CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 481 DE 27 DE MARÇO DE 2017

abra

Ano 3 | nº 48127 de Março de 2017

Empresas de carnes se armam para retomada

Há claros sinais de que o ápice da crise comercial provocada pela Operação Carne Fraca ficou para trás

Tendo em vista os claros sinais de que o ápice da crise comercial provocada pela Operação Carne Fraca ficou para trás, as principais empresas de proteínas animais do país (JBS, BRF, Marfrig e Minerva) iniciam a semana focadas na retomada gradual do ritmo de exportações, mas ainda preocupadas em minimizar os estragos à imagem do segmento ­ e ao valor de suas ações ­ causadas pelas irregularidades divulgadas no dia 17 pela Polícia Federal. Ainda que os problemas sanitários apontados pela PF tenham sido concentrados em empresas de menor porte do Paraná: ­ Peccin, Souza Ramos e Transmeat foram obrigados a fazer o recall de seus produtos ­, JBS e BRF, citadas da Carne Fraca por diálogos suspeitos entre funcionários e fiscais agropecuários, registraram fortes perdas em seus valores de mercado na semana passada, e a JBS está inclusive sendo processada por investidores nos EUA por isso. A Minerva sequer foi citada, mas viu seus papéis derreterem por sua dependência das exportações de carne bovina, a mais afetada pelas barreiras dos importadores (ver Uma ‘nova onda de fiscalização’ começa a ganhar corpo). A Marfrig, que também passou ao largo das apurações da PF, chegou a amargar perdas, mas suas ações encerraram a semana em alta. Mas JBS, BRF e Minerva tiveram, juntas, queda de valor de mercado de R$ 5,4 bilhões, puxada por reduções de 6,9%, 9% e 9,3%, respectivamente. Esses números não estarão sobre a mesa quando a JBS iniciar, hoje, sua tradicional reunião diária das 06h00. Na conferência com os líderes das dezenas de unidades produtivas da empresa ­ a maior em proteínas animais do mundo, com receita líquida de R$ 170 bilhões em 2016 ­, o CEO Wesley Batista estará mais preocupado em ajustar o ritmo de produção de carne bovina, praticamente parada desde quinta-­feira. É quase certo que, com a volta de China, Chile e Egito às compras, a decisão de começar a semana com um corte de 35% na capacidade produtiva de suas 36 unidades de abate de bovinos espalhadas pelo país ­ 33 foram fechadas no dia 23 ­ seja revista, para alívio dos milhares de criadores de bovinos que ficaram sem mercado na semana passada. E que a estratégia de marketing ganhe mais munição, já que os “memes” continuam a pulular na internet. Na BRF não será muito diferente no front operacional, para alegria dos integrados e dos produtores brasileiros de grãos. Na sexta-­feira, a companhia anunciou a criação de três comitês para lidar com a crise. O ex-­ministro Luiz Fernando Furlan, da família dos fundadores da Sadia ­ a BRF é resultado da incorporação da Sadia pela Perdigão ­ e membro do conselho da BRF, lidera o Comitê Especial de Resposta e estará na linha de frente de toda a estratégia. E essa estratégia ganha importância tendo em vista as turbulências que sacodem a gestão da empresa nos últimos meses, maiores a cada resultado trimestral negativo reportado. Na sexta­-feira, o conselho da BRF se reuniu para definir uma proposta que será apreciada na assembleia geral de acionistas de 26 de abril, que elegerá os membros do conselho para mais dois anos. Os principais acionistas da companhia ­ a gestora Tarpon e os fundos de pensão Previ e Petros, que tem quase 35% do capital da empresa ­ deixaram as rusgas de lado para que uma chapa única, com Abilio Diniz na presidência, seja aprovada. A convergência acontece em um momento de reformulação após a empresa ter registrado, em 2016, seu primeiro prejuízo anual. Há mais de duas semanas, a BRF anunciou a saída do Vice-Presidente de Finanças, Alexandre Borges, e do Vice de Marketing, Rodrigo Vieira. Mesmo a saída de Abilio Diniz da presidência do conselho foi ventilada, bem como a do CEO global Pedro Faria, que é fundador da Tarpon. Abilio, como se vê, está fortalecido, e Faria foi beneficiado pela união de forças.

