CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 496 DE 18 DE ABRIL DE 2017

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Ano 3 | nº 49618 de Abril de 2017

ABRAFRIGO NA MÍDIA

Bancada ruralista ainda tenta driblar o Funrural

A ofensiva consiste em convencer os ministros do STF que votaram a favor da contribuição previdenciária a mudarem seu entendimento em uma outra ação, movida pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que tramita no STF desde 2010 e questiona a constitucionalidade do Funrural

Deputados da bancada ruralista e dezenas de entidades do setor do agronegócio articulam uma estratégia surpreendente para reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou constitucional a cobrança do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). A ofensiva consiste em convencer os ministros do STF que votaram a favor da contribuição previdenciária a mudarem seu entendimento em uma outra ação, movida pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que tramita no STF desde 2010 e questiona a constitucionalidade do Funrural. O curioso é que a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) em questão, caso seja acatada, beneficiaria somente indústrias ou empresas recebedoras de produtos agrícolas ­ como frigoríficos e tradings, que ficariam livres de recolher ao Funrural. Já os produtores teriam que pagar mesmo assim. Fabrício Rosa, Diretor-­Executivo da Aprosoja Brasil, que representa produtores de soja e milho do país, reconhece ser “árdua” a tarefa de reverter o placar do colegiado da Suprema Corte ­ seis a cinco a favor do Funrural. Mas, para isso, ele acredita no poder de mobilização política de cerca de 40 associações de classe ligadas ao setor, como Abiec (carne bovina), Abiove (óleos vegetais) e OCB (cooperativas). Rosa afirma que, em tese, a ação da Abrafrigo questiona o pagamento do Funrural para empresas, mas lembra que, como se trata de um novo julgamento e um nova tese, os ministros do STF podem, sim, mudar seus votos. “Olhando para a solução do problema, temos que fazer um trabalho político para que o assunto seja pautado de novo e o entendimento do STF seja alterado”, diz Rosa, para quem a alternativa de refinanciar a dívida com o Funrural, que ainda não se sabe qual o tamanho, é paliativa e tem que ser vista como última saída para o problema. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), favorável à decisão do STF, defende justamente a opção pelo refinanciamento do passivo, que pode chegar a R$ 80 bilhões ­ dos quais R$ 20 bilhões referentes apenas às 15 mil ações que obtiveram liminares na Justiça para suspender o pagamento do Funrural. “Revogar a decisão do Supremo de cobrar o Funrural é uma alternativa que foi colocada pelas entidades, mas preferimos aguardar o acórdão do Supremo”, disse o Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Deputado Nilson Leitão (PSDB­MT), que prefere ser mais cauteloso na estratégia.

VALOR ECONÔMICO

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo ganhando fôlego

Apesar de poucas movimentações, na abertura desta segunda-feira (17/4) o cenário do mercado do boi gordo foi de firmeza nas referências

Em linhas gerais, a retenção de boiadas por parte dos pecuaristas causa diminuição na oferta de animais e encurtamento de escalas na maioria das praças pesquisadas pela Scot Consultoria. Com esta dificuldade de aquisição de boiadas, as referências ganham fôlego e já ocorrem pagamentos acima da referência em alguns casos. Em São Paulo a arroba do boi gordo subiu e ficou cotada em R$137,00, à vista, livre de Funrural. A baixa oferta de boiadas também surtiu impacto no mercado atacadista de carne bovina com osso. A referência para o boi casado de animais castrados ficou posicionada em R$9,96/kg, alta de 3,5% em relação ao fechamento da semana passada.

SCOT CONSULTORIA

Brasil exporta 37,9 mil cabeças de bovinos vivos em março

Com faturamento total de US$27,5 milhões

Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em dezembro o Brasil exportou 37,9 mil cabeças de bovino vivo, com faturamento total de US$27,5 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2016 houve aumento de 399,9% no volume de animais embarcados.

