Francisco Olavo Pugliesi de Castro. Além dos problemas de fronteira, o setor tem a preocupação com o planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a criação de um fundo nacional de emergência contra a febre aftosa, já que Mato Grosso tem um Fundo Emergencial de Sanidade Animal do Estado de Mato Grosso (Fesa). Outra dúvida levantada foi em relação à gestão do fundo nacional, pois é necessário saber como e quem vai gerir o Fundo. “Temos aqui um Fundo de excelência, muito bem gerido, que faz muito pela sanidade animal no Estado e nós não gostaríamos de onerar ainda mais o produtor rural com mais um Fundo. Como já temos o nosso estadual, levantamos essa dúvida para o Mapa. Talvez nós não precisemos participar desse Fundo nacional ou criar uma nova taxa, onerando ainda mais a produção”, pontuou Castro. De acordo com o plano estratégico do Mapa, os estados deverão manter um banco de vacinas para serem utilizadas em casos emergenciais. Mas as dúvidas dos pecuaristas são: Quem vai custear? Quem vai administrar e de que forma cada estado vai cooperar com o banco, uma vez que cada estado tem números distintos de produção? “Mato Grosso é o principal estado produtor de carne bovina do país e tem essa preocupação. A gente quer levar essa discussão ao Ministério da Agricultura. Em princípio a ideia é que cada estado tenha a sua participação no banco de vacinas proporcionalmente ao número do rebanho e Mato Grosso tem cerca de 30 milhões de cabeça. Nós queremos fazer um cálculo que nos aponte um banco que garanta segurança em caso de alguma emergência”, afirmou Castro. A questão sanitária foi um ponto bastante debatido na reunião. Segundo o diretor técnico da Associação dos Criados de Gado de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, para controlar e manter um estado livre da febre aftosa sem vacinação, deve haver um sistema de vigilância sanitária forte no estado. “Se nós queremos, não somente controlar a aftosa como outras doenças, temos de ter um sistema de vigilância sanitária forte. Por isso temos de sentar na mesma mesa com os órgãos de defesa animal, com o Mapa, governo estadual, setor agropecuário e produtores e conscientizá-los da importância da vigilância. O mais importante não é a vacina, mas sim a vigilância sanitária”, defendeu Manzi. “Todos se preocupam com o alto risco que podemos correr com o surgimento de focos da aftosa, dada a complexidade no controle das nossas fronteiras e a vigilância no Estado. Podemos ficar vulneráveis e sujeitos ao risco de contaminação também por meio de outros veículos, como trânsito de pessoas ou animais silvestres, que podem comprometer o status sanitário, uma vez que sem a vacinação a defesa imunológica dos animais fica reduzida. E essa é uma preocupação presente nos suinocultores de Mato Grosso”, disse o Diretor Executivo da Associação de Criadores de Suínos de Mato Grosso Custódio Rodrigues de Castro Júnior. O Diretor da Famato, Antônio Carlos Carvalho de Sousa, defendeu o monitoramento sorológico como uma “arma” eficaz para que a doença não chegue aos rebanhos mato-grossenses. “Assim iremos garantir a imunidade, principalmente nas regiões de fronteiras”, apontou Sousa. O assessor técnico da Assembleia Legislativa, Leôncio Pinheiro, sugeriu que as entidades se reúnam com os 16 deputados atuantes na Frente Parlamentar Agropecuária de Mato Grosso para discutir e conscientizá-los das questões sanitárias em Mato Grosso. Ficou definido que o setor agropecuário vai se reunir nos próximos dias com o Fórum Agro MT, órgãos estaduais, legislativo e executivo e apresentar os principais anseios da cadeia de carne em relação à retirada da vacina, no dia 29 de maio.

DIÁRIO DE CUIABÁ

Kuwait vai importar gado vivo do Brasil

O anúncio foi feito durante visita do Ministro da Agricultura, que está em missão na região

O Kuwait decidiu abrir seu mercado para exportações brasileiras de animais vivos, segundo informações publicadas pela Kuwait News Agency (Kuna) na segunda-feira, dia 15. Segundo a agência, a decisão foi confirmada pela Diretora-Geral Adjunta de Saúde Animal da Autoridade Pública para Agricultura e Recursos da Pesca do Kuwait, Zahra Al-Wazan, que participou de reunião na Cidade do Kuwait com delegação do governo brasileiro liderada pelo Ministro da Agricultura, Blairo Maggi. O ministro viaja acompanhado do Secretário de Relações Internacionais do ministério, Odilson Luiz Ribeiro e Silva, do Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes, do embaixador do Brasil no Kuwait, Norton Rapesta, do Presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, do Diretor-Geral da entidade, Michel Alaby, e de outros integrantes da missão, que seguiu na terça-feira na Arábia Saudita. O anúncio ocorreu depois de reunião de Maggi com o Ministro de Estado das Municipalidades e Presidente da Autoridade Pública para Agricultura, Mohammad Al-Jabri, e com o Ministro da Indústria e Comércio do país, Khaled Nasser Abdullah Al Roudan, no final da tarde de segunda-feira. Segundo o responsável pela importação de animais vivos na Autoridade Pública para Agricultura, Abdulrahman Kandari, a demanda por bovinos no Kuwait varia de 6 mil a 10 mil cabeças por ano. O país importa muito mais ovinos, cerca de 1 milhão de cabeças anualmente, somente da Austrália. Os kuaitianos pretendem ainda enviar uma missão técnica ao Brasil para visitar fazendas e laboratórios com o objetivo de reabrir o mercado para a carne bovina brasileira, cujas importações foram suspensas em 2012. “Criou-se as condições para a liberação das exportações de carne resfriada e congelada ao Kuwait”, comentou o ministro, após entrevista coletiva para jornalistas kuaitianos na casa do embaixador brasileiro no país, Norton Rapesta, nesta segunda-feira. “Já gado em pé o Brasil nunca exportou [ao Kuwait]”, observou. Em conversa com os jornalistas kuatianos, Maggi ressaltou: “Trago a mensagem do governo brasileiro de que queremos mais comércio e mais negócios entre os dois países”. No ano passado, a corrente comercial entre as duas nações somou US$ 485 milhões, com déficit de quase US$ 90 milhões para o lado brasileiro, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). “Há muito espaço para crescer”, destacou o Ministro da Agricultura. O frango é o principal produto exportado pelo Brasil ao país árabe.

