CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 448 DE 03 DE FEVEREIRO DE 2017

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Ano 3 | nº 448 03 de Fevereiro de 2017

NOTÍCIAS

Receita das indústrias frigoríficas caiu

O começo do mês não trouxe melhora para as vendas. Até agora, o mercado de carne bovina de 2017 “segue sem saber” o que é alta. São cinco semanas de quedas de preços, mais de 6,0% de desvalorização acumulada no período

No acumulado dos últimos sete dias o recuo foi de 1,93%, em média. Os recuos maiores quase sempre vêm da carne de traseiro, produto normalmente mais caro que o dianteiro e, portanto, menos demandado em períodos de renda restrita como o atual. Os preços atuais dos cortes geram uma perda real de receita ao frigorífico de 12,0% frente ao mesmo período de 2016 e de 4,6% em relação a 2015. Ou seja, em dois anos as indústrias não conseguiram sequer reajustar seus preços nominais a ponto de anular as perdas impostas pela inflação (IPCA) neste período. O IPCA-15 de janeiro, índice de inflação aferido entre a segunda quinzena do mês anterior e primeira metade do mês de referência (janeiro de 2017) ficou em 0,31%, o menor valor desde 2001. Embora seja positivo para o poder de compra da população, sem crescimento econômico, sozinho este recuo não pode alavancar as vendas no varejo. Sem incremento nas vendas, não há retenção de oferta por parte do pecuarista ou qualquer outra estratégia capaz de fazer com que o mercado do boi gordo ganhe força.

SCOT CONSULTORIA

Brasil exporta 87,1 mil toneladas de carne bovina in natura em janeiro

O bom número ficou acima do mesmo mês do ano passado…

O Brasil fechou janeiro com vendas externas de 87,1 mil toneladas de carne bovina in natura em janeiro, um bom resultado para o primeiro mês do ano. O resultado também ficou acima do verificado no mesmo mês do ano passado, em 11,78%. A recuperação do preço das commodities (bens primários com cotação internacional) fez a balança comercial registrar o segundo melhor resultado da história para meses de janeiro. No mês passado, o país exportou US$ 2,725 bilhões a mais do que comprou do exterior, crescimento de 198% em relação a janeiro de 2016 (US$ 915 milhões). Os números foram divulgados nesta quarta-feira, dia 1, pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

MICE

Brasil pode retirar até junho limites para estrangeiro comprar terras

O Brasil pode aprovar uma lei até o fim de junho para suspender os limites a compras de terras agrícolas por estrangeiros, disse o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, acrescentando que apoia a manutenção de algumas restrições para garantir que a terra seja usada produtivamente

O projeto de lei, que ainda tem que ser apresentado ao Congresso, acabaria com uma proibição para a compra de grandes propriedades de terras agrícolas por estrangeiros imposta em 2010, durante o governo do então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento faz parte de uma série de medidas do governo para a retomada do crescimento econômico, em meio à pior recessão em décadas. “Vão ocorrer mudanças”, disse Blairo Maggi em entrevista à Reuters em Brasília. Questionado se a lei poderia ser aprovada no primeiro semestre de 2017, ele disse que “poderia”. “Eu não estou preocupado com a propriedade da terra… Estou preocupado com o uso da terra”, acrescentou Blairo. A lei iria, segundo o Ministro, tentar evitar especulação de terras e que grandes fundos de investimentos estrangeiros comprassem grandes pedaços de terra somente para deixá-los ociosos caso os preços das commodities caíssem. Ao invés disso, Blairo disse que reformas iriam procurar apoiar o investimento estrangeiro em produtos agrícolas com ciclos mais longos de produção como laranjas, florestas para a produção de celulose, cana-de-açúcar e café. Restrições se aplicariam à soja, milho e outras safras que são colhidas no mesmo ano em que são plantadas. O Ministro afirmou que há um apetite particular de produtores estrangeiros de papel e produtores de soja dos EUA para comprar terras brasileiras. Mas ele descartou a ideia, proposta por alguns dentro do governo, de que pelo menos 10 por cento da terra adquirida por estrangeiros seja destinada a projetos de reforma agrária. “Não vai funcionar. Sou contra isso. É uma penalidade para a pessoa vir até aqui, uma taxa”, disse ele. Os planos de mudanças ocorrem no momento em que o Brasil busca abrir mercados, do setor de companhias aéreas ao de petróleo, enquanto grande parte do mundo parece estar se voltando para dentro. Nos Estados Unidos, uma potência agrícola rival, o Presidente Donald Trump acabou com o acordo comercial Transpacífico. “Muitas oportunidades irão se abrir agora… Essas mudanças que o Presidente Trump está propondo, e a forma que está fazendo, estão interferindo em muitos mercados”. Produtor de soja que tornou seu negócio um dos maiores do setor no país antes de se tornar Governador de Mato Grosso, Blairo irritou ambientalistas com algumas de suas posições. Em 2005, o Greenpeace deu a ele o prêmio Motoserra de Ouro, para “o brasileiro que mais contribuiu com a destruição da Amazônia”. Blairo nega tais alegações, argumentando que nenhum grande produtor agrícola preserva tanto suas terras quanto o Brasil, onde 61 % do país é protegido por uma forte legislação ambiental. Sem tocar nessa área protegida, Blairo disse que quer aumentar a cota do Brasil no mercado agrícola global para 10 por cento em cinco anos, ante 7 por cento hoje. Para fazer isso, ele viajou intensamente desde que assumiu o cargo em maio, visitando à Ásia e à Europa. Ele destacou o Vietnã e a Malásia como mercados com potencial de crescimento. Mas parte de seu trabalho mais difícil talvez seja, ironicamente para um Ministro, lidar com questões que envolvem a burocracia governamental. “Uma das coisas que mais afeta os resultados de produtores é a burocracia, regras criadas anos atrás que fazem pouco sentido hoje e custam dinheiro para aderir”, disse Blairo. Seu ministério identificou cerca de 200 regras e regulações julgadas antiquadas ou ineficazes. Essas serão atualizadas para tentar reduzir os custos para produtores. “Deixe o mercado livre para que ele possa correr mais rápido”, disse ele.