VALOR ECONÔMICO

China, Egito e Chile voltam a comprar carne do Brasil

Agora, o veto será restrito somente aos 21 estabelecimentos que tiveram a licença de exportação suspensa pelo governo brasileiro

Depois de o governo brasileiro adotar uma estratégia focada em reverter as restrições impostas por Pequim à carne brasileira, a China decidiu retirar parte das suspensões temporárias que vinha mantendo ao produto nacional há uma semana, disse neste sábado (25) ao Valor o Ministro da Agricultura, Blairo Maggi. A promessa é que já na próxima segunda-­feira (27) os portos chineses voltem a desembaraçar carregamentos de carne vindos de 44 plantas brasileiras. A exceção se dará com os 21 estabelecimentos que estão sendo investigados pela Operação Carne Fraca e vão continuar impedidos de embarcar carnes para o país asiático. A China, um dos principais compradores de carne do Brasil, foi o primeiro país a comunicar algum tipo de restrição ao produto nacional. Desde a última segunda (20), o gigante asiático vem barrando o desembaraço de todos os tipos de carnes produzidas por 65 frigoríficos brasileiros. “Já fomos informados que a China está levantando as barreiras que estavam colocadas, mantendo os 21 SIFs [estabelecimentos com selo do Serviço de Inspeção Federal] que informamos a eles”, afirmou Maggi. “Acho que segunda-feira as coisas voltam ao normal com a China, esperamos na sequência Hong Kong e os demais também”, afirmou. De acordo com o Ministro, contudo, a China não aceitará cargas que tenham sido assinadas pelos sete fiscais brasileiros colocados sob suspeita pelas investigações da Operação Carne Fraca. Também o governo do Chile reviu sua decisão de suspender temporariamente a importação de “todo tipo de carne brasileira” (bovina, frango e porco) devido ao escândalo revelado pela Carne Fraca. Agora, o veto será restrito somente aos 21 estabelecimentos que tiveram a licença de exportação suspensa pelo governo brasileiro. Conforme o comunicado divulgado no sábado (25) pelo Serviço Agrícola e Pecuário do Chile (SAG), a restrição será estendida preventivamente a qualquer outro frigorífico que estiver envolvido em irregularidades durante a investigação em curso pelas autoridades brasileiras. Outro país que reviu as restrições à carne brasileira foi o Egito. O Ministério da Agricultura do país anunciou neste sábado a retomada das importações de produtos de frigoríficos brasileiros autorizados. O Egito é o sétimo maior mercado para a carne brasileira. Mais tarde, o Ministério das Agricultura enviou nota, assinada por Blairo Maggi, confirmando “a reabertura total do mercado de carnes brasileiras” na China. De acordo com a Pasta, trata­-se de “atestado categórico da solidez e qualidade do sistema sanitário brasileiro e uma vitória de nossa capacidade exportadora”. O ministério sustenta ainda que, juntamente com o Itamaraty e a rede de embaixadas do Brasil no exterior, trabalhou “incansavelmente para o êxito que se anuncia hoje”. “A regularização do ingresso da carne brasileira na China mostra o espírito de confiança mútua entre os dois países e a disposição para dialogar com boa fé”, prosseguiu comunicado do ministro. “A China nunca fechou o mercado aos nossos produtos, mas apenas tomou medidas preventivas para que tivéssemos a oportunidade de oferecer todas as explicações necessárias e garantir a qualidade da nossa inspeção sanitária”, disse Maggi, afirmando que a China é o “nosso parceiro estratégico na credibilidade do sistema brasileiro”. Em outra nota divulgada pelo ministério na tarde deste sábado, desta vez assinada por Maggi e pelo Presidente Michel Temer, o governo confirma que Egito e Chile decidiram normalizar as importações de carne do Brasil. “O Ministério da Agricultura do Egito declarou oficialmente ter certeza da qualidade da carne brasileira após exames realizados por três diferentes órgãos governamentais, que atestaram também que a produção de frango e carne bovina no Brasil está de acordo com as leis islâmicas”, diz o texto. O comunicado também informa que o Serviço Agrícola e Pecuário do Chile (Servicio Agrícola y Ganadero) anunciou hoje que a suspensão às carnes brasileiras passa a ficar restrita às 21 unidades envolvidas no caso. “As medidas anunciadas pelos governos do Egito e do Chile corroboram a confiança da comunidade internacional no nosso sistema de controle sanitário, que é robusto e reconhecido mundialmente”, afirma o ministério.