MAPA

EMPRESAS

ANÁLISE: Joesley “rifou” Brasil para garantir migração da JBS aos EUA

A maior parte das operações do JBS — quase 80% — já estão no exterior hoje

Não só Joesley Batista está de mudança para Nova York. O frigorífico JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, está de mudança para o exterior. E essa é a explicação para que o empresário tenha decidido fechar a toque de caixa a delação das delações. Ao “rifar” o governo Temer e, no caminho, lançar o país no abismo das incertezas política, financeira e econômica, Joesley Batista quer assegurar o passaporte de seu grupo para fora do Brasil. Para garantir a execução do plano traçado, a empresa e seus controladores precisavam se acertar com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o poderoso DoJ. A maior parte das operações do JBS — quase 80% — já estão no exterior hoje. Nos Estados Unidos são 56 fábricas de processamento de carne e quase metade das suas vendas globais. Em dezembro o grupo aprovou a realização de um IPO na Bolsa de Nova York, num amplo processo de reorganização que levará o grupo a deixar de ser essencialmente brasileiro. A empresa que abrirá o capital é a JBS Foods International, com sede na Holanda, e que deterá todos os negócios internacionais da JBS e da Seara. Ainda no ano passado, o grupo tentou migrar sua sede para a Irlanda, como parte desse plano, mas a rota teve que ser alterada por oposição do BNDES e quando o Brasil passou a considerar aquele país um paraíso fiscal. Os Batista agiram rápido, escolhendo o caminho oposto ao da família Odebrecht, que viu seus negócios sangrarem enquanto relutava em colaborar com as investigações.

VALOR ECONÔMICO

Ações da JBS despencam após notícia sobre delação envolvendo Temer

As ações da JBS na bolsa brasileira caíam mais de 10% na manhã da quinta-feira (18) após o jornal O Globo noticiar que o presidente do conselho da companhia, Joesley Batista, apresentou uma gravação durante delação premiada, na qual o presidente da República, Michel Temer, parece concordar com o pagamento de propina a Eduardo Cunha

Os papéis ON da JBS chegaram a cair 14,7% e o índice Ibovespa despencava 10,47% às 10h21 da manhã, quando os negócios foram parados pelo mecanismo circuit breaker, segundo informações da Reuters. O mecanismo circuit breaker é acionado em momentos de variação brusca de preços no mercado. Segundo o jornal O Globo, Joesley Batista fez uma gravação em março na qual o presidente Temer parece endossar o pagamento de propina ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que está atualmente preso, a fim de mantê-lo calado. Quando Temer ouviu Batista sobre os pagamentos, o presidente teria sido gravado dizendo: “Tem que manter isso, viu?”, de acordo com o jornal. Também na gravação, o presidente teria indicado o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F, holding controladora da JBS. Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley, segundo o jornal. Temer confirmou a reunião com Joesley Batista, mas negou as alegações relatadas pelo jornal. “O Presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar”, segundo nota divulgada pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República. “O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República”. A JBS se recusou a comentar sobre a reportagem na manhã de quinta-feira (18). De acordo com o jornal O Globo, Batista revelou que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. O empresário disse também que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango. Os depoimentos da JBS foram parte de acordo de delação premiada relacionada à Operação Lava-Jato, e ocorreram de abril até a primeira semana de maio. Os executivos da JBS vão pagar uma multa de R$ 225 milhões como parte das negociações da delação, de acordo com O Globo, e ficarão livres das Operações Greenfield e Lava-Jato, que investigam a JBS há dois anos. Às 12h03 (horário de Brasília), as ações ON da JBS caíam 13,37%, a R$ 8,23, segundo dados do site da BM&FBovespa.

CARNETEC

Para analistas, JBS tem fôlego financeiro para atravessar crise

Analistas e executivos de bancos com conhecimento dos números da JBS veem como baixo o risco de a companhia deixar de honrar pagamentos a seus credores no curto prazo

A empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista tinha, ao final de março, R$ 17,9 bilhões em dívidas a vencer em doze meses e 60% desse montante em caixa. Essa relação entre o que a empresa deve na praça no curto prazo e o dinheiro que tem disponível já foi mais folgada. Ao final de 2011, a JBS tinha 100% de sua dívida imediata coberta pelo caixa. Apesar disso, a avaliação do mercado é que os números apresentados pela empresa dão a ela relativo conforto para enfrentar a crise de imagem em seus negócios. Tal percepção deriva do perfil da dívida: boa parte está garantida pela operação, uma modalidade de crédito conhecida como “trading finance”.

FOLHA DE SP

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