CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 478 DE 22 DE MARÇO DE 2017

abra

Ano 3 | nº 47822 de Março de 2017

NOTÍCIAS

Frigoríficos seguram compra de boi gordo

Por enquanto, indústrias abatem seus estoques, o que ainda não trouxe reflexos para o preço da @. Movimentação lenta é resultado da Operação Carne Fraca. EM SP, a arroba ficou cotada a R$ 146 à vista

A Operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-feira, 17, pela Polícia Federal e que revelou um esquema de fraudes na fiscalização da proteína animal entre frigoríficos e fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, ainda tem poucos reflexos sobre os preços da carne bovina no país, mas a repercussão sobre a comercialização de animais e de carne é relevante. Operadores ouvidos pela reportagem apontaram que o mercado segue esvaziado desde a deflagração da operação, mas essa falta de negócios deve ser interrompida entre quarta e quinta-feira desta semana. “No caso do boi gordo, observamos que, embora exista uma pressão baixista no mercado (de compra e venda de animais), não se verificou uma queda efetiva nos preços da arroba. Isso é justificado pelo recuo dos compradores, os frigoríficos. Eles estão abatendo os animais que já estavam em estoque, mas aguardam uma definição do mercado para se posicionar em relação a novos negócios”, disse o Diretor-Técnico da Informa Economics, José Vicente Ferraz. Em São Paulo, a Informa verificou estabilidade na cotação do boi gordo em relação a ontem, com a arroba negociada a R$ 146 à vista. “Ainda hoje, as compras estão quase que virtuais, por causa da incerteza em relação à operação e como a demanda por exportação vai responder”, afirmou Alcides Torres, Diretor-Fundador da Scot Consultoria. O profissional apontou que, apesar da operação da PF, a demanda por carne no mercado interno já era “baixa, mas estável”, o que fará com que compradores voltem ao mercado ainda nesta semana. “Esse breque que os frigoríficos estão dando na segunda e terça-feira vai ter uma consequência, porque os seus estoques de carne bovina, que já estavam baixos, continuam a ser escoados, porque o consumo interno continua. Assim, uma hora eles terão de voltar ao mercado. Se o pecuarista não entrar em pânico agora (e ceder nos preços), o frigorífico vai ter de pagar um preço melhor mais para a frente.” De acordo com a Scot, a arroba do boi gordo na praça de Araçatuba, no interior paulista, ficou estável em relação a ontem, a R$ 145. Já a XP Investimentos indicou, em relatório de acompanhamento diário, um recuo médio de R$ 0,21 pela arroba do boi no mercado paulista. “Boa parte dos frigoríficos ainda não abriu os balcões para novos negócios e segue abatendo só o que foi programado ao longo da semana passada. A parte das indústrias que saiu às compras veio com reduções significativas de (compra em) balcões. Pecuaristas ainda estão em busca de novidades, mas já começam a ceder”, diz o documento. O levantamento da XP mostra que a arroba do boi gordo ficou em R$ 143,64, de R$ 143,85 no dia anterior. No mercado atacadista, por sua vez, a Informa verificou uma queda de R$ 0,10 por quilo na comparação ao preço registrado ontem, com o traseiro bovino negociado a R$ 11,50/kg. “É difícil isolar o efeito da operação nessa queda, mas é provável que tenha algum reflexo”, afirmou o diretor-técnico da consultoria. Já a Scot relatou estabilidade nos cortes traseiro e dianteiro do boi, a R$ 11,60 e R$ 8/kg, respectivamente. Os preços também ficaram estáveis na apuração da XP no atacado (R$ 9,60/kg). “O boi casado ainda é comercializado com média (entre varejo e atacado) de R$ 9,77/kg, mas informantes reportaram quedas intensas nas vendas de atacado e varejo desde o acontecimento (Operação Carne Fraca) e já cogitam ideia de quedas de preço e até ‘promoções’ para alavancar as vendas”, aponta o relatório.

ESTADÃO CONTEÚDO

Mercado do boi gordo na defensiva

O mercado do boi gordo ainda sente os efeitos da operação “Carne Fraca”, realizada pela Polícia Federal, e isso se traduz em paradeira nos negócios e consequente ausência de referências de preços em quase todas as praças

Muitos frigoríficos ainda aguardam para saber como o mercado reagirá, de forma concreta, a este acontecimento. Por enquanto, muita especulação. Em algumas praças existem empresas ofertando até R$5,00 abaixo da referência. Mas isso está desalinhado com os fundamentos do mercado. Nestes patamares, não há possibilidade de negócios. Ao pecuarista, é importante cautela para a tomada de decisões. Para o curto prazo, fica a expectativa do posicionamento das indústrias com a retomada aos negócios, só assim então teremos um cenário mais claro de como o mercado se comportará.