VALOR ECONÔMICO

UE vai reforçar análise de carnes do Brasil

Especialistas dos 28 países do bloco reuniram-se em Bruxelas para discutir a resposta do bloco. Verificações físicas e microbiológicas devem ser reforçadas

Especialistas veterinários da União Europeia recomendaram nesta sexta-feira verificações reforçadas nas importações de carne do Brasil, depois das revelações da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, disse uma fonte do bloco econômico. Especialistas dos 28 países do bloco reuniram-se em Bruxelas para discutir a resposta do bloco ao escândalo no Brasil e o risco de carne estragada ou contaminada chegar ao continente europeu. A Comissão Europeia disse na segunda-feira que irá impedir a entrada de carnes de unidades processadoras sob investigação e que todos os produtos destas unidades que estavam a caminho da Europa seriam rejeitados e devolvidos ao Brasil. Uma porta-voz da Comissão disse nesta sexta-feira que especialistas contavam com uma rápida reação das autoridades brasileiras e que o controle de importações agora é “primordial”. “Os especialistas disseram que é de grande importância ter bons controles na entrada na União Europeia”, disse uma fonte da UE familiarizada com as conversas. “A visão deles é que as verificações físicas e microbiológicas sejam reforçadas de maneira significativa”. O comissário europeu Vytenis Andriukaitis, responsável por saúde e segurança alimentar, estará no Brasil nesta segunda-feira para discutir a questão com o ministro da Agricultura brasileiro. A Comissão também irá se reunir com os Estados membros em um órgão chamado Comitê PAFF (sigla em inglês para plantas, animais, comida e ração) na quarta-feira para assegurar que haja uma abordagem comum quanto aos controles. “Frente ao resultado destes testes reforçados, à evolução da crise e à resposta das autoridades brasileiras às demandas por medidas corretivas, a Comissão e os Estados membros irão concluir se mais medidas são necessárias”, disse o porta-voz da Comissão. A Comissão também planeja realizar auditorias na indústria alimentícia do Brasil até meados de maio.

Reuters

Para evitar manobras, Europa e Suíça ampliam embargo contra carnes brasileiras

Com um incidente por semana, Europa diz que já havia identificado problemas com carne

GENEBRA – As autoridades suíças e europeias ampliam o embargo contra a entrada da carne brasileira, produzida por empresas envolvidas na fraude revelada pela Polícia Federal. Berna e Bruxelas, que inicialmente haviam barrado apenas quatro empresas brasileiras, tomaram a decisão de banir a entrada dos produtos de qualquer uma das 21 empresas citadas na Operação Carne Fraca. Ainda que a maioria dessas empresas não venda para o mercado suíço, a medida tem como objetivo evitar uma manobra dos exportadores para usar o território suíço para conseguir que a carne brasileira chegue nos mercados europeus. Bruxelas também tinha indicado que havia solicitado ao Brasil retirar da lista de exportador qualquer empresa envolvida no caso. Inicialmente, ela havia citado apenas as quatro empresas, já que esse seria o número de estabelecimentos que de fato estariam participando do comércio internacional. Mas, na sexta-feira, o bloco europeu já não mais falava em quatro empresas e optou por deixar claro que o embargo estaria válido para todas as empresas citadas na Operação e que representassem um risco. Bruxelas ainda indicou que “todos os carregamentos” das empresas citadas na Operação seriam impedidos de passar as fronteiras do bloco, mesmo que já estivessem em navios a caminho da Europa.  Com um incidente por semana, Europa diz que já havia identificado problemas com carne. O sistema de alerta sanitário da Europa registrou quase um caso de irregularidade por parte das carnes brasileiras a cada semana, o que levou Bruxelas a tratar do assunto com o governo brasileiro antes mesmo da Operação Carne Fraca. Dados obtidos pelo Estado revelam que, desde janeiro de 2016, 48 casos de problemas sanitários com o frango nacional e sete com outras carnes foram descobertos. Em 2017, dos 23 problemas identificados com carregamentos de carnes brasileiras em menos de 3 meses, 21 foram rejeitados nos portos europeus e mandados de volta ao Brasil. Em 2016, dos 32 casos envolvendo carnes brasileiras, 28 foram rejeitados na fronteira. Em 2015, foram outros 51 indicentes. Todos os casos, segundo os europeus, foram comunicados às autoridades brasileiras. Os dados foram compartilhados com todos os demais países europeus e dentro de um sistema de alerta conhecido como RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed).