SCOT CONSULTORIA

Muitas turbulências, perdas limitadas

As reduções dos volumes das exportações do segmento foram menores que as esperadas e compensadas por receitas maiores

Um mês depois de deflagrada pela Polícia Federal, a Operação Carne Fraca, que investiga corrupção envolvendo fiscais agropecuários e funcionários de frigoríficos e que identificou irregularidades nos processos de produção de 21 estabelecimentos (a maior parte no Paraná), apresentou como saldo 63 pessoas indiciadas e muita volatilidade dos valores de mercado das companhias de proteínas animais com ações na BM&FBovespa. Já as reduções dos volumes das exportações do segmento foram menores que as esperadas e compensadas por receitas maiores. Entre os indiciados estão fiscais, agentes de inspeção, empresários e funcionários de frigoríficos. De acordo com a PF, eles deverão responder por crimes contra a ordem econômica, corrupção passiva, emprego de processo proibido ou de substância não permitida, falsidade, organização criminosa, peculato, prevaricação, uso de documento falso e violação funcional, entre alguns outros. Com funcionários e uma planta de produção cada sob suspeita, além de vendas menores nos mercados doméstico e externo, JBS e BRF amargaram quedas de valores de mercado. De longe a que mais sofreu foi a primeira, que reduziu seus abates de bovinos em cerca de 30%, viu sua holding (J&F) enfrentar problemas relativos a outra controlada (Eldorado) e, de 17 de março até ontem perdeu 13,8% de seu valor. O da BRF caiu 0,5% na comparação e mesmo Minerva, que não foi citada na operação da PF, também registrou leve baixa (ver infográfico). Leves também foram os recuos dos volumes das exportações, apesar das restrições temporárias ­ a maior parte já revertida ­ impostas por importadores. O volume dos embarques de carne bovina caiu 10,7% em março em relação ao mesmo mês do ano passado, para 125 mil toneladas; na carne suína a redução foi de 3,7% na mesma comparação, para 63,2 mil toneladas; e na carne de frango ficou em 4,1%, para 386,5 mil toneladas. Mas as receitas dos embarques de carnes de frango e de suínos subiram, e na carne bovina o valor diminuiu apenas 3,2%.

VALOR ECONÔMICO

Piora relação de troca para o invernista no Paraná

Aumento na demanda por bovinos erados resulta na piora da relação de troca para o invernista.

Com a conjuntura de oferta levemente superior à demanda, na média de todas as categorias de machos anelorados analisadas pela Scot Consultoria, houve ajuste negativo de 1,6% no último mês. As incertezas que acompanham o mercado do boi gordo contribuem para diminuir o interesse do pecuarista por animais de reposição, entretanto, há demanda por categorias mais eradas que têm giro mais rápido dentro da fazenda. Destaque para o garrote de 8@ que teve incremento 1,5% no preço desde o começo do ano. Nesse mesmo intervalo, as cotações do boi gordo tiveram queda de 7,1%. Ou seja, a relação de troca está um pouco menos favorável para o invernista. Em janeiro de 2017, era possível adquirir 1,62 garrote de 8@ com a venda de um boi gordo de 16,5@. Atualmente esta relação está em 1,49, piora de 8,41%.

SCOT CONSULTORIA

Pecuária sustentável na Amazônia esbarra em custos e crédito

É caro demais implementar boas práticas associadas à elevação da produtividade animal sem contrapartidas de mercado. Sem elas, somente fazendas com área acima de 400 hectares teriam fôlego financeiro para mudar sua forma de produção sem destruir a floresta