Reuters

Cenário de preços frouxos predomina no mercado do boi gordo

A pressão de baixa é o cenário predominante no mercado do boi gordo, ainda que as alterações nas referências ocorram gradativamente

No fechamento da última quinta-feira (2/2), ocorreram oito quedas e três altas para o boi gordo. Minas Gerais permanece como destaque dentre os estados com recuo de preços. A falta de sustentação nos preços e a dificuldade de escoamento para a carne gera este cenário de preços frouxos para os animais terminados. No mercado atacadista de carne bovina com osso, cotações estáveis. No atacado de carne bovina sem osso e no varejo, cujo fechamento semanal fazemos hoje, as quedas foram de 1,9% e 0,4%, respectivamente.

SCOT CONSULTORIA

Cepea: Demanda enfraquecida pressiona valores

O mês de janeiro terminou com poucas negociações de animais para abate

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), a demanda enfraquecida fez com que indústrias não mostrassem muito interesse de compra e abrissem valores menores na aquisição de novos lotes. Por outro lado, a oferta não foi expressiva, visto que pecuaristas com bois de pasto optaram, na maioria dos casos, por recuar nas vendas frente às ofertas de compra mais baixas de frigoríficos. Tal posicionamento impediu quedas ainda mais expressivas nas cotações. De acordo com pesquisadores do Cepea, lotes maiores e para atender mercados específicos foram negociados a valores mais altos, mas acabaram tendo influência relativamente limitada na formação das médias diárias. No acumulado de janeiro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo (estado de São Paulo) cedeu 2,5%, fechando a R$ 145,79 no dia 31. Nos últimos sete dias (de 25 de janeiro a 1º de fevereiro), a baixa foi de ligeiro 0,2%, a R$ 145,77 nessa quarta, 1º.

Cepea

EMPRESAS

Por determinação do Cade, JBS fecha frigoríficos em São Paulo e Goiás

Para atender a uma determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o JBS informou hoje o fechamento dos frigoríficos de bovinos de Santa Fé do Sul (SP) e Cachoeira Alta (GO)

As plantas, que estavam arrendadas, pertencem ao Rodopa. O encerramento das atividades dois frigoríficos, que podem provocar a demissão de cerca de 1 mil funcionários, é uma decorrência do descumprimento de um acordo firmado por JBS e Rodopa com o órgão antitruste em 2014. Em outubro do ano passado, o Cade cancelou o acordo devido ao descumprimento. Quando autorizou o arrendamento das unidades do Rodopa, o Cade impôs restrições. Dentre elas, estava a venda da marca Tatuibi, de propriedade do Rodopa. O órgão antitruste também havia determinado que os níveis de produtividade das três plantas arrendadas pela JBS fossem mantidos. Em outubro do ano passado, quando decidiu anular os arrendamentos, o relator do caso no Cade, conselheiro Márcio de Oliveira, afirmou que o acordo foi descumprido quase totalmente. “Os principais remédios assumidos pelas requerentes não foram cumpridos, o que equivaleria a excluir por vias transversas as condições impostas pelo Cade para aprovar a operação”, afirmou Oliveira, na época. Em nota, a JBS informou hoje que a decisão do Cade “inviabilizou operacional e economicamente as atividades das unidades”. Segundo a empresa, o volume que era produzido nas unidades de Santa Fé do Sul e Cachoeira Alta será transferido para outras unidades. A empresa informou, ainda, que oferecerá a possibilidade de transferência para os 1 mil funcionários das duas unidades. “A companhia oferecerá aos colaboradores a possibilidade de transferência para outras unidades. Para os que não manifestarem a opção pela transferência, a JBS promoverá o desligamento, de acordo com a legislação”.