Estadão.

Em meio a reaberturas, UE preocupa

A pressão de produtores e países europeus para que a União Europeia amplie seu embargo ainda preocupa o governo e os exportadores brasileiros

Mesmo que o fim de semana tenha sido marcado pela reabertura de alguns importantes mercados para as carnes brasileiras, a pressão de produtores e países europeus para que a União Europeia amplie seu embargo ainda preocupa o governo e os exportadores brasileiros. Depois de reveses, no sábado importadores com peso na balança como China, Chile e Egito anunciaram o afrouxamento de suas barreiras, que agora bloqueiam apenas os 21 estabelecimentos sob suspeita da Polícia Federal, que foram proibidos de exportar pelo próprio Ministério da Agricultura. No caso da carne bovina, a mais prejudicada pelas travas que se seguiram à Operação Carne Fraca, esses três países responderam por 28,3% (US$ 1,6 bilhão) da receita dos embarques do país em 2016. Leia mais 1. UE reforça controle sobre carne brasileira e adia novas decisões 2. Comissário europeu diz ser importante restabelecer confiança com país 3. Técnicos podem viajar ao exterior para conter resistência à carne Mas as ameaças não cessaram. Sob pressão de seu setor produtivo, a UE, que mantém apenas quatro unidades sob suspeita embargados, já recomendou aos 28 países membros reforço na fiscalização de carnes importadas do Brasil. Eventuais novas ações serão definidas na quarta-­feira. O comissário de Saúde e Segurança Alimentar da UE já está no Brasil e terá reuniões sobre o caso.
VALOR ECONÔMICO

Preço da arroba do boi cai nas principais praças de MT

O resultado mostrou queda de preços ofertados ao produtor em todas as cidades e variações negativas de preços de quase R$ 5

O Diário comparou os preços da arroba do boi à vista cotados nas oito principais praças do Estado, no dia 16, um antes da deflagração da Operação Carne Fraca, que investiga corrupção no sistema de defesa agropecuária, e comparou com os valores do fechamento do mercado de ontem (24), data em que a Operação completou uma semana. O resultado mostrou queda de preços ofertados ao produtor em todas as cidades e variações negativas de preços de quase R$ 5. No dia 16, por exemplo, na variação diária do mercado, quatro cidades (Matupá, Juara, Vila Rica e Rondonópolis) haviam fechado o dia com leve retração. Ontem, as oito cidades fecharam com quedas de até 2,99% de um dia para o outro. Conforme dados disponíveis no site do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), órgão vinculado à Federação de Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), as principais praças no dia 16 de março tinham as seguintes cotações: Matupá, R$ 124,74, Juara, R$ 124,72, Sinop, R$ 125,60, Vila Rica, R$ 124,60, Barra do Garças, R$ 127,25, Araputanga, R$ 128,25, Cuiabá, R$ 128,75 e Rondonópolis, R$ 128,67. Ontem, a realidade no Estado era outra. Mesmo sem nenhuma unidade frigorífica ou servidores do Ministério como alvos das investigações, o setor vem contabilizando impactos negativos. O mais preocupante do momento, além das incertezas sobre mercado e consumo, foi o anúncio da suspensão dos abates feito pela JBS/Friboi, válido por três dias (quinta, sexta e hoje) e de um retorno com redução de 35% de sua capacidade na próxima semana. Como conseqüência de todos esses fatores, a insegurança levou o mercado a fechar em queda em todas as principais praças ontem. Do dia 23 para o dia 24, por exemplo, Vila Rica, importante município da pecuária estadual, a arroba retraiu 2,99%, fechando a sexta-feira a R$ 120. Araputanga, que teve as compras suspensas desde a última terça-feira, viu a arroba passar de R$ 128,25 (16) para R$ 125,50 (24). Ontem, as praças fecharam assim: Matupá, R$ 122, Juara, R$ 123, Sinop, R$ 122,71, Vila Rica, R$ 120, Barra do Garças, R$ 124, Araputanga, R$ 125,50, Cuiabá, R$ 125,32 e Rondonópolis, R$ 125,32. Conforme a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), o setor produtivo não vai aceitar que empresas se utilizem do atual momento “para manipular mercado e pressionar o preço da arroba”. Em razão das paralisações, as entidades que representam os pecuaristas temem que o represamento das compras venha a pressionar o valor da arroba.