SCOT CONSULTORIA

Katia Abreu diz que PF praticou crime de lesa-­pátria com Carne Fraca

As consequências da operação, avaliou a ex­-ministra, serão graves para o país

A Senadora do PMDB e ex-­ministra da Agricultura Kátia Abreu fez um duro discurso contra a Operação Carne Fraca, relacionando diretamente a necessidade de aprovação do projeto que aumenta penas por abuso de autoridade, em tramitação no Senado, com a ação dos policiais federais, a que chamou de “infantil”, “ridícula” e que trará grande prejuízo ao país. Praticaram um crime de lesa-­pátria. Essa ação da Polícia Federal pode nos dar um atraso de quase dez anos, por vaidade, por arrogância, por abuso de autoridade”, disse. “Por isso, estamos aqui e vamos aprovar, sim, a Lei de Abuso de Autoridade, doa a quem doer. Não é só para juiz, não! É para todos aqueles que afrontam, que se julgam estrelas acima do bem e do mal, prejudicando Estados por este Brasil afora”, continuou a senadora. As consequências da operação, avaliou a ex­-ministra, serão graves para o país. “O preço do boi vai cair. Nós vamos perder as nossas exportações. Mas o mais grave: nós vamos perder emprego em uma hora terrível, quando temos tantos desempregados, pois grande parte desses frigoríficos são exportadores. Vão todos para a rua”, disse antes de apontar diretamente ao grupo responsável pela operação. “Essa também é uma culpa que vocês, esse pequeno grupo da Polícia Federal, vão carregar em suas consciências. Tentaram, com uma ação medíocre, infantil e baixa, destruir um dos setores mais importantes deste país e vão arcar com essas consequências”, afirmou Kátia.

VALOR ECONÔMICO

Exportações brasileiras já sentem o baque

A Operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-­feira pela Polícia Federal, já começou a provocar estragos no comércio internacional