VALOR ECONÔMICO

JBS fecha unidade em Santa Fé do Sul, SP

Em 1º de fevereiro, a empresa já havia encerrado as atividades na planta de Coxim, MS

A empresa de alimentos JBS anunciou o fechamento da unidade de Santa Fé do Sul (SP) nesta quinta-feira, 2. Cerca de 600 funcionários devem ficar sem emprego. A empresa opera no processamento de carnes bovina, suína, ovina e de frango e no processamento de couros. De acordo com a assessoria de imprensa da JBS, o encerramento das atividades ocorre devido à decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que “inviabilizou operacional e economicamente as atividades da planta”. A assessoria da JBS informa que o volume de produção será transferido para outras fábricas da empresa no Estado, em Lins (SP) e Andradina (SP). A empresa atuava na cidade desde 2013 e realizava atividades de abate e desossa de bovinos. Segundo a assessoria, cerca de 620 colaboradores trabalhavam na unidade e oferecerá aos funcionários a possibilidade de transferência para outras unidades. Para os que não manifestarem a opção pela transferência, a JBS promoverá o desligamento, de acordo com a legislação. O Cade informou à reportagem do G1 que, para preservar a concorrência no mercado e defender o consumidor, impôs condições ao arrendamento da planta de Santa Fé do Sul efetivado pela JBS. Tais condições, de acordo com a assessoria de imprensa, foram negociadas e inseridas em um acordo, assinado pelo conselho e pela empresa. “Em outubro de 2016, o Cade constatou que essas condições não foram integralmente cumpridas pela JBS e pelo descumprimento do acordo a empresa foi obrigada a não operar a planta e devolvê-la ao arrendante”, diz a nota. No dia 1º, a JBS encerrou suas atividades na unidade de Coxim (MS). A planta trabalhava exclusivamente com abate de bovinos. Em nota, a empresa afirmou que a decisão resulta do término do contrato de sublocação da unidade. “Após tentativas de negociação com a locatária do estabelecimento (River Alimentos Ltda.) não foi possível chegar a um acordo que permitisse a manutenção da operação”, informou. Em Coxim, a JBS mantinha 210 colaboradores. A companhia oferecerá a eles a possibilidade de transferência para outras unidades e os que não puderem ou não aceitarem a transferência serão desligados, “de acordo com aquilo que prescreve a legislação”, acrescentou a empresa. A JBS arrendou em 2012 o frigorífico pertencente à River Alimentos, na época com capacidade para abater 450 cabeças de gado por dia.

G1 e Estadão Conteúdo

Aurora tem queda de 55,7% no lucro de 2016, por baixo consumo e altos custos

A Aurora Alimentos informou na quinta-feira (2) que teve um lucro de R$ 109,2 milhões em 2016, queda de 55,7% em relação aos R$ 246 milhões registrados em 2015, influenciada por queda de consumo no país e encarecimento de insumos

“O exercício recém-encerrado ficará marcado na história brasileira por um quadro de dificuldades, assinalado pela recessão econômica, desemprego e baixo nível de consumo”, disse o Presidente da Aurora, Mário Lanznaster, em nota divulgada à imprensa. A receita operacional bruta da Aurora somou R$ 8,56 bilhões em 2016, alta de 12,88% em relação a 2015. A empresa elevou o abate de suínos em 1,6%, para 4,55 milhões de cabeças no ano passado. No total, forma produzidas 383,9 mil toneladas de carne suína in natura, alta de 2,9% em relação a 2015. Já o processamento de carne suína ficou estável (+0,6%), em 307,4 mil toneladas de produtos industrializados. No segmento de aves, foram abatidos 247 milhões de frangos em 2016, alta de 5,9% ante 2015. Foram produzidas 514 mil toneladas de carne de ave in natura e 56 mil toneladas de produtos industrializados de aves, aumentos de 6,8% e 1%, respectivamente, em relação ao ano anterior. A Aurora teve 76% do seu faturamento resultante de vendas no mercado doméstico e o restante de exportações. A empresa registrou aumentos de volumes e preços de vendas nas Regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto no Sul e Norte ocorreu redução nos volumes e aumento nos preços. A Aurora informou que espera redução nos custos de produção, diante das previsões para crescimento da safra de grãos, e melhores resultados operacionais em 2017.

CARNETEC

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