DIÁRIO DE CUIABÁ

Mercado do boi gordo fecha semana indefinido e com muita especulação

Na última sexta-feira (24/3) o cenário do mercado do boi gordo ainda foi de indefinição

Muitas empresas ainda estavam cautelosas observando os rumos que o mercado pode tomar e, dessa forma aguardam esta semana para retornarem às compras. Por outro lado, os frigoríficos que estavam em negociações, pressionam o mercado, ofertando valores de até R$5,00 a menos por arroba, porém nestas condições não houve negócios concretizados e o mercado travou. Em São Paulo a referência para a arroba do animal terminado recuou e ficou cotada em R$143,00 à vista. Existem empresas que ofertaram até R$138,00/@ nas mesmas condições, porém sem negócios neste valor. Para o pecuarista o momento é de cautela, pois há muita especulação no mercado. O mercado atacadista de carne bovina com osso seguiu sem novidades. O boi casado de animais castrados ficou cotado em R$9,64/kg.

SCOT CONSULTORIA

Mercado do sebo em queda

Mais uma semana de queda no mercado do sebo

A baixa demanda pela gordura animal exerce pressão de baixa no mercado, o que tem resultado nas desvalorizações observadas nas últimas semanas. No Brasil Central já são três semanas seguidas de queda de preços do produto. Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região o sebo está cotado em R$2,05/kg, desvalorização de 2,4% frente à semana anterior. No Rio Grande do Sul a gordura animal está cotada em R$2,15/kg. Na comparação com o início do ano, houve queda de 17,3%. Para curto prazo não há perspectiva de melhora da demanda e a pressão baixista no mercado do sebo deve se manter.

SCOT CONSULTORIA

Mercado de reposição travado

O mercado de reposição praticamente não sofreu alterações na última semana

O cenário de indefinição do mercado do boi gordo, construído após a operação “Carne Fraca”, refletiu no mercado de reposição e dessa forma poucos negócios foram observados. Diante desta baixa movimentação, os preços ficaram praticamente estáveis. Na média geral de todas as categorias e estados pesquisados pela Scot Consultoria a queda foi de 0,2% em relação à semana anterior. Na comparação entre machos e fêmeas, houve maior desvalorização para os machos, com queda de 0,3% frente a uma queda de 0,1% para as fêmeas. Já na comparação entre categorias, as maiores desvalorizações foram para as categorias mais jovens, com destaque para o bezerro desmamado (6@), que teve queda de 0,5% na última semana. Com as quedas nos preços no mercado de reposição desde o segundo semestre de 2016, a relação de troca está melhorando para o recriador e invernista, aumentando seu poder de compra. Atualmente em São Paulo, são necessárias 7,19 arrobas de boi gordo para a compra de um bezerro desmamado, há um ano esta relação era de 8,63 arrobas, ou seja, melhora de 16,7% no poder de compra do recriador. Para o curto prazo fica a expectativa de como o mercado irá se comportar após a operação “Carne Fraca” e até que ponto isto afetará o mercado de reposição, por enquanto tudo ainda está indefinido e parado.

SCOT CONSULTORIA

Uma ‘nova onda de fiscalização’ começa a ganhar corpo

Redistribuição de pessoal para regiões com maior demanda de trabalho e deslocamentos forçados de fiscais para fábricas de alimentos, sobretudo frigoríficos, são algumas medidas que já estão na ordem do dia