Enquanto aguardam pelas respostas do Ministério da Agricultura sobre a extensão das irregularidades que possam atingir alimentos exportados pelo Brasil, China, União Europeia, Chile e Coreia do Sul, que em conjunto gastaram quase US$ 4 bilhões ao longo do ano passado com a importação de carnes do país, suspenderam ­ total ou parcialmente ­ as compras dos produtos brasileiros. Ainda que o setor privado seja cauteloso em estimar as perdas financeiras, as exportações no primeiro semestre devem ficar comprometidas, frustrando a expectativa de recuperação acalentada pelas indústrias de carne bovina e limitando a vantagem que os frigoríficos de carne de frango esperavam com o surto de gripe aviária que atinge mais de 50 países ­ entre eles, concorrentes como EUA. Os prejuízos serão tanto maiores quanto mais demorado for o envio dos relatórios técnicos pelo Ministério da Agricultura. Ontem, o ministro Blairo Maggi disse pretender resolver a questão em três semanas. Nesse cenário, já seria quase um mês de embarques sob algum risco. Os problemas não param por aí. Se ontem a lista de países que impuseram algum tipo de trava às carnes chegava a quatro, não há dúvida de que o número pode aumentar. Em 2016, o Brasil exportou para mais de 150 países, obtendo uma receita de bilhões US$ 13,7 bilhões. Desde sexta­-feira, diversos países já pediram esclarecimentos para o ministério. Por ora, o país que mais preocupa é a China, devido à importância do país asiático para os frigoríficos brasileiros e, sobretudo, pelo caráter generalizado do veto temporário aos produtos brasileiros. Desde o domingo, os chineses interromperam a inspeção dos embarques de carnes que chegam aos portos. O Ministério da Agricultura informou que o país não liberará os embarques brasileiros por uma semana, mas há dúvidas no setor privado sobre o prazo. Em entrevista na sede da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ontem, em São Paulo, o Vice-Presidente de mercados da entidade, Ricardo Santin, estimou que, somente de carne de frango, 300 contêineres ou mais de 7 mil toneladas aportam semanalmente na China. O país asiático é de suma importância para as três principais carnes, ocupando o posto de segundo principal destino da carne bovinas e de frango do Brasil, e de terceiro principal da carne suína. No ano passado, os chineses desembolsaram US$ 1,7 bilhão para importar carne do Brasil, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Na tarde de ontem, Blairo Maggi admitiu preocupação com a China e também com a União Europeia. Na visão do ministro, um embargo generalizado e permanente dos dois mercados seria um “desastre completo” não só para as divisas do país, mas também para a população brasileira. A cadeia produtiva das carnes gera 6 milhões de empregos, disse. No caso dos europeus, que gastaram no ano passado US$ 1,6 bilhão com a compra de carne brasileira, os prejuízos, ao menos por enquanto, tendem a ser localizados, visto que a União Europeia só deixará de comprar de quatro unidades ­um frigorífico de bovinos, dois de aves e uma planta de produção de mel ­ envolvidas nas investigações da Polícia Federal. Na tarde de ontem, a União Europeia informou que pediu esclarecimentos adicionais ao Brasil sobre como o país vai assegurar que nenhum desses quatro estabelecimentos continue exportando à Europa. Ao mesmo tempo, Bruxelas anunciou que está acompanhando de muito perto, com os 28 países ­membros, o problema no Brasil, e que pediu aos países ­membros para aumentarem os controles sobre a carne proveniente do Brasil, tanto em termos de documentação como de testes físicos. Em resposta, o Ministério da Agricultura informou ter suspendido as emissões de certificados para exportação das quatro unidades, que pertencem à BRF, JBS, JJZ Alimentos e Breyer. Procurada pelo Valor, a JBS reconheceu o embargo europeu à unidade de Lapa, no Paraná. “A empresa reforça que a planta não foi interditada na operação e não foi constatada nenhuma irregularidade na qualidade dos produtos produzidos pela unidade”. A planta da BRF, localizada em Mineiros (GO), foi interditada pelo Ministério da Agricultura sexta­-feira. Além do veto dos europeus, a BRF também será penalizada pela Coreia do Sul. O país asiático proibiu as compras de carnes da companhia, disse o Ministro Blairo, em entrevista. Procurada pela reportagem, a BRF não respondeu sobre o bloqueio coreano até o fechamento desta edição. No ano passado, os coreanos gastaram quase US$ 170 milhões para importar a carne de frango do Brasil. O número da empresa em si não foi divulgado, mas a BRF é maior exportadora do país. Ainda no que diz respeito à Coreia, também já houve aumento na fiscalização. De acordo com Santin, da ABPA, os coreanos, que até então inspecionavam 1% do produto brasileiro que chegava nos portos do país, passarão a inspecionar 15%. Na mesma linha, os EUA também decidiram aumentar os testes laboratoriais. Os testes deverão ser elevados em até 100% das importações, de acordo com fontes ligadas ao setor nos Estados Unidos. A tendência inicial é não haver descontinuidade nas importações no Brasil. Também não há informações até o momento sobre uma eventual retomada do embargo à carne brasileira. Os trâmites para o fim do embargo de carne “in natura” foram concluídos apenas no ano passado, quando foram realizadas as últimas inspeções de técnicos de um país sobre o outro e vice-­versa. Na América do Sul, o único país que impôs restrições aos produtos brasileiros foi o Chile, ao menos até agora. De acordo com a Embaixada do Chile no Brasil, o embargo temporário a todas as carnes brasileiras valerá até que Brasília envie as respostas técnicas. Depois disso, poderá ser flexibilizado. No ano passado, as vendas dos frigoríficos aos chilenos especialmente de carne bovina ­ renderam US$ 412,1 milhões A expectativa é que, quando o governo brasileiro enviar as explicações, apenas os 21 estabelecimentos investigados na Operação Carne Fraca sigam proibidos de vender ao Chile. Em reação à postura chilena, o Ministro Blairo ameaçou retaliar o país sul­ americano. “Nós somos grandes importadores de produtos do Chile como­ peixes, frutas ­ e os produtores brasileiros vivem reclamando que deveríamos criar barreiras. O comércio é assim, não tem só bonzinho. Comércio é feito a cotovelada e se eu tiver que ter uma reação mais forte com o Chile eu terei”, disparou. O ministro espera que o veto chileno fique circunscrito àquelas 21 plantas investigadas pela Polícia Federal. Essa também é a esperança da Marfrig, que não foi citada na Operação Carne Fraca. Em nota, a empresa informou que Chile e a China, que suspenderam a carne sem distinção de envolvidos na investigação, representam 8,8% das vendas da operação de carne bovina no Brasil e 3% do faturamento total.