A falta de crédito e de interesse do varejo por produtos sustentáveis pode limitar o escopo de um projeto ambiental inédito no país a no máximo 20% das propriedades rurais da Amazônia. O motivo? É caro demais implementar boas práticas associadas à elevação da produtividade animal sem contrapartidas de mercado. Sem elas, somente fazendas com área acima de 400 hectares teriam fôlego financeiro para mudar sua forma de produção sem destruir a floresta. Esse é o principal alerta do estudo “Custos, benefícios e desafios da intensificação sustentável da pecuária”, publicado pela ONG The Nature Conservancy (TNC) como um diagnóstico da viabilidade econômica dos primeiros anos do projeto “Do Campo à Mesa”. Lançado em 2009, em parceria com o Marfrig e a rede varejista Walmart, o projeto visa diminuir os impactos da pecuária no ambiente através da adoção de boas práticas agropecuárias e bem­-estar animal. Em questão estão 13 propriedades rurais em São Félix do Xingu, no Pará, considerado no passado um dos principais focos de desmatamento na Amazônia. Com 8,4 milhões de hectares, São Félix tem também um dos maiores rebanhos bovinos por município ­ 2,2 milhões de cabeças. As fazendas estudadas somam 40 mil hectares (metade é pasto) e 33 mil bois. Sete anos após sua implementação, duas constatações são extraídas dessa experiência, diz o estudo. A primeira é que o resultado é bom. Com o projeto, nenhuma das propriedades efetuou qualquer desmatamento. A melhora na genética animal, a manutenção e o manejo do pasto contribuíram para, em alguns casos, mais que dobrar a produtividade ­ ou seja, o número de animais no pasto. Da média histórica de 1,2 boi por hectare na Amazônia, os pecuaristas do projeto foram a três ou quatro animais. Ao mesmo tempo, as pastagens estão gradativamente sendo reformadas, e as áreas de preservação permanentes isoladas, como as margens dos cursos de água. Tudo isso garante benefícios ambientais, qualidade da produção e conformidade com a lei. A outra constatação é que o custo médio para essa transição à pecuária sustentável é alto comparado ao que o pecuarista brasileiro tem hoje como referência. São US$ 1.335 por hectare ­ de 2,8 a 6 vezes o custo da atividade extensiva. Nas propriedades médias e grandes, esse investimento se paga e começa a dar retorno superior ao da pecuária tradicional em sete a 11 anos a partir do início da intensificação. Mas é nas propriedades menores ­ em geral em piores condições e com uma lista maior de correções a serem feitas ­ onde as melhorias pesam mais: o hectare passa a custar US$ 2.368, um valor fora de sintonia com a capacidade financeira dessa camada da economia rural. “Para as pequenas propriedades rurais brasileiras, nosso modelo de projeto simplesmente não serve. É muito caro”, diz Edenise Garcia, Gerente-­adjunta de Ciências da TNC e coautora do estudo. “Escala, nesse caso, não é factível. Funcionaria apenas para propriedades acima de 400 hectares, só que 80% delas têm menos de 300 hectares. Uma outra abordagem deve ser considerada”, diz a especialista. No contexto amazônico, ganhar escala e mudar o modo de produção é crucial para estancar o desmatamento. Mas só os grandes ­ ali, os mais capitalizados ­ não conseguem promover essa mudança, diz Francisco Fonseca, coordenador de produção sustentável da TNC e outro coautor do estudo. Pecuaristas menores precisam ser considerados nessa lógica. “Mas faltam a eles acesso a crédito”, diz. Pesa contra eles a falta de titularidade da terra (o que os afasta do crédito rural), as dificuldades de acesso ao Programa de Agricultura de Baixo Carbono e a própria aversão ao risco e a tecnologias ­ maior entre os pecuaristas que em produtores de soja, por exemplo. Mas os especialistas da TNC colocam o dedo em outras feridas importantes para explicar a “corrida de obstáculos” para promover a transição sustentável na Amazônia. Segundo o estudo, apesar das várias iniciativas ‘verdes’ e programas de bônus, a falta de incentivos e demanda do mercado varejista por produtos sustentáveis prevalecem na cadeia de valor da carne, o que freia o investimento em boas práticas. O preço pago ao pecuarista que adere ao programa é o mesmo pago àquele que faz tudo errado. “Em muitos casos, a sustentabilidade não é encorajada e valorizada, e a crise econômica brasileira limita a habilidade dos frigoríficos de assumir riscos e custos sem apoio de varejistas, cuja principal preocupação (dividida com o consumidor) é comprar carne a preço acessível”, diz o documento. Some-­se a isso o valor de mercado menor da carne do Pará, as distâncias de frete e custos com insumos (suplemento animal, fertilizantes), a margem de São Félix sofre ainda mais pressão. Se a sustentabilidade for escalonada, esses custos terão de ser reduzidos, conclui o estudo. “Para o pequeno, ou ele sai da pecuária, ou faz consórcio com lavoura ou precisa de muita assistência técnica”, afirma Edenise.