Forçado a dar respostas à sociedade e aos parceiros comerciais do país sobre a qualidade das carnes brasileiras depois de deflagrada a Operação Carne Fraca, no dia 17, o Presidente Michel Temer já determinou que o Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, acelere e aprofunde as mudanças nos trabalhos da Pasta nessa frente, num processo já batizado internamente como uma “nova onda de fiscalização agropecuária”. E as mudanças vão além do fim das indicações políticas para as superintendências regionais do ministério ou de mais aportes em treinamento. Redistribuição de pessoal para regiões com maior demanda de trabalho e deslocamentos forçados de fiscais para fábricas de alimentos, sobretudo frigoríficos, são algumas medidas que já estão na ordem do dia, antecipou ao Valor Luís Eduardo Rangel, Secretário de Defesa Agropecuária do ministério. Mas o maior desafio é implantar um sistema de rodízio para inibir novos casos de corrupção. O governo acredita que, se um fiscal trabalhar menos tempo em uma determinada unidade produtiva, ficará menos exposto a pressões da empresa fiscalizada ou de um mesmo grupo político, tendo em vista que a PF encontrou indícios de envolvimento desses grupos nos casos de corrupção investigados. Apesar de urgentes, essas novidades não podem ser implantadas de um dia para o outro. Mas o processo está caminhando. Na quarta­-feira, será publicado o novo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), que, entre outras medidas, estabelecerá multas maiores para fraudes cometidas por indústrias e permitirá a contratação de veterinários e agrônomos terceirizados para complementar as inspeções. “Essa é a lógica nesse novo modelo. Infelizmente teremos que fazer [as mudanças] com um pouco de pressa, mas temos aí uma chance de qualificar os técnicos do comando, da gestão, para reduzir os problemas dentro de casa”, afirma Rangel. O novo modelo, que ainda deixa dúvidas se apenas atenderá a uma demanda imediata do ministério ou se será permanente, acerta em cheio o dia a dia dos fiscais agropecuários federais, que temem quer suas rotinas mudem completamente caso tenham que se deslocar de tempos em tempos, com a família, para locais distantes de suas cidades de origem. Rangel diz que Blairo já concordou em convocar novos concursos de remoção, que quase sempre abrem vagas para inspeção permanente ­ trabalho que inclui os frigoríficos, onde geralmente há maior demanda e é preciso a presença de um fiscal sempre que há abate de animais. Em algumas grandes unidades, os abates são quase diários. As remoções podem ser voluntárias ou “ex-­ofício”, que é quando o fiscal é obrigado a se deslocar para estabelecimentos onde a inspeção é permanente ­ o que deverá passar a ser mais frequente. Nesse caso, o alvo é fiscal ainda lotados nas inspeções periódicas que são feitas em laticínios e granjas de ovos, entre outras unidades, com frequência mensal, bimestral, semestral ou anual. Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Federais Agropecuários (Anffa), um grande problema da estratégia de remoções é que cerca de 55% do atual contingente de 2,7 mil fiscais na ativa já tem idade e tempo de serviço para se aposentar. Muitos fiscais já estão inclusive acelerando seus processos tendo em vista a iminente reforma da Previdência: 50 fiscais já se aposentaram neste mês de março ­, e esse movimento poderá ampliar um déficit calculado em 800 profissionais. Entre os fiscais, é grande a preocupação com as mudanças que estão por vir e prevalece a percepção de que muitas delas não foram planejadas a contento. Outro temor é que o ministério ressuscite o fantasma da “terceirização”. Também é comum ouvir entre os fiscais que a operação da Polícia Federal causou constrangimentos e abalou a moral da categoria, alvo de centenas de “memes” nas redes sociais. Diante dos ataques, nos últimos dias muitos passaram a defender com mais vigor a honra da corporação. “Infelizmente, os fiscais da área de inspeção animal sempre foram sinônimo de corrupção e personagens do noticiário policial. Mas é uma minoria que faz as coisas erradas”, assume um fiscal. “Num primeiro momento ficamos como vilões da Operação Carne Fraca, porque foi denunciado o desvio de recursos públicos por muitos colegas. Mas já começamos um trabalho para reverter a nossa imagem”, afirmou Maurício Porto, Presidente do Anffa, ao Valor. “Nosso compromisso é com a sanidade dos alimentos e temos que mostrar isso”, completa Porto, que é servidor há 36 anos do Ministério da Agricultura A categoria foi instituída nos moldes atuais em 2000, e há dois anos mudou de nome e seus profissionais passaram a ser chamados de auditores federais agropecuários. Não atua só na área de inspeção animal. Também está presente em portos, aeroportos, lavouras, indústrias de insumos e medicamentos veterinários e em laboratórios do ministério.

VALOR ECONÔMICO

Maiores informações:

ABRAFRIGO

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

Powered by Editora Ecocidade LTDA

041 3088 8124

https://www.facebook.com/abrafrigo/

abrafrigo

Leave Comment