VALOR ECONÔMICO

Brasil espera derrubar veto da China à importação de carne, diz secretário

O Brasil espera derrubar em breve a proibição anunciada pela China às importações de carne do país após um escândalo que envolve investigações da Polícia Federal sobre supostas propinas pagas para venda de produtos sem inspeção, disse à Reuters um secretário do Ministério de Agricultura

A pasta teve uma videoconferência com autoridades chinesas na noite de segunda-feira (horário de Brasília), na qual a China pediu mais garantias de que o escândalo não terá efeitos sobre a qualidade sanitária dos produtos brasileiros. A China anunciou uma suspensão temporária das importações de carne do Brasil na segunda-feira, após as denúncias da PF na semana passada. “Nós vamos apresentar essa carta a eles hoje com nossas garantias e uma vez que o tenhamos feito, esperamos que as restrições às importações sejam retiradas”, disse o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luís Eduardo Rangel. “Nós estamos confiantes de que não há riscos de saúde pública associados à carne brasileira”, acrescentou Rangel. A China, por sua vez, pediu que o Brasil adote medidas de segurança mais severas em seus embarques de alimentos. A porta-voz a do Ministério de Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, disse a jornalistas que “a China está preocupada com os problemas de qualidade de alguns produtos de carne do Brasil”. Hua Chunying recusou-se a comentar quando a proibição temporária às importações de carne do Brasil poderá ser retirada. Essa decisão será tomada pela Administração Chinesa de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena (AQSIQ, na sigla em inglês). Na videoconferência da noite de segunda-feira, autoridades do governo brasileiro conversaram com o vice-ministro da AQSIQ sobre o assunto, disse uma fonte com conhecimento do assunto. A reunião foi a discussão em mais alto nível entre as duas nações sobre o assunto até o momento, ressaltando a urgência com que Brasil e China querem evitar mais interrupções no comércio. O Brasil é o maior fornecedor de carne bovina à China, respondendo por cera de 31 por cento das importações do país na primeira metade do ano passado. O segundo maior fornecedor, a Austrália, ainda está reconstruindo seu rebanho após uma seca, e não é vista como capaz de satisfazer a ascendente demanda chinesa. O Brasil também fornece mais de 85 por cento das importações de carne de aves da China, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA. Outros grandes produtores, como os EUA e alguns mercados europeus menores, estão proibidos de vender à China devido a surtos de gripe aviária. Autoridades do Ministério da Agricultura do Brasil também confirmaram que Hong Kong anunciou um veto a todas importações de carne brasileira até que o governo brasileiro envie mais informações sobre o escândalo em investigação. Hong Kong é o segundo mercado de exportação para a carne brasileira, tendo totalizado 1,62 bilhão de dólares em 2016. A China foi o maior mercado, com 1,75 bilhão de dólares.

REUTERS

Público deve buscar selo SIF na carne e conferir se freezer “goteja”

Professor da Unicamp afirma que os conservantes utilizados pelas indústrias da carne, mencionados nos relatórios da Polícia Federal, são autorizados pelas autoridades sanitárias brasileiras e não são capazes de modificar a essência dos produtos