VALOR ECONÔMICO

Exportadores do país trocam gentilezas com russos

“Sabemos que a qualidade da carne brasileira é boa. Um incidente como esse não pode abalar anos de cooperação estratégica”

Um mês após a deflagração da Operação Carne Fraca, dirigentes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) encontraram-­se ontem com o embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, em evento da Câmara Brasil­-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo em São Paulo. O país, que é o maior importador da carne suína e um dos cinco maiores da carne bovina do Brasil, foi um dos poucos a não restringir as importações dos produtos brasileiros após a operação da Polícia Federal. Depois de o Presidente da ABPA, Francisco Turra, ter agradecido a Rússia pela confiança nas carnes brasileiras, Akopov lembrou a postura do Brasil na ocasião do embargo econômico imposto ao país por EUA e União Europeia, em 2014, em decorrência da disputa entre Rússia e Ucrânia pela Crimeia. “Sempre lembramos que o Brasil ajudou a Rússia num momento difícil”, disse. Segundo Akopov, o Brasil “sempre manifestou” que continuaria fornecendo seus produtos agrícolas à Rússia. “Essa posição é altamente apreciada na Rússia”, disse. Após os embargos de EUA e UE, Moscou, em retaliação, proibiu a compra de alimentos de ambos, o que fez o Brasil ganhar espaço nas vendas à Rússia. Ao lembrar que os russos não restringiram as carnes brasileiras, Turra disse: “Está conosco uma nação amiga, que deu a primeira palavra de confiança, dizendo [continuar] acreditando na proteína animal do Brasil”. Por causa da Operação Carne Fraca, países como China, Chile e Egito proibiram temporariamente as importações do Brasil. “Sabemos que a qualidade da carne brasileira é boa. Um incidente como esse não pode abalar anos de cooperação estratégica”, afirmou Akopov. Ele foi um dos embaixadores que participaram, em 19 de março, do encontro com o Presidente Michel Temer para tranquilizar sobre a Operação Carne Fraca.

VALOR ECONÔMICO

Mercado do sebo pressionado

Após as desvalorizações observadas nas últimas semanas, o mercado do sebo ficou estável nos últimos dias

O aumento da oferta da soja, em decorrência da produção recorde do grão na safra atual, e consequentemente dos subprodutos (farelo e óleo de soja), exerce pressão de queda no mercado do sebo. No Brasil Central a gordura animal está cotada em R$2,00/kg. Frente ao início do ano houve desvalorização de 23,1%. No Rio Grande do Sul o sebo está cotado em R$2,10/kg. Apesar da cotação estável nos últimos dias o viés do mercado se mantém de baixa.

SCOT CONSULTORIA

MS lança novo programa para estimular a produção de animais precoces na pecuária

O Novilho MS substitui, com grandes avanços, o antigo Novilho Precoce

O governo de Mato Grosso do Sul lançou na manhã de segunda-feira (17), sua nova ferramenta de incentivo a utilização de boas práticas na criação de bovinos, visando assegurar a qualidade do produto obtido, por meio da modernização do processo produtivo, da sustentabilidade da atividade e assegurando ainda avanços na gestão sanitária dos animais e o aumento do desfrute do rebanho. O Novilho MS substitui, com grandes avanços, o antigo Novilho Precoce. O novo programa deixa de avaliar somente o animal que vai para o abate para a concessão de incentivo fiscal e vai analisar também todo o ciclo produtivo para que o benefício seja oferecido. A versão anterior do programa foi criada em 1992 e estava desatualizada, não se adequando mais a realidade do segmento que evoluiu muito nestes 25 anos. Neste sentido serão analisados o processo produtivo na propriedade em que o novilho precoce foi criado, o produto obtido (animal) e ainda a padronização do lote encaminhado para o abate. No que se refere ao processo produtivo na propriedade, serão levados em conta aspectos como: rastreabilidade; uso de boas práticas agropecuárias e utilização de tecnologias que promovam a sustentabilidade do sistema, em especial, as que mitigam a emissão de carbono, como a recuperação de pastagens degradas e os sistemas integrados (lavoura-pecuária – ILP e lavoura-pecuária-florestal – ILPF); além do associativismo, com a participação do criador em associações de produtores, visando assegurar a produção comercial sistematizada para o atendimento de padrões pré-estabelecidos em acordos comerciais.

G1 – MS.

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