O cuidado com a temperatura na conservação de alimentos frescos e perecíveis como a carne é a principal dica de especialistas para os consumidores após a deflagração da Operação “Carne Fraca”, pela Polícia Federal, na última sexta­-feira (17). A ação bloqueou R$ 1 bilhão de empresas suspeitas de subornar fiscais para que carnes vencidas fossem reembaladas e liberadas para comercialização. Algumas das maiores empresas do ramo alimentício do país estão na mira das investigações, entre as quais a JBS, dona do Big Frango, da Friboi e da Seara, e a BRF, detentora das marcas Sadia e Perdigão. Segundo Sonia Amaro, advogada e representante da Proteste ­ Associação de Consumidores, o posicionamento da entidade é que os consumidores deixem de comprar carnes que têm como origem os frigoríficos alvo da operação. Ela explica que a orientação tem como objetivo evitar malefícios à saúde dos consumidores que, como leigos no assunto, não têm condições de garantir a qualidade dos produtos. “Com tudo que foi divulgado nessa operação, o nosso posicionamento, diante da gravidade do assunto é dizer para o consumidor: não compre produtos dessas empresas. O consumidor, que é a parte vulnerável, não pode ter a certeza de que a carne não vai fazer mal à sua saúde. Como ele vai se proteger? Não tem como. Por isso, a Proteste adotou essa postura”, disse Sonia. Sonia Amaro e o professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (Universidade de Campinas) Sérgio Pflanzer, doutor em Tecnologia de Alimentos, dão dicas gerais para o consumidor ficar atento na hora de ir ao supermercado. Para as peças vendidas em bandejas de isopor e embaladas com plástico, a atenção à cor e ao aroma são as principais orientações. Em geral, alertam os especialistas, o prazo de conservação aceitável desse tipo de alimentos em refrigeradores é de no máximo três dias. “Como entidades de proteção ao consumidor, nós sempre recomendamos que seja observada minimamente a higiene do local. Checar se os funcionários que estão em contato com alimento usam luvas e toucas. Em segundo lugar, o aspecto do produto, verificar se a embalagem não está violada, e o cheiro do alimento”, aconselha Sonia Amaro. A representante do Proteste sugere também que os consumidores analisem se não há água escorrendo dos refrigeradores, porque isso pode ser um sinal de que foram desligados à noite. De acordo com o professor da Unicamp, a temperatura precisa de um “controle rigoroso”, tanto na aquisição por frigoríficos como no armazenamento em supermercados e açougues. A preferência por carnes que possuem embalagens originais também é recomendada, pois nelas é possível saber a origem do produto e se ele possui selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF). “Essa é a maior garantia de que a carne foi inspecionada. Vamos imaginar que, quase na totalidade, o sistema funciona muito bem, salvo algumas exceções que a Polícia Federal mostrou que existem falhas de fiscalização. São pontuais, mas existem. Então, a gente parte do princípio de que o serviço de inspeção federal é o melhor. Depois, a gente tem o estadual, o municipal, que sou honesto em dizer que nem sempre funciona da mesma maneira”, diz Sérgio Pflanzer. “Maquiagem” O professor da Unicamp afirma que os conservantes utilizados pelas indústrias da carne, mencionados nos relatórios da Polícia Federal, são autorizados pelas autoridades sanitárias brasileiras e não são capazes de modificar a essência dos produtos. “Foi falado em alguns momentos que a indústria maquiava a carne para comercializar. Essa é uma interpretação errada, no meu entendimento. Com as substâncias aprovadas, isso não é possível. Você não consegue utilizar [aditivos] para mascarar uma carne deteriorada. Visualmente, quando você adiciona algum produto, a carne fica pior do que estava antes”, disse Pflanzer, mencionando conservantes como nitrito, fosfato e os ácidos sórbico e ascórbico [vitamina C]. “Nenhuma dessas substâncias aprovadas consegue mascarar uma carne fresca deteriorada”, afirma. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo o especialista, aprova a utilização dos produtos, a maioria com um limite máximo permitido. “Se eu usar em excesso, o produto vai ficar caro, porque os ingredientes são caros, e vão desenvolver características indesejáveis ao produto. Se eu colocar demais, por exemplo, o ácido ascórbico, que foi falado muito nos últimos dias, a percepção sensorial vai ficar comprometida. O consumidor estará seguro, ela não causa mal, mas ninguém vai conseguir consumir o produto, então a indústria não vai fazer isso”, argumenta. O professor alerta para a importância dos fiscais agropecuários ao analisar as características de refrigeração e de validade da carne. “Cabe à fiscalização liberar ou não. Não é porque chegou um carregamento que deveria estar armazenado a 7ºC e estava a 8ºC [que obrigatoriamente deve ser descartado]. Existem outros dados que indicam que a carne não pode ser comercializada, como a cor e o aroma”, diz. No caso de alguma carne vencida, Sérgio explica que o congelamento inibe o crescimento de bactérias, o que pode manter a segurança do alimento. “Ela deveria também ser descartada, mas se for utilizada, não vai oferecer risco. Na maioria dos casos, eles não são autorizados. Mas dependendo da condição, o fiscal pode liberar. Cabe a ele avaliar lote a lote, peça por peça, se podem ser utilizados”, afirmou.

VALOR ECONÔMICO

Peritos federais se queixam

A APCF afirma ainda que informações sobre o dano à saúde pública não foram baseadas no trabalho científico dos peritos

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) divulgou nota ontem afirmando lamentar que a participação dos especialistas da corporação em análise de fraudes alimentares não tenha sido empregada durante as investigações da operação “Carne Fraca”. A nota diz que “a abordagem quase exclusiva de provas contingenciais” causou a impressão equivocada de que as investigações poderiam ser concluídas sem uma análise técnica mais detalhada. Segundo a APCF, a atuação adequada dos peritos em todas as etapas das investigações, e não apenas na deflagração, “teria propiciado a correta interpretação dos dados técnicos em apuração” e evitado prejuízos econômicos e comerciais. A associação lembra, ainda, que a Polícia Federal tem 27 peritos criminais federais aptos a compor equipes multidisciplinares de investigação técnico­ e científica de fraudes alimentares, como já ocorreu com as operações “Ouro Branco” ­ sobre fraude em leite, deflagrada em 2007 ­ e “Vaca Atolada” ­ fraude em carnes, desencadeada em 2012. A APCF afirma ainda que informações sobre o dano à saúde pública não foram baseadas no trabalho científico dos peritos. A entidade diz que apenas um laudo pericial da corporação foi pedido durante a investigação e este não foi conclusivo.

VALOR ECONÔMICO

Pecuaristas mato-grossenses têm abatido bovinos que geram cada vez mais carne

O abate de bovinos em Mato Grosso avançou 0,81% no comparativo anual, ficando em 4,57 milhões de cabeças, ao passo que a produção de carcaça aumentou 3,61% no mesmo período, totalizando 1,21 milhão de toneladas de carcaça

Boi gordo: No dia 15/03, o IBGE divulgou os dados da pesquisa trimestral de abate de animais, consolidando a produção e abate de bovinos de 2016. Segundo o Instituto, o abate de bovinos em Mato Grosso avançou 0,81% no comparativo anual, ficando em 4,57 milhões de cabeças, ao passo que a produção de carcaça aumentou 3,61% no mesmo período, totalizando 1,21 milhão de toneladas de carcaça. Esses dados reiteram o avanço dos pecuaristas mato-grossenses, que têm conseguido abater bovinos que geram cada vez mais carne, média de 17,68 arrobas por animal (maior da história), e, ainda assim, estes têm sido abatidos cada vez mais jovens. Dito isto, destaca-se o papel do bovinocultor de corte de Mato Grosso, que mesmo em meio a diversas pressões (crescimento da agricultura, crise econômica, etc.), tem evoluído, e, se continuar assim, poderá alçar voos ainda maiores.

* Mesmo com o mercado retraído, os preços da arroba do boi gordo e da vaca gorda desfrutaram valorizações de 0,61% e 0,58% sendo comercializados a R$ 126,59 e R$ 121,85, respectivamente.

* Com uma maior procura pelo bezerro de ano, o preço dessa categoria aumentou pela quarta semana consecutiva, ficando cotado a R$ 1.119, 46/cab.

* Todos os equivalentes registraram leves elevações, por causa dos reajustes verificados no traseiro e dianteiro com osso. O destaque fica com o equivalente físico (EF), que exibiu um avanço de 1,08%.

* A relação de troca boi/bezerro subiu 0,16% nesta semana, tendo em vista que a valorização na arroba sobrepujou o aumento no preço do bezerro. Dessa forma, com a venda de um boi gordo é possível comprar 1,92 bezerro.

DESVALORIZOU: A bovinocultura de corte vem demonstrando consecutivas desvalorizações em todos os elos da cadeia. Em fev/17, a queda foi de 2,62% no preço da carne bobina no atacado e 1,32% no boi gordo, em relação a janeiro/17. Ainda que todos os setores estejam sofrendo com recuos, a diferença entre a carne bovina no atacado e a arroba do boi está em patamares elevados. Tal fato demonstra uma maior “margem” dos frigoríficos em meio ao cenário ruim da economia brasileira, visto que estes, apesar de estarem recebendo menos pelo seu produto (carcaça casada), têm conseguido pagar ainda menos pela sua matéria-prima principal (boi gordo). Desta forma, ainda que o cenário de preços do boi gordo que se construiu nos últimos meses em Mato Grosso seja desanimador, ainda há espaços para os pecuaristas negociarem melhores preços.

Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Maiores informações:

ABRAFRIGO

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

Powered by Editora Ecocidade LTDA

041 3088 8124

https://www.facebook.com/abrafrigo/

abrafrigo

Leave